Edimburgo é reduto de muitos festivais de música, dança, artes e teatro
Edimburgo é uma das cidades mais belas do mundo. E essa é apenas uma das muitas razões para incluí-la no seu plano de viagem. Chega-se a ela após pouco mais de uma hora de vôo a partir de Londres, ou então por um agradável passeio de trem, que embora seja mais longo (cerca de quatro horas), atravessa uma atraente região de montanhas e planícies extremamente verdes. Uma vez lá, impossível não se extasiar ao percorrer as tortuosas e misteriosas ruelas medievais por onde vilões, artistas, prostitutas e poetas construíram os mitos e histórias que são o charme da cidade. E, claro, há a imponência do Castelo de Edimburgo, antigo lar dos reis escoceses, que domina a paisagem de arquitetura única.
Uma cidade histórica e cheia de mistérios
A capital da Escócia é uma cidade pequena. Situada no estuário do Rio Forth, se espalha pelas colinas de um belo vale que a divide em Old Town (cidade velha), a parte medieval, e New Town (cidade nova), moderna e simétrica, com charmosas fachadas georgeanas. No fundo do vale, fica a estação central de trem e o Princess Street Gardens, um amplo e florido parque onde acontecem shows e eventos. O maior e mais famoso deles, aliás, acontece durante todo o mês de agosto e se estende por toda a cidade: o Festival de Edimburgo, que transforma ruas e parques numa festa a céu aberto, com espetáculos de música, dança, artes e teatro, atraindo cerca de um milhão de visitantes.
A atração mais procurada é o Castelo de Edimburgo, o segundo mais visitado no Reino Unido. Localizado no alto de um antigo vulcão extinto, foi o lar dos reis escoceses até a unificação, quando Elizabeth I, da Inglaterra, foi sucedida por James VI, da Escócia, seu herdeiro mais próximo e que se tornou James I da Inglaterra. Do alto de suas muralhas vê-se toda a cidade, até os limites no estuário do Forth. Em dias mais claros, pode-se até avistar as primeiras montanhas das Highlands, as famosas terras altas escocesas.
É lá que estão as jóias da coroa e relíquias reais como a Pedra do Destino, entre outros objetos. No castelo há ainda o Memorial Escocês de Guerra e um museu militar. E, durante o mês de agosto, concorrendo com o Festival de Edimburgo, abriga o Military Tattoo, evento que reúne exibição de bandas militares tradicionais escocesas e de outros países, a maioria ex-colônias britânicas.
O complexo começou a ser construído no século 12, a partir da Capela de St. Margaret. Ao seu lado pode ser visto o Mons Meg, um megacanhão que data do século 15. Outras construções foram sendo agregadas, como a Torre de David, de 1386, construída a mando de David II, filho de Robert the Bruce, que libertou a Escócia dos ingleses, em 1306; em 1511, James IV construiu o Great Hall, local onde se reunia o parlamento escocês antes da construção do atual parlamento, em 1639.
Milha real
Do castelo sai a principal rua da Cidade Velha, a Royal Mile – ela tem esse nome por ter cerca de uma milha, ou 1,6 km de extensão – que desce a colina até o Palácio de Holyroodhouse, antiga residência da Rainha Mary Stuart, onde hoje funciona a casa oficial da coroa britânica. O palácio e seus jardins podem ser visitados, desde que não haja nenhuma missão oficial.
Explorar os caminhos da Royal Mile e imediações a pé é como fazer uma viagem à Idade Média. Os gaiteiros caminham de kilt, aquela saia escocesa, mantendo acesa a chama das tradições do país. Não é preciso ter pressa: é nesse caminho que estão também restaurantes, pubs, cafés, catedrais e outras atrações. Em épocas diferentes, muitos escritores se encantaram por esses caminhos e escreveram ali grandes obras. Desde Robert Burns (1759-1796), o Poeta Nacional da Escócia, passando por Robert Louis Stevenson (1850-1894), autor de clássicos como A Ilha do Tesouro e O Médico e o Monstro, Sir Arthur Conan Doyle (1859-1930), criador de Sherlock Holmes, e J. M. Barrie (1860-1937), autor do romance Peter Pan. A lista não pára aí: entre os mais modernos, J.K. Rowling, autora da série de best-sellers Harry Potter, escreveu o primeiro livro, Harry Potter e a Pedra Filosofal, em cafés da cidade, transformando o roteiro em referência para pottermaníacos. Por tudo isso, Edimburgo foi aclamada pela Unesco com o título de Cidade da Literatura, em 2004.
Degustação de wisky no cenário gótico da cidade
Ainda na Royal Mile, vale a pena visitar o The Scotch Whisky Experience e conhecer os detalhes do processo de produção da mais famosa bebida nacional. A boa notícia para os apreciadores é que a visita dá direito à degustação e, no final, há a infalível lojinha, além de um whisky bar onde você pode se deliciar com mais de 200 tipos diferentes do destilado. Mantenha-se sóbrio para conhecer Saint Giles, a histórica catedral presbiteriana de Edimburgo, bem em frente ao Parlamento. A construção atual, num estilo gótico modificado, data do século 15, e sua principal característica é a torre, em cujo topo existe uma enorme coroa.
