Santiago é o destino ideal para se aventurar nas quatro estações do ano

O teleférico que parte de Providencia leva ao topo do Cerro San Cristóbal, que descortina o visual mais incrível da capital (Foto: Editora Europa/Viaje Mais)
A capital chilena e seus arredores agradam quem deseja curtir o frio das montanhas, as praias do litoral, tomar vinho, provar frutos do mar exóticos...
Mal o dia amanhece, ciclistas de mochila nas costas movimentam as calçadas amplas e sombreadas por plátanos. O trânsito flui sem grandes problemas por ruas largas e bem sinalizadas e pedestres caminham, sem muita pressa, rumo ao metrô, quase sempre com o recém comprado café da rede Juan Valdez em mãos. Emoldurando o vaivém de pessoas e de carros, o sol se levanta sobre a Cordilheira dos Andes, tornando ainda mais nítido o desenho imponente da cadeia montanhosa que emoldura Santiago, a capital do Chile. O ritmo, que não parece tão estressante, remete a um município de médio porte, mas a infraestrutura e a população, que beira respeitáveis 5,5 milhões de habitantes, são de cidade grande.
Também são coisa de metrópole os restaurantes de alto padrão – beneficiados pela farta oferta de frutos do mar pescados na costa do Pacífico – e as lojas de grife. Sem contar os shoppings, concentrados ao redor das principais avenidas, os parques e praças que surgem aos montes e os monumentos e construções históricas que, bem conservados, parecem aguardar para atrair a atenção de moradores e turistas.
Não bastassem tantos exemplos para demonstrar que modernidade, história e qualidade de vida podem andar juntos, características somadas a uma organização quase suíça, a Grande Santiago conta com vinícolas, estações de esqui (a exemplo de Valle Nevado) e estâncias termais formando um atraente cinturão turístico ao seu redor. Há ainda praias banhadas pelas águas geladas do Pacífico, como as de Viña del Mar, a pouco mais de 100 km da capital.
Com tantas possibilidades, é difícil decidir por onde começar a explorar a região. Criar um mapa mental de Santiago e, principalmente, contemplar um belo visual, tendo a cidade aos seus pés, é um bom programa inicial. E em se tratando de achar um mirante no meio das montanhas – o que é fácil por lá, já que a cidade está encravada entre as Cordilheiras dos Andes e da Costa –, não é preciso quebrar a cabeça para encontrar um bom ponto de observação morro acima.
O topo do Cerro San Cristóbal guarda a vista panorâmica mais impressionante da capital. Para chegar ao alto do morro, pode-se escolher entre o percurso de teleférico, que começa nos arredores da Rua Pedro de Valdívia, no bairro de Providencia, ou o funicular. Essa espécie de trenzinho, acionado por cabos de aço e que desliza por um trilho colado à encosta da montanha, parte da Rua Pio Nono, na badalada região de Bellavista.
Caminhar seria uma solução bastante prazerosa, não fossem os 5,5 km que separam a base e o cume do San Cristóbal, o que desanima a maioria dos visitantes. E ainda há a descida... Para incentivar, vale saber que vistas incríveis surgem ao longo da estradinha que serpenteia o caminho, na qual há áreas para piquenique e churrasqueiras a céu aberto.
No alto do morro, a vegetação fechada divide espaço com mirantes e clareiras. Uma boa ideia é estar no local no fim da tarde e ficar nessas áreas para ver o sol se pôr entre as montanhas com picos nevados, que formam uma muralha ao redor da capital e se multiplicam em direção ao horizonte. Depois, preste atenção à composição da cidade: ao sul, surge uma Santiago moderna, de arranha céus espelhados e ruas planejadas. Já ao norte desponta uma versão plana da capital, um local mais pobre e antigo. Cidades alta e baixa, respectivamente.
