Huilo Huilo o roteiro ideal para explorar lagos de água cristalina, cachoeiras e vulcões

Dec 31, 1969
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Sim, é um hotel, conforme se vê pelo solícito carregador de baga­gem na porta e pelo balcão da recepção na entrada. Mas não é qualquer hotel. A construção pra lá de curiosa, plantada no meio de um bosque, parece ter saído de um livro de contos de fadas. E, de certa forma, saiu mesmo. O hotel mais inusitado do Chile foi inspirado no conto do baobá do clássico livro O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupèry. No conto e nos devaneios do seu proprietário, o empresário chileno Victor Peterman, que o projetou para simular o formato da gigantesca árvore, o Hotel Baobá impressiona. Foi erguido no meio da reserva florestal particular de Huilo Huilo, em plena Patagônia Chilena. É o principal ponto de apoio para explorar as diversas atrações que existem dentro da reserva, com vários lagos de água cristalina, cachoeiras e vulcões, além de uma estação de esqui que funciona até em pleno verão – a única do Chile com uma temporada de neve sem fim.

Inaugurado há um ano, o Hotel Baobá é todo construído em madeira rústica, resultado de um arrojado projeto arquitetônico dado à sua forma em cone invertido, mais estreito na base do que em cima. Lá dentro, o olho leva um tempo para se acostumar enquanto passeia por todo canto à procura de detalhes diferenciados, que estão em toda parte, como nas colunas revestidas com troncos inteiros ou nos corrimãos que nada mais são do que galhos de árvore. Internamente, tem forma de espiral, com uma passarela que conduz aos cinco andares de apartamentos e a um terraço com bar e vista para os picos nevados.

É indicado para quem gosta de ecotu­rismo e pretende conhecer um pouco da beleza natural da Patagônia Chilena, mas descansando numa ótima cama e de preferência com um bom vinho no jantar.

Não há cidade próxima para badalar à noite, tampouco bares para dançar ou lojinhas para ver vitrines. O esquema é curtir as atividades ao ar livre durante o dia e o charme do hotel no resto do tempo. Os hóspedes, em sua maioria, são casais maduros que já viajaram bastante pelo mundo e estão à procura de uma experiência diferente num lugar fora do convencional.

Tirolesa, arvorismo e trilha...

 

O canopy, espécie de arvorismo misturado com tirolesa em Hulio Hulio, ChileO maior problema é chegar lá. A reserva de Huilo Huilo está localizada no sul do Chile, a cerca de 500 km de Bariloche, Argentina, distância para ser vencida em carro alugado ou embarcando num ônibus para Valdívia – viagem que leva oito horas devido aos trâmites de imigração nas fronteiras dos dois países.Outra opção, bem mais cômoda, e mais cara, é ir de avião via Santiago, fazendo conexão para Temuco, cidade dentro do alcance do transfer oferecido pelo hotel.

Quem encara a longa viagem, porém, dificilmente se arrepende, ainda mais no verão, quando a paisagem fica encantadora e o calor favorece os passeios. É recomendável um tempo mínimo de permanência de três ou quatro dias para desfrutar atividades oferecidas, como as caminhadas por trilhas até as cachoeiras, o canopy, a ascensão ao topo do vulcão Mocho e a visita ao centro de esqui.

O canopy, uma espécie de arvorismo que consiste basicamente de tirolesas em sequência para deslizar entre as copas das árvores em alta velocidade, é imperdível. Uma atividade segura, mas com boa dose de adrenalina, que em Huilo Huilo pode ser feita por pessoas de 8 a 80 anos. Há dois circuitos. O mais hardcore tem cinco tirolesas sequenciais a 90 metros de altura, sendo a mais extensa com 500 me­tros de comprimento. O outro circuito, mais família, tem quatro tirolesas, a 30 metros de altura, com extensão máxima de 120 metros.

