Descubra por que Canadá possui uma das cidades com melhor qualidade de vida

Dec 31, 1969
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A receita do sucesso do Canadá como destino de férias é simples: junte um montão de modernidade norte-americana, um punhado da cultura europeia, uma pitada reforçada de simpatia, e aí está o Canadá – absolutamente delicioso, mesmo que para alguns seja sinônimo de clima frio. É verdade que a temperatura no país exige um agasalho pesado em quase dois terços do ano, mas só assusta mesmo em algumas regiões mais ao norte. A partir de abril o Canadá já começa a ficar quentinho e acolhedor. Com a temperatura subindo, o canadense curte a vida ao ar livre, passeios em lagos, trilhas e caminhadas. As cidades ganham festivais de música, espetáculos de teatro e exposições de arte.

O Canadá é o segundo maior país do mundo em território e para conhecê-lo bem seria preciso mais de um ano. Como não é possível, reserve pelo menos duas semanas. Inclua em seu roteiro Vancouver, Victoria, Calgary e Edmonton no lado do Pacífico e não vá se esquecer das Montanhas Rochosas (aliás, depois de visitá-las, você nunca mais vai esquecê-las). Do lado leste, Montreal e Quebec permitem descobrir a região onde se fala o francês. Passe em Ottawa para ser apresentado à capital do país – além, é claro, de incluir Toronto na ida ou na volta, pois a cidade é a porta de entrada de vôos do Brasil. E pode apostar: é entrar no Canadá com o pé direito. 

Vancouver

Skyline. Vancouver, Canadá Do Brasil a Toronto são cerca de dez horas de voo para quem sai de São Paulo e mais umas quatro para chegar à sua primeira parada do lado oeste: Vancouver. É uma longa jornada, mas você não se arrependerá: lá tem praia, montanha, cara de metrópole e simpatia de cidade pequena.

Não à toa é considerada o melhor lugar para se viver no mundo, segundo a empresa britânica de pesquisas Economist Intelligence Unit (EIU), que fez Vancouver campeã em segurança, infra-estrutura e na oferta de bens e serviços. A revista de turismo Condé Naste votou em Vancouver como a melhor cidade da América nos quesitos ambiente, simpatia, cultura, atrações, gastronomia, hospedagem e destino de compras. Se todo Canadá já é muito bom, nada mal começar o passeio pelo “filé mignon”. Ou, como se trata de Vancouver, pelo salmão, que além freqüentar mesas canadenses, convida a conhecer, na cidade, uma fazenda onde é feita a criação do peixe.

Mesmo que seus olhos não se voltem à piscicultura, o passeio leva a North Vancouver, caminho para Capilano Bridge e Grouse Montain. Capilano é um parque conhecido por sua longa ponte pênsil, sustentada por cordas reforçadas, que insiste em balançar sobre os quase 100 metros de profundidade do Capilano Canyon: vertigem garantida mesmo para um Indiana Jones. 

De Grouse Montain, terra à vista

Science World. Vancouver, CanadáPara uma vista do alto, sem temer pela altura, de Grouse Montain vê-se a cidade que, se por um momento lhe parecer familiar, talvez seja porque você já a conheça do cinema. Pouca gente sabe que Vancouver é estrela de Hollywood. Boa parte da produção cinematográfica norte-americana acontece na cidade e quando você pensa que nas telas é Nova York, Chicago ou Seattle, é nada mais, nada menos, que a fotogênica Vancouver que oferece locação variada, barata e, de certa forma, pertinho de Los Angeles.

Como o índice de violência da cidade é quase zero, os moradores recomendam: se, andando pelas ruas, perceber um tiroteio, saia correndo (no caso, em direção a ele), pois estão gravando um filme e, com sorte, dá para ver algum ator famoso. Eu mesmo dei de cara com o cantor Andrea Bocelli e esbarrei com Gwyneth Paltrow, atriz de Shakespeare Apaixonado, enquanto ela gravava uma cena debaixo de chuva. Aliás, a chuva em Vancouver acontece com a mesma freqüência que as filmagens.

