Las Vegas é reduto de casas noturnas e das celebridades
Ao redor do planeta, aeroporto é sempre a mesma coisa: uma seqüência de balcões de check-in, painéis com informações dos vôos, lojas de souvenires, cafés, esteiras para retirada das bagagens... Em Las Vegas, nos Estados Unidos, o cenário não foge à regra, mas até mesmo seu aeroporto, um dos mais movimentados do país, conta com ingredientes que permitem entender, logo de cara, por que Vegas ostenta títulos como “capital da jogatina” e “cidade do pecado”.
Afinal, em que outro aeroporto do mundo é possível encontrar rodas da fortuna e máquinas caça-níqueis tilintando em pleno saguão de passageiros? Ou se deparar com imagens dos inúmeros shows realizados nos muitos hotéis – e exibidas ininterruptamente em telões, localizados junto à esteira de bagagens –, que incluem mulheres dançando sensualmente, assim como homens de torsos para lá de sarados? Para os mais contidos, também não faltam cenas de outros espetáculos da cidade que são famosos no mundo inteiro, como os do Cirque du Soleil e do Blue Man Group.
Com essas amostras do que o espera lá fora, é bem provável que ainda no aeroporto o turista já esteja envolvido pela atmosfera mágica e surreal de Las, como Vegas também é chamada, um mundo artificial, erguido em pleno deserto do Estado de Nevada, onde toda extravagância é possível e permitida.
Assim, tudo o que se quer é pegar logo a mala e partir rumo à cidade – o que pode ocorrer a bordo de uma limusine, se for do gosto e do bolso do freguês –, onde não será preciso muito tempo para compreender e se jogar de cabeça em mais uma alcunha local: “salário perdido”.
Seja nas mesas de jogos, na variada oferta de espetáculos (que vão de stand-up comedies de gente do calibre do ator Jerry Seinfeld, da extinta série politicamente incorreta Seinfeld, a longas temporadas com shows de Elton John, Cher e da atriz hollywoodiana Bette Midler), nas casas noturnas que vira-e-mexe recebem celebridades, nos restaurantes estrelados e, claro, nos shoppings e outlets, as “verdinhas” vão embora num piscar de olhos.
E pela quantidade crescente de visitantes – pouco mais de 39 milhões em 2007, ante os 30,6 milhões de dez anos atrás –, não importa se turistas convencionais ou gamblers (apostadores), gastar, mesmo em tempos de crise, ainda não parece ser um problema por lá. O que é um alívio para quem tem planos de curtir ao máximo tudo o que a cidade tem para oferecer. Afinal, Las Vegas rima, e muito bem, com gastação, diversão e alegria.
Strip, o endereço da ferveção
Para se esbaldar em todos esses quesitos, o endereço é um só: a Strip, a colorida, iluminada e espalhafatosa região que faz Vegas ser considerada a Disney dos adultos.
Isso porque a Strip – parte da Las Vegas Boulevard, uma longa avenida que corta a cidade de norte a sul – permite que se viaje de Nova York a Paris, do Egito a Roma e Veneza, com paradas para encarar brinquedos cheios de adrenalina e baladas fortes, percorrendo pouco mais de 6 km. Como? Por meio da arquitetura megalomaníaca, sem falar das atrações de seus hotéis-cassinos, que nesse pedaço somam cerca de 67 mil acomodações e são verdadeiras cidades regadas a jogos, entretenimento e compras.
O New York New York, por exemplo, tem uma réplica não só da Estátua da Liberdade, como do skyline com arranha-céus da Big Apple e até um memorial em homenagem às vítimas do atentado de 11 de setembro de 2001 naquela cidade. O Paris exibe a sua Torre Eiffel (onde é possível subir para contemplar a vista da cidade e até fazer uma refeição) e o Arco do Triunfo, enquanto o Luxor ostenta uma grande pirâmide egípcia e uma esfinge.
No Caesars Palace, que já dispõe de mais de 3 mil apartamentos e está passando por um projeto de ampliação calculado em US$ 1 bilhão, a influência vem da Roma antiga, com estátuas homenageando imperadores, fontes como as encontradas na capital italiana, muitas colunas de mármore e até um teatro imitando o Coliseu.
Como o nome diz, no The Venetian tudo remete à Sereníssima, com direito a réplicas perfeitas da Piazza San Marco, do Palazzo Ducale e do Campanário, além da Ponte Rialto. O Canal Grande também se faz presente, onde circulam gôndolas e gondoleiros que soltam a voz para embalar o passeio dos turistas.
