Canadá tem misto de modernidade das cidades americanas e influência europeia

Dec 31, 1969
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Na porta de um pub de Toronto, capital da Província de Ontário e maior metrópole canadense (são quase 2,5 milhões de habitantes), um grupo de brasileiros – eu incluída – conversa e gesticula animadamente, como se estivesse em solo verde-amarelo. Ouvindo aquele idioma diferente e tentado a pedir um cigarro para um integrante da patota, um morador local pergunta de onde somos. Ao ouvir "we're from Brazil", ele diz, meio incrédulo: "Com tanta coisa bonita no seu país, o que vocês estão fazendo no Canadá?".

Ainda que a réplica, naquele momento, tenha sido sucinta, o melhor seria responder que poderíamos levar horas elencando motivos para justificar não apenas uma, mas várias viagens ao país do mapple syrup (xarope usado num sem-fim de pratos e extraído do plátano, cuja folha estampa a bandeira nacional), onde estão cidades cosmopolitas e vibrantes como a própria Toronto e Vancouver, mais as Montanhas Rochosas e as Cataratas de Niágara – maravilhas naturais compartilhadas com os Estados Unidos –, milhares de lagos muito cênicos e as bucólicas cidadezinhas cercadas por montanhas que, no inverno, viram fervilhantes estações de esqui.

Sem falar da qualidade de vida e da sensação de segurança experimentada no país, que sempre colocam o Canadá entre os primeiros colocados em índices como o de Desenvolvimento Humano (HDI, na sigla em inglês) e em levantamentos feitos por organizações como a ONU e a consultoria internacional Mercer. Essa, num estudo de 2007, considerou cinco cidades canadenses – QUAIS SÃO? –, entre as 25 primeiras colocadas ao redor do mundo, como um lugar ideal para se viver. E a lista ainda poderia aumentar mais...

Com esses belos motivos, o "intruso" canadense do pub certamente se convenceria dos atributos de seu país, os quais, aliado à recente instalação de um escritório da Comissão Canadense de Turismo no Brasil, para promover intensamente o destino por aqui, também têm tudo para fisgar ainda mais o interesse dos brasileiros, que atualmente representam, entre os turistas que desembarcam por lá, um número irrisório – apenas 71 mil visitantes.

Assim, o país que faz um mix entre a modernidade das cidades americanas com a influência dos colonizadores europeus (Inglaterra e França, que acabaram por dar ao país dois idiomas oficiais), juntando uma simpatia e um espírito de atender muito bem aos estrangeiros, sejam eles viajantes ou imigrantes, pode começar a ser a descoberto pela moderna e multiétnica Toronto, que conta com um voo diário desde São Paulo, operado pela Air Canada, e é muito mais que um ponto de conexão para outras cidades canadenses.

Nesta época do ano, com o rigoroso inverno já dominando o Hemisfério Norte, o tour pode seguir rumo às estações de esqui, que fazem a festa não só dos esquiadores e snowboarders, mas também de quem acha um luxo participar do après ski, que inclui atividades como tomar um chocolate quente ao lado de uma lareira enquanto a neve pinta a paisagem cada vez mais de branco.

As mais famosas estações ficam na porção oeste do país, como Whistler, na Colúmbia Britânica, que, junto com Vancouver, sediará os Jogos Olímpicos de Inverno de 2010, a serem realizados entre 12 e 28 de fevereiro, além de Banff e Lake Louise, na Província de Alberta, onde a paisagem é ainda mais esplendorosa por essas cidadezinhas serem ladeadas pelas Montanhas Rochosas.

Decidido a embarcar nos próximos meses para explorar o "Canadá branco"? Pois então suas principais missões serão tirar o visto canadense e forrar a mala com itens quentinhos – casacos reforçados e impermeáveis, luvas, meias térmicas e gorros ou faixas que cubram as orelhas, já que o frio e o vento, até próximo de abril, derrubam a temperatura a vários graus negativos. Só isso. Porque as atrações e passeios, com tudo o que não dá para perder, estão nas próximas páginas.

 

 

CN Tower, o símbolo de Toronto

CN Tower, símbolo de Toronto, de frente para o congelado Lago OntárioMuitas cidades da América do Norte têm seu ícone: Nova York tem a Estátua da Liberdade, Los Angeles, o letreiro de Hollywood, Washington D.C., o Capitólio e pouca gente há de se lembrar, de bate-pronto, da CN Tower, que, junto de vários prédios modernosos, definem o skyline de Toronto. E é por essa torre que está entre as maiores do mundo – são 553 metros até a ponta de sua antena –, na área do centro financeiro, que a maioria dos turistas começa seu passeio.