A cidade espera um aguaceiro dia sim e outro também. Alguns hotéis deixam, inclusive, guarda-chuvas disponíveis nos quartos. Se o dia traz água lá fora, vá ver o quanto ela é abundante dentro do maior aquário do Canadá: o Vancouver Aquarium abriga baleias brancas e tubarões entre outros 60 mil animais, sendo quase 34 mil peixes.

Science World

Outro passeio obrigatório é o Science World – o centro de ciência repleto de experimentos interativos de física e eletricidade. Que tal ver um filme no IMAX? É uma experiência única em cinema com tecnologia de som e imagem que ainda não chegou ao Brasil. Se abrir o sol – ele aparece entre uma chuva e outra – vá até a Robson Street, rua badalada, cheia de butiques, barzinhos e gente bonita. Pode-se também caminhar por Gastown, região que traz a Vancouver de 1867, repleta de histórias e com a presença do famoso relógio a vapor, que solta fumaça a cada quinze minutos.

O Canadá gosta de apresentar suas cidades do alto. Por isso, vá até Vancouver Lookout, torre que leva você a mais de 150 metros do solo e a uma paisagem 360º da cidade e arredores. Ali embaixo, vale uma caminhada ao Canada Place, de onde parte a maioria dos navios em cruzeiro para o Alaska. Para quem quer ver praia, não pense encontrar nenhuma Ipanema, mas English Bay guarda um charme único quando a areia encontra a enorme área verde do Stanley Park – palco de ciclistas e fãs de patins.

Se quando se descreve as atrações parece que Vancouver tem um pouco de tudo, é porque tem mesmo. Essa mescla a faz especial: há até transporte por água, um táxi-barquinho com trajeto definido que o levará a alguns pontos como Granville Island, uma ilha no meio da cidade, com mercado, lojas, bares e restaurantes, responsáveis por uma parcela da badalação local que, se vale a pena viver de dia, não deixe de curtir à noite. 

Victoria: volta ao passado

Sala de cinema Imax, CanadáDos hotéis de Vancouver é possível contratar o ônibus até Victoria, capital da província de British Columbia, e que fica numa ilha que também tem o nome de Vancouver. Se alguém tentar convencê-lo a não passar uma noite em Victoria, não dê atenção. Se preciso, tape os ouvidos, mas deixe os olhos bem abertos: o caminho até lá vale o passeio. O anoitecer em Victoria é bárbaro e destaca o Parlamento com luzinhas em torno do prédio.

Os ônibus saem de Vancouver, vão ao porto e estacionam dentro do barco da BC Ferries. Você é convidado a subir ao deque – que tem restaurante, bar, lojas, centro de informações. Uma dica: dê um pulinho até o convés, pois (dependendo época do ano) focas e até baleias podem aguardá-lo do lado de fora da embarcação. Se por acaso os bichos não derem as caras, a beleza da paisagem é garantida por ilhotas e atraentes casas de temporada que sugerem o que está por vir. Mais uma hora por terra e Victoria é sua.

A pequena rodoviária local se esconde atrás do lindíssimo Fairmont Empress Hotel. À sua frente, todas as justificativas do mundo para estar ali. Fácil entender porque tantos famosos como Rita Hayworth, Roger Moore, John Travolta, Barbra Streisand, Harrison Ford elegeram o Empress pela categoria de hospedagem e pelo famoso chá da tarde, que chega a receber mais de 800 convidados por dia. Localizado em frente ao Inner Harbour, a paisagem inclui um cais com barcos ancorados, carruagens transitando entre o parlamento e o próprio hotel, e jardins que florescem para alegrar a vista dos convidados.

Enquanto um artista de rua anima os visitantes, o entardecer garante uma iluminação com decorativos postes de luz, que deixa Government Street, a rua principal que sai desse centrinho, com cara de uma cidade de mentira. Nem o convite para tomar a melhor cerveja da região vai fazer você arredar o pé dali.

Mas, quem sabe meia dúzia de cervejas... O Swan Pub, anexo ao hotel de mesmo nome, oferece ambiente agradável e uma bandeja-teste, com seis diferentes especialidades em cerveja: umas mais amargas, outras adocicadas, todas goela abaixo, embaladas por boa e variada por música.