O único senão desse passeio é que o funicular e o teleférico fecham às 18 horas. Por isso, se você não for um dos turistas com uma van à espera, parar para ver o pôr do sol significa fazer uma longa caminhada de volta com pouca ou nenhuma luz.
História e boêmia
Santiago cabe com tranquilidade numa viagem de quatro dias, mas se a estada na capital for mais curta do que isso, não perca tempo e comece o passeio pela cidade baixa, onde fica o centro histórico.
Visitas guiadas normalmente partem do Palácio de La Moneda, uma das poucas grandes construções dos tempos da colonização espanhola que permanecem de pé. No interior do prédio que é a sede oficial do governo chileno, hoje nas mãos do presidente Sebastián Piñera, foram cunhadas as primeiras moedas do Chile independente – e o lugar abrigou gerações de presidentes que ali moraram
Na frente do La Moneda, que tem alguns salões abertos para visitação – além de um centro cultural e uma cinemateca que funcionam no subsolo –, fica a Praça da Constituição, onde os turistas podem acompanhar a troca da guarda.
Vez ou outra, no entanto, as atenções recaem sobre a matilha de vira-latas. É que desde que Santiago aboliu o uso da carrocinha, o governo oferece assistência veterinária aos animais de rua, enquanto a população cuida da alimentação. Por isso, é comum ver potes de ração e muitos cachorros soltos pela cidade.
A três quadras dali, seguindo pelo calçadão Paseo Ahumada, aprecia-se um aglomerado de construções históricas: a Catedral Metropolitana, o Museu Histórico Nacional e o prédio dos Correios, que emolduram a Praça das Armas. Esse ponto pulsa como qualquer região central de uma cidade grande, com estátuas vivas esperando passantes caridosos, artistas de rua que fazem retratos e pinturas e camelôs vendendo todo tipo de quinquilharias.
Mas a área guarda uma particularidade: os cerca de 300 cafés com piernas, estabelecimentos onde garçonetes de minissaia, minivestido ou qualquer outra roupa com pouco tecido servem cafés e outras bebidas. Para as mulheres, a oferta é mais escassa: há apenas um endereço em que os garçons exibem o “corpitcho”, que leva o sugestivo nome de café tripiernas.
Neruda vive em Bellavista
Bellavista, bairro vizinho do centro histórico e que ganhou uma aura boêmia depois de ser revitalizado, também deve estar no tour. Motivo: abriga La Chascona, a casa que o poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973) construiu para se encontrar clandestinamente com a amante Matilde Urrutia.
Qualquer turista com mais de 1,70 metro de altura caminha com dificuldade pelos cômodos de teto baixo, piso irregular e janelas circulares, desenhados pelo próprio Neruda para lembrar um barco. Os ambientes com dimensões de casa de boneca contam a história de amor de mais de duas décadas vivida pelo casal, que por 16 anos manteve o romance em segredo. A discrição era necessária porque Neruda, além de casado, era membro do Partido Comunista, que não queria que o caso viesse a público.
Fotos do casal estão espalhadas sobre os móveis, manuscritos originais dedicados a Matilde estão nas prateleiras e retratos dela ocupam as paredes da casa. O mais famoso deles leva a assinatura do muralista mexicano Diego Rivera, que o fez especialmente para os amigos “Neruda e Rosário”. Esse era o segundo nome de Matilde, que servia como código entre as poucas pessoas que sabiam do romance, embora Neruda preferisse chamá-la de chascona, em referência aos cabelos encaracolados da amada.
Às compras
Conhecer a cidade alta é simples: basta caminhar sempre em linha reta. A avenida que corta a região é uma só, com um nome que muda à medida que avança sobre a capital. Nos arredores de Las Condes, que nos tempos da colonização era o lar das “condessas” (prostitutas), a avenida também tem o nome de Las Condes e se caracteriza pelos arranha-céus, torres espelhadas e prédios com heliponto.
