Além de muita história e cultura Cuba também possui lindas praias e agitação noturna
Se a viagem é para o Caribe, logo surgem opções de praias exóticas, mar transparente, mergulho em corais e resorts luxuosos. Com um turismo relativamente recente, Cuba é um destino que não deixa a desejar: Varadero, alternativa mais barata que Punta Cana ou Cancún, por exemplo, tem atraído turistas em busca de sol e agitação. Canadenses, russos e italianos são os que mais desembarcam por lá. Porém, Cuba possui uma peculiaridade que a destaca entre os vizinhos. A revolução popular, liderada por Fidel Castro em 1959, trouxe mudanças radicais na cultura e política cubanas. Hoje, o único país socialista da América se reestrutura após uma crise que o abalou depois da queda da União Soviética, e vê no turismo um ótimo recurso econômico.
Neste sentido, Havana, a capital, vai além das atrações litorâneas e oferece muito mais que os famosos mojitos e charutos. O turismo cultural revela na cidade uma fonte inesgotável da história do país, desde a dominação espanhola, que deixou traços na arquitetura, ao cotidiano do socialismo, sistema político muito diferente do que se tem no Brasil. A cidade promete ser uma rica aula de história e geopolítica.
Para quem deseja visitar a cidade, é uma ótima chance para conhecer a realidade cubana, bem diferente daquela utópica que se tem ao estudar o comunismo, e sentir as transformações que estão na agenda. Com a singularidade de um país socialista em mudança, há boas razões para visitar Havana o quanto antes.
Patrimônio da Unesco
Típica cidade litorânea tropical, em Havana faz muito calor, com médias de 24º C e chuvas rápidas no final da tarde. A melhor época para visitação é de novembro a abril, quando as chuvas dão uma trégua. Durante a estada na capital cubana, escuta-se muita música, em todo lugar. As tradicionais salsa e rumba, porém, começam a disputar audiência com um novo estilo chamado reggaeton, mistura de reagge com hip hop, cantado em inglês e espanhol. Buena Vista Social Club, Shakira, Santana e Maná também tocam bastante, além de novas trovas em ode ou crítica à revolução, como Frank Delgado.
A capital cubana se divide em três regiões principais e a melhor forma para se localizar é pelo Malecón, um calçadão ao norte da cidade que beira o mar e é ponto de encontro dos jovens à noite: à oeste fica Vedado, onde estão os grandes hotéis e as baladas noturnas; Centro Habana, local comercial e residencial de boa parte dos moradores; e Habana Vieja, região histórica tombada pela Unesco em 1982, ficam ao leste.
Para se movimentar entre os bairros, uma ótima opção é o ônibus turístico (5 CUC), que circula por toda a cidade. Você sobe e desce quantas vezes precisar durante o dia. Há também os táxis (os da Cubataxi são os mais baratos) e os Cocotáxi, uma moto em forma de coco que leva dois passageiros, alternativa bastante turística e igualmente cara.
Em Habana Vieja o melhor mesmo é caminhar, pois o policiamento na cidade é grande, com raríssimos casos de assaltos, principalmente nos locais turísticos. O bairro agrupa a Catedral, o convento de São Francisco e algumas mansões construídas no século 18, de arquitetura notadamente espanhola. Na região, vale sentir o processo de restauração dos prédios iniciado há pouco tempo na cidade.
É neste bairro que estão os famosos bares La Bodeguita Del Medio e Floridita, os preferidos do escritor Ernest Hemingway. Interessante é visitar também os lugares que estão fora dos roteiros turísticos, como o Museo del Chocolate, La Casa del Perfume, La Casa del Agua, Museo de los Naipes e uma maquete de toda a cidade (é impressionante a quantidade de museus por lá). Mas, para visualizar bem Havana toda, é imperdível uma visita à Cámara Oscura (2 CUC, situada na Plaza de las Armas), espécie de pinhole gigante, com poucos exemplares no mundo, que por meio de jogo de espelhos e lentes, projeta numa superfície a visão dos 360º da cidade, com uma imagem incrivelmente nítida.
Hasta la victoria, siempre!
Uma figura emblemática que ainda vive nos ares da cidade é Che Guevara. A famosa imagem do argentino produzida pelo fotógrafo cubano Alberto Korda está nos souvenires, monumentos, outdoors, dinheiro, cartazes, além de uma enorme no Prédio do Ministério do Interior. Há uma estimativa de que essa foto, junto àquela de Einstein com a língua de fora, sejam as imagens mais reproduzidas da história. Em Havana, pelo menos, El Che ganha.
Para conhecer toda a história do país e, principalmente, da revolução de 1959, vale uma visita ao Museu da Revolução (5 CUC), em um luxuoso prédio que abrigou os governos entre 1920 e 1960. É um bom termômetro para perceber, nas salas e no mobiliário de antigamente, o luxo da república pré-revolução. Ao lado do Museu está o Memorial Granma, que abriga veículos bélicos e o barco que trouxe, do México, Fidel e os revolucionários que lutaram contra o governo de Fulgencio Batista.
A partir do Museu dá para ir andando pelo Passeo Del Prado até o Capitólio, réplica do prédio norte-americano, que hoje abriga a Academia Cubana de Ciências. Este, aliás, é um trajeto que os próprios turistas cubanos fazem em Havana. Assim como no Brasil, em que as pessoas do interior viajam a São Paulo e se deslumbram com o tamanho da cidade, igual é na capital cubana, em que os guajiros (moradores do campo) não descartam uma visita ao Capitólio, com direito a uma foto lambe-lambe na frente da escadaria. Por 1 CUC é possível ser guajiro por um dia e levar uma imagem de recordação produzida por essas máquinas fotográficas antigas e artesanais em extinção.