As opções de bares e restaurantes da cidade são muitas. A culinária é caprichada e o prazer etílico é grande, mas não abuse porque o amanhã em Victoria vai desabrochar como uma flor, ou um milhão delas. O The Buchart Gardens é uma das grandes atrações, aberto o ano inteiro, que leva o turista a um dos mais belos jardins da costa oeste do Canadá. O local, a 21 km de Victoria, era uma antiga fábrica de cimento que deu lugar aos cuidados da Senhora Buchart, esposa do casal de empresários que cultivou, desde 1904, um sem número de sementes. O amor pela natureza resultou em 700 variedades de flores entre um milhão de plantas cultivadas no local.

Antes de sair de Victoria, você pode conferir o Museu da Miniatura, dar uma passada no Royal British Columbia Museum (duvido que seja só uma passada) ou quem sabe, ver um filme no IMAX local. Se a pressa de voltar a Vancouver é grande, volte voando. O preço do hidroavião é por volta de 110 dólares canadenses – o dólar lá vale cerca de R$ 1,85, ou seja, menos que o dólar americano. No entanto, se a natureza por terra já é demais, imagine lá do céu... 

Calgary: o Texas canadense

Calgary, CanadáUm pouco mais a leste do Pacífico encontra-se Calgary. A melhor maneira de se chegar lá é de avião, mesmo que no mapa do Canadá pareça estar a apenas dois dedinhos de Vancouver. Em se tratando de Canadá, cada dedinho deve ter mais de 500 km. Assim, pegar um vôo em Vancouver permite ganhar terreno, tempo e, de brinde, cruzar as Montanhas Rochosas do alto. Por isso, brigue para ficar na janelinha.

Trate de convencer o sujeito sentado ao lado de que no corredor dá para esticar melhor as botas. Por que botas? Porque fora você e outros turistas, existe grande chance de o avião estar lotado de cowboys de rodeio. Calgary é puro faroeste: é comum chapelões e botas como vestuário dos habitantes locais. O estilo western começa ao pisar no aeroporto, que tem decoração com referências a saloon, can-can e, claro, a rodeios.

Tudo isso porque Calgary é famosa pela Stampede, festa que acontece em julho, dura 10 dias e dá assunto para os demais 355. É o carnaval dos canadenses, que substitui o batuque pelo estampido das espingardas e as corridas de diligências. Parece Texas? Parece, até porque ali tem petróleo, americanos em negócio e muito dinheiro circulando.

Embora perca para Edmonton o título de capital da província de Alberta, Calgary cresce a cada ano e isto pode ser visto bem do alto: como não podia ser diferente, a cidade tem uma torre em meio aos edifícios. A Calgary Tower tem 191 metros de altura, restaurante giratório e é passeio obrigatório.

A cidade também oferece cassino (já viu cidade de faroeste sem jogatina?), opções culturais e de lazer para a família toda. O Heritage Park Historical Village é um passeio diferente, aberto entre maio e outubro. Trata-se de uma experiência a céu aberto que permite aos visitantes conviver, em um parque cenográfico, com pessoas vestidas a caráter, simulando uma vida regular do ano de 1914. Você descobre como era feito o pão, como funcionava uma farmácia ou o que se ensinava na escola.

A volta ao futuro acontece quando se caminha no centro da cidade apreciando a arquitetura moderna dos edifícios. E no caso de Calgary, é bem provável que você caminhe bastante, pois a cidade ostenta um recorde curioso: 635 km de trilhas! É isso mesmo! Nenhuma outra cidade da América do Norte tem um trecho tão extenso destinado à prática de quem gosta de correr ou andar. Mesmo no inverno, 95 km dessa extensão são limpos diariamente para que a neve não impeça a prática dessa atividade física.

Quem gosta de compras, faça essa caminhada em direção ao Eau Claire Market, um simpático shopping center localizado numa região de restaurantes no centro da cidade. De Calgary você vê as Montanhas Rochosas à sua volta. E, mesmo de longe, você já imagina o que lhe espera. 

