Croácia e Eslovênia reúnem beleza natural, arquitetônica e monumentos históricos

Dec 31, 1969
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A guerra que pôs fim ao comunismo – e despedaçou a Iugoslávia em várias pequenas repúblicas – e a perseguição étnica na Província de Kosovo, sob comando do ditador Slobodan Milosevic, ambos os fatos ocorridos na década de 1990, são algumas das poucas reminiscências que os brasileiros têm da região dos Bálcãs, na porção sudeste da Europa. Ainda que as lembranças desses sofridos episódios permaneçam na memória (e mesmo no corpo) dos moradores e até na arquitetura de lugares que fazem questão de manter expostos os sinais da guerra (como marcas de tiros e explosões, por exemplo), a luta pelo (res)surgimento de países como Croácia, Eslovênia, Bósnia-Herzegovina, Sérvia (Kosovo) e Montenegro, hoje nações completamente independentes e democráticas, foi positiva numa série de quesitos.

O turismo, claro, está entre eles, já que passou a ser bem mais fácil chegar, circular e explorar os “segredos” de lugares como a Croácia, que, banhada pelo Mar Adriático, reúne baías, penínsulas e nada menos que mil ilhas, num litoral todo recortado que em muitos pontos lembra a costa da Grécia. Um belo resumo dessa geografia pode ser conferido, por exemplo, na sensacional Dubrovnik, cidade para a qual o escritor inglês Lord Byron cunhou o título de “pérola do Adriático” e cuja parte antiga, envolta por uma muralha, foi declarada Patrimônio da Humanidade pela Unes­co.

Apesar da vizinhança com a Croácia e com as outras repúblicas dos Bálcãs, a verdejante Eslovênia – onde mais da metade do território é formado por florestas, o que a faz ser considerada o país europeu de maior área verde – já tem mais cara daquela Europa a que estamos acostumados. Também pudera: a nação, ao contrário da Croácia, integra a União Europeia desde 2004 e adotou o euro em 2007. Porém, felizmente, o país continua barato para os turistas.

Contudo, o mais importante é que, como também conta séculos de história, a arquitetura de algumas cidades eslovenas é esplendorosa e muito bem preservada, como atesta a capital, Liubliana, que guarda seme­lhanças com Praga, na República Checa, hoje talvez a mais famosa cidade entre aquelas que compunham os países da “Cortina de Ferro”. Com uma vantagem: Liubliana ainda não foi descoberta pelo turismo de massa e, por isso, conhecer seus encantos, alguns remontando à era medieval (uma de suas grandes atrações é um castelo do século 12), é uma tarefa tranquila e prazerosa.

Dubrovnik

Claustro da Catedral de DubrovnikA Croácia é puro encanto: reúne beleza natural e arquitetônica e muita história. A  gastrnomia e os vinhos encantam os visitantes e há razões de sobra para isso. Em 2009, a Croácia arrebatou oito medalhas de ouro no Decanter Wine Awards, concurso promovido pela respeitada revista inglesa Decanter, azedando a vitória de rivais famosos como Nova Zelândia e Chile. O croata branco doce foi o mais premiado. 

A influência italiana é evidente. Hunos, ostrogodos e húngaros fizeram a história do país, como também os romanos. Assim, a pizza é tão famosa por lá quanto na Itália. O risoto aparece com frequência no cardápio, bem como o negro da tinta de lula.

 

Croata, língua impossível

Zagreb, limpa e com muitos jardins, fontes, museus e construções imponentes

Na parte velha da cidade, ficam os hotéis cinco estrelas e casas de família para pernoite com quartos de aluguel. A área nova ofere­ce os ângulos mais belos da cidade. Do alto da rua, veem-se as charmosas villas, tipo mansões, debruçadas no penhasco sobre o Mar Adriático. Próximo a Stari Grad (Cidade Velha), uma pracinha, com cara de interior, tem o hotel Hilton de um lado e o mar transparente de outro. Está explicado, logo de cara, por que Dubrovnik é chamada de “pérola do Adriático”.

No verão europeu (junho/setembro), no entanto, prepare-se para disputar Dubrovnik com os turistas que cada vez mais descobrem essa “pérola”, principalmente por via marítima. Dois navios costumam chegar ao Porto de Gruz e mais um no de Lokrum. Deles sai todo mundo e, nesse caso, todo mundo é mais do que comporta a cidade. Fala-se de congestionamento de pedestres e do fechamento da porta da cidade para conter o fluxo de turistas.

