Patagônia uma das maravilhas naturais do planeta para se aventurar

Dec 31, 1969
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O glaciar Perito Moreno é uma das maravilhas naturais do planeta. A imensa parede gelada, da altura de um prédio de seis andares, pode ser admirada de mirantes, a cerca de 50 me­tros de distância da base. Vez por outra, estalos se­cos ecoam no ar e um gigantesco bloco, pesando toneladas, se solta do paredão e mergulha nas águas do lago. Parece uma explosão. Na América do Sul, nenhum outro glaciar permite que os visitantes assistam a esse espetáculo da natureza de tão perto e de ângulos favoráveis.

O ponto de partida para conhecer o Perito Moreno é El Calafate, na Patagônia Argentina, batizada de a capital dos glaciares. Ou­tras três centenas de geleiras se espalham pela região, ótima de ser visitada no verão (de dezembro a março). A avenida principal da cidade, a Libertador, concentra restaurantes, agências de turismo, casas de câmbio, lojas, bares e chocolaterias artesanais.

El Calafate

Trekking sobre o Perito Moreno em El Calafate, ArgentinaEl Calafate tem uma boa infraestrutura para receber cerca de 200 mil turistas que vão para lá todos os anos com o objetivo principal de conhecer as geleiras do Parque Nacional Los Glaciares. Dos anos de 1990 até hoje, a população local saltou de 3 mil para 20 mil habitantes e não faltam opções de hospedagem, para cada tipo de bolso. De hotéis cinco estrelas, passando por charmosas hosterías a albergues para mochileiros.

Do centro de El Calafate até o Perito Moreno são 80 km ou 1h20 de carro. A maioria das pessoas vai até lá em excursões de ônibus e permanece apenas de duas a três horas no local. A melhor opção é alugar um carro e ficar mais tempo, observando a alternância de cores, texturas e contraste pela qual o paredão de gelo passa durante o dia.

As locadoras cobram, em média, 160 pesos pela diária de um automó­vel básico, com quilometragem para rodar até 200 km, mais do que o suficiente para ir e voltar. Some mais 20 pesos para gasolina e outros 30 pesos pelo bilhete de entrada no parque nacional.

A estrada corta o deserto patagônico, com montanhas brancas dos Andes no horizonte. Depois de passar pela entrada do parque, o caminho se transforma em um ziguezague. De um mirante ao lado da estrada é possível fazer uma foto pano­râmica do glaciar – nesse ponto, se tem a dimensão exata do rio de gelo que escorre pela monta­nha. A estrada termina num estacionamento. Ao lado, uma escada de madeira leva o visitante aos três níveis de passarelas, feitas especialmente para a observação da geleira de diversos pontos.

O Perito Moreno tem uma superfície de 257 km2, com 14 km de comprimento. A face frontal, vista das passarelas, mede 4 km de extensão por 60 metros de altura. O nome é herança do explorador Francisco “El Perito” Moreno, autor de muitos estudos na Patagônia Argentina no final do século 19. É ainda um dos raros glaciares do planeta que, mesmo com o aquecimento global, mantêm um tamanho estável. O que assegura isso é a enorme “fábrica de gelo” no topo da cordi­lheira, onde se localiza o Campo de Gelo Patagônico, que ocupa 13 mil km2 – é considerada a terceira maior área congelada do planeta e dá origem a 356 glaciares. Lá há neve quase constantemente.

Caminhada no glaciar

Glaciar na Patagônia, ArgentinaO trekking sobre o Peito Moreno, com equipamento especial para caminhada no gelo, é o grande passeio a ser feito em El Calafate. As agências locais, como a Hielo & Aventura, oferecem dois roteiros: o Minitrekking, cami­nhada de uma hora e meia, e o Big Ice, com quatro horas percorrendo cenários fantásticos. Os preços são de cerca de 310 pesos para o mais curto e 420 pesos para o mais longo. É cobrado ainda o aluguel da roupa impermeá­vel, caso você não tenha (cerca de 70 pesos).

O passeio começa normalmente às 7h, quando a van da agência passa para reco­lher o pessoal nas pousadas. De um cais ao lado da geleira, um barco leva o grupo até a outra margem do Lago Argentino. Guias entregam o equipamento de caminhada no gelo (uma espécie de sandália metálica com cravos no solado para amarrar por cima da bota) e passam orientações sobre o modo de usar o aparato. Se você tem pique, vale fa­zer o trekking mais longo, caminhando em meio a uma paisagem que parece de outro planeta, pulando fendas, entrando em grutas de gelo e observando sumidouros por onde a água escorre para as entranhas do glaciar. A parada para o almoço ocorre ao lado de uma lagoa de tom azulado.

Outro programa popular na região é a navegação pelo Lago Argentino. O barco contorna icebergs, blocos de gelo e para diante dos glaciares Upsala, o maior da Argentina, e Spegazzini, com imensos paredões. São embarcações confortáveis, com poltronas parecidas com as de um ônibus-leito. Porém, falta espaço no convés para tanta gente que quer fotografar a paisagem – são até 200 pessoas por passeio e a partida é às 9h no cais de Punta Banderas, a 40 km de El Calafate, com chegada às 16h30.

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