Rochosas canadenses

Região das Montanhas Rochosas canadenses, próxima a Calgary,CanadáAlugue um carro em Calgary e faça planos para devolvê-lo em Edmonton. Siga rumo oeste e prepare-se para o ponto alto da viagem. Na verdade, vários pontos e muito altos: você estará a caminho do Parque Nacional de Banff e apenas ele abriga 25 montanhas com mais de 3.000 metros de altitude. Em cerca de uma hora chega-se a Canmore e não conte para ninguém que não leu Viaje Mais: a cidade é um dos grandes segredos das Rochosas.

Canmore é simpática, tem um povo amável e preços mais acessíveis. Menos explorada no circuito turístico da região, é a opção perto de todos os atrativos, inclusive de um orçamento mais controlado. Os hotéis montam pacotes de verão que incluem passeios ao ar livre e, no inverno, oferecem aluguel de equipamento e passe para estações de esqui. Quem se hospeda em Canmore está a 20 minutos de carro de Banff, o destino número 1 das Rochosas Canadenses.

Banff tem um centrinho comercial com lojas de grife, boas opções gastronômicas, é a badalação em pessoa – ou em pessoas. Na temporada, a população local pula de 9 mil para 30 mil. Entre junho e agosto, encontrar vaga nos hotéis, sem reserva antecipada, é quase impossível. Mesmo o Banff Springs Hotel vai estar lotado.

A mais famosa opção de hospedagem da cidade faz história desde 1888 e vive cheia de turistas. Quem não se hospeda ali, vai no mínimo fazer uma visita ao cenário do filme

O Iluminado, no qual atuou Jack Nicholson, e cuja história mostra o hotel invadido por fantasmas. Hoje, fica-se assombrado com sua grandiosidade e com a vista que se tem dele ao subir a gigantesca Sulphur Mountain, ao lado.

O bondinho da Sulphur Mountain leva oito minutos e 2.246 metros para chegar ao topo para uma vista digna de quem voa de helicóptero. O preço do ingresso é também nas alturas: mais de 20 dólares. Se tiver com a família completa, machuca o bolso. Por isso, penhore o filho caçula, seqüestre o sujeito que o ajuda a subir no bondinho, vá a pé (são 5 km morro acima)... mas suba não sem antes verificar a visibilidade no topo em cartazes afixados na entrada. Se a vista for garantida, não terá preço. Foi o mais próximo que me senti do céu desde minha primeira comunhão.

Ao descer, visite a Upper Hot Springs, que dá a chance de um banho terapêutico em água rica em minerais. Dispense o banho, caso o tempo esteja curto ou a piscina muito cheia, para conhecer, após mais 30 minutos de carro, o lago top model da região: o Lake Louise, o mais fotografado. É enorme e tem cor esmeralda (como a maioria dos lagos nas Rochosas), resultado de uma combinação de farelos de sedimento glacial e reflexo conforme a luz do sol que, por melhor que seja a explicação científica, tem ali o dedo de uma fada encantada que decidiu colorir de verde-azulado a água da região. Muitos vão até lá pelo lago, outros pelo hotel Château Lake Louise, bem em frente.

A rodovia 93, que as une, é considerada uma das mais belas do mundo. E se a dúvida deixa alguém pelo caminho, não vai ter queixa. Nesse trecho de 230 km dá vontade de parar o carro a todo instante: difícil indicar um lugar mais bonito. Uma parada obrigatória é o Columbia Icefield, já no Parque Nacional de Jasper, pois é uma vasta área de gelo, formada há mais de 400 anos, que chega a ter 900 metros de espessura e que, dependendo da época do ano, é possível ver de perto.Um carro especial, com rodas gigantescas, leva turistas para caminhar sobre essa geladeira a céu aberto.

Nas milhares de curvas das Rochosas, uma apresenta o Pyramid Lake; outra leva ao Maligne Lake; por uma terceira vai-se ao misterioso Medicine Lake; e em outra chega-se a Athabasca Falls. E assim, sucessivamente. No final, todos os caminhos levam a Jasper: menos badalada que Banff, mas tão charmosa quanto. É o indício do fim das Rochosas e a promessa de voltar e ficar mais tempo (já voltei quatro vezes).

