Conheça o universo dos vinhos e chocolates em Buenos Aires

Dec 31, 1969
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 (Foto: Divulgação/ViajeMais)

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A Argentina tem um apelo especial para os brasileiros, não apenas por ser nossa vizinha e pela hospitalidade com que os portenhos recebem os turistas vindos do lado de cá, mas também pelas especialidades da tão característica cultura local. Dentre elas, o vinho ocupa um lugar de destaque.

A equipe de Viaje Mais foi convidada para uma imersão no saboroso universo dos vinhos argentinos, realizada durante um fim de semana no hotel Panamericano, que fica a poucos metros do obelisco da Avenida 9 de Julio, no centro de Buenos Aires. Foi a ocasião também para provar uma inovadora forma de harmonização, entre vinhos e chocolates, uma mistura cuja ousadia tem deliciado os paladares mais exigentes.

A combinação sempre foi um tanto polêmica, uma vez que, dependendo da escolha, o cacau, a gordura e o açúcar do chocolate podem sobrepor-se ao vinho, anulando preciosas nuances. Tradicionalmente, os chocolates e outros tipos de sobremesas eram harmonizados somente com os vinhos fortificados, mais doces e licorosos, caso do Porto ou do Sauternes. 

Encontro inusitado

Chocolates de vários tipos de cacau, vindos também de variados paísesO encontro de vinhos e chocolates foi promovido por uma parceria entre a Grand Cru, loja de vinhos argentina que tem 40 unidades espalhadas pelo Brasil, e a Estinne, importadora de chocolates finos comandada pelo empresário Fernando Levy. Um grupo de sommeliers foi convidado a decifrar as notas dos varietais mais consumidos na Argentina, como Malbec, Merlot, Syrah e Cabernet Sauvignon, para posteriormente ajudar na preparação de misturas de chocolates adequados para cada variedade de uva.

Os blends de chocolates foram feitos com cacau oriundo de diversos países, como Madagascar, Equador, Peru, Gana e Costa do Marfim. Fernando Levy explica que acontece com o chocolate o mesmo que ocorre como o vinho. “As características do chocolate dependem essencialmente de onde vem o cacau. Cada lugar tem suas características climáticas e de solo. É como no caso do vinho. Uma mesma variedade de uva plantada na França e na Argentina, por exemplo, resulta em vinhos completamente distintos”.

A degustação foi realizada com cinco varietais de vinhos tintos secos. Cada convidado deu suas notas e identificou nuances na harmonização dos vinhos e dos chocolates.

Sessão de degustação de vinhosO vinho Pinot Noir teve seu aroma frutado potencializado e ganhou um leve toque de mentol. O Merlot foi harmonizado por contraste, com um chocolate que realça seus taninos e confere notas de caramelo. O Malbec explodiu em sabores acompanhado de chocolate meio amargo, que fez crescer o aroma de frutas negras.

O Shyraz teve harmonização mais complexa, com características de especiarias como o curry e outros sabores exóticos e defumados. Já a harmonização com o Carmenère, único vinho proveniente do Chile provado na noite, potencializou o que esta varietal traz de melhor, o casamento perfeito com notas apimentadas e picantes.

A variedade de sabores e nuances evocados na degustação surpreendeu a todos, bem como o sucesso da combinação inusitada. Os chocolates da Estinne serão comercializados em lojas especializadas em vinho, que também começam a apostar e, produtos de outras chocolaterias. O novo hábito tem tudo para pegar. 

Enologia argentina

Adega do Celtic Pub, os melhores vinhos argentinosNo dia seguinte, foi a vez de descobrir outros rótulos, desta vez sem o chocolate. Reunidos na cave da loja da Grand Cru no bairro da Recoleta, os convidados tiveram oportunidade de conhecer seis vinhos de bodegas que estão entre as mais prestigiadas da Argentina atualmente, como Tapiz, Pulenta, Doña Paula e Flecha de los Andes.

A degustação foi acompanhada de uma aula sobre enologia argentina. Foi somente a partir da década de 1990 que os vinhos argentinos começaram a despontar com destaque no cenário internacional.

Empresários passaram a investir em vinhos de pequena produtividade e alta complexidade, que custam mais caro porque tem um número restrito de garrafas produzidas. Mesmo assim, o país continua sendo uma terra de oportunidades para amantes do vinho, que conseguem encontrar grandes rótulos a preços bastante inferiores se comparados aos correlatos europeus.

A enologia argentina vem investindo em três características muito peculiares, que a diferenciam dos outros produtores. Os vinhedos do país estão situados sobretudo em regiões desérticas e recebem irrigação artificial. No caso da região de Mendoza, a mais reputada da Argentina, água utilizada é proveniente do degelo da Cordilheira dos Andes.

Outra peculiaridade é a grande altitude dos lugares escolhidos para plantar as uvas. Concentram-se no país os vinhedos mais altos do mundo, alguns com mais de 3.000 metros de altitude. Se é difícil encontrar uma vinícola acima dos 500 metros de altitude nas principais regiões produtoras, na Argentina essa lógica se inverte.

A terceira particularidade da enologia argentina é a uva Malbec. Ela tem sua origem na França, onde é pouco utilizada e gera vinhos de baixa qualidade. No solo argentino a cepa se revelou e logo foi eleita como marca registrada da enologia local. A maioria dos vinhos feitos a partir da Malbec tem fortes notas amadeiradas e um gosto defumado que acompanha perfeitamente as carnes vermelhas, outra especialidade argentina. Porém, os vinhos mais ricos trazem um bouquet complexo, que deixa transparecer sabores mais delicados.

Entre os vinhos brancos, os argentinos também revelaram as potencialidades de uma cepa pouco conhecida em outras regiões tradicionais: a Torrontés. Essa uva gera vinhos bastante frugais e frutados, perfeitos para o dia a dia, mas ainda carentes de complexidade. O destaque entre os brancos argentinos fica com os produzidos a partir da uva Chardonnay, os únicos a atingirem um padrão internacional. 

Lojas de vinho

Vinhos finos na loja Grand Cru, um dos bairros mais refinados da cidadeO bairro da Recoleta, um dos mais sofisticados da capital portenha, concentra diversas lojas de vinhos finos. Uma das vantagens de se comprar na Grand Cru, que fica na Avenida Alvear, 1718, é que a loja possui muitas filiais no Brasil, nas quais é possível encontrar os mesmos rótulos que são vendidos na Argentina.

Uma opção muito charmosa para degustar vinhos em Buenos Aires é conhecer a recém inaugurada adega do Celtic Pub, que fica no Hotel Panamericano. Lá é possível encontrar uma grande variedade de rótulos de primeira categoria e combiná-los com entradas e pratos tradicionais.

Se tiver a intenção de coroar a noite com outra especialidade argentina, o tango, basta atravessar a Avenida 9 de Julio para encontrar a tradicional casa de shows Tango Porteño.