Outros hotéis evitaram essa volta ao mundo e pegaram mais leve no visual, o que não quer dizer, em absoluto, que sejam simples, pequenos ou discretos (em Las, a propósito, nada que fique na Strip e seja in se enquadra nessas categorias). Muito pelo contrário.
O Wynn e o Bellagio – que aparece com esse mesmo nome no filme Onze Homens e Um Segredo, cujos personagens vividos por George Clooney, Brad Pitt e Matt Damon desenvolvem várias artimanhas para realizar um assalto milionário a um cassino – são imensos, refinados e contam, em seus corredores, com lojas das mais sonhadas grifes internacionais.
Outra opção de hospedagem com luxo e arquitetura mais comportada na Strip é o Mandalay Bay, enquanto o Planet Hollywood tem um ambiente, mesmo no cassino, mais despojado e moderninho. E ainda há clássicos como o MGM Grand, o The Mirage, o Treasure Island, o Flamingo...
Cassinos e grifes fabulosas
Se impressiona a sucessão de hotéis fantásticos, muitas vezes conectados entre si por passarelas que atravessam a Strip ou as ruas que a cortam – uma tentativa de facilitar a vida dos pedestres que geralmente encontram trânsito pesado durante seus passeios –, espere só até entrar em qualquer um desses meios de hospedagem, verdadeiras fábricas de diversão de dia e de noite.
As boas-vindas são normalmente dadas por um cassino, com uma infinidade de caça-níqueis, roletas, rodas da fortuna e mesas para jogos de dados e cartas, além das salas especiais, e tratamento idem, para jogadores que apostam alto. Muita gente se atiça com o barulhinho e o brilho das máquinas e já fica por aí, num ambiente sem janelas, sem relógios, com garçonetes que usam vestidos e saias bem curtos e iluminado artificialmente, para que as pessoas joguem sem se dar conta de há quanto tempo estão apostando.
Para quem não manja nada, é possível aprender um poucos sobre esses jogos em aulas gratuitas oferecidas por hotéis como o Circus Circus, o Planet Hollywood e o Flamingo. Depois, não custa arriscar um pouquinho – com US$ 10 dá para fazer uma festa nas slot machines, que têm fichas custando um ou cinco centavos de dólar. Mas, tenha juízo e discernimento para parar antes de fazer um estrago no bolso e para ter tempo de ver tudo o que os hotéis oferecem.
De dia, a boa é conferir alguma exibição. Há desde o Museu de Cera Madame Tussauds, junto ao The Venetian Resort, às peças autênticas recuperadas do Titanic (hotel Tropicana), bem como os polêmicos corpos que, embalsamados por uma técnica diferenciada, permitem a quem for ao Luxor ter “panoramas” inusitados dos órgãos humanos.
Para quem está com crianças ou simplesmente gosta de animais, é legal ir a lugares como o Jardim Secreto de Siegfried e Roy, no hotel The Mirage, em que a atração são tigres brancos e golfinhos. Ou ao Mandalay Bay, onde está o Shark Reef, que exibe os temidos tubarões, assim como no hotel-cassino Flamingo, onde só podia haver flamingos, claro.
Os shoppings que muitos empreendimentos hoteleiros têm também são um grande ímã de turistas. Na linha “ver sim, comprar já é outra história”, estão os maravilhosos centros comerciais Esplanade, dentro do Wynn, e o Via Bellagio, no Bellagio. A seleta lista inclui, ainda, o The Shoppers at The Palazzo, no hotel homônimo que abriu em janeiro de 2008, e o The Grand Canal Shoppers, junto ao The Venetian, em que as vitrines – de marcas como Burberry, Jimmy Choo, Davidoff e Mikimoto – dividem a atenção com a réplica das gôndolas e do Canal Grande de Veneza.
O Esplanade ostenta nada menos que a primeira boutique fashion do estilista Oscar de la Renta, bem como a primeira loja de design de Jean-Paul Gaultier nos Estados Unidos. Por lá, também marcam presença as grifes Manolo Blahnik – cujos sapatos eram uma das paixões de Carrie Bradshaw, a personagem de Sarah Jessica Parker na série Sex and the City –, Cartier, Louis Vuitton e Christian Dior, além do showroom da Penske-Wynn, onde está a concessionária Ferrari-Maserati.