O portal de entrada da reserva, erguido com toras imensas, lembra a entrada do Jurassic Park. Bem ao lado, começa uma trilha curta, de dez minutos, que leva a duas grandes cachoeiras, com cerca de 20 metros de altura cada: Huilo Huilo e Salto do Puma. O volume de água é tanto que o som pode ser ouvido de longe.

No verão, com a temperatura variando entre 250 C e 350 C, roupa de banho e chinelo é o traje local típico, num curioso cons-traste com os jaquetões de esqui e snowboard de quem vai aproveitar os esportes de neve. Já no inverno faz um frio entre 50 C e 70 C durante o dia, e o sistema de calefação do hotel o torna ainda mais aconchegante. Contudo, as atividades não param, seja qual for a época do ano. O cardápio inclui 35 opções de passeios, todos sujeitos aos grupos que se formam no hotel.

Outra atividade bastante procurada é o tour pelos vulcões, realizado em veículo de neve, com paradas à beira de lagos e em altos mirantes que dão vista a um conjunto de outros dez vulcões, entre eles o famoso Osor­no, o Tronador e o Lanín.

Hospedagem e gastronomia

A suíte luxo do Hotel Baobá em Hulio Hulio, ChileAs diárias no Hotel Baobá tem preços altos, mas incluem café da manhã. A maioria dos passeios não está inclusa na diária, apenas algumas trilhas próximas ao hotel. Todas as outras atividades devem ser pagas à parte. Os preços variam entre as atividades como canopy infantil e a caminhada ao vulcão Choshuenco. Os extras também encarecem a viagem. Existe a opção de diárias em sistema de all inclusive, com os passeios e bebidas alcoólicas à vontade.

A hora das refeições, aliás, é um dos grandes prazeres no Hotel Baobá. O horário é rígido, das 13h às 15h, e das 20h às 22h. Depois a cozinha fecha. O cardápio, sempre diferente a cada dia, é selecionado antecipadamente com três opções de entrada, prato principal e sobremesa. Você pode começar com um creme de cogumelos ou patê de javali com salada, seguido de lomo grelhado com risoto de ervas ou truta assada com batatas e arrematar com um sorvetinho de frutas ou uma mousse de chocolate branco com maçã assada.

Se os extras são caros, o valor da diária das acomodações é bem justo pela qualidade que oferecem. Os quartos standard não são grandes, mas oferecem ótimas camas com edredons fofos, toalhas felpudas e janelões de parede inteira com vista adorável para o bosque. O máximo do conforto está no interior da suíte luxo. Há apenas duas. São dúplex, com sala e lavabo na parte superior, um banheiro imenso com banheira de hidromassagem e uma varandona ao alcance do som da cachoeira e vista frontal para o vulcão Mocho.

Como o hotel ainda é novo, há muitas construções inacabadas ao redor. Estão em andamento os acabamentos no jardim, um conjunto de cabanas interligadas por passarelas suspensas que serão alternativas mais econômicas de hospedagem e até uma microcervejaria artesanal, com previsão para inau­gurar no final de janeiro. A marca? Peterman, nome do dono do hotel.

A novidade é o recém-inaugurado spa e a piscina interna, especialmente indicados para os finais de tarde, na volta dos passeios, ou quando a chuva, comum no inverno, obriga ao confinamento nas dependências do hotel. Para as crianças, anexo ao spa, vai funcionar um kid´s club, com grupo de monitores para manter a garotada entretida enquanto os pais saem para explorar as atrações da reserva.

Acomodações mais modestas e com preços mais em conta estão no vizinho Montanha Mágica Lodge, que fica ao lado do Baobá (os dois hotéis são interligados) e que também chama a atenção por uma arquitetura singular, em forma de vulcão em erupção. Tem construção triangular, paredes de pedras e uma cascata no topo jorrando água todo o tempo. Não foi inspirado em nenhum livro, como o Baobá, mas também poderia estar em qualquer conto de fadas.

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