Os mais detalhistas vão circular pelo andar térreo e se ater aos painéis com fotos e informações sobre a construção da torre, finalizada em 1975 e considerada pela Sociedade Americana dos Engenheiros Civis uma das sete maravilhas arquitetônicas do mundo (lista que também inclui uma construção genuinamente brasileira, a hidrelétrica de Itaipu).

Já os que querem estar "nas alturas" vão logo para o elevador com paredes de vidro que, em menos de um minuto, chega ao primeiro dos mirantes, a 346 metros de altura. Com chão de vidro, o que deixa alguns muito aflitos e outros até se jogando no chão para uma foto engraçadinha, a vista é de 360 graus. Dali, observa-se uma cidade que, ao mesmo tempo em que é moderna, com vários arranha-céus de aço e vidro e o Skydome – um estádio com teto retrátil ali pertinho–, também tem bairros totalmente horizontais, muitas áreas verdes e o Lago Ontário, às margens do qual há ciclovia, jardins e calçadão com praia, além de ilhas que os locais lotam no verão.

Não é só. Um segundo elevador leva a mais um andar de observação, a 447 metros – o mais alto do mundo e equivalente a um edifício de 147 andares –, que propicia visibilidade de 160 quilômetros. Com isso, em dias claros, é até possível enxergar as Cataratas de Niágara e a cidade americana de Rochester.

O visual sensacional pode continuar sendo a companhia de quem resolver almoçar ou jantar na torre. Há dois restaurantes, o Horizons, mais informal, e o 360º, que é giratório, ou seja, 72 minutos depois de se sentar à mesa, você terá dado uma lenta e completa volta, como que de camarote, por vários pontos de Toronto.

 

Moderno e antigo, lado a lado

A prefeitura de Toronto, tem estilo NiemeyerPertinho da CN Tower há um acesso que interliga a atração com a Union Station (estação do metrô), Rogers Centre e Metro Convention Centre. Mas, como se está na moderna Toronto, não é um acesso qualquer. Trata-se da Skywalk, uma passagem elevada para pedestres, toda de vidro e alumínio e com direito a pontes, que segue pela Simcoe e Station Streets até alcançar a York Street, próxima do centro financeiro. Um bom lugar para passear e proteger-se do frio intenso dessa época do ano, como também é o caso da Path, a cidade que esparrama-se por 27 quilômetros nos subterrâneos de Toronto.

Uma das saídas o deixará no entorno da Nathan Philips Square, a linda praça que abriga a prefeitura – um conjunto com dois prédios ao estilo da arquitetura de Brasília (DF), que causou polêmica quando foi inaugurado, em 1964 – e um lago recoberto por alguns arcos de concreto, o qual vira rinque de patinação nos meses de inverno. Ao lado, fica a elegante prefeitura antiga, do século 19 e cheia de colunas recobertas de desenhos, que quase veio a baixo para dar lugar à sua substituta e hoje abriga o fórum e a Secretaria de Justiça da cidade.

Enquanto curte ali o mix arquitetônico entre o antigo e o moderno e se impressiona com a destreza dos moradores-patinadores, aproveite para provar o hot dog canadense, que é vendido em vários traillers do pedaço e, acredite, é tão bom quanto os de Nova York. Além de escolher o tipo de salsicha – com carne bovina, de frango, de peru e vegetariana – ou de linguiça (polish, mais leve, ou italian, apimentada), que é grelhada e não cozida, o turista tem à disposição uma série de  acompanhamentos para incrementar o sanduíche, como pimenta jalapeño, sauerkraut (repolho cortado bem fininho e curtido), molho relish, mostarda apimentada, picles, pedaços de bacon e os tradicionais catchup e maione, entre outros condimentos.

