Curta um fim de semana em Buenos Aires em grande estilo e gastando pouco

Dec 31, 1969
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 (Foto: Divulgação/ViajeMais)

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Passar um fim de semana em meio a grifes internacionais, casarões em estilo parisiense, vinhos de qualidade, jantares em restaurantes de alta gastronomia e até aulas de polo a cavalo pode parecer, à primeira vista, um programa com custo um tanto alto para o bolso dos brasileiros. Mas em Bue­nos Aires, é possível fazer passeios em alto estilo por um preço mais em conta, gas­tando bem menos do que em cidades como São Paulo ou Rio de Janeiro em atividades do mesmo nível. A capital argentina  oferece, atualmente, uma boa oportunidade para frequentar locais sofisticados por um final de semana ou feriado prolongado.

A razão para os preços baixos é o câmbio favorável para os turistas brasileiros. Com o real valorizado em relação ao peso, dá para se esbaldar em itens de luxo na cidade. Além do câmbio, outra vantagem é que a capital portenha é perto. De São Paulo, o voo até Buenos Aires leva pouco mais de duas horas e meia.

Com ar de europeia, a cidade é charmosa, com casarões e palácios do século 19, ruas planas, amplas, arborizadas e com praças aos montes. Somente pelo cenário, já fica fácil fazer um roteiro luxuoso em Buenos Aires. Acrescente aos passeios ao ar livre os cafés sofisticados, os vários museus de arte, as lojas moderninhas de Palermo Soho, os restaurantes de Puerto Madero e as grifes da Recoleta. É a receita para um fim de semana bastante requintado.

Brunchs, vinhos e chás

No calçadão da Calle Florida, lojas famosas e a bela Galerías PacíficoUm dos bairros portenhos mais elegantes é a Recoleta, onde palácios e mansões construídas em estilo francês no final do século 19 hoje abrigam hotéis, restaurantes e grifes nacionais e internacionais. A Avenida Alvear, que se estende por sete quadras do bairro, é passagem obrigatória para fazer compras e observar a arquitetura das construções. As principais lojas do mundo estão no pedaço, como Cartier, Louis Vuitton, Rolex, Hermés, Armani, Ermenegildo Zegna e Polo Ralph Lauren, que vale visita pela beleza do casarão de 1900 onde está instalada.

A região abriga ainda alguns dos mais sofisticados hotéis da cidade: Palacio Duhau Park Hyatt, Alvear Palace e o Four Seasons. Hospedar-se nesses tops porte­nhos não sai barato. No entanto, mesmo quem não quer desembolsar tanto para ficar em hotéis dessa categoria pode aproveitar algumas mordomias oferecidas por eles por preços acessíveis.

O hotel Four Seasons promove aos domingos um brunch com vasto menu, que inclui saladas, frutos do mar, sushi, comida italiana, carnes e sobremesas, além de espumante, vinhos tinto e branco, café, chá e bebidas não alcoólicas. É servido em um dos salões da La Mansión, suntuoso palacete anexo ao hotel, construído em 1916, com pisos e colunas de mármore, cômodos com detalhes em ouro, molduras no teto ricamente trabalhadas e decoração do iní­cio do século passado. A casa conta com sete suítes especiais, alguns dos que já passaram pela mansão foram o Duque de Edimburgo, Elton John, Michael Jackson e Madonna.

Outra opção é aproveitar o Oak Bar e a Vinoteca, no belo Palácio Duhau Park Hyatt. O Oak é badalado em dias de jogo de polo a cavalo, reunindo depois das partidas torcedores e jogadores no ambiente clássico. Já na Vinoteca, um bom programa é fazer uma degustação de vinhos acompanhada por uma seleção de queijos harmonizados à bebida. O bar diz ter a maior coleção de vinhos premium da Argentina, com 5 mil garrafas de cerca de 700 rótulos, guardadas em uma bodega à vista dos clientes. A degustação é programada com o sommelier, que sugere os vinhos e o preço para a apreciação da bebida.