Por isso, passe a noite ou mais de uma lá e, de preferência em baixa temporada, para ter Dubrovnik quase que só para você. Ok, sem o verão as praias ficam desativadas e diminuem os passeios de barco. Mas a Croácia é destino para ir e repetir. E com uma vantagem: o euro ainda não chegou. Sem integrar a União Europeia, a kuna, moeda local, propicia preços interessantes para os visitantes brasileiros.

E vale gastar para ver o panorama medieval da cidade murada. Na entrada, a grande Fonte de Onófrio, do século 13, convida os visitantes a conhecer a sua história. Um violinista contribui com a trilha sonora. Dali parte Stradun-Placa, a rua que liga as porções leste e oeste da cidade e é repleta de barzi­nhos. Desenhada por casas de pedra, a beleza é tanta que parece cenário de mentira pronto a desaparecer – coisa que quase ocorreu.

A guerra com a Sérvia foi cruel. E recente: 1991 e 1992. Maltratou Dubrovnik. De cada três construções, uma foi atingida. Um cartaz gigantesco na velha cidade pontua a destruição por bombas e incêndios. O estrago causado por projéteis é mantido no Museu do Mosteiro Franciscano.

Primos do Eduardo

O entorno das muralhas de Dubrovnik alcançam 25 metros de altura e seis metros de espessuraA guerra deixou marcas. Reduziu a  um milhão os antes sete milhões de visitantes ao ano. Mas a Croácia toma fôlego. O povo abre-se novamente ao turismo. Do Brasil sabem pouco, mas gostam da gente. Grande parte porque adoram Eduardo da Silva, de quem talvez você nunca tenha ouvido falar.Nascido na Vila Kennedy, no Rio de Janeiro (RJ), chegou à Croácia, casou-se, fincou raízes, naturalizou-se e virou celebridade do futebol croata, mesmo com a fratura que o tirou de alguns jogos das elimi­natórias da Copa do Mundo, para a qual o país não se classificou. Assim, quando você diz que é brasileiro, ganha status de primo distante do Eduardo e a repentina intimidade deixa o moral lá no alto.

E de altura eles entendem. As mura­lhas de Dubrovnik chegam a 25 metros, algo como um prédio de oito andares. O passeio é incrível, já que se anda dois quilôme­tros no entorno (e sobre) o muro, que, em algumas áreas, espicha para seis metros de largura. É como uma avenida elevada: lá do alto vê-se a bela Dubrovnik, cercada por um mar esplendoroso. O muro, cheio de torres, é um sobe-desce de escadas. Muro abaixo, não faltam restaurantes escondidos em ruelas, revelados por gente contratada para chamar a freguesia e decifrar o labirin­to para se chegar a eles. Também andando nessas ruelas, é certo que você vai dar de cara com construções majestosas.

O Palácio do Reitor é um exemplar imponente da arquitetura do século 15. Era o local que abrigava a maior autoridade eleita da república, que morava ali por um mês, sem poder sair ou receber qualquer pessoa. Bem próximo está o Palácio Sponza, de estilos gótico e renascentista, erguido no século 16 e que abriga os arquivos nacionais. Há, ainda, a venerada Igreja de São Brás (Sveti Flaho), que homenageia o padroeiro local.

Também funciona simplesmente andar a esmo, admirando vitrines (sim, há lojinhas­ entre as muralhas), até chegar ao mercado e apreciar o colorido do povo e da produção de frutas e legumes. O sol se põe e a Dubrovnik murada fica toda iluminada. É hora de reservar um cantinho à beira-mar, suspirar vendo a lua e desejar nunca mais sair dali. Dá para se esquecer da vida e até mesmo da hora do jantar.

Batendo perna em Zagreb

Cidade Velha de Dubrovnik ou Pérola do Adriático, na CroáciaVoltando de avião à capital croata, Zagreb, uma das opções de hospedagem é o hotel Slisko. Parece mais um pub cheio e esfumaçado daqueles de filme de terror que, quando se entra, todo mundo para de falar. Subindo alguns degraus abriu-se uma sequência de quartos no mais simpático, perfumado, silencioso e limpo ambiente que alguém, em busca de um pernoite econômico, pode imaginar. 