 

Cidade multiétnica

Nos arredores da Spadina Avenue, cidade tem 47% de estrangeirosJá que o passeio ficou pop, é hora de seguir para os bairros dos imigrantes, que, ao mesmo tempo que parece que não se está no Canadá, sintetiza o que são cidades como Vancouver e Toronto – nessa, estima-se que 47% da população seja de origem estrangeira, sobretudo chineses (os quais espalham-se por nada menos que seis Chinatowns), portugueses (que vivem na região chamada Little Portugal) e italianos, que também têm a sua Little Italy, entre as mais de cem nacionalidades encontradas na cidade. Prova disso é que a atual Miss Canadá é... brasileira. Sim, Mariana Valente é paulista de São José dos Campos e imigrou para o país no final do anos de 1990.

A maior e mais movimentada das Chinatowns é facilmente alcançada desde a praça da prefeitura, delimitada pela Queen Street e pela Dundas Street. Siga no sentido oeste por qualquer uma delas (as placas sempre têm um W, que significa west, ou seja oeste, ou E, que é east, leste em português, facilitando a localização). Ao cruzar a Spadina Avenue, você terá chegado a essa famosa Chinatown, que com seus pórticos vermelhos e dourados, letreiros em mandarim, lojas de badulaques baratinhos, mercados, senhoras vendendo ervas, frutas e legumes na calçada e, claro, inúmeros restaurantes, parece mesmo um outro país.

Estabelecimento após estabelecimento, o cheiro de comida vai ficando cada vez mais tentador. Por lá, uma dica para se fartar de comer é o tradicional Bright Pearl Seafood Restaurant, que tem um extenso cardápio de especialidades chinesas. Se não entender os itens do menu, ainda é possível visualizar algumas entradas e pratos, já que funcionárias passam com um carrinho e oferecem diversos cestinhos com dim sum (saborosos bolinhos feitos no vapor e com recheios diversos), camarões, verduras e legumes refogados à moda chinesa, yakimeshi (arroz com ovo, pedacinho de presunto e cebolinha), yakissoba...

O multiculturalismo é ainda maior em Kensington Market, a dois passos de Chinatown, nos arredores da mesma Spadina Avenue com Dundas Street, onde imigrantes do leste europeu estabeleceram-se na virada do século 20. As modestas casas onde moravam e vendiam suas mercadorias ainda estão lá e dão as boas-vindas ao bairro, onde, além dos descendentes desses primeiros imigrantes – poloneses, russos e judeus –, juntaram-se muitos jamaicanos, vietnamitas, mexicanos, indianos, árabes, portugueses e chineses, numa mistura que confere um ar ao mesmo tempo bagunçado e cult ao pedaço.

O ponto de convergência de toda essa gente, mais os turistas e moradores que vêm de outros cantos da cidade, é sobretudo o mercado a céu aberto na Kensington Avenue, onde não faltam mercearias, cafés e quitandas, sem falar das lojas dos mais diversos produtos, inclindo itens culinários para preparar comidas do mundo todo.

Outro lugar que não pode ficar de fora da visita é o Distillery District. Como o nome indica, o lugar era uma imensa destilaria de uísque, com arquitetura vitoriana aplicada aos moldes industriais, que funcionou ininterrruptamente entre 1837 e 1990. Adquirida em 2001 por um grupo privado, a destilaria foi revitalizada e virou um point dedicado às artes, cultura e entretenimento. Assim, cada galpão ou construção do antigo complexo hoje abriga ateliês e galerias de arte, lojas descoladas, restaurantes, bares e cafés.

A dica para espantar o frio congelante e deixar a vida mais doce é provar os chocolates artesanais da SOMA, cuja produção pode ser vista – o que dá ainda mais água na boca –, pois parte da fábrica da guloseima é separada da loja por uma parede de vidro. Já quem não abre mão de uma cerveja deve seguir para o Mill Street Brew Pub, onde é possível provar vários tipos de cerveja dessa marca local que existe há mais de cem anos, as quais também são harmonizadas com pratos servidos no pub.

Se a ida a Toronto for em meses mais quentes, faça o tour pelo Distillery District a bordo dos segways, um meio de transporte que parece um patinete para adultos, com duas rodas bem grandes, e é bem mais divertido do que simplesmente andar. No segway, não há acelerador ou freio. É a inclinação do corpo para frente e para trás, comedidamente, que fazem o equipamento ir mais rápido ou mais devagar, controle que se aprende durante o breve treinamento oferecido pela Segway of Ontario. A  loja da empresa fica no Distillery.

