Confira 20 bons motivos para visitar a capital espanhola no final do ano

Dec 31, 1969
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Madri é uma das cidades mais alegres e festeiras da Europa. E no final do ano a cidade ferve. Ganha um astral único com uma bela decoração de luzes e presépios. A festa do Réveillon acontece na Plaza Puerta del Sol, onde uma multidão se reúne para dar as boas-vindas ao ano novo, mantendo a tradição de comer uvas no compasso das doze badaladas do relógio.

Dizem que é para dar sorte. Contudo, sorte mesmo é estar em Madri numa hora dessas. Confira a seguir 20 bons motivos para visitar a capital espanhola no final do ano, nos primeiros meses ou em qualquer época do ano, pois as dicas valem para o ano inteiro. 

De mala e cuia rumo a Madri

Plaza Mayor. Bares e cafés com mesas ao ar livre.Madri ganha uma decoração especial no final do ano. Fica toda enfeitada,  com destaque para o presépio montado no Museu Municipal, tradição desde o século 18. Na véspera de Natal, há o espetáculo de queima de fogos diante da Plaza de Cybeles. Já no réveillon, os madrilenos se reúnem para a virada do ano na Plaza Puerta del Sol. E o costume local, para garantir boa sorte no ano que começa, manda comer uvas, uma a cada badalada do sino do relógio.

A comemoração, que eles chamam por lá de Nochevieja, segue com show de fogos e buzinaço pelas ruas. No dia 5 de janeiro o evento da Cabalgata de Reyes (Cavalgada dos Reis Magos) reúne uma multidão nas ruas da cidade para assistir a um desfile de carros alegóricos que começa na Calle Alcalá e segue até a Plaza Mayor – nesta praça, aliás, a tradicional feira de artigos natalinos estende-se até o dia 8 de janeiro, com centenas de barracas vendendo presépios, enfeites e produtos de Natal.

Caminhar pelas ruas da cidade

A geografia plana de Madri favorece os passeios a pé, com a vantagem extra de que as principais atrações do centro antigo da cidade ficam a distâncias não muito longas uma das outras. A Plaza Mayor, a Plaza Puerta del Sol, o Palácio Real, a Plaza de Cybeles e o Parque del Retiro podem ser percorridos com tranquilidade num único dia.

É o umbigo da capital espanhola. Dá pra ficar horas ali só pelo prazer de estar numa das mais belas praças do mundo. Bares e cafés colocam mesas ao ar livre e os garçons não deixam ninguém esperando muito tempo por uma caña (copo de cerveja). Artistas de rua divertem os visitantes com perfor­mances de estátuas-vivas e danças de flamenco. No centro da praça, fica a estátua do rei Felipe II, montado num cavalo. Durante séculos, a Plaza Mayor serviu como espaço para mercado, teatro ao ar livre e praça de touros.

Madri tem um eficiente sistema de metrô. São inúmeras linhas que levam a todo canto da cidade. Há sempre uma estação a cada meia dúzia de quarteirões. Um dos pontos de convergência do sistema é a estação de Atocha, de onde partem trens para outras cidades da Espanha e da Europa. Atocha é uma atração à parte, um monumento arquitetônico, com estrutura de ferro e vidro, jardim tropical interno e o monumento em homenagem aos mortos do atentado terrorista de 11 de março de 2004. Para não errar as baldeações quando circular de metrô, basta ter em mãos um mapinha das estações que você pega na recepção do hotel.  No entanto, o metrô fecha às 2h da madrugada. Depois desse horário, o jeito é pegar um táxi. 

Pontos Turísticos

Museu Reina Sofia na rota cultural do Paseo del Padro.Três museus madrilenos, o do Prado, o Reina Sofia e o Thyssen Bornemisza, estão entre os mais importantes do mundo. O Museu do Prado possui a maior coleção de pintura espanhola produzida entre os séculos 16 e 18. Entre elas estão 140 quadros de Goya, obras de El Greco, e o famoso As Meninas, de Diego Velázquez. No Reina Sofia, insta­lado num antigo prédio onde funcionava um hospital, estão expostas obras modernas, com o melhor de Pablo Picasso, Salvador Dalí e Joan Miró.

