Viena é reduto de arte e história, berço do admirado artista Mozart
São mais de mil anos de história e arte, além de dois grandes compositores transformando Viena, banhada pelo Danúbio de Strauss, numa verdadeira sinfonia em forma de cidade.
Fruto de uma grande mistura de povos romanos e celtas, temperada com invasões napoleônicas e otomanas, Viena recebe um número cada vez maior de estrangeiros, não só como turistas, mas também como residentes. Brasileiros passeando por lá ainda não constituem número tão expressivo. Contudo, a cidade está cheia de atrações e sensações que devem ser descobertas e experimentadas por quem planeja viajar para a Europa.
Inevitável para a maioria dos brasileiros é torcer a língua e atrapalhar-se todo na tentativa de pronunciar os nomes de ruas e atrações. Mas não se preocupe: os vienenses são solícitos e educados. Um conhecimento básico de inglês resolve todo e qualquer problema de comunicação.
Com o crescimento do turismo após a adoção do euro, eles se orgulham ao dizer que a cidade é cheia de surpresas, podendo ser quente e fria, pesada e suave ao mesmo tempo.
Voltas no anel viário
T
udo gira em torno do Ringstrasse, anel viário que circunda a área central, onde está concentrada a maioria das atrações da cidade. O prefixo vai mudando ao longo do anel, mas o sufixo strasse continua durante toda a volta. Percorrê-lo inteirinho, a bordo de charmosos bondes, é tarefa essencial para começar a desbravar a cidade.
As atrações são frutos de diversas correntes, influências e épocas, como os coloridos prédios de Hundertwasser (grande imitador de Gaudí) e o tradicional castelo de Schönbrunn, Patrimônio da Humanidade pela Unesco. A grande influência barroca está presente em mais de 300 construções de Viena e o exemplo mais vibrante é a imponente e belíssima catedral de Santo Estêvão, construída do século 13 ao 15, de cujo domo se tem uma das melhores vistas da cidade – é um dos símbolos da cidade e para chegar ao topo você enfrenta pouco mais de 300 degraus.
São vários os edifícios vienenses que deixam o turista boquiaberto: a deslumbrante prefeitura Rathaus (apresenta diversos concertos a céu aberto, gratuitos, nesse ano de celebração a Mozart); o majestoso complexo Hofburg, de muitas atrações e esplendorosos jardins; a Staatsoper, palco de apresentação dos mais renomados artistas nacionais e internacionais (inclusive brasileiros); o Museu de História Natural e sua construção gêmea do Belas Artes. São apenas alguns exemplos da arquitetura privilegiada da capital austríaca.
Além de Mozart e Strauss, mais visíveis nas atrações de Viena e nas inúmeras estátuas e monumentos erguidos em sua homenagem, Sigmund Freud também deixou sua marca na cidade, já que muitas de suas teorias foram iniciadas por lá. Dá nome até a um parque, que fica lotado nas tardes de verão.
O grande museu de Viena é o imponente palácio Belvedere, outra jóia da cidade. Não espere encontrar obras tão famosas quanto as que existem nos outros grandes museus europeus. Talvez, a mais famosa seja O Beijo, do pintor Gustav Klimt (1862-1918). A visita, no entanto, vale pela beleza não só dos quadros quanto do próprio prédio e dos jardins que o rodeiam.
O Palácio de Sissi
A atração mais visitada de Viena é o Palácio de Schönbrunn, sede do governo e casa de veraneio do clã dos Habsburgo, construído no início do século 18 a mando de Carlos VI. O nome significa “fonte bela” e o palácio ostenta nada menos que 1.400 salas e mais de 14 hectares de jardins deslumbrantes que abrigam, inclusive, o maior zoológico particular da Europa, com disputadíssimos ursos pandas.A habitante mais ilustre – apesar do papel fundamental da turrona Maria Teresa, nos ares de pompa e circunstância do palácio – foi a princesa bávara Elizabeth, conhecida popularmente – e imortalizada nos cinemas por Romy Schineider – como Sissi.