A capital croata é tal como o Hotel Slisko: descobre-se aos poucos e por ela se encanta. Da rodoviária, que está longe de ganhar um prêmio de arquitetura, chega-se de tram – um tipo de bonde moderno – à estação ferroviária Glavni Kolodvor. Essa sim uma beleza neoclássica em seus quase 200 metros de extensão, obra do arquiteto húngaro Ferenc Pfaff, concluída em 1892. Ao lado da estação está o cinco estrelas Regent Splanade, cuja diária é caríssima. 

 Em formato de U, a sequência de avenidas são extremamente limpas, com muitos jardins, fontes e uma série de museus e construções históricas que não economizam em imponência.

O Teatro Nacional, arquitetura de ZagrebZagreb também é sinônimo de arte: conta com 350 bibliotecas, 16 teatros, 14 galerias e 21 museus. O Mimara, o mais famoso deles, é conhecido como “Pequeno Prado”, referência ao museu de Madri, e abriga obras de Renoir, Velásquez, Murillo, Goya e muitos outros. 

Na Praça Ban Josip Jelacic, ponto de partida convencional do passeio oferece o serviço de um grande centro de informações para o turis­ta, inclusive com material em português. A praça é a união dos dois lados da cidade.

Ao redor da praça existem belas construções do século 19. No meio dela, uma curiosidade. A estátua equestre do governador Jelacic, que deu nome à praça, andou dando uma volti­nha. Desaparecida durante o comunismo, só voltou ao seu “posto” em 1990.

É numa voltinha também que se chega ao Dolac, mercado a céu aberto que vende de tudo um pouco – e é conhecido como “umbigo de Zagreb”, já que concentra produtos de toda a Croácia.

Seguindo rumo ao Kaptol está a Catedral de Santo Estevão (Katedrala Sv. Stjepana), consagrada à Virgem da Assunção e aos santos Estevão e Ladislao. É considerada a construção mais importante e, cá entre nós, uma das mais belas da cidade. Destruída parcialmente no terremoto de 1880, passou por transformações que a deixaram mais atrante, sem perder a linha medieval que lhe era natural, com afrescos do século 13 e altares de mármore. Ao lado está o complexo do Palácio Arcebispal. Na frente, uma fonte traz a Coluna da Virgem Maria e quatro anjos, obra do austríaco Fernkorn, que posam para fotos dos turistas a cami­nho de outras igrejas da região, como a de São Francisco e a de Santa Maria. É pela Rua Tekalciceva que se chega a Gradec, lado mais antigo da cidade e cuja Igreja de São Marcos, de estilo gótico e famosa pelos brasões no telhado, é referência da parte alta da capital.

Acessa-se essa área também por um funicular que parte da Rua Ilica. Era lá em cima que ocorria o julgamento das “bruxas” que, até o século 18, morriam na fogueira, quando a impera­triz Maria Thereza deu fim à perseguição. Baseado nesses fatos históricos, a escritora croata Marija Juric Zagorka, nascida em 1873, ficou famosa pelo livro A Bruxa de Gric e mereceu até uma estátua, que fica na Rua Tekalciceva.

Estilo de Praga em Liubliana

O Castelo Ljubljanski Grad, em Liubliana guarda vestígios celtas e gregosNa saída da Croácia rumo à Eslovênia é como entrar na comunidade europeia. O euro começa a ser usado, mas o país ainda é um lugar barato para os turistas. A paisagem muda gradualmente. Cresce a vegetação e o verde fica mais intenso. Exagerado em natureza, na Eslovênia parece que o mundo de castelos, dragões e princesas chegou.

De Zagreb a Liubliana são duas horas de trem. Da janela, vê-se uma casinha aqui, outra ali. A seguir, o cenário ganha cons­truções multicoloridas, desenhadas entre florestas, vales, lagos e riachos. Essa paisa­gem confere à Eslovênia o título de país com maior área verde da Europa. O povo, feliz pela fama, vive a repetir o motivo de orgulho. Pena que ninguém os entenda.