O Via Bellagio não deixa por menos e, loja após loja, os suspiros se repetem ao ver modelitos, bolsas, sapatos e jóias de Chanel, Fendi, Gucci, Prada, Giorgio Armani, Hermès, Tiffany & Co., Bottega Veneta...
Outlets
Para não ficar só namorando as vitrines e realmente ir às compras, opte por shoppings que mesclam marcas mais acessíveis com as grandes grifes – e, claro, vasculhe os outlets. No primeiro caso, um bom exemplo é o The Forum Shops, com teto imitando perfeitamente o céu e incluindo fontes que, em determinados horários, proporcionam shows de luzes e efeitos.
Nele, ao mesmo tempo em que se encontram lojas Baccarat, Marc Jacobs, Louis Vuitton, Dior, Gucci, Fendi, Escada e Hugo Boss, também há representações da Guess, Miss Sixty, da loja de brinquedos FAO e da Apple, entre dezenas de outras, mais 15 restaurantes.
O Miracle Mile, shopping do Planet Hollywood que tem os corredores centrais tematizados como uma vila marroquina, também facilita para quem está a fim de renovar o guarda-roupa. Além de GAP e H&M, conhecidas dos brasileiros e famosas pelos ótimos preços, o shopping concentra diversas marcas americanas com ótimo custo-benefício.
Outros chamarizes do lugar são a chuva de mentirinha, acompanhada por raios e trovões, que cai num dos corredores – de segunda a quinta, o “fenômeno” ocorre de hora em hora e, de sexta a domingo, a cada 30 minutos – e o bar-restaurante Hawaiian Tropical Zone, em que as garçonetes, para deixar os clientes no clima do nome do estabelecimento, usam biquíni, mas vestem uma canga curtinha para não deixar o derrière à mostra.
Mas, para mandar o bom senso para o espaço e entregar para Deus os gastos no cartão de crédito, vá, ou melhor, corra, para algum outlet. Tanto no Las Vegas Outlet Center (7.400 Las Vegas Boulevard) como no Las Vegas Premium Outlets (875 S Grand Central Parkway) – ambos abertos de segunda a sábado, das 10h às 21h, e aos domingos, das 10h às 20h –, os descontos nos produtos chegam a 65% do valor pelo qual eles são vendidos nas lojas convencionais.
No Premium, são 150 lojas para se esbaldar de comprar, incluindo Armani Exchange, Banana Republic, BCBG Max Azria, Benetton, Dona Karan, Ecko Unltd., Guess, Lacoste, Miss Sixty/Energie, Oakley Vault, Puma e Tommy Hilfiger, sem falar de grandes achados na Diesel e até na Burberry e na Dolce & Gabbana.
No Las Vegas Outlet, alcançado pelos ônibus da linha The Deuce, que circulam por toda a Las Vegas Boulevard, algumas marcas top encontradas no Premium não se repetem. Mesmo assim, é impossível voltar sem as mãos completamente ocupadas.
A Broadway também é aqui
Para que a compulsão pelas compras não o(a) domine e faça todo o orçamento evaporar, basta lembrar que é preciso ter dinheiro para investir em outras praias na qual Las Vegas é tão boa quanto Nova York: o entretenimento e a vida noturna.
Se a “Grande Maçã” tem a Broadway, Vegas tem os teatros, salões e arenas nos hotéis da Strip, que recebem de milionárias lutas de boxe, passando por exibições de comediantes, mágicos e ilusionistas a espetáculos de grandes nomes da música – Madonna recentemente lotou a Arena do MGM Grand em dois shows da turnê Sticky & Sweet e os cantores Elton John e Cher estão com temporada de shows no Colisseum, casa de espetáculos do Caesars Palace.
Como não poderia de deixar de ser na Cidade do Pecado, também não faltam shows sensuais, que não incluem só mulheres dançando em trajes mínimos (ou menos que isso), caso dos espetáculos Bite, no Stratosphere, Crazy Horse Paris (MGM Grand), Folies Bergere (Tropicana), Jubilee (Bally's) e do X Burlesque, no Flamingo. Assim, homens sarados e de pouca roupa também fazem a alegria das turistas – e estão em cena no American Storm, oferecido no Stratosphere, Chippendales, no hotel Rio, e Thunder from Down Under, no Excalibur.
Mas, desde o surgimento dos mega-hotéis da Strip, na virada para os anos 1990, superproduções como as do Cirque du Soleil chamam tanto a atenção quanto esses strip teases. Só em Las Vegas, são seis maravilhosos e inovadores espetáculos fixos do grupo, incluindo o Believe, que estreou em outubro no Luxor.