Os turistas que quiserem se aprofundar em alta gastronomia podem participar o Park Hyatt Master of Food & Wine, turnê que reúne talentos culinários da Argentina e do mundo, que ocorre no hotel de 28 a 30 de abril de 2010. O pacote de quatro noites no Hyatt, com traslado, acesso a uma exibição de polo, jantar de gala junto aos chefs e um workshop de cozinha custa a partir de US$ 2.200 em apartamento duplo. Por 500 pesos, pode-se acompanhar um dos seminários dos chefs. Entre eles estão Food Seminar, com as receitas mais exclusivas, e Wine Seminar, com dicas de safras e tendências de vinhos.

Outro programa gastronômico, bastante tradicional em Buenos Aires, é o Té Alvear, oferecido pelo Alvear Palace. Trata-se de um chá da tarde com pães, bolos e muita variedade de quitutes preparados no próprio hotel. Servido desde 1932 no salão L'Orangerie, situado em um jardim de inverno, custa 110 pesos  com direito a garçons de luvas brancas, pratarias e o som relaxante de um piano.

Requinte na Recoleta

A tradicional sorveteria Freddo com o mais pedido sorvete de doce de leiteAlém das compras e das programações clássicas em hotéis, o bairro conta com várias atrações turísticas, grande parte na Praça da Recoleta. Lá ficam a Basílica de Nossa Senhora do Pilar, construída entre 1716 e 1732; o Cemitério da Recoleta, onde estão enterradas figuras importantes como a líder política Eva Perón; o shopping Buenos Aires Design, com uma grande variedade de artigos de decoração, e uma  famosa feirinha de artesanato que acontece nos finais de semana.

Em frente à praça, fica a sorveteria Freddo, uma das mais conhecidas do país, junto com a rede Persicco. Acomode-se em uma das mesinhas ao ar livre e prove o delicioso sorvete de doce de leite, incrementado com castanhas ou brownie. Bem perto dali, dá para continuar na onda de experimentar comidas típicas e passar no San Juanino, restaurante referência em empanadas, na Calle Posadas. Bem simples e com uma entrada discreta, o local é bastante popular em Buenos Aires.

Requinte mesmo tem o Pátio Bullrich, que ocupa uma construção de 1867 da Recoleta e é um dos shoppings mais elegantes de Buenos Aires. Por lá estão marcas como Salvatore Ferra­gamo, Ermenegildo Zegna, Kenzo e Christian Lacroix. Os preços não são pechinchas, mas dá para encontrar peças com valores mais baixos do que no Brasil, como calças da Diesel, ternos da Hugo Boss e blusas femininas de luxuosas lojas argentinas.

Passeio em Puerto Madero

Café Tortoni, programa tradicional da cidade. Aberto desde 1858.O bairro da Recoleta fica entre Puerto Madero e Palermo, duas regiões também badaladas tanto de dia quanto à noite. Puerto Madero é um antigo porto, que teve seu entorno totalmente revitalizado na década de 1990. Conta com diversos restaurantes com vista para o canal do Rio de La Plata e modernos prédios comerciais e residenciais. O porto é contornado por um caminho para pedestres, por onde dá para seguir e conhecer os cinco diques da região.

No dique I fica um cassino, em um barco permanentemente atracado – a localização é um artifício dos argentinos para burlar a lei que proíbe o jogo na cidade. Nos diques III e IV, concentram-se os melhores restaurantes de Puerto Madero, a maioria com a famosa carne argentina no menu. Para prová-la, duas boas opções são o La Caballeriza, de ambiente rústico, e o Cabaña las Lilas, filial argentina do paulistano Rubaiyat.

Para jantar e ainda curtir um tango em um ambiente bem estiloso, o hotel Faena, também em Puerto Madero, é uma boa opção. Inaugurado em 2006, é projetado pelo renomado designer francês Philippe Starck, tem paredes de pé direito alto e muitos detalhes em vermelho. O jantar-show Rojo Tango, que rola no espaço El Cabaret não é muito barato. E se a ideia é curtir uma noite bem animada depois do jantar, o Asia de Cuba é a pedida. Com uma decoração oriental e sofazinhos com vista para o canal, serve comida japonesa até a 1h, quando as mesas são afastadas para dar lugar a uma pista de dança.

É uma das baladas mais chiques de Buenos Aires e reúne estrangeiros, modelos e jogadores de futebol. O som é bom e o preço não é nada exorbitante. Aproveite para experimentar a tradicional cerveja argentina Quilmes ou, para completar o  luxo, tomar um champanhe Chandon, opções inclusas no preço da entrada.