O idioma esloveno, semelhante ao croata, pode ser classificado entre muito difícil e absolutamente incompreensível. A origem dos idiomas é a mesma, mas cada um deles, desde o esfacelamento da Iugoslávia, busca ganhar características próprias. Assim, falar esloveno é mesclar 48 dialetos.

Localizada entre a Hungria, Itália, Áustria, Croácia e o Mar Adriático, cada canto puxa a sardinha para o seu lado quando o assunto é a aparência de suas belezas. “Parece Áustria”, dizem austríacos. “Hungria”, clamam os húngaros. “Croácia, afinal tem uma costa igualmente linda, banhada pelo Adriático”, bradam os ex-irmãos. “É Itália e ponto final”, gesticulam aqueles que são turistas assíduos na capital, Liubliana. Por isso, os cardápios dos restaurantes já trazem a identificação dos pratos em italiano, bem como ocorre em muitos pontos turísticos.

Mas, por mais que os amicce procurem encontrar semelhança, a cidade nada tem de Itália. Se for para comparar, vamos ao denominador comum: Liubliana é uma pequena Praga. É o que todos dizem. E acrescente outras vantagens: lá há menos turistas, menos exploração no preço da hospedagem, menos comércio abusivo, menos um montão de coisas, enfim, que dão um “tchan” a mais à capital da Eslovênia.

Foi o Joze Plecnik quem fez

Relógio antigo em Liublian, charme que se deve a Joze PlecnikÉ verdade que Liubliana parece Praga, embora os eslovenos defendam a ideia de que é Praga que se parece com Liubliana. E tem fundamento. O grande responsável por essa inversão chama-se Joze Plecnik, nome importante na arquitetura mundial. Nascido na Eslovênia em 1872, foi carpinteiro. Depois, aluno do reconhecido Otto Wagner, preferia adotar em seus projetos ornamentos mais leves do que motivos históricos. Seu sonho era fazer de Liubliana uma nova Atenas, que traduzisse na arquitetura o desejo do povo de descobrir e desenvolver uma identidade própria.

As obras de Plecnik estão por todo lugar: o Mercado de Peixes, o Cemitério de Zale, a Câmara de Comércio, Trabalho e Indústria, o Estádio Bezigrad, a Ponte Cobblers e a Igreja de São Francisco de Assis, na famosa Praça Presernov, bem em frente a um dos trabalhos de Plecnik mais renomados: a Tromostrovje (Ponte Tripla). Conhe­cida pela beleza e por ser o marco divisor entre o setor antigo e o novo, é lá que os turistas demoram-se vendo o castelo no alto da cidade e brincando de ir e vir num dos braços dessa construção sobre o Rio Liublianica.

Todo mundo sabe que o arquiteto é também responsável pela inclusão de balaustres e a fileira de postes iluminados pela cidade. O que pouca gente lembra é que esse mesmo Joze Plecnik foi responsável pela Igreja do Coração de Jesus de Praga e pelas reformas e anexos do Castelo de Praga, trabalhos realizados entre 1920 e 1934, que o levaram a ser nomeado arquiteto-chefe da República Checa. Resumindo: em Liubliana e Praga, qualquer semelhança é mera competência.

E para os turistas, Liubliana tem a vantagem do tamanho, metade da área de Praga. Ou seja, é rápido ir de um lado a outro. Mas garanto: todo mundo deve demorar nas andanças, pois com Liubliana deve-se flertar a pé, lentamente. É para seguir de mãos dadas com a beleza e a cultura locais, esbanjada pela qualidade dos museus e galerias de arte. Entre eles, destacam-se os Museus de Arte Moderna, o de História Natural e o Nacional da Eslovênia.Talvez a última opção seja se enfurnar num museu, pois é fora deles que o belíssimo panorama art nouveau surge nas fachadas da cidade.

Cidade de estudantes, a juventude é presença garantida em todo canto da cidade. E a beleza eslovena dá traços fortes ao povo. As moças não são princesinhas, são “princesonas”. Os príncipes nada têm de sapo. E o castelo do século 12, que se impõe no alto, convida, à noite, toda essa jovem realeza a ocupar as mesinhas ao ar livre, bebericando o delicioso vinho local, lendo e paquerando. A gastronomia é um capricho. A vida noturna, agitada.