Em frente ao Capitólio há bons restaurantes, como o El Trofeo e o Los Nardos, em que se come bem e por poucos CUCs. A culinária cubana não difere muito da brasileira: a base alimentar é o mouros y cristianos (arroz e feijão preto preparados juntos), frango, salada e carne suína. Cuidado apenas na quantidade, pois os cortes são diferentes e bem maiores que os brasileiros.
Outra opção barata para comer são os paladares, casas normais que na hora do almoço funcionam como restaurantes. A comida caseira é de boa qualidade, pois é controlada pelo governo a fim de oferecer um bom serviço ao turista. O mesmo ocorre com as casas particulares, alternativas para hospedagem em residências de famílias – em Cuba, o turista não pode se hospedar em casas de amigos, apenas em hotéis ou nestas casas particulares. Uma relação desse tipo de hospedagem pode ser vista em casaparticularcuba.org.
Na região do Capitólio é possível ainda fazer um passeio de charrete ou nos charmosos carros da década de 1950, alguns restaurados, outros caindo aos pedaços. A frota de carros russos, como o Lada, é grande, mas a ideia de que na cidade só circulam automóveis clássicos e antigos já não é verdade: uma parceria com o governo chinês trouxe uma renovada frota de veículos ao país, principalmente táxis e ônibus.
Diplomacia
Para continuar a conhecer a história do povo cubano, é importante uma ida à fortaleza de San Carlos de La Cabaña, a 20 minutos de táxi do centro de Havana, e onde ocorre todas as noites um espetáculo teatral chamado Canhonaço ( 8 CUC). A história remonta ao século 17 quando, ainda sob dominação espanhola, a cidade era toda circundada por muralhas e, à noite, tiros de canhões avisavam que as portas seriam fechadas.
O evento, realizado por atores com trajes típicos, ambientação e linguagem da época, é apreciado pelos cubanos há mais de 10 anos e só agora começa a ser destino de turistas. Após a encenação, que ocorre pontualmente às 21h, o visitante pode andar pela fortaleza, que ofecere exposições, bares, restaurantes e uma feira de artesanato. O local abriga ainda um pequeno museu em homenagem a Che Guevara, que de lá despachou após 1960.
Em qualquer lugar em Havana, é indispensável conversar com as pessoas, que comprovam o jeito simpático e festeiro, próprio do povo latino. Além disso, o cubano se mostra uma pessoa muito culta. O alto grau de instrução (o país orgulha-se de não ter analfabetos) é comprovado por meio de um papo sobre política mundial com qualquer taxista ou um vendedor de livros usados nas feiras de artesanato. Certamente, irão comentar a relação harmoniosa entre Cuba e os governos da Venezuela e do Brasil, e conflituosa com o dos Estados Unidos.
Sombra e água morna
Distante cerca de 140 km de Havana, Varadero, é um destino que corrobora o perfil turístico de Cuba, mas de um jeito muito diferente da capital. Lá, o principal atrativo são as praias com areia branca, mar calmo e transparente, propícios ao clichê “paradisíaco”.
Muito procurada por europeus e, principalmente, canadenses, a região é uma península estreita, com 22 km de praias, em que o sol parece não tirar folga. Assim, é importante não esquecer um protetor solar potente, pois em Cuba não há muita variedade de escolha nos mercados. Se o calor na areia for muito intenso, não tenha medo de banhar-se, pois a água do mar é levemente morna e bem refrescante.
A cidade de 20 mil habitantes é dividida em duas regiões distintas: o centro, local de comércio, feiras de artesanato e moradia dos cubanos; e a região conhecida como Varadero Nova, em que estão situados dezenas de hotéis luxuosos, vários com o sistema all-inclusive. A rede espanhola Meliá, por exemplo, está presente em vários deles, como o Meliá Varadero, o Paradisus, o Las Américas e o Sol Palmeras, que mesmo sendo all-inclusive tem a fama de ser bom e barato. Mas há opções para bolsos mais modestos, pois hotel em Varadero é o que não falta, já que a cidade recebe cerca de 500 mil turistas por ano.
Além de praias, há opções mais agitadas, como mergulho com golfinhos, cavernas, passeio de barco (que eles chamam de seafari), salto de paraquedas, trilhas de off road, entre outros passeios que podem ser comprados nos próprios hotéis. Quem desembarca direto em Varadero também pode escolher passeios para Havana e para outras cidades da região, com visitas de um dia, em ônibus com ar-condicionado.
Para se locomover na cidade existem os táxis clássicos, aluguel de carros e scooters. Mas a dica é usar o ônibus turístico de dois andares, que também possui uma linha na cidade. Por 5 CUC, é possível subir e descer quantas vezes precisar durante um dia, percorrendo o centro da cidade, algumas praias, a maioria dos hotéis e boa parte das atrações, que incluem também refinados campos de golfe.
A agitação do balneário continua durante as noites, com restaurantes típicos e culinária internacional, boates e shows, como o do grupo Buena Vista Social Club, que se apresenta todas as quartas no espaço de eventos “Plaza América”.
Tudo isso prova que uma visita a Cuba não deixará ninguém longe de mar azul-esverdeado do Caribe nem da temática política. Durante uma viagem como essa, melhor é ir sem ideias formadas, esquecer as comparações e deixar a própria população contar as dificuldades, conquistas e esperanças.
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