O Soho portenho

Movimento nos bares em torno da Plaza Cortázar, em Palermo SohoPalermo tem outro estilo de restaurantes, bares e baladas. A parte moderna do bairro ficou conhecida como Palermo Soho, em alusão ao Soho de Nova York. Mais despojada, a região lembra a Vila Madalena de São Paulo (SP), com barzi­nhos ao ar livre e lojas e feiras de roupas e artesanato. Nos finais de semana, a Plaza Cortázar recebe uma feira de artesanato e, de quarta a domingo, estudantes e novos estilistas tomam o entorno da praça com o comércio de bolsas, roupas e acessórios.

Os itens não são muito diferentes dos encontrados em feiras como a da Praça Benedito Calixto, na capital paulista, mas os preços na Argentina são bem mais atraentes. Dá para encontrar bolsas artesanais e camisetas estilosas com preços em conta nas feirinhas da praça. Por lá, estão também bares bem movimentados, com mesas na calçada ocupadas desde o fim da tarde até noite adentro.

A parte antiga do bairro, Palermo Viejo, é cheia de praças e de muito verde. É lá que fica o Malba – Museu de Arte Latino-Americano de Buenos Aires, que abriga obras de artistas como a mexicana Frida Kahlo, o colombiano Botero e a brasileira Tarsila do Amaral, com o famoso Abaporu. Depois de visitá-lo, vale dar uma passada no Café Des Arts, o restaurante do museu. Além de pratos elaborados como quiche de queijo de cabra e penne com salmão, o local oferece uma bela vista do verde que toma o bairro.

Outro lugar requintado para tomar algo depois de um passeio cultural é o café do Museu Nacional de Arte Decorativo, com mesas ao ar livre em um ambiente bastante agradável. O museu fica em uma construção do início do século 20 na Recoleta e conta com coleções de móveis, porcelanas, esculturas, cristais e tapetes.

Restaurante estrelado

Fachada do restaurante Cabaña Las LilasLocais elegantes para um café não faltam na Recoleta, mas a região também tem como atrativo diversos restaurantes requintados a ótimo custo-benefício. Um que não deve faltar em um roteiro sofisticado é o Tomo 1, único da América Latina com duas estrelas no Guia Michelin (a classificação vai de uma a três) e o melhor de Buenos Aires segundo alguns guias e revistas.

A casa tem um clima intimista e serve pratos deliciosos e com bela apresentação, como as vieiras gratinadas acompanhadas por lula à dorê com molhos de cenoura, ervas, salmão, entre outros; frango com aroma de especiarias, e cordeiro salpicado com cogumelo e pimenta negra. 

Outra sugestão na Recoleta é o Fervor, que leva o nome do livro do escritor argentino Jorge Luis Borges. Com decoração em estilo Art Déco, o espaço conta com menu de carnes vermelhas, aves e peixes frescos. Entre as pedidas estão a parrillada do mar, por 138 pesos, e polvo na brasa, por 85 pesos.

Sofisticação no centro

Baratos, os táxis são a melhor forma de rodar por Buenos AiresBadalar por Buenos Aires tem outra vantagem sobre São Paulo e Rio: lá os táxis são bem mais baratos. Mas é bom ficar atento, pois alguns taxistas costumam dar golpes nos turistas. Em hotéis, peça para o recepcionista chamar e, nas ruas, procure tomar aqueles em que na porta é informado um número de telefone. Isso indica que o carro pertence a alguma empresa. Mesmo assim, tome cuidado. Preste atenção para não ser surpreendido com notas de peso argentino falsas ou troco em pesos uruguaios.

Se a ideia for comprar vinhos, a rede Winery vende rótulos selecionados e com grande variedade. Uma das lojas fica no centro, na Avenida Presidente Roque Saenz Peña, próximo à Casa Rosada, sede do governo argentino. Os preços são acessíveis: o premiado Angelica Zapata Malbec, da vinícola top Catena Zapata, sai pela metade do preço cobrado no Brasil.