 

Hora da cultura e das compras

O Distillery District tem galerias de arte, bares e restaurantes que podem ser conhecido a bordo dos segways.Hora das compras ou de dedicar-se à cultura? É bom ter tempo para explorar ambos os aspectos, pois Toronto manda bem nas duas coisas. Na parte cultural, por exemplo, há dois museus imperdíveis: a Art Gallery of Ontario e o Royal Ontario Museum, um dos museus da Universidade de Toronto, mais uma série de musicais e espetáculos à la Broadway, que colocam a produção teatral da cidade como uma das maiores entre os países de língua inglesa.

A Art Gallery of Ontario oferece uma extensa coleção de arte e de esculturas modernas, incluindo obras de mestres europeus de Rembrandt a Picasso, arte inuit (com peças feitas pelos aborígenes do país) e canadense (num acervo que reúne trabalhos do Grupo dos Sete, que nos anos de 1920 sacudiu as artes do país) e uma parte só com esculturas de Henry Moore, como a icônica Figura Reclinada Drapeada.

Maior museu do país, com 6 milhões de objetos das áreas de arqueologia, história natural e civilizações do mund, o Royal Ontario Museum é formado por duas construções, uma mais clássica, do início do século 20, e uma de fachada toda modernosa.

Com um acervo tão grande, impossível esgotar o complexo numa única visita. Assim, o indicado é passar pelas salas-chave do museu, como, por exemplo, a que abriga objetos de arte do Extremo Oriente – onde está o impressionante túmulo de uma figura importante da era Ming, único exemplar do tipo em exibição no Ocidente – e as que guardam múmias, máscaras mortuárias e objetos cotidianos do Egito Antigo.

Também é interessante a parte dedicada a mostrar esqueletos completos de dinossauros e de outros bichos do período jurássico e a que traça um panorama dos ecossistemas do Canadá e do mundo, apresentando a fauna que neles vive. Assim, há uma série de bichos empalhados, incluindo animais grandes como ursos e bisões, que se parece com um búfalo.

Com o intelecto abastecido e com a informação de que o dólar canadense vale menos do que o americano (1 dólar do Canadá vale em torno de R$ 1,65), siga sem culpa para as compras, ainda que, na Bloor Street, próxima do museu e endereço das grifes mais desejadas (e caras) do mundo, você vá mais olhar as vitrines do que comprar.

Preços mais camaradas e grandes lojas da Zara, da Guess e H&M – loja de roupas, acessórios e calçados com ótimos preços, mas que ainda não desembarcou por aqui –, entre muitas outras, num comércio ostentivo, são encontradas ao longo da Yonge Street. É lá que também está, na altura da Dundas Street, o gigantesco Eaton Centre, shopping center com 1.200 lojas e, mais para baixo, junto da Queen Street, a elegante loja de departamentos The Bay. Remontando ao século 19, ela é a versão canandense da americana Macy's. Ou seja, um templo de marcas bacanas para tudo o que você imaginar: roupas para homens, mulheres e crianças, produtos de beleza, perfumes, móveis, artigos de decoração, coisas para casa...

 

Para se esbaldar na neve

Em Banff, um conjunto das Rochosas canadenses dentro de um parque nacional.Ainda que Toronto seja um show de modernidade, eficiência e um exemplo de como bem receber os turistas, não se contente em ficar apenas lá, até porque, nessa época do ano, o grande barato está nas estações de esqui, lotadas de gente deslizando pela montanha com a facilidade de um brasileiro jogando futebol e com muitos eventos e atividades para quem não tem intimidade com os esquis, como passear a bordo de trenós puxados por huskies alasqueanos (os cães são do Alasca mesmo) e comer fondue numa cabana no alto da montanha.

Para aproveitar tudo isso, e em grande estilo, é preciso seguir para a porção oeste do Canadá, onde estão a badalada Whistler – a pouco mais de 2 horas, de carro, de Vancouver, capital da Colúmbia Britânica – e as cênicas Banff e Lake Louise, parte de um mesmo complexo de esqui que começa a cem quilômetros de Calgary, capital da Província de Alberta. Distantes exatos 738 quilômetros, uma não poderia ser mais diferente da outra.

Enquanto Whistler é agitada e animada, e vai ficar ainda mais entre 12 e 28 de fevereiro de 2010, quando recebe, junto com Vancouver, os Jogos Olímpicos de Inverno e, na sequência, os Jogos Paraolímpicos, Banff e Lake Louise são um convite à contemplação. Afinal, estão dentro do Banff National Park, o parque mais antigo do Canadá, criado em 1885 e cercado pela soberba formação das Montanhas Rochosas, onde vivem ursos, alces, lobos e outros animais adaptados ao frio extremo.