No meio desse bairro vertical há grandes shoppings, como o Parque Arauco, um gigante de vidro e concreto que ostenta mais de 350 lojas, cinema, teatro, boliche, pista de patinação no gelo e galeria de arte. Do lado de fora, em um amplo pátio a céu aberto, está o refúgio de quem prefere uma rodada de chope ao shopping lotado.
Na direção leste, a avenida ganha o nome de Providencia e recorta o bairro homônimo, onde as compras continuam. Lojas de departamento enormes, como a Ripley e a Paris, fazem a tarde passar voando. Também vale a pena fuçar os itens criativos à venda na Casa y Ideas, que tem artigos interessantes (e supérfluos) às dúzias, de aquecedores para as mãos a botas de tecido impermeável.
Do outro lado, a via se transforma em Avenida Vitacura e serve de porta de entrada para a Alonso de Córdova, rua comparável à Oscar Freire paulistana, porém, mais extensa e com preços mais convidativos. Sombreada por plátanos e com praças e bancos de madeira, é ali a “casa” de grifes como Louis Vuitton e Ermenegildo Zegna. As pequenas lojas também têm vez por ali, caso da Cristina Segredo – onde o lápis-lazúli, a pedra azul-marinho que é símbolo do Chile, adorna de brincos a esculturas – e da Rojo Pura Pura, que vende peças de couro e lã de alpaca.
Frutos do mar e vinhos
O litoral chileno soma mais de 6 mil km de extensão. É dessa imensa área banhada pelo Pacífico que saem os frutos do mar servidos nos restaurantes de Santiago, incluindo vários inexistentes ou pouco conhecidos no Brasil. É o caso dos locos, moluscos brancos e macios, e das machas, cuja carne rosada fica encapsulada em conchinhas brancas. Mas o que realmente desperta curiosidade são as centollas, caranguejos gigantes pescados na Patagônia e que têm gosto semelhantes ao da lagosta.
Nos cardápios, os frutos do mar oferecidos são basicamente os mesmos. O que muda é o modo de preparo. Isso porque Santiago tem um leva considerável de restaurantes em que a cozinha é como um laboratório, de onde saem os pratos mais diferentes. É o caso do Sukalde, que tem nome de origem basca, serve comida chilena, é comandado por um chef mexicano, tem cozinheiro brasileiro – e pratos com misturas inusitadas. Entre eles estão as vieiras com salada de batata e crocante de azeitona mergulhadas em um gaspacho de salmão.
Na contramão dessa tendência mais inventiva estão restaurantes como o El Galeón, localizado no Mercado Central. A casa oferece todo o tipo de peixes e frutos do mar que se possa imaginar, cabendo ao cliente escolher qual o modo de preparo – frito, ensopado ou grelhado – e a seleção de um molho e acompanhamentos. Qualquer que seja o prato selecionado, o melhor complemento é uma taça de vinho, já que o Chile é um dos grandes produtores da bebida. E quem vai a Santiago sai de lá com a certeza de que essa é a melhor coisa que se pode tomar no mundo.
A constatação vem depois da participação em degustações, feitas numa das dezenas de vinícolas que ocupam o Valle do Maipo, nos limites da capital. Entre elas estão a Santa Rita, a Casas del Bosque e a Aquitania. Mas é a Concha y Toro, uma espécie de Disneylândia dos vinhos, a queridinha dos brasileiros, que chega a receber mais conterrâneos do que chilenos.
A empresa oferece degustações o dia todo, mas também vale ir ao restaurante local e harmonizar os pratos do cardápio com os vinhos da vinícola. Ou seja, a cada delícia servida, chega uma taça para combinar com o sabor dos alimentos. Dá para começar com uma terrina de camarões, acompanhada de uma taça de sauvignon blanc, partir para as lascas de cordeiro e batata rösti – bebendo vinho cabernet sauvignon – e fechar a experiência com um tiramissu, escoltado por um late harvest, vinho de sobremesa bastante doce, feito com uvas colhidas mais tardiamente.