O palácio é cheio de referências a ela, assim como boa parte das lembrancinhas vendidas na cidade. Com um desfecho trágico em sua vida (foi assassinada aos 61 anos), Sissi é até hoje adorada pelos austríacos.
Foi em Schönbrunn, conhecido como “Versalhes vienense”, que um menino prodígio, de uma família de músicos, com apenas seis anos, fez seu primeiro concerto oficial, diante da corte. Na ocasião, contam nas visitas ao palácio, o pequeno Mozart teria arrancado beijos de Maria Teresa após sua apresentação.
Espírito de Mozart
Mozart está presente em cada canto da cidade em estátuas em sua homenagem, na peregrinação de turistas em busca de sua lápide, ou nos locais em que viveu. A Staatsoper, a ópera oficial, é um dos endereços mais emblemáticos nesse sentido. A programação da casa é intensa durante todo o restante do ano, especialmente voltada às obras do compositor.
Para conhecê-la por dentro, vale fazer um dos passeios guiados, oferecidos de hora em hora em várias línguas, ou comprar ingressos para um dos muitos espetáculos à noite, em cartaz praticamente todos os dias. No final da tarde, é comum haver uma grande fila em seu entorno, de pessoas dos mais variados tipos e estilos, todos ávidos por um dos ingressos para assistir à ópera em pé mesmo. E saem todos deslumbrados.
A Mozart Haus, pertinho da Catedral de Santo Estevão, tornou-se um museu permanente, reunindo móveis e objetos do compositor no endereço onde passou parte de sua vida – Wolfgang Amadeus Mozart morreu pobre e foi enterrado como indigente, numa vala comum, que ninguém sabe ao certo onde fica.
Música à vista
Numa cidade musical como Viena, um concerto também tem que fazer parte da viagem. A programação é grande, mas é preciso ficar atento para não cair na conversa dos inúmeros vendedores de tíquetes vestidos de Mozart espalhados pela cidade. Vários dos concertos são “pega-turista”, de má qualidade. Há concertos todos os dias e muitos podem ser adquiridos no próprio hotel ou no escritório de turismo.
Os mais disputados e de qualidade garantida são as apresentações da Sinfônica de Viena e a programação geral das casas mais tradicionais, como a StaatsOper, o Musikverein e a Konzerthaus.
O agito noturno rola solto na região denominada Triângulo das Bermudas. Nos limites do Ringstrasse e quase às margens do Danúbio – que, por sinal, não é azul coisa nenhuma – a região abriga as mais animadas discos e bares que vendem tragos por doses ou por metro, convivendo pacificamente, lado a lado, com restaurantes moderninhos, cheios de delícias calóricas, condimentadas e boas cervejas.
Vida noturna
A referência mais conhecida é a Seitensttetengstrasse, cujos bares e casas noturnas nunca saem de moda. Às margens do Danúbio, ali pertinho, diversos bares-barco animam a noite diariamente, inclusive com areia, cadeiras de praia e até mesmo piscina em alguns. Claro que são mais agitados no verão, quando tornam-se verdadeiras praias artificiais, repletas de gente de sunga e biquíni tomando sol em dias longos, que só escurecem depois das dez da noite. Também é imprescindível aproveitar uma noitada em um heuriger, antigas tavernas austríacas, que servem vinhos de fabricação própria à moda antiga, em grandes canecos, em ambiente medieval pra lá de interessante.
Em Viena, quem sai à noite só volta para casa ou para o hotel quando o sol já está quase nascendo. Os clubs e discos funcionam lotados todos os dias, com os tipos mais variados de música tocando ao longo da noite.
Fique certo que a capital austríaca é um lugar especial, ainda mais ao som de Mozart. Outras capitais europeias têm até mais história, museus e monumentos. Mas nenhuma delas é tão grande, agradável e constante viagem pela música quanto Viena.
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