A peça, que conta a história de dois irmãos gêmeos que são separados e têm de enfrentar uma jornada cheia de perigos e aventuras, mistura acrobacias, artes marciais, fantoches, projeções de vídeo interativas e pirotecnia – e, para os artistas, é um complexo desafio ao equilíbrio, já que o cenário é uma plataforma móvel que, num dos atos, fica inteiramente na posição vertical, com os participantes se equilibrando sobre lanças que são arremessadas ao palco. No Bellagio, o Cirque du Soleil exibiu 'O'. É outro espetáculo surreal, que rola inteiramente na água, numa piscina que contém mais de 5 milhões de litros de água.
Com isso, aos acrobatas e aos dois ótimos palhaços se juntam nadadores e mergulhadores – num total de 85 artistas de 23 países, incluindo até atletas que foram medalha de ouro nos Jogos Olímpicos –, que cumprem coreografias arriscadas e impressionantes, fazendo menção ao poder do fogo e à purificação da água, com base em rituais realizados no Havaí, Ilhas Samoa e Nova Zelândia.
A água também é o cenário para as acrobacias e para a coreografia provocante do Le Rêve. Essa foi a escolha do hotel Wynn para encantar o público, que construiu especialmente para o espetáculo um teatro intimista, que segue a forma arredondada do palco-piscina, do qual ninguém fica a mais que 12 fileiras de distância.
Desde o começo, quando vai descendo do topo do teatro uma cama com uma garota adormecida, que termina por boiar na água, despertando-a – o que na realidade dá início aos seus devaneios, numa alusão ao nome da peça, que quer dizer sonho em francês –, o espetáculo é surpreendente.
Além do arraso que são as luzes e os efeitos, que vão de um reconfortante céu azul a um temporal, há performances em que os artistas pulam e mergulham tanto, que o espectador fica se perguntando como é que o fôlego deles não acaba. Para quem adquire o pacote chamado Indulgence, esse e outros segredinhos dos bastidores são revelados, já que os VIPs, além de um lugar privilegiado, ainda podem olhar para uma tela, que transmite as imagens captadas nos bastidores.
A oferta de ótimos shows está longe de se esgotar. Entre outras opções para considerar (viu só como foi importante parar de jogar e de comprar?) estão o Blue Man Group, os atores de rosto pintado de azul que misturam música, comédia e efeitos multimídia (em cartaz no The Venetian); os musicais Mamma Mia! (Mandalay Bay) e Phantom: The Las Vegas Spectacular (The Venetian) e o grupo de percussão Stomp Out Loud, que tira sons dos objetos mais inusitados.
Como a noite é uma criança, os mais animados ainda podem seguir para os bares, lounges e boates, que existem aos montes nos hotéis e, não raro, recebem celebridades. Um desses points badalados é o Pure Nightclub, no Caesars Palace, que, quando Viaje Mais esteve na cidade, programou uma noite com som da DJ Samantha Ronson, namorada da atriz Lindsay Lohan, também presente à festa, o que deixou enorme a fila para entrar na disco.
Para se jogar nas pistas dessa ou de outras casas disputadas – inclua aí o Tao Nightclub, no The Venetian, a Tryst e a Blush, no Wynn, a LAX, no Luxor, o Christian Audigier The Nightclub, no Treasure Island, e o Studio 54 e o Tabu, no MGM Grand –, não se esqueça de dois detalhes: reserve antecipadamente a sua entrada e leve na mala uma roupitcha caprichada. Em Vegas, a produção é grande quando o assunto é balada forte.
Sem gastar nenhum tostão
No decorrer dos dias, é quase impossível fugir do apelido local de “salário perdido”, passando até a inverter um famoso ditado, ao acreditar que, pelo menos por uns dias, “dinheiro traz felicidade”. A boa notícia é que também dá para se divertir gastando pouco – ou nada, já que a cidade reserva várias atrações gratuitas.
Entre os shows grátis, um dos mais queridos pelo público é a dança das fontes do hotel Bellagio, cujos mil jatos d'água fazem, várias vezes por dia, diversos movimentos que acompanham músicas de artistas como Whitney Houston, Andréa Bocelli e Frank Sinatra.