Edmonton

O West Edmonton Mall. Edmonton, Alberta. Canadá. Foto Revista Viaje MaisUm dia, um sujeito consumista encontrou uma lâmpada mágica cujo gênio concedeu a ele três pedidos. O primeiro é que queria um shopping tão grande que fosse do tamanho de uma cidade. O segundo, que este shopping tivesse lojas com opções para toda a família – para fazer suas compras, sem interrupção. Pensamento que o remeteu facilmente ao terceiro pedido: que o megashopping tivesse tantas ofertas de alimentação, hospedagem e atrações que não precisasse, inclusive, nem voltar para casa. E assim, fez-se o West Edmonton Mall.

Brincadeira à parte, que existe um gênio por trás desse shopping, existe. Só um cérebro privilegiado poderia criar uma estratégia para suprir desejos de consumo de forma tão ampla:o West Edmonton Mall ocupa 48 hectares, tem mais de 800 lojas, seis megalojas de departamento, oferece mais de 110 locais para alimentação, 26 cinemas, 20 mil vagas de estacionamento que dão acesso a 58 entradas diferentes (se você pensa em sair, é bom se lembrar muito bem por onde entrou) e está aberto o ano inteiro.

No fim de um dia de consumo, o Mall ainda reserva programas para uma noite como em um cassino, estilo Las Vegas, ou em restaurantes de nível internacional. Para dormir, o Fantasyland Hotel oferece 354 quartos sendo 118 temáticos, alguns estranhos: um tem decoração de Hollywood, outro lembra a Polinésia, outro uma ferrovia canadense e até um iglu.

Se isso não bastasse, a lista dos principais pontos de interesse da cidade inclui atrações que não estão em outro lugar se não no próprio super shopping center. Adolescentes adoram o Galaxyland, o maior parque interno de diversões do mundo, com direito a montanha-russa com triplo looping. A crianças ficam doidas para ver o show dos golfinhos, visitar a réplica da caravela de Cristovão Colombo ou passear de submarino (adivinha onde?)

World Waterpark

No entanto, a atração que mais se destaca é o World Waterpark, também parte do complexo de lazer do West Edmonton Mall. Trata-se de um gigantesco parque aquático que inclui bar tropical, escorregadores de água e uma praia com ondas de verdade que funciona quer chova ou faça sol (ou neve).

Do lado de fora, a cidade o convida a visitar o Alberta Legislature Building, construção de 1912, para interessados em arquitetura, política e história.

O Forte Edmonton é uma experiência ao ar livre (semelhante ao que existe em Calgary) que revela ao vivo o passado dos pioneiros e a vida no forte Hudson's Bay, de 1846. Edmonton, capital de Alberta, vive uma rixa saudável com Calgary. O que tem lá, tem cá. Mas, se a cidade do cowboy clama ter uma freqüência maior de viajantes de negócios, Edmonton defende que os visitantes estão ali pela Arte e Música: de junho a setembro, a cidade promove uma série de festivais. São eventos de jazz, de artistas de rua, de incentivo aos valores da comunidade italiana, de música country, música folclórica...Tudo ao ar livre, pois Edmonton se intitula a cidade mais ensolarada de todo o Canadá. Por isso, o verão convida às atividades a céu aberto, excelente contraponto para quem tem o maior shopping da América do Norte – para se refestelar durante todo o inverno. 

Montreal

Oratório São José. Montreal, CanadáAo entrar na cidade você percebe que a língua inglesa desapareceu dos cartazes do comércio local. Voilà! Chegou o outro Canadá. Conhecer Montreal é praticar francês (mesmo que seja só um “oui”) com a segunda maior população de língua francesa do mundo. Depois de muitas idas e vindas em questões separatistas, com a província de Quebec querendo vida autônoma, chegou-se a um acordo: o Canadá permanece como está. O que, cá entre nós, tem cara de que “não se mexe em time que está ganhando”.

Se comparada a cidades européias, Montreal é ainda jovem para ser uma cidade-luz, mas tem beleza e charme suficientes para ser considerada uma irmã mais nova e ser chamada até de "a Paris do Canadá”. A cidade foi fundada em 1642 e assim batizada graças a uma montanha. o Mont Royal, que ganhou um parque à sua volta.

