Grand Canyon reúne belas paisagens desérticas com cactos e terrenos arenosos
Quando o major John Wesley Powell liderou, em 1869, a primeira expedição científica ao Grand Canyon, nos Estados Unidos, definiu aquelas grandiosas rochas como “páginas de um belo livro de histórias”. Provavelmente, ele não imaginava que nos dias de hoje a beleza do lugar atrairia anualmente cinco milhões de turistas interessados em olhar, explorar ou simplesmente admirar essa paisagem tão ancestral.
O cenário é de imensas montanhas avermelhadas que somem da vista apenas na linha do horizonte. E olhar esta imponente obra da natureza causa sensações das mais diversas. Há os que se imaginam em outro planeta, os que se sentem alcançando o céu ou os que apenas sentam e passam horas pensando na pequenez da vida humana frente à imensidão do mundo natural. Lá é onde se pode obedecer a Alberto Caeiro – um dos pseudônimos do poeta português Fernando Pessoa – e sentir a natureza. Perceber o silêncio, o poder e a grandiosidade da formação rochosa que traz as marcas dos seus aproximadamente dois bilhões de anos de história, distribuídos em inacreditáveis 446 km de extensão.
Rio Colorado
O responsável pela paisagem é o rio Colorado, que moldou o que hoje é o Grand Canyon. E dizer que ele é o protagonista da história não é mera conversa. Frases como “Ali está o rio” e “vejam o rio” são escutadas todo o tempo por visitantes e guias do Parque Nacional do Grand Canyon, no Arizona. Também não é para menos: com tantas rochas majestosas, fica difícil enxergar o rio que, apesar de importante, passa quase despercebido por ali.
Parque Nacional do Grand Canyon
A visita ao parque pode ser feita pelas entradas norte (North Rim), sul (South Rim) e oeste (West Rim). O melhor é ir pela sul que tem maior infraestrutura turística e fica aberta durante o ano todo. Mas se a sua vontade é se aventurar na Skywalk – a passarela de vidro a 1.220 metros de altura –, você deve entrar pelo West Rim. Inaugurada em março de 2007, a ponte avança 21 metros a partir da beira do canyon e foi construída para incentivar o turismo na parte oeste.
O ingresso para andar sobre a passarela é acessível aos turistas, mas é necessário comprar também um pacote que inclui a entrada na reserva dos índios hualapai onde a Skywalk está instalada. O pacote básico dá direito ao almoço e visita aos pontos de observação Eagle Point e Guano Point, onde se tem uma das melhores vistas panorâmicas das rochas e do rio Colorado.
Como as entradas principais da parte sul ficam a 447 km de Las Vegas, no Estado de Nevada, e a 372 km de Phoenix, no Arizona, um bom roteiro seria programar uma viagem para uma das duas cidades e aproveitar para ir ao Grand Canyon. O mais prático é alugar um carro nessas cidades e seguir até o parque nacional. Você passará por belas paisagens desérticas com cactos e terrenos arenosos, símbolos dos desenhos do Pica Pau e Papaléguas e dos muitos filmes de velho oeste.
Uma vez lá, movimentar-se no Grand Canyon é bastante fácil. O parque oferece três linhas de ônibus, que passam por diferentes pontos de observação. E o melhor: o transporte está incluído no ingresso. Pare seu carro em um dos estacionamentos e siga alguns passos até a próxima parada de ônibus. Os ônibus passam a cada 10 ou 20 minutos e você vai se divertir com a animação dos motoristas. Além de cantarem e conversarem durante o trajeto, eles vão contando a história dos locais e até param para a observação de veados ou cobras que eventualmente atravessam o caminho.
Aventura garantida
Há atividades para os mais variados espíritos aventureiros. Para os que não curtem aquelas caminhadas de dia inteiro, com mochila nas costas e tendo de passar perto de abismos, dá para seguir tranqüilamente pelas trilhas pavimentadas que contornam todo o parque. São estradas de fácil acesso, com vistas deslumbrantes e que, além de terem paradas de ônibus, são planejadas para que crianças, idosos e cadeirantes andem sem problemas por lá.
Reserve um bom tempo para observar as camadas rochosas multicoloridas, que, como uma janela do tempo, expõem os milhões de anos de idade das montanhas. Próximas à base do canyon estão as mais antigas, formadas há aproximadamente dois bilhões de anos.
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