O lugar de honra cabe a tela Guernica, de Picasso, considerada a obra de arte mais emblemática do século 20, que retrata, no revolucionário estilo cubista do autor, o resultado do bombardeio aéreo sobre Guernica durante a Guerra Ci­vil Espanhola. Já o Thyssen Bornemisza tem cerca de mil obras expostas, de pinturas do século 18 à vanguarda do século 20. No acervo, há obras de Rembrandt, Rafael, Renoir, Cézanne, Chagall, Van Gogh, Kandinsky, entre outros. Os três museus ficam próximos um ao outro, todos localizados na mesma avenida, a arborizada  Paseo del Prado. É possível comprar um único ingresso para visitar os três.

É o pulmão verde da cidade e principal reduto dos madrilenos nos dias quentes de verão. Bem no centro, é lindíssimo e quase tão grande quanto o Central Park, de Nova York. Foi construído no século 17, por volta de 1630, por ordem do rei Felipe IV, para servir de jardim ao Palácio Real do Bom Retiro. Em 1767, o rei Carlos III permitiu a entrada de pessoas comuns desde que devidamente limpas e bem vestidas. O Parque del Retiro tem lagos, fontes e alamedas decoradas com monumentos históricos e estátuas barrocas. O Palácio de Cristal, uma grande estufa para cultivo de plantas exóticas, é um dos destaques. Aos domingos, diversos artistas de rua fazem performances e há um divertido teatro de bonecos (começa às 13h).

O fabuloso Palácio Real é uma das obras arquitetônicas mais importantes da Europa. No coração de Madri, defronte a um belo jardim em estilo francês, ocupa o lugar onde existia outro palácio, o Real Alcázar, destruído por um incêndio em 1734. O Rei Felipe V contratou os arquitetos italianos Filippo Juvara e G.B.

Sachetti para reconstruir o palácio, cujas obras começaram em 1738 e só terminaram 34 anos mais tarde. É a residência oficial do Rei da Espanha, embora seja usado apenas para ocasiões especiais. O público é bem-vindo e pode percorrer mais da metade das dependências. O passeio impressiona pela suntuosidade, desde a escadaria principal feita em mármore às coleções artísticas que decoram os aposentos, com pinturas de Goya, Velázquez e Caravaggio. A visita inclui o interessantíssimo museu de armas medievais com cerca de duas mil peças, a sala do trono, o salão de gala (onde acontecem grandes banquetes) e a curiosa Farmácia Real, com prateleiras folheadas a ouro e instrumentos do século 16.

Construído no começo do século 20, o mercado é bem ao lado da Plaza Mayor, num movimentado corredor turístico. Com estrutura de ferro e paredes de vidro, abriga lojas de frutas, verduras, peixarias, além de alguns bares de tapas (petiscos). É frequentado tanto por turistas quanto por madrilenos, que gostam do lugar para tapear antes do almoço nos finais de semana. Como falta espaço para tanta gente nas barras (balcões), o pessoal bebe em pé mesmo. 

Cultura e Gastronomia

Plaza Mayor. Bares e cafés com mesas ao ar livre.A gastronomia madrilena tem muitas especialidades, mas nenhuma tão famosa quanto as tapas que, originariamente, são os petiscos que acompanham as bebidas. Porém, algumas tabernas oferecem menu de tapas como refeição principal. Uma simples tapa pode ser um pratinho de azeitonas temperadas, lulas fritas, presunto cru defumado, queijo fresco, anchovas, porções de paellas, mariscos marinados... Nos finais de tarde, o madrileno típico tem o hábito de passar em dois ou três bares para beber umas cañas e tapear, artifício inteligente para adiar o jantar para mais tarde. Diz a lenda que a origem dessa cultura gastronômica remonta do século 14, quando as tabernas eram proibidas de servir vinho aos cocheiros das carruagens sem que lhes fossem oferecidos algo de comer, para evitar que bebessem de estômago vazio e se embriagassem.

