Conheça as belezas naturais de Uyuni, uma pequena cidade Boliviana
O sudoeste da Bolívia é uma das poucas regiões do mundo onde se imagina estar em qualquer outro lugar que não o planeta Terra. É ali, acima de 3.600 metros de altitude, que se localiza o Salar de Uyuni, considerada a maior planície salgada do mundo. Segundo os geólogos, toda essa área foi formada há cerca de 40 mil anos, quando um imenso lago pré-histórico secou e deu origem a dezenas de pequenas lagoas, dunas de sal e vales de pedras. O trajeto que se inicia a partir da cidade de Uyuni, no distrito de Potosí, tem paisagens deslumbrantes que muitos comparam a cenários de filmes de ficção-científica.
Várias empresas de turismo levam grupos de viajantes para conhecer as belezas naturais da região, diariamente, a bordo de veículos 4x4. O trajeto mais procurado dura três dias e duas noites. E não fica limitado apenas ao Salar. Em veículos que comportam seis pessoas e o motorista, que também é o guia turístico e o cozinheiro do grupo, os viajantes atravessam o deserto de sal, rumo às lagoas coloridas, até a fronteira com o Chile. Aos que não dispõem de tanto tempo, saindo de Uyuni, se chega ao deserto em menos de uma hora.
Trens no caminho
O ponto de partida é a cidadezinha boliviana de ruas de terra, que em muito lembra cenário de faroeste. Sem montanhas por perto, o vento corre fácil. É na avenida principal que os jipes das companhias turísticas ficam enfileirados, aguardando a saída em grupos, sempre às 10h. Mas a pontualidade não é uma prática levada à risca. Atrasos são pertinentes, explicam os guias, para que haja uma distância entre os veículos que cruzarão o deserto e, assim, aumentar a sensação de que se está “só” na imensidão de sal.
A surpresa estonteante causada pelas paisagens que se seguem compensa os atrasos. A primeira parada é o “Cemitério dos Trens”. Os restos enferrujados de carcaças de vagões e trilhos abandonados no meio do nada são apenas o início do cenário surreal da viagem. O que um dia foi o primeiro complexo ferroviário boliviano de apoio à exportação de minérios, do início do século passado, hoje rende fotos curiosas para os visitantes, que posam como verdadeiros passageiros de uma delirante viagem que tem muito a se revelar.
Antes do solo coberto de sal, é possível se avistar muitas lhamas, mamíferos típicos da região dos Andes, além de raposas e coiotes. Alguns animais se aproximam da janela dos veículos em busca de alimentos. Flamingos, sempre em bandos, habitam a redondeza das lagoas.
Aprecie a vista
Um pouco além dos 20 km do ponto de partida, já se chega ao Salar. Daí em diante são várias as descidas do carro para apreciar a vista. É o maior deserto de sal do planeta, com 12 mil km2. Uyuni tem importante papel na economia boliviana. Dessa área são extraídas cerca de 25 mil toneladas de sal por ano.
A forte luz solar e imensas nuvens somadas ao interminável chão branco se juntam num infinito, a ponto dos olhos não captarem o limite do horizonte. Ou seja, às vezes é difícil definir onde começa e onde termina o céu. É preciso tomar cuidados básicos e alguns itens são indispensáveis para que a viagem seja bem aproveitada. Como os óculos de sol, devido à intensa luminosidade. Outra dica é ter uma garrafa de água sempre à mão, para a hidratação constante. O protetor solar de alto fator é outro que não pode faltar.
Em alguns trechos do percurso, o veículo segue numa linha reta, por mais de 100 km sem cruzar com nenhum objeto acima do solo. Os mais animados partem para fotos inusitadas, procurando ângulos apenas com o fundo branco.
Deitados sobre o chão de sal, parecem flutuar no vazio. O Hotel de Sal, construído de blocos de sal, mas desapropriado nos anos de 1990, abriga um museu. Parada obrigatória.
Paredes, pisos, armários, camas, cadeiras e mesinhas... Não há quem resista em passar o dedo e conferir: é tudo de sal mesmo. Inclusive os banheiros, também pagos à parte para usá-los. Há no local uma loja para compra de souvenires, todos feitos de sal.
O almoço é ao ar livre, um pouco mais adiante, ao pé da Isla del Pescado, na qual predominam cactos que chegam a 12 metros de altura. Alguns passam dos 1.200 anos de existência. Enquanto o motorista veste o avental e prepara a comida (que ele faz questão de ressaltar que é temperada com o autêntico sal de Uyuni), o grupo tem a opção de fazer uma trilha até o topo da ilha, de onde se tem uma visão panorâmica do “mar de sal” que a margeia.
Uma colmeia de sal
A melhor época do ano para se visitar o Salar é entre maio e novembro, quando a água que desce das montanhas seca e forma desenhos hexagonais, que lembram uma grande colmeia. Os guias locais alertam os visitantes, porém, para os efeitos que o aquecimento global têm provocado drasticamente no Salar. Como a neve no topo das montanhas tem diminuído nos últimos anos, o ciclo das águas está sendo alterado.
Se o chão é branco, não falta cor no pôr-do-sol, que vai manchando o céu de cores. A temperatura cai drasticamente e logo vai para abaixo de zero. Para os que vão seguir viagem rumo à fronteira com o Chile (em pacotes de três a cinco dias), o passeio do primeiro dia termina por volta das 19h, no hotel Playa Bianca, única opção da região, também construído a partir de... blocos de sal, claro.
Pequenas porém confortáveis acomodações, com energia solar, abrigam os viajantes. Chá de coca é servido logo na chegada, para aliviar a pressão da altitude. Aos que optam por apenas um dia de passeio, quando a luz cai é o momento de voltar a Uyuni.
Cores do deserto
Para quem opta por cruzar o sul boliviano em pacotes maiores, o constante cenário branco do sal logo dá vez à palheta de cores das lagoas do deserto. São de diferentes matizes. O tom avermelhado da Laguna Colorada é devido à concentração de iodo. O bórax (borato de sódio) dá uma tonalidade branca à borda da Laguna Blanca, formando blocos que parecem icebergs. O belo panorama de natureza intocada também é o mesmo na Laguna Verde, rica em cálcio e enxofre.
Atrás dela, está o vulcão Licancabur, cujo cume está 5.930 metros acima do nível do mar, que marca a divisão do extremo sul da Bolívia com o Chile. Já distante das salinas, o enxofre no solo produz um efeito de cores, que vão do cinza ao amarelo. É o Deserto de Siloli, onde se encontra a Árbol de Piedra. Um monumento de pedra esculpido pela erosão do vento, a 4.400 metros acima do nível do mar. Passa-se por gêiseres, piscinas naturais com temperatura média de 30 graus e, por fim, se chega à fronteira com o Chile – mais alguns quilômetros adiante, se chega São Pedro de Atacama, ponto de partida para outra aventura, o Deserto de Atacama.
Um roteiro que atiça a imaginação de qualquer viajante, que está em busca de outros olhares para um continente que insiste em surpreender, muito além da agitação das grandes metrópoles urbanas.
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