Maceió onde o sol brilha o ano inteiro em uma orla agitada e atraente

Dec 31, 1969
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A primeira impressão não poderia ser melhor. Você chega e se depara com um mar de água tão verde quanto na foto da reportagem. Surpreso com a cena, diante da fileira de coqueiros junto ao calçadão, você logo descobre que não é qualquer cidade litorânea que tem uma orla tão atraente como a de Maceió. Talvez seja por esse motivo que a capital alagoana é tão paparicada pelas principais operadoras de turismo. Mas não é só isso: há também o sol brilhando o ano inteiro, a brisa constante que sopra do mar, os passeios de jangada, os bons restaurantes, os preços em conta e um clima pacato de cidade de interior.

Piscinas naturais

A concentração turística de Maceió fica na avenida beira-mar, que muda de nome a cada curva. Ali estão os grandes hotéis, sempre como um incessante entra-e-sai de gente, e as barracas-restaurantes que ficam abertas até altas horas da madrugada.

O principal programa da cidade é circular pela orla das três praias centrais – Pajuçara, Ponta Verde e Jatiúca. A mais movimentada delas é a Pajuçara, uma praia dominada pelas jangadas que fazem passeios até as piscinas naturais, dois quilômetros mar adentro. Os jangadeiros travam uma verdadeira batalha pelos turistas. Basta colocar os pés na areia para alguém oferecer o passeio.

O passeio às piscinas da Pajuçara é uma boa maneira de começar as férias em Maceió. As jangadinhas deslizam mansas por cinco minutos até estacionar ao lado do banco de corais onde o mar volta a ficar razinho. O pessoal passa um tempo ali, com a água morna batendo na cintura, enquanto os garçons das jangadas-bares correm para lá e para cá, servindo bebidas e petiscos. Dá até para alugar um snorkel e enfiar a cara na água para ver os cardumes de peixinhos-sargento.

O horário de saída dos barcos depende da tábua de marés, já que é na baixa que as piscinas naturais ficam à mostra. E tanto faz se for de dia ou de noite. Muita gente faz o passeio na lua cheia, quando a maré baixa tanto que dá até para estender uma toalha sobre os arrecifes e fazer um piquenique. Ali, em plena noite clara, no meio do mar, acontecem altos luaus.

Se você estiver num grupo de amigos, esse poderá ser o melhor passeio da viagem. As praias de Ponta Verde e Jatiúca são melhores para o banho de mar, pois você não disputa espaço na areia com jangadas e tantos banhistas. Ambas têm barracas bacanas que também funcionam como restaurante, atendendo principalmente aos hóspedes dos hóteis. Os melhores cinco estrelas da cidade ficam nessas duas praias, caso do Meliá e do Jatiúca Resort. Há também o Ritz Lagoa da Anta, na praia vizinha de Cruz das Almas.

Praias vizinhas

Praia do Francês - Maceió, AlagoasUma das vantagens de Maceió – você vai descobrir rapidamente – é que a cidade vai além de seus limites geográficos. Tanto que duas das praias mais famosas de lá, Francês e Gunga, ficam em outros municípios. Mas isso pouco importa. Afinal, não dá para passar a semana inteira restrito apenas às três praias centrais. Em quase todos os hotéis, as agências de turismo distribuem panfletos para divulgar os passeios, e não só para o Francês e o Gunga, mas também para outros trechos do belo litoral de Alagoas, como Maragogi, a 140 quilômetros de Maceió, já na divisa com Pernambuco. Também existe a opção de alugar um carro em alguma locadora regional, o que é muito mais prático e interessante, pois você pode montar seu próprio roteiro.

Praia do Francês

De todas as boas praias, você provavelmente ouvirá falar mais da agitada Praia do Francês, que fica a 23 quilômetros do centro da capital. No canto esquerdo dela, há uma parede de arrecifes que deixa o mar bem calmo, perfeito para a criançada ficar à vontade. No canto direito, ficam as boas ondas que fazem a festa da turma do surfe.

A praia do Francês é bem bonita e agrada bastante. O problema é a muvuca. No verão, as barracas do Francês ficam lotadas, com gente ouvindo axé no volume máximo dos alto-falantes. E os ônibus de excursão, que fazem uma longa fila na rua que dá acesso à praia, só não são em maior número do que os vendedores de quinquilharias. Esses bombardeiam os banhistas a todo momento, oferecendo de tudo: rede, artesanato, óculos escuros, camiseta, bronzeador e tira-gostos em geral.

Se quiser um pedaço de areia mais sossegado, você terá que andar até o canto direito da praia, no tal trecho das ondas, onde não há mesas nem barracas. Ou esticar até a vizinha Barra de São Miguel, reduto de condomínios de luxo. O cantor Djavan e Teresa Collor, dois filhos da terra, são algumas das celebridades que têm casas por lá.

Praia do Gunga

Mas a principal atração do litoral sul-alagoano é, sem dúvida, a praia do Gunga, que – esta sim – merece toda a fama que tem. Há duas formas de chegar ao Gunga: nos barcos que saem de Barra de São Miguel, pela manhã, cruzando a lagoa até chegar à ponta de areia onde começa a praia, ou de carro, seguindo pela AL-101. A praia fica a 42 quilômetros de Maceió, ou meia hora de carro.