Assim, pratinhos de comida chegavam à mesa tapando as jarras de vi­nho, o que explica o nome tapas. Desde essa época, quem pede uma caña ou qualquer bebida em Madri ganha junto uma porção de queijo roquefort, aliche ou berinjela em conserva, pães com tomate ou o que existir de mastigável na tapería, como eles chamam por lá os bares que servem as tapas.

O churro é uma invenção espanhola tão apreciada pelos madrilenos como o acarajé pelos baianos. O da Chocolateria San Gínes, que fica numa pequena travessa da Calle Arenal, no centro antigo (Pasadizo de San Gínes, 11), é tido como o melhor de Madri. Você se esbalda com uma sequência de tubinhos crocantes para mergulhar numa calda quente de chocolate.

Sorvete com canudinho de doce de leite da Taberna del Alabardero.As tabernas são bares que servem tapas e bom chope, mas com algumas características especiais que as diferenciam de simples bares. As mais tradicionais têm atmosfera de velha bodega, com iluminação à meia-luz, piso de ladrilhos preto e branco, balcão de madeira e chopeiras que são verdadeiras relíquias. A Taberna de Antonio Sanchez (Mesón de Paredes, 13, metrô Tirso de Molina) funciona desde 1830 e é enfeitada com cabeças de touro abatidos por três gerações de proprietários toureiros. No Centro, próximo ao Palácio Real, está a Taberna del Alabardero (Calle Felipe V, 6), cuja maior curiosidade é o fato do dono ser um padre católico, Luís Lazama, que sempre é visto por ali na hora do almoço. E um excelente menu de tapas quentes você poderá provar na Taberna del Capitán Alatriste (Grafal, 7).

Tem muito mais em Madri

O Edifício Metrópolis ganha destaque na noite de MadriOs madrilenos fazem das ruas a extensão natural da sala de casa. Ninguém sai do trabalho e corre para casa rapidi­nho para vestir pijama, assistir televisão e dormir. As ruas da cidade estão sempre cheias de gente mesmo em plena madrugada, e tanto faz se é sábado ou segunda-feira. O que vale é sair para os bares e ficar tapeando até a hora de jantar que, em Madri,  é lá pelas 10 ou 11 da noite. O clima também influencia a vida notígava local, já que o verão no centro da Espanha convida a refrescar-se em locais ventilados e o inverno não é tão rigoroso. Portanto, faça como os madrilenos e aproveite a noite. Mas não pare na primeira taberna. A tradição local manda pular de bar em bar, entre umas cañas e outra, além de tapas aqui e ali.

O restaurante ao lado da Praça Mayor (Calle Cuchilleros, 17) é um clássico. Aberto desde 1725, é considerado o mais antigo do mundo em funcionamento, um recorde atestado pelo Guiness. A especialidade da casa é o cochinillo (leitão assado na brasa). Peça na recepção do hotel para fazer a reserva de uma mesa, pois o Botín está sempre lotado no jantar.

O passeio mais tradicional aos domingos em Madri é ir ao El Rastro, quando as ruas do bairro ficam tomadas de gente e barracas que vendem de tudo: acessórios para carros, ferramentas, tapetes, roupas, relógios, eletrônicos, antiguidades... A rua principal, a Calle Ribera de Curtidores, tem fama pelas roupas e acessórios feitos em couro (jaquetas, bolsas, chapéus, cintos...). A Calle Mira el Sol é conhecida pelos celulares e eletrônicos. Na Calle del Gasómetro, a especialidade são peças e acessórios para carros e computadores. Já a Plaza Campillo Mundo Nuevo é o ponto de encontro de vendedores e colecionadores de selos, cartões telefônicos, quadrinhos antigos... El Rastro se estabeleceu como feira popular em Madri no século 18. O pintor Francisco de Goya (1746-1828) era frequentador do bairro e inspirou-se em alguns personagens locais para pintar telas, entre elas a conhecida El Ciego de la Guitarra (1778), que está no Museu do Prado. 