É só ver qual delas tem mais o seu estilo e complementar o "rolê" de Toronto com um pacote para a estação de esqui escolhida, que pode ser do pool de operadoras brasileiras que está comercializando destinos de neve canadenses.

 

Agito na sede da olimpíada de 2010

O dogsledge é um passeio de trenó puxado por huskies do Alasca.Se canadenses e estrangeiros com habilidade sobre os esquis e a prancha de snowboard e que, de quebra, gostam de um agito, já escolhiam Whistler como destino de inverno, imagine agora que a estação está às vésperas de receber uma olimpíada, quando tudo fica ainda mais "em cima". Assim, à renovada Sky to Sea Highway, a estrada que, com o Oceano Pacífico de um lado e montnhas nevadas de outro, liga Vancouver e a estação, juntam-se novidades na área gastronômica e dos hotéis – o refinado Fifty Two 80, bistrô do hotel Four Seasons, por exemplo, incluiu em seu menu uma releitura de pratos da cozinha dos índios canadenses. Para cuidar do corpo depois de tanto frio e possíveis tombos nos esportes de neve, a novidade é o Le Scandinave Spa, que oferece tratamentos tradicionais dessa região do globo, como o banho de vapor norueguês com eucalipto.

Mas isso é "adereço" diante do que realmente importa para os esportistas: a neve e as pistas para aproveitá-la, que ficam abertas durante um longo período, entre novembro e julho. Whistler e Blackcomb (a outra montanha pertencente ao complexo) acumulam uma média  anual de dez metros de neve, que, por cair em montanhas não muito altas, com no máximo 2.200 metros, fica mais dura e escorregadia. Resultado: trechos altamente desafiadores em várias das 200 pistas da estação, que esparramam-se por 8 mil acres, a maior área esquiável da América do Norte.

Desse total de pistas, cerca de 95% continuará aberta aos turistas durante a realização da olimpíada e da paraolimpíada, sem prejuízo para quem quer experimentar toda a variedade de "terrenos" que puder.

A grandeza da estação continua com a Peak 2 Peak, uma gôndola fechada inaugurada há um ano que, a 436 metros de altura, presa a um senhor sistema de cabos de aço, leva os esquiadores de uma montanha a outra. Trata-se do sistema de lift (equipamento usado para levar os esportistas às pistas na montanha) mais longo do mundo, com 4,4 quilômetros, num percurso que dura 11 minutos e mostra um belo panorama Whistler, com o Rio Fitzsimmons por entre as duas montanhas vizinhas.

Muita gente também segue para a estação pelo que ocorre longe das pistas. Dona de uma das melhores vidas noturnas entre as estações da América do Norte, o burburinho rola em Whistler Village, aos pés da montanha, onde fica a maior parte dos bares, restaurantes, centros comerciais e lojas de marca.

O après ski, momento em que as pistas são fechadas e os esquiadores voltam da montanha, leva os visitantes para o The Longhorn Saloon, um bar onde as pessoas começam com uma xícara de chocolate para se aquecer, bebida rapidamente substituída pela cerveja, que realmente combina mais com o som dos DJs e com as mesas de sinuca tomadas por jovens. À noite, o lugar enche de novo, assim como o movimentado Garibaldi Lift Co. No tradicional bar e clube, que também funciona como restaurante, há divertidas apresentações de música ao vivo. Se a frequência estiver juvenil demais, ligue-se nos telões, que mostram vídeos de esportistas aventureiros praticando os mais malucos esportes de neve nos lugares mais absurdos.

 

O visual das Montanhas Rochosas

Estação de esqui de Lake Louise, na costa oeste do país. Canadá.Em Banff e Lake Louise, o olhar atento não é apenas na pista e nos outros esquiadores que dividem a pista com você. É sobretudo para contemplar o sem-fim de montanhas que formam o conjunto das Rochosas, o qual começa, desde sempre imponente, nos Estados Unidos e majestosamente "invade" o Canadá em picos próximos dos 4 mil metros. A paisagem é completada por cerca de 700 lagos – ora com águas muito verdes e ora com águas muito azuis –, rios que formam vales e densas florestas que são a casa de ursos, alces e muitos animais selvagens, formando um parque considerado Patrimônio da Humanidade pela Unesco e que é um sonho para quem gosta de estar em contato com a natureza.