O Mont Royal aparece, mesmo que não queira, pois é uma única montanha em meio à cidade. A beleza do parque também ajuda, pois foi obra de Frederic Law Olmsted que tem no currículo o Central Park de Nova York. No verão, é palco de caminhadas e ciclistas. No inverno, a diversão dá lugar a brincadeiras na neve, patinação no Lac des Castors e prática de cross-country.

O belvedere Camillien-Houde fica a leste do topo da montanha. Dele pode-se avistar o parque esportivo que sediou os Jogos Olímpicos de 1976. Vale ver de perto a grandiosidade do parque esportivo. Até porque, em Montreal, para não fugir à regra, também tem uma torre ao lado do estádio, só que um pouco diferente. Construída dez anos após o fim da Olimpíada, a Montreal Observatory Tower fica a 175 metros do solo, mas de forma curiosa.

O carrinho (chamado de funicular) sobe num ângulo de 45 graus de inclinação. É visita obrigatória, com uma vantagem: está ao lado do Biodome, do Jardim Botânico e do Insectarium. O Biodome é um museu que apresenta a flora e fauna de ecossistemas criados artificialmente em espaço interno. O Jardim Botânico alia a beleza oriental de organização de flores à riqueza de uma variedade de jardins. E o Insectarium é um espaço educativo sobre variadas espécies de insetos do planeta, com atenção especial às borboletas.

Se tudo isso tem cara de cidade norte-americana, é porque a porção européia esconde-se na parte antiga da cidade, na “parisiense” velha Montreal. Uma arquitetura que varia do século 17 ao início do século 20. Você deve percorrer a região a pé ou de calèche (carruagem).

O entardecer deixa o céu dourado, o acordeão traz sinfonias francesas e é difícil sair de lá sem levar um quadro, uma aquarela, uma escultura ou qualquer trabalho dos artistas que expõem ao ar livre.

Berço da cidade, é também ali que nascem as atividades típicas do verão. O Pier King Edward, cais do velho porto, tem uma agitação tamanha que, na alta temporada, é preciso rezar para encontrar um lugar livre. Aproveite a Basílica de Notre Dame, na Place D'Arms, para sua prece. É a mais antiga igreja católica de Montreal (século 17) e a nave conta com 3.800 assentos.

Outro obra grandiosa é o Oratório São José, santo padroeiro do Canadá, homenageado numa basílica, sonho realizado do falecido Frei André, beatificado em 1982 por ter sido responsável pela cura de muitos doentes.

A arte de Montreal

Gostar de arte em Montreal é quase uma religião. Por isso, a cidade oferece dois importantes museus: o de Belas Artes e o de Arte Contemporânea. A cidade ainda celebra a honra de ser palco de vários festivais (só de cinema são 14).

No inverno, faz sucesso o Montreal High Lights Festival, que promove a culinária e a cultura local. E quando o tempo esfria e os passeios ao ar livre diminuem, é debaixo da terra que a vida acontece: esse mundo subterrâneo esconde 1.600 boutiques, 40 bancos, 200 restaurantes, cinemas, farmácias e até uma piscina. São 29 km de túneis ligando os maiores edifícios comerciais da cidade passando por hotéis e por centros comerciais da cidade – o que garante o bom tempo tanto numa saída para jantar como num encontro de negócios ou para quem visita a cidade. 

Um encontro com Quebec

Château Frontenac. Quebec, Canadá. Foto Jorge Avina Primeiro, os vendedores de pele se estabeleceram na região porque perceberam o quanto era boa para o comércio; depois, foi o explorador francês Samuel de Champlain que considerou seu aspecto militar favorável e fez uma fortificação à beira do penhasco. Em seguida, vieram os ingleses querendo tomar o que era dos franceses – coisa que fazia com que os franceses ficassem furiosos e tentassem pegar de volta o que os ingleses queriam a todo custo ficar para si mesmos. Com todo esse toma-lá-dá-cá, uma coisa é incontestável: todo mundo que sabe e quer o que é bom inclui Quebec num roteiro ao Canadá.

Sendo uma das mais francesas cidades do país, briga com orgulho pela tradição de colonizadores que deram o nome à província de Nova França. A cidade de Quebec se divide harmoniosamente entre uma parte nova e uma parte velha – e a velha Quebec se divide, sem problemas, entre a cidade alta e a cidade baixa.