Outra rua muito simpática é a Victoria Street, que começa na Ponte George IV e desce até a Grassmarket, onde também há pubs e bons restaurantes. Esse roteiro, aliás, pode também ser feito em "bicitáxis", uma mistura de bicicleta com liteira que pode levar duas pessoas. Os bikers, como bons escoceses, são simpáticos, gentis e dão informações turísticas sobre o percurso.
Na Cidade Nova, comece o passeio pela Princess Street, a rua principal, um dos melhores pontos para compras, com suas lojas sofisticadas e de grife. A caminhada é agradável, principalmente pela vista privilegiada que oferece da Cidade Velha, do jardim Princess Street Gardens e do Castelo de Edimburgo. De lá saem também os ônibus de city tour, que percorrem os principais pontos turísticos da região. Vale a pena planejar um passeio, até porque o seu tíquete vale o dia todo: você pode descer onde quiser, fazer visitas com calma e, depois, simplesmente esperar outro ônibus para seguir para o próximo ponto.
Edimburgo é famosa por ser também mal-assombrada. No passado, por suas misteriosas ruelas vagaram vilões e prostitutas; pragas afligiram a população e execuções públicas eram freqüentes. Esse caldo de terror e tragédia deu origem a histórias de fantasmas e assombrações que hoje são parte do folclore e dos mitos da cidade.
O Mary King's Close, sob a Royal Mile, é um dos pontos mal-assombrados mais conhecidos. Era uma rua que, em 1645, foi isolada para tentar conter a praga da peste bubônica, que assolou toda a Europa. Muitas vítimas acabaram confinadas e morreram.
Centenas de anos mais tarde, as casas foram demolidas para a construção do prédio que atualmente é a Câmara de Edimburgo, mas seus porões foram usados para as fundações do novo prédio. Há relatos de visões de assombrações nos vãos da construção, incluindo animais e homens mutilados. Hoje restaurados aos moldes do século 15, esses vãos podem ser visitados, e oferecem as histórias de seus habitantes mais célebres e, claro, de seus fantasmas.
Túneis misteriosos
O Castelo de Edimburgo também é cheio de mistérios. Há uma série de túneis subterrâneos que levam à Royal Mile. Todos assombrados, é claro. Conta a lenda que o maior deles levaria até o Palácio de Holyroodhouse, na outra ponta. Enviaram, então, um gaiteiro, para que pudessem rastreá-lo pelo som. Mas ele simplesmente desapareceu, sem deixar traços. Ou quase, já que há quem jure ter ouvido o som melancólico de sua gaita ecoar nas escuras paredes de pedra.
Há também relatos de um percussionista sem cabeça, que aparece com seu tambor toda vez que o castelo está na iminência de ser atacado. E há ainda as masmorras, que abrigaram prisioneiros de guerra e que também podem ser visitadas. Brrr...
O roteiro de terror continua na South Bridge, a ponte que liga a Cidade Velha à Cidade Nova e que começou a ser construída em 1785.
Os 19 vãos sob os arcos (The Vaults) foram adaptados para abrigar lojas e pequenas manufaturas logo após a construção. No entanto, inundações freqüentes acabaram expulsando os comerciantes do local, que acabou sendo ocupado por criminosos e contrabandistas. Por fim, virou zona de prostituição. Muitos crimes foram cometidos lá. Burke and Hare, dupla de serial killers que vendia corpos para a faculdade de medicina, caçava as vítimas nos vãos. Há quem diga, aliás, que a dupla ainda dá as caras por lá...
Lagos e colinas
A proximidade da cidade com a porção sul das Highlands, com seus lagos e castelos, permite excursões maravilhosas, pois a Escócia é um país muito, muito verde. Loch Lomond, um dos mais belos lagos da região, está a pouco mais de uma hora de carro. Outra opção é contratar um dos inúmeros passeios para lá, que duram um dia e levam o visitante a muitos pontos de interesse histórico.
Saindo do centro, logo você pode ver as inúmeras fazendas de ovelhas, que pastam em colinas de verde abundante e intenso. Acompanhando o Rio Forth, a pouco menos de uma hora, você chega a Stirling, um dos últimos bastiões da resistência inglesa ao exército do libertador Robert the Bruce. Além da visita ao castelo, vá também à Torre de Wallace, uma torre gótica de 113 metros de altura que homenageia o camponês líder da revolta que culminou com o processo de independência.
O ponto alto do passeio é Loch Lomond e o Parque Nacional de Trossachs, uma espécie de miniatura das Highlands. Com águas límpidas entre montanhas, o lago é o maior da Grã-Bretanha, e às suas margens há cidades agradáveis e parques de rara beleza. Diante deste incrível visual, pode apostar: até os fantasmas escoceses vão dar uma trégua.
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Clique aqui para se autenticar.- Publicado em 10/05/2012 18:04 - Atualizado em 14/05/2012 13:23
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