Os bons costumes europeus

No Café de la Ópera são os próprios garçons que fazem o show do  jantar, com apresentações de ópera ao som de piano.O grande barato desse restaurante é a cena cantada, jantar em que os garçons fazem apresentações de ópera ao som de piano durante a refeição.

Tem ambiente requintado e cardápio de gourmet. O menu completo, com entrada, prato principal e sobremesa sai, em média, em € 60 por pessoa, valor que inclui o couvert artístico. O restaurante fica na Calle Arieta, 6, no centro, em frente ao Teatro Real de Madri e perto do Palácio Real. Se for de metrô, desça na estação Ópera.

Madri está cercada por um colar de preciosidades arquitetônicas composto por sete cidades históricas tombadas como Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco, todas a uma distância de 200 km, no máximo. A mais próxima, a apenas 30 km da capital espanhola, é Alcalá de Henares, cidade-natal de Miguel de Cervantes, autor de Dom Quixote, e sede de uma das mais antigas faculdades do mundo, fundada no século 15. Visitar o prédio da faculdade é algo que não deixa de fazer, assim como conhecer a casa onde viveu Cervantes, hoje transformada em Museu. Outra esticada interessante é Aranjuez, a 50 km de Madri.

A cidade foi escolhida pelo rei Felipe II, no século 16, para abrigar o Palácio Real, residência de verão que serviria a todos os reis de Bourbon. Tem restaurantes de alta categoria, como o Casa José, com tapas que são verdadeiras invenções gastronômicas. A grande estrela desse roteiro, porém, é Toledo, uma cidade medieval cercada de antigas muralhas e localizada no alto de uma colina, contornada pelo Rio Tejo. Foi a capital da Espanha até 1561, quando então houve a transferência para Madri. Cervantes a descreveu como “glória da Espanha”. A Catedral de Toledo e o Alcázar de Carlos V, um castelo fortificado, dominam a paisagem. Em torno delas segue um conjunto de ruelas e praças internas onde caminhar é um enorme prazer. Com tempos, dá ainda para explorar Salamanca, Segóvia, Ávila e Cuenca. Da estação de Atocha saem trens diariamente para quem quiser conhecer as cidades históricas nas redondezas de Madri.

Esporte, dança e compras

Estádio Santiago Bernabéu, do Real MadriQuem gosta de futebol pode ter a chance de assistir a um jogo do Real Madri. O time de Kaká e Cristiano Ronaldo joga a cada duas semanas no estádio Santiago Bernabéu (Paseo de la Castellana com Calle Concha Spina, estação Santiago Bernabéu do metrô, linha 10). O estádio é um dos mais modernos do mundo, com teto retrátil e capacidade para 80 mil pessoas bem acomodadas. É considerado o “alçapão” do Real Madri, pois a arquibancada fica praticamente colada ao campo, sem fosso ou alambrado. Os ingressos não são baratos, em médi. Se não houver jogo, é possível visitar o estádio.

Madri não é a capital do flamenco. Esse título cabe a Sevilha, na Andaluzia, ao sul da Espanha. Mas a capital espa­nhola tem lá seus bons tablados. Não perca a chance de ver uma apresentação da dança que melhor simboliza a alma altiva e sensual dos espanhóis. No Corral de La Morería o jantar é seguido de show de flamenco.

É o maior outlet de Madri, a 45 minutos do centro da cidade. Um shopping a céu aberto que virou referência de luxo e tendências na Espanha. As grifes famosas estão lá: Dolce&Gabanna, Versace, Diesel, Carolina Herrera... Mas os descontos são modestos, é preciso garimpar bem para encontrar boas promoções. Para chegar até lá, pegue os ônibus 625 ou 628 que saem da estação de Moncloa, no centro. Ambos chegam ao outlet em 45 minutos. 

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