No inverno e também no começo da primavera, quando ainda é frio, mas num grau mais suportável para os brasileiros, os dia nessa região são passados nas estações de Lake Louise, que conta com apenas uma montanha com área esquiável, e Norquay, pertinho de Banff e com poucas pistas. Há também a enorme Mount Sunshine, a 27 quilômetros de Banff e onde se chega de teleférico, o qual parte de Sunshine Village, uma vila formada por hotéis e restaurantes ideal para quem sair do hotel praticamente já esquiando. Um único ski pass é usado em todos esses complexos, que garante livre circulação pelos três lugares e acesso ilimitado aos meios de elevação, que deixam os visitantes em diferentes pontos da montanha.

Outra atividade muito bacana é o dogsledge, em que duas pessoas, mais um condutor, embarcam num trenó puxado por huskies alasqueanos. Com a empresa Kingmik (kingmikdogsledtours.com), os participantes acompanham toda a preparação do passeio, da escolha dos oito cães que puxarão cada trenó à colocação deles nas coleiras – e é impressionante como os huskies, que consomem em torno de 10 mil calorias ao dia, ficam ansiosos para começar o tour, pois assim que são "encoleirados", eles tentam começar a correr, deixando desorientados os cachorros que sobraram, os quais latem sem parar.

Quando a atividade começa, a diversão é garantida, já que os animais querem sempre alcançar o trenó que está à frente e seguem em "desabalada carreira". Sem falar da passagem por novos trechos do Banff National Park e, se o tour escolhido for o Great Divide, também circula-se pelo Yoho National Park. Além de ser mais longo (duração entre 1h30 e 2 horas) e mais caro , o Great Divide é o passeio mais popular da Kingmik, até porque na volta à sede da empresa, os próprios participantes podem tentar conduzir o trenó.

 

Teleférico ou trekking

Peak 2 Peak liga as duas montanhas de WhistlerMesmo na área urbana, os visuais são incríveis. No pacato centro de Banff, a cidade mais famosa e mais estruturada do lado canadense das Rochosas, é possível vislumbrar os montes Rundle e Cascade, ambos com quase 3 mil metros, e o monte Norquay (2.134 metros).

Mas a montanha mais procurada é Sulphur, que tem atrações da base até quase o topo, a 2.281 metros de altitude. Aos seus pés fica o Cave and Basin National Historic Site, local onde foi encontrada a primeira fonte de águas quentes da cidade e hoje abriga um museu que conta a história local, além do ponto para pegar o teleférico que deixa os turistas no alto da montanha, onde é possível ficar horas hipnotizado pela paisagem. Há uma trilha de pouco mais de cinco quilômetros que também leva ao alto da Sulphur, exibindo, pouco a pouco, visuais cada vez mais belos do vale cortado pelo Rio Bow, além do Minnewanka, o maior lago do parque, com quase 20 quilômetros de comprimento.

Seguindo 37 quilômetros pela TransCanada, chega-se à cênica Lake Louise, onde não falta nem um castelo, hoje ocupado por um luxuoso hotel do grupo Fairmont,  para deixar o panorama ainda mais suspirante. É que o lago no qual a cidadezinha pegou seu nome talvez seja o melhor símbolo da beleza da região: as águas são de um azul-turquesa extremo, cercadas por montanhas altíssimas e cobertas de neve e com uma geleira, a Victoria, como vizinha.

Totalmente congelado no inverno, o que não impede caminhadas e cavalgadas, é nos meses de verão do Hemisfério Norte (junho a setembro) que o passeio por lá fica ainda mais esplendoroso, possibilitando um trekking sem sacríficios quanto às intempéries do clima e que revela, caminho afora, outros lagos e refúgios para se refazer da trilha. É a prova de que o Canadá vive duas vidas, uma quando está debaixo de um frio lascado e outra quando o sol é companhia constante. Ambas apaixonantes e com atrações imperdíveis.

Para Toronto, Karen Abreu viajou a convite do Submarino Viagens, Air Canada e Toronto Tourism e, para as estações de esqui canadenses, a convite da Air Canada, dos escritórios de turismo de Whistler e de Banff/Lake Louise e da rede de hotéis Fairmont

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