Valência, na Espanha, é cidade cheia de atrações
Se quando alguém fala de Espanha você logo pensa em Madri e Barcelona, trate de incluir Valência nessa lista. A cidade tem ganhado cada vez mais visibilidade turística, graças inclusive aos investimentos do governo neste sentido. O que a natureza deu para Valência, como as belas praias e parques provenientes do antigo Rio Turia – que foi desviado da cidade por causar inundações – foi ainda mais valorizado pela engenhosidade humana. Desde os antiquíssimos museus e mercados do centro velho, que datam dos primeiros séculos depois de Cristo, até as futuristas construções de Santiago Calatrava que compõem o Centro de Artes e Ciências, em todo lugar que você olha na cidade há um prédio imponente ou surpreendente.
Mas o motivo pelo qual Valência tem ganhado tantos pontos entre os viajantes vai além das atrações turísticas. Os valencianos fogem completamente do estereótipo do espanhol fechado. São um povo alegre e acolhedor, especialmente se você for em março, durante o festival Las Fallas. O clima festivo lembra muito o carnaval, quando estranhos viram melhores amigos e em todo canto há os tais borrachos (embriagados) entoando canções em sua língua materna.
A Valência Clássica
A cidade não é grande, com um pouco de disposição dá para percorrê-la quase toda a pé. Mas isso não significa que não seja uma boa ideia dar uma encurtada nas distâncias. Por isso, tente ficar em um hotel no centro histórico, perto de muitos museus e pontos de interesse. Nesta parte da cidade, a concentração de atrações turísticas é grande.
O mercado central, o principal da cidade, e as Torres de Serranos, por exemplo, guardam resquícios da invasão dos mouros em 711, que ocuparam Valência até 1238. O mercado apresenta de forma mais evidente a bela arquitetura árabe, povo que também introduziu em Valência muitos dos alimentos que hoje são tradicionais na cidade, como o arroz e a laranja. Já as Torres de Serranos, de 1392, são um dos pedaços restantes das muralhas construídas ao redor da cidade para protegê-la de outras invasões.
Perto dali está a Catedral, igreja mais importante da cidade. Vale a pena conferir uma missa e sentir a forte religiosidade espanhola. Na Catedral também é possível subir até a torre do sino e observar a maior vista panorâmica de Valência – dá até pra ver o mar. Atrás da entrada principal da igreja há a Plaza de la Virgen. Rodeada pelas atraentes construções do centro, é nele que ocorrem muitos dos festivais religiosos da cidade.
O Museu de Cerâmica, a quadras dali, é impressionante por dois motivos: a cerâmica, claro, uma grande tradição valenciana, e o requinte das técnicas de artesanato. Fora isso, a arquitetura do prédio é deslumbrante, sendo a única construção no estilo rococó da cidade. Os detalhes são tão suntuosos que é difícil não ficar boquiaberto com essa imensa obra de arte.
E não são só os museus que causam esse efeito: cada prédio do centro antigo impressiona, ainda mais com a mescla das onipresentes árvores com as ruas estreitas e irregulares. Reserve um dia para dar uma volta por essa região ou, melhor, um dia e uma noite. É por ali mesmo, no bairro Del Carmen, que ocupa boa parte do centro, que está a maior concentração de bares e pubs, onde é possível provar a típica bebida Água de Valência, a base de champanhe e suco de laranja, além de dançar até o amanhecer. Mas se cair no agito não é muito sua praia, ocupe uma das muitas mesinhas nos bares que existem nas praças e peça o cardápio obrigatório de todo espanhol: o vinho do dia e as famosas tapas (petiscos).
O futuro está aqui
Um dos maiores contrastes de Valência é que, depois de passar o dia inteiro em meio a construções seculares, é possível rodar 15 minutos em um ônibus (ou fazer uma caminhada mais destemida) e se deparar com a Cidade de Artes e Ciências. Trata-se de um complexo com museu, cinema, ópera e até oceanário construídos com um design ultramoderno. Lá, imperam as formas geométricas, o branco, as janelas transparentes e a luminosidade extrema – vinda do forte sol do litoral Mediterrâneo espanhol, que reflete nas alvas paredes, nas janelas brilhantes e no imenso espelho d’água.
De cara, vê-se o ousado L’Hemisferic. O prédio lembra o formato de um olho, intencionalmente: é o “olho da sabedoria”. E que olhão – na parte mais alta, o edifício alcança 26 metros de altura, até pouco comparado com a extensão do teto, com mais de 100 metros de comprimento. Aí está a maior sala de projeções da Espanha, uma tela côncava de 900 metros quadrados. Trata-se do cinema IMAX, no qual pode-se assistir filmes em 3D, espetáculos de entretenimento e também projeções de imagens astronômicas como em um planetário.
Em frente à entrada do L’Hemisferic há outro centro de sabedoria do complexo: o Museu de Ciências Príncipe Felipe que, com o lema “proibido não tocar, não sentir, não pensar”, convida o visitante a conhecer avanços científicos e tecnológicos de forma interativa. É impossível ficar entediado no museu que conquista até quem não é muito fã de programas culturais.
Em meio a muitas atrações, há uma representação de 15 metros de altura da estrutura do DNA e um módulo interativo sobre mudanças climáticas, no qual é possível entrar em um simulador de tornados. Tudo isso dentro da majestosa estrutura de 220 metros de largura rodeada por um espelho d’água de 13.500 metros quadrados. Desde a abertura, em 2000, o museu já recebeu mais de 23 milhões de visitantes.
Dentre todos os edifícios do complexo, talvez o mais curioso seja o Palau de Les Arts Reina Sofía. Inaugurada em 2005, a casa de espetáculos conta com quatro grandes salas que, juntas, abrigam até 3.600 espectadores. Inusitado, o edifício circular é abraçado por duas “conchas” externas, construídas em aço laminado, com peso total aproximado de 3.000 toneladas. A arquitetura única do edifício só ganhará concorrente em ousadia em novembro de 2009, quando está prevista a inauguração da Ágora – espaço para receber eventos esportivos que, como duas mãos entrelaçadas, poderá ser aberto no meio e se tornar um grande salão a céu aberto.
Por fim, ainda na Cidade de Artes e Ciências, encontra-se um dos grandes pontos turísticos de Valência: o Oceanográfico. É simplesmente o maior complexo marinho da Europa, com 45.000 animais de mais de 500 espécies. As atrações vão muito além do show dos golfinhos. Lá, o visitante encontra 10 espaços, cada um representando uma categoria ou ecossistema: Mediterrâneo, Terras Úmidas, Tropicais, Oceanos, Antártico, Ártico, Ilhas, Mar Vermelho, Restaurante Submarino e Delfinário. Todos têm uma particularidade imperdível, como o túnel de tubarões no prédio dos oceanos, que permite que o visitante fique a poucos centímetros do imenso predador.
Os edifícios e praças que compõem a Cidade, como a passagem L’Umbracle (caminho rodeado por um colorido jardim e arcos modernos), foram desenhados e construídos sob orientação do arquiteto Santiago Calatrava, um dos valencianos de maior reconhecimento internacional. Calatrava se tornou célebre pela estética clean e futurista. Suas obras adornam diversas partes de Valência, não só a cidade de artes. A ponte de Calatrava, descrita pelos valencianos como um “pente gigante”, atravessa outro ponto muito bacana da cidade, os parques dos Jardíns Del Turia.
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Clique aqui para se autenticar.- Publicado em 10/05/2012 18:04 - Atualizado em 14/05/2012 13:23
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