E como existe vida além da Strip, explore a Fremont Street, que remonta à fundação da cidade, em 1905, e marca o centro de Las Vegas. É lá que estão os hotéis e cassinos mais antigos (o primeiro hotel foi o Nevada, hoje Golden Gate Hotel & Casino, de 1906) e com um certo ar decadente, mas que têm as melhores taxas de reembolso, devolvendo até 98% do que se aposta nas máquinas, por exemplo.
No caminho de volta à Strip, mais uma parada obrigatória: o Stratosphere. Trata-se de um hotel que tem uma torre altíssima, com 350 metros, na qual estão instalados três brinquedos de arrepiar. No nível do 1090 andar, a 277 metros de altura, os aventureiros podem escolher entre o X-Scream – uma espécie de montanha-russa que projeta os participantes para fora da torre, com direito a subidas e despencadas bruscas – e o Insanity, uma geringonça que se movimenta fora da torre (ou seja, depois do assento em que você está só existe o chão “lááááááá” embaixo), fazendo os corajosos girarem a uma velocidade de até 65 km/h.
A trilogia radical é completada pelo Big Shot, montado no 1120 andar. A atração é como a La Tour Eiffel do Hopi Hari, em que os participantes, presos em cadeirinhas, despencam em queda livre, a cada vez que são lançados, por 50 metros.
Para quem dispensa tanta adrenalina, a torre reserva áreas internas e externas de observação da cidade, o restaurante Top of the World e até uma capela para a celebração de casamentos.
De helicóptero é ainda melhor
Com tanta jogatina, compras, gastronomia e um sem-fim de possibilidades de diversão, os turistas quase se esquecem que a cosmopolita Las Vegas fica em pleno deserto. Mas, a algumas centenas de quilômetros dali, já no Estado do Arizona, é justamente esse visual árido e isolado, pontuado por cânions profundos de coloração avermelhada que se perdem no horizonte, o chamariz para 5 milhões de turistas que todos os anos chegam ao Grand Canyon, uma das maravilhas naturais do mundo.
A paisagem magnífica, que se esparrama por 446 km e é composta por paredões com até 1,6 km de profundidade, tem um responsável: o Rio Colorado, que com muita calma – nada menos que 2 bilhões de anos – esculpiu caprichosamente as formas da região.
De Vegas, são 480 km até o Grand Canyon, onde se chega de carro alugado ou nas excursões de ônibus contratadas na cidade. Mas, chiquérrimo mesmo – e inesquecível, além de bem mais caro que das outras duas maneiras – é fazer um sobrevôo de helicóptero pela região, oferecido por empresas como a Maverick; passeio com duração mínima de três horas. O tour é feito a bordo de modelos supernovos, que transportam sete ocupantes, mais o piloto, com direito a fone de ouvido cujo microfone é ativado pela voz, para cada passageiro se comunicar com os outros tripulantes.
A partir da decolagem, são cerca de 50 minutos até o ponto alto do passeio, a parada sobre um cânion cortado pelo Rio Colorado, onde rola um lanche regado a champanhe, um ótimo complemento para celebrar o momento.
Mas, até lá, ninguém fica sem ao menos dizer “meu deus, olha isso”, já que se passa pela Hoover Dam, uma barragem de 221 metros de altura que domou o Rio Colorado e criou um dos maiores lagos feitos pelo homem na América do Norte, o Mead. No lago, parte de uma área de recreação que avança por mais de 880 km de costa e cujo ponto mais próximo está a apenas 40 km de Vegas , pode-se curtir diversas atividades, como passeio de barco, esqui aquático e pesca.
Também dá para ver a Skywalk – a passarela de vidro que avança 21 metros a partir da beira do cânion e está na área da reserva dos índios hualapai – e, depois da parada no cânion, já na volta para a cidade das luzes, um conjunto de formações que também brilha a distância: as rochas vermelhas que compõem o Bowl of Fire. O gran finale é o sobrevôo da Strip, que, dependendo do pacote escolhido, pode ocorrer justamente quando as luzes já estão dando à cidade o seu ar mais característico e famoso.
De volta de uma maravilha da natureza para uma maravilha humana (às vezes de gosto duvidoso, é verdade) que, em pleno deserto, consegue atrair quase 40 milhões de pessoas por ano e movimentar mais de US$ 8 bilhões só em jogos, há de se tirar o chapéu: os “caras”trabalham bem por lá, fazendo a maioria dos turistas, do momento da chegada à hora de ir embora, felizes da vida. As cartas, ou melhor, as dicas, estão aí. E então, está pronto para jogar?
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