De lá, dá para seguir pela Calle Florida, o principal calçadão de compras da cidade. É bem popular, com muitos camelôs e artistas de rua. Mas, diferentemente dos centros de cidades brasileiras, conta também com marcas internacionais como Lacoste, Puma, Nike e Timberland. Quem tiver paciência de enfrentar a multidão e rodar as lojas por ali, consegue achar bons preços de roupas, perfumes, tênis e cosméticos. Vale a pena dar uma olhada nas farmácias, onde produtos de marcas como Nivea e Neutrogena saem pela metade do preço do Brasil. Se quiser fazer compras em um local mais reservado, siga para a Galerías Pacífico, também na Calle Florida. Construído em 1889, o prédio, que abriga diversas grifes internacionais, é uma atração à parte com afrescos no teto e abóbadas de vidro.

O centro é cheio de locais clássicos, construídos no fim do século 19 e início do século 20, com arquitetura em estilo francês e interior rebuscado. Os cafés nesse estilo estão aos montes por lá, um em cada esquina. O mais famoso é o Café Tortoni, que, aberto desde 1858, foi frequentado por intelectuais como Carlos Gardel, Federico García Lorca e Artur Rubinstein.

Situado na Avenida de Mayo, está sempre lotado de turistas, mas vale conhecer e tomar algo no ambiente charmoso. O Tortoni serve cafés incrementados, como o cubano, com bacardi, creme e canela por 26 pesos. A casa também conta com apresentações de tango quatro vezes por noite, por 80 pesos na maior sala e por 70 pesos na menor. Para frequentar um café menos turístico, mas não com menos qualidade e requinte, basta caminhar pela região. Facilmente encontrará outros estabelecimentos agradáveis, como o Café Martinez, que funciona desde 1933, ou a bela Confeitaria Richmond, com estilo belle époque e aberta desde 1917.

Na casa da Donatela

Palacete da Estancia Villa Maria foi moradia de personagens da novela A Favorita, da TV GloboPara completar a viagem de luxo e de mordomias, dá para dar uma fugidinha de Buenos Aires e passar um dia bucólico e bem relaxante em um hotel de campo. A Estancia Villa Maria, a 45 minutos da capital e a 15 minutos do Aeroporto de Ezeiza, é uma opção para livrar-se do estresse das capitais tanto na volta da viagem quanto na chegada à Argentina.

O hotel está instalado em um palacete rural, de 3.000 m2, construído em 1919. São apenas 11 suítes, com vista para um jardim com gramado impecável, que se perde no horizonte. Quem assistiu à novela A Favorita, exibida em 2008 pela Rede Globo, conhece as paisagens da estância, que foi moradia dos personagens Irene (Glória Menezes), Gonçalo (Mauro Mendonça) e Lara (Mariana Ximenes), além de Flora (Patrícia Pillar), Donatela (Cláudia Raia) e Dodi (Murilo Benício), que habitavam uma casa menor, ao lado do palacete rural.

A estância é ideal para curtir a dois, em meio ao verde que ocupa uma área imensa: são 74 hectares de parque entre os 624 de área total. O espaço é dividido em loteamentos para a construção de casas e abrigará ainda quatro campos de polo (atualmente há um completo), campo de golfe com 18 buracos e um spa, a serem finalizados em dezembro de 2012.

Por enquanto, já dá para aproveitar o cenário em atividades como cavalgadas, passeio em carruagem, em bicicleta, pi­quenique e jogos de tênis, futebol e vôlei. Além dessas, inclusas na diária, a estância oferece aulas de polo a cavalo com duração de uma hora e meia por cerca de US$ 100. É a chance de experimentar o esporte dos reis, tão praticado pelos argentinos – já para assistir a uma demonstração privada de polo, é necessário desembolsar uma grana alta. A estância traz para o hóspede uma estrutura de jogo profissional, com times completos e dois cavalos para cada jogador.

Outra mordomia é que os funcionários ficam sempre ao dispor do visitante para atendê-lo com o que for necessário. Assim, pode-se combinar traslados para o aeroporto ou para passeios em Buenos Aires, inclusive para campos de golfe.

Roteiro de luxo não é algo que dê pa­ra fazer sempre – a não ser que você faça parte de um grupo de privilegiados que pode bancar esse tipo de turismo. Mas, uma vez ou outra, não faz mal a ninguém. Por isso, ainda bem que Buenos Aires e os passeios sofisticados por lá andam bem acessíveis, pelo menos enquanto o câmbio conti­nuar favorável para nosotros.