No Gunga não há construções à beira-mar, porque toda a área faz parte de uma fazenda de coco. Se for de carro, você terá que passar pelo portão metálico na entrada da fazenda. Até uns meses atrás, só as vans das agências conseguiam autorização para entrar. Mas por ordem judical, a passagem foi liberada para todos. O porteiro ainda pedirá o cartão do Praia Hotel Enseada, que é do mesmo dono da fazenda, mas nem precisa, porque ninguém mais é barrado.

A fazenda protegeu a praia da especulação imobiliária. Porém, o lugar não é deserto: lá há vários bares. Em alguns, até rola um forrozinho ao vivo para animar a galera. Pouca gente resiste a dar uma caminhada sossegada pela praia ou pegar um buggy que vai até as falésias da Lagoa Azeda, a 9 quilômetros de distância. Pena que o passeio dura pouco tempo: só uma horinha. O curioso é que a Praia do Gunga tem hora para fechar. Depois que os barcos voltam com os turistas para Barra de São Miguel, por volta das quatro da tarde, as barracas fecham e a praia fica deliciosamente vazia.

Lagoa do Mundaú

O passeio até o Gunga vai lhe tomar o dia inteiro. Se você voltar no final da tarde, ainda poderá ver o pôr-do-sol do alto da ponte, sobre a Lagoa do Mundaú. Lá de cima dá para ver o movimento dos barcos que fazem o passeio pelas nove ilhas da lagoa. É um passeio muito divulgado, mas há quem o ache sem graça e demorado, pois dura cinco horas. Pelo menos, não é caro e dá direito a frutas e água a bordo. A saída dos barcos acontece no pier do restaurante O Peixarão (bom, por sinal), que fica no Pontal da Barra.

Mas há outro motivo, até melhor do que o passeio nas nove ilhas, para você conhecer a Lagoa do Mundaú. É que, nas margens da lagoa, há muitos restaurantes onde se pode beber, comer à vontade e ainda sair rindo com a conta, de tão barata. Basta seguir as placas indicando “Massaguera” quando estiver voltando do litoral sul. Poucos turistas vão aos restaurantes à beira da lagoa. O lugar é mais freqüentado pelos próprios moradores de Maceió. Eles não desperdiçam a chance da economia, pois o preço das refeições chega a ser metade do que se cobra nas barracas da praia do Francês. Os restaurantes são simples, sem frescuras, mas a comida é boa e honesta.

Vida Noturna

O Maikai, um dos barzinhos transados de Maceió, Alagoas - Foto: Tales AzziTalvez o que mais faça falta em Maceió, para o turista, é que não há muito o que ver e fazer a duas quadras de distância da orla. A cidade não tem um centro histórico importante, tal como Salvador ou Recife. O mais perto que chega disso está no bairro do Jaraguá, na região portuária, onde os antigos galpões do porto foram reformados e pintados com cores vibrantes. A fiação elétrica foi para debaixo da terra e algumas ruas ganharam postes antigos novinhos em folha.

O Jaraguá já foi um bairro boêmio, mas o movimento caiu bastante nos últimos tempos, por causa dos aluguéis caros que afugentaram os donos de bares. Os luminosos na Rua Sá e Alburquerque deram vez às faixas de vende-se ou aluga-se. E até o Virgulino, uma mistura de restaurante com casa de shows, que por tanto tempo fez a fama da noite de Maceió, fechou as portas há alguns meses.

Mas não vá pensando que o agito noturno acabou. Só mudou de endereço. Agora fica todo na Rua Carlos da Silva Nogueira, pertinho da praia da Jatiúca, com boa segurança. Nem se preocupe em decorar o nome da rua. Basta perguntar onde ficam os bares, que todo mundo já sabe e informa o caminho. Está tudo numa única quadra, dos barzinhos com música ao vivo às boates. A escolha depende apenas do seu pique, ou da hora que quiser acordar no dia seguinte.

Quanto mais cedo você levantar, melhor. O sol já está alto às sete da manhã, deixando a água do mar com aquela cor verde saturada, igualzinha à da foto no início desta reportagem. E o visual do marzão de Alagoas é apenas a primeira das surpresas que o aguardam por lá. Maceió é terra boa que só!

Bons preços para viajar

Maceió ganhou fama de ser uma cidade barateira. Os preços dos pacotes para lá estão entre os mais em conta para o Nordeste. As tarifas dos hotéis não assustam tanto. Nas lojinhas de artesanato, então – e você verá muitas delas – a impressão que se tem é que tudo está em liquidação. Até nos restaurantes mais transados, acostumados a receber os turistas de carteira cheia, os preços são bem razoáveis, sem decepcionar na qualidade da comida.

São remotas as chances de você voltar de Maceió louco de saudade da comida caseira da sua avó. Quando o assunto é restaurante, a capital alagoana vira um prato cheio. São tantas e boas as opções que fica até difícil escolher um lugar para jantar. Sem falar na variedade dos cardápios, que vai da regionalíssima carne seca com macaxera, às pizzas e sushis. Um dos restaurantes mais conhecidos, o Wanchako, serve comida peruana.

 

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