Quando o sol nasce, a capital fica ainda mais linda. Como na capital croata, Zagreb, o acesso se faz por um funicular, que leva até um pátio aberto que concentra lojinha de souvenires, museu, mirante, exibição multimídia e filme 3D. É uma mistura do novo com o antigo, pois parte do castelo é dos anos de 1960, mesclado com partes remanescentes da presença celta, dos gregos e dos romanos, num lugar que já foi lar de monarcas, prisão, reduto militar e até residência em passado recente. A visão é fenomenal e pede para você tirar ainda mais fotos.

A lenda do dragão

Estátua do animal mítico que, diz a lenda, balança o rabo quando uma mulher virgem passa pelo localVisitar a Zmajski Most, a Ponte do Dragão é um passeio curioso, dá para ver de perto o mítico animal que é símbolo da cidade. Diz a lenda que Jasão e seus companheiros argonautas, após o roubo do velocino de ouro (lã do carneiro alado, na mitologia grega), fugiram pelo lado errado e foram parar no Rio Danúbio. Dali, a “turma” seguiu pelo Rio Sava até Liubliana, encontrando o terrível monstro, o qual foi combatido bravamente. Tratava-se do dragão que passou a habitar o castelo e está presente no brasão de armas da cidade.

A versão light da história coloca o protagonista como um dragão bonzinho que, contrariando a vontade do pai-dragão, não cuspia fogo e nem atacava pessoas. Ao contrário, dócil como a mãe, brincava de fazer piruetas no céu, entoando canções apaixona­das. O pai, inconformado, chorou tanto que suas lágrimas formaram o rio. O dragãozi­nho, exausto das acrobacias, descansou em sua ponte favorita e permanece ali, adormecido pelo poder de seres mágicos. Independentemente da versão, todas falam de uma ponte que é linda. A atual, de 1901 – feita de concreto e aço, tecnologia inovadora na época –, homenageia o 400 aniversário de ascensão ao trono do imperador austro-húngaro Francisco José.

Cercada de lendas e história, cada canto da ponte traz um dragão belo e impávido. O povo diz que se uma moça virgem passar por lá, os dragões abanam o rabo. Até onde se sabe, eles permanecem imóveis.

Por causa da presença dos “bichinhos”, alguns eslovenos chamam-na de Ponte da Sogra, clara referência maldosa à aparência ou gênio ruim do animal associado à sempre injustiçada mãe do cônjuge. Tantas brincadeiras revelam que, por trás do semblante sério, está o esloveno brincalhão e bem-humorado, características fáceis de perceber numa caminhada pelo Parque Tivoli. Famílias passeiam alegremente por essa área verde que abriga o Museu de História Contemporânea e abre espaço para diferentes exposições a céu aberto. Tivoli foi criado em 1813. Nos anos de 1920, passou por me­lhorias de um arquiteto. Adivinha quem? Mais uma vez, Joze Plecnik.

Bled, mais uma ótima surpresa

Pequena ilha no Lago Bled, na Eslovênia, que abriga a Igreja de Nossa Senhora da AssunçãoAfastar-se de toda a bela Liubliana que ele ajudou a criar, só se for por pouco tempo e se o destino for Bled. A cerca de uma hora de ônibus da capital, Bled tem um castelo do século 11 encarapitado numa colina, mas é a Igreja de Nossa Senhora da Assunção, que se encontra no meio do belíssimo Lago Bled, que rouba a atenção. Chega-se a ela de barco a remo ou fazendo uso de um pletna, embarcação semelhante a uma grande gôndola.

O Lago Bled é formado pelo degelo do Glaciar Bohinj e, nos meses mais quentes do ano, as águas límpidas convidam ao mergulho e a passeios de barco. Também há várias trilhas. Rodear o lago toma cerca de duas horas por um caminho pavimentado, que a toda hora oferece um ângulo mais perfeito que o outro para fotos.

Com esse visual, para lá de favorável para curtir um dia ao ar livre, Bled serve de destino de temporada dos eslovenos, numa estrutura completada por bons restaurantes e hotéis. Eles são a maioria, mas os turistas estrangeiros já estão des­cobrindo essa maravilha natural, uma delícia de passeio para ir e voltar no mesmo dia de Liubliana. Quem sabe você não está entre os próximos a experimentar dias entre castelos, muralhas, lendas e lagos de países nunca antes imaginados?

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