Já a situação do idioma é menos democrática. Em todo Canadá, inglês e francês se equilibram no posto oficial de idioma do país, mas em nenhum outro lugar o inglês fica tanto como segunda língua: 95% da população de Quebec City fala e prefere falar francês.

Nada que assuste quem não arranha mais que um “bonjour”. Quebec recebe milhares de turistas por ano e mesmo que você falasse grego, simpatia faz parte do cardápio local de boas maneiras. E, por falar em cardápio, que tal provar Quebec pela culinária? Comece com moules frites (mexilhões e fritas) e siga até uma tarte au sucre – torta doce de maple, xarope extraído da árvore canadense, cuja folha está presente no centro da bandeira nacional.

Entre a entrada e a sobremesa, o que aguça o apetite são seus segredos culinários. Se gula é pecado, em Quebec abri as portas do inferno. Fui a um dos restaurantes da cidade velha que servem rodízio de fondue. A orgia gastronômica começou com a especialidade de queijo, depois de carne, de volta ao queijo, depois chocolate, morangos, queijo, tudo regado a vinho e muito vinho para, no final, me assumir um pecador confesso e não arrependido. Já que sentia a proximidade do fogo (o do inferno e do excesso do álcool), resolvi abusar também da luxúria e me entreguei de corpo e alma a Quebec: numa noite enluarada, caminhando pelo Terrasse Dufferin, trecho pedestre do qual se avista o rio São Lourenço, lá embaixo, ofereci meu coração ao Château Frontenac. Minha promessa de amor foi eterna.

A paixão pelo Frontenac tive que aprender a dividir com milhares de turistas que consideram sua construção um símbolo da cidade, da província e de todo Canadá. Em cada dez imagens que representam o país, uma, no mínimo, é do castelo.

Aberto em 1893 para incrementar o turismo local, já hospedou a Rainha da Inglaterra e foi cenário de momentos históricos como o encontro de Franklin D. Roosevelt e Winston Churchill durante a Segunda Guerra Mundial. Hoje,continua imponente no topo da cidade velha que, aliás, merece uma checagem de alto a baixo. Cidade alta e baixa se unem por uma série de escadarias ou por um funicular que tem mais de 120 anos.

Na cidade alta, além do Frontenac, estão alguns museus e a capela Ursuline. Na parte baixa, destaca-se a Place Royale, que entre os séculos 17 e 18, abrigava o mercado e era o principal centro comercial, cheio de danças, festas e concertos no tempo em que o rei de França era Louis XIV. Ali perto, você ainda encontra o Parlamento e a Citadelle – fortificação que é uma das principais atrações turísticas da cidade.

Um dica: gaste seu tempo na cidade caminhando. Em Quebec você anda duas horas e percorre três séculos passando por ruelas, casas de pedra e praças arborizadas. Faça uma parada para um café servido na mesinha da calçada (nada mais francês). No mais, aproveite esse passado que ninguém mexeu, nem irá mexer porque a Unesco não deixa. Desde 1985, a cidade é tombada como Patrimônio Histórico da Humanidade.

A multicultural e atraente Toronto 

 

A Skywalk em Toronto, Canadá. Foto Brendan GogartVocê gosta de metrópole? Então, vai amar Toronto, a maior cidade canadense, a quinta maior cidade da América do Norte (só perde em tamanho para a Cidade do México, Nova York, Los Angeles e Chicago). Tem 4,7 milhões de habitantes e mistura uma centena de diferentes culturas. Essa diversidade a faz fascinante. Ela é a conexão de ida ou de volta a outros destinos canadenses e nem por isso pode ser considerada uma cidade de passagem. Ao contrário: a beleza de Toronto convida-nos a entrar e quem entra, fica – algumas vezes, para sempre.

Ano após ano, várias nações fazem crescer suas colônias no país, mais principalmente em Toronto, onde se ouve italiano, chinês, espanhol e, veja que vantagem para o brasileiro, o português. O som, na maioria, é o do português de Portugal, mas a presença de brasileiros na cidade é significativa.