Depois de um menu completo e de várias taças de vinho na cabeça, não é preciso nem explicar porque fazer o tour pela vinícola depois do almoço, que inclui visita às adegas e um giro pela mansão que integra a propriedade, não é uma boa ideia. Por isso, chegue cedo e faça logo o passeio por lá. Você será acompanhado por um guia apressadinho, que mostrará as parreiras que tomam conta do cenário, os jardins vitorianos dispersos pelo terreno e até as antigas adegas.
Rumo ao Pacífico
A mesma avenida que muda de nome algumas vezes leva os viajantes para fora de Santiago. Ao deixar a cidade, a Avenida Providencia passa a se chamar Ruta 68 e inicia um trajeto quase vertical para transpor a cordilheira pré-andina.
Do outro lado das montanhas, a paisagem sofre uma mudança radical: o terreno torna-se inacreditavelmente plano e a estrada segue em meio a um vale árido, onde áreas tomadas por cactos e gramíneas alternam-se constantemente com plantações de limão, abacate e uva. Eis o Vale Curacaví, que, junto a Casablanca, é o principal povoado no caminho entre Santiago e os balneários do Pacífico, que tentam tirar uma “casquinha” do fluxo de turistas que por ali passa rumo a Valparaíso e Viña del Mar.
Prova disso são as dezenas de postos de serviços e restaurantes enfileirados à beira da estrada, que vendem uma mistura curiosa de doces caseiros, roupas de lã de alpaca, bebidas artesanais, pratos de cobre e cartões-postais. Entre os estabelecimentos que valem o pit stop estão El Quillay, Doña Celina, Agua de Piedra, El Amanecer e Millahue, onde dá para provar chillenitos (a versão chilena do alfajor, feito com massa folhada) e a chicha, típico licor andino à base de milho, mas que por ali é preparado com uva moscatel.
De volta à Ruta 68, ocorre uma nova mudança na paisagem. Com a chegada à serra do mar, o terreno, até então plano, se abre para as montanhas onde, de cima a baixo, até à beira da água, se dependuram sucessivas casas.
Está aí o panorama de Valparaíso
Como uma das cidades que preenchem o extenso litoral do Chile, é natural deduzir que ela guarda inúmeras e belas praias. Por isso, pode ser decepcionante se deparar com um imenso porto depois de cinco minutos na cidade e concluir que não há atrativos turísticos nas faixas de areia ou próximo delas.
A despeito de o porto local ser o principal do Chile, o chamariz de Valparaíso não está nas águas. Assim, é preciso olhar para os morros – 45, no total – que se esparramam de frente para a praia, pois é no alto deles que a cidade exibe o que tem de mais precioso: o conjunto arquitetônico.
Um labirinto de casinhas coloridas do início do século 20 – herança dos ingleses que habitaram essa fatia do litoral e tombado, desde 2003, como Patrimônio da Humanidade pela Unesco – cobre as encostas íngremes dos cerros. Claramente erguidas sem qualquer planejamento, elas formam predinhos de aparência frágil, com até três andares, e são ligadas por um emaranhado de ruas, becos e escadarias.
Para chegar lá no alto, é preciso encarar as ladeiras que ligam as cidades baixa e alta ou pegar um dos funiculares das primeiras décadas do século 20, erguidos aos pés das montanhas. Fáceis de identificar pelas filas com pessoas esperando a vez de subir, eles sacolejam morro acima (ou abaixo) lentamente.
O percurso é compensado no topo das montanhas, onde visuais incríveis da cidade, com o Pacífico de moldura, surgem inesperadamente a cada esquina. Por isso, há mirantes debruçados sobre as encostas em todos os cantos da cidade, vizinhos de cafés, hotéis butique, galerias de arte e restaurantes, que disputam os turistas que param para apreciar a paisagem e acabam vencidos pelas boas opções gastronômicas do lugar.
Pode ser assim na visita ao Mirante Gervassoni. O que começa como mais uma parada para conferir a vista da cidade baixa e da zona portuária termina com um banquete no delicioso Café Turri, que ocupa um charmoso casarão com sacadas voltadas para o mar. Impossível eleger qual o melhor prato da casa. Tártaro de atum, machas com provolone gratinado e tiras de cordeiro com molho de pimenta e mel são apenas algumas das iguarias que compõem o cardápio de 11 páginas da casa. Depois de um almoço como no filme Festa de Babete, encerre o dia com uma parada no Mirante 21 de Maio. A construção, que lembra um coreto, oferece uma vista incrível da costa de Valparaíso e do porto que movimenta a cidade.
Enfim, praias
Se Valparaíso não prima pela oferta à beira-mar, a vizinha Viña del Mar – as duas são separadas apenas pelo Rio Marga Marga – compensa essa deficiência com um extenso litoral preenchido por boas praias. A cidade é um dos refúgios litorâneos favoritos da classe média alta de Santiago, que praticamente se muda para lá nos meses de verão.
Desse modo, a cidade poderia ser comparada ao litoral norte paulista por ser um destino mais elitizado. Mas a grande quantidade de prédios à beira-mar aproxima Viña de outras cidades praianas verticalizadas, como Balneário Camboriú (SC) e Guarujá (SP). A estrutura gastronômica e o grande número de butiques, porém, lembram Búzios (RJ), comparação que também se estende ao mar gelado que banha ambas.
Para tirar suas conclusões e curtir a dobradinha sol e praia, não há nada mais simples e agradável do que caminhar pelo calçadão de azulejo, que acompanha todo o litoral da cidade. É na Caleta Abarca, a praia que delimita Valparaíso e Viña del Mar, que o calçadão começa. De lá, o caminho segue morro abaixo e vai exibindo formações rochosas no mar e panoramas belíssimos da baía. Depois dessa ladeira, ops, desse trajeto cênico, o calçadão finalmente dá acesso a uma sequência de praias, como Acapulco.
Essa região tem mais gente nos jardins e parques que a cercam do que na areia. Quando cai a tarde, adultos correm nas pistas de cooper, crianças se empenham em pilotar bicicletas e mães histéricas andam de um lado para o outro tentando tirar fotos dos pequenos, enquanto casais mirins alheios ao vaivém de gente namoram nos banquinhos voltados para o mar.
À frente fica Salinas e, em seguida, Reñaca, que reúne levas de turistas argentinos que pipocam por ali nos meses de verão – daí o apelido de “Praia dos Argentinos”.
O que faz dela a favorita entre os hermanos são as construções em estilo mediterrâneo que se sucedem à beira-mar. Estruturadas na forma de uma escadaria, as casas avançam da base ao topo dos morros que cercam a praia. Resultado: um vizinho não obstrui a vista do outro e nenhuma residência faz sombra para quem está na areia.
Surpresa em Conchoa
Teoricamente termina aí a lista de praias imperdíveis de Viña. Mas não deixe de caminhar até a próxima faixa de areia, a surpreendente Conchoa. Se num primeiro momento você não notar nada de diferente, chegue um pouco mais perto dos grandes conjuntos de rochas cinzentas que avançam mar adentro e olhe com atenção: dezenas de leões-marinhos repousam sobre elas e, com uma agilidade impensável dada à silhueta arredondada desses animais, escalam de um degrau para o outro à procura de uma nesga de sol.
Por ali, preste atenção também nos pescadores camuflados entre imensas algas, algumas com mais de 1,5 metro, que pendem das rochas. Canivete em mãos, eles passam horas à procura de locos e outros moluscos. Essas deliciosas iguarias, juntamente com os vinhos degustados e os muitos encantos de Santiago e seus arredores, vão fazê-lo se lembrar da capital chilena por muito tempo.
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