Não faltam atrativos na cidade e arredores. Como Niagara Falls, por exemplo, que está a 70 km de Toronto e recebe 14 milhões de turistas por ano. Não é nenhuma Cataratas do Iguaçu, mas dá um banho quando se trata de organização, infraestrutura e opções de lazer. Vale conhecer.

Mas antes de sair da cidade, revire-a de alto a baixo. Comece pelo alto: a CN Tower, imensa torre que domina o perfil de Toronto. Foi idealizada por empresas do ramo ferroviário e se tornou símbolo da cidade.

Visitar o mirante é perceber que a torre é de longe (e muito longe) a mais exemplar estrutura arquitetônica do gênero. Ou seja, pode ser que existam outros monumentos, prédios ou construções mais altas que a CN Tower, mas nenhuma delas é tão imponente e construída sobre um único alicerce, que deixa um enorme vão livre (põe livre nisso) entre seus pés e solo. São 552 metros de ponta a ponta.

No topo, tem terraço panorâmico, bar e restaurante. Batizado de “360º”, o restaurante não ganhou esse nome à toa. O primeiro gole de vinho pode acontecer com uma vista deslumbrante para o lago Ontário e o último, olhando diretamente para a Yongue Street e seus prédios modernos e envidraçados.

Não, você não bebeu demais. Mesmo que a carta de vinhos pareça mais um relatório de empresa com oferta de mais de 500 itens. Mas, é que acima dessas vantagens gastronômicas e um preço não tão astronômico assim, o principal diferencial do restaurante é que exatos 72 minutos depois do início da sua refeição, quando cruzar os talheres já com saudade daquele delicioso salmão que estava ali no seu prato 360º atrás, você vai estar de volta ao lago Ontário.

O maior restaurante giratório do mundo tem um movimento suave e a sensação é apenas a de um filme maravilhoso sendo projetado à sua volta. E nesse caso: o filme é Toronto, sucesso de bilheteria. Antes da refeição, teste sua coragem e dê um pulinho no chão de vidro da CN Tower. Se for muito corajoso, dê vários pulinhos. O chão está a 342 metros do solo. É absolutamente seguro, mas convenhamos que pular sobre o chão de vidro dá um certo medo.

Nunca quebrou. A segurança é 100% e se for você a exceção, grandes chances que sua aterrissagem seja no Eaton Centre, um shopping com 320 lojas, restaurantes e 17 salas de cinema, ou no Skydome, imenso estádio de beisebol que é o único no mundo com teto completamente retrátil. Uma vez lá embaixo, siga pela Yonge Street até o Harbourfront, antigas docas daquelas águas que, disfarce do lago Ontario, parecem um grande mar.

No Harbourfront, o desenvolvimento dos últimos anos tem oferecido à população inúmeras possibilidades de entretenimento e cultura. São passeios por galerias de arte, concertos a céu aberto e peças de teatro. Se seguir pela costa do lago, chega-se ainda ao Ontario Place, um misto de parque de diversões e cinemas Imax com garantia de diversão para a família inteira.

Passe uma tarde no ROM – Royal Ontario Museum. Passe a tarde do dia seguinte. E mais outra tarde. Até poder admirar um pouco dos seis milhões de objetos expostos nos três andares desse museu que reúne arte atual, objetos arqueológicos e galeria da ciência.

Ao entardecer siga pela Yonge Street, mas só um pouquinho, porque ela é a rua mais longa do mundo. A Yonge, uma antiga trilha, começa próxima às docas e segue até onde Judas, não só perdeu as botas mas também se perdeu. São 1.900 km do lago que beira Toronto até a cidade de Rainy River, ao norte da província de Ontário. Para nossa sorte, a maioria dos pontos turísticos e os grandes teatros estão ali, perto da torre (a cidade oferece a terceira maior produção teatral do mundo em língua inglesa, atrás apenas de Nova York e Londres).

Caminhe vendo as luzes da cidade. Escolha um restaurante entre uma infinidade de opções. Faça compras. Compartilhe das belezas que os habitantes usufruem. E se quiser curtir a cidade para sempre, mude-se para lá. Você vai ser mais um entre os cem povos diferentes que compõem dois terços da população de Toronto. 

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