Nova York e Chicago: como desfrutar o melhor de cada uma das metrópoles

Dec 31, 1969
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Vista aérea ao anoitecer mostra a grande quantidade de arranha-céus em Manhattan (Foto: Editora Europa/ Revista Viaje Mais)

Vista aérea ao anoitecer mostra a grande quantidade de arranha-céus em Manhattan (Foto: Editora Europa/ Revista Viaje Mais)

A rivalidade entre Nova York e Chicago sempre foi assunto de jornais e revistas nos Estados Unidos até há alguns anos. Mas a mídia local chegou a um consenso de que era hora de parar com essa história. Por que disputar um lugar de destaque se há espaço para ambas? As cidades, uma do lado leste, e a outra, no centro-leste do país, não competem em importância nem em beleza, pois as duas são reconhecidas por estes atributos.

Contudo, a mania de comparação não perdeu a força. Na internet é possível encontrar diversos debates de pessoas que vivem nas duas metrópoles ou que já as visitaram. Os assuntos mais comuns são qual delas tem o skyline mais bonito, o prédio mais alto, a noite mais animada, qual é sede do melhor time de beisebol ou de basquete, faz a melhor pizza e por aí vai. Faz parte da personalidade do americano, que defende seu território com unhas e dentes.

A rivalidade entre as duas metrópoles tomou força novamente porque Chicago perderá em breve para Nova York o título por abrigar o edifício mais alto dos Estados Unidos. Em 2013, quando o edifício One World Trade Center acabar de ser construído no local das “Torres Gêmeas”, Nova York passará a ter o prédio mais alto do país e o quinto do mundo, marca que atualmente pertence à Sears Tower, hoje com o nome oficial de Willis Tower, localizada no distrito financeiro de Chicago. 

Olhar quase o tempo todo para cima, aliás, é comum a quem visita as duas cidades. Quem chega pela primeira vez a Nova York não consegue se controlar e instintivamente vai mirar o céu. E lá está ele, destacando-se entre as dezenas de prédios da cidade, o famoso Empire State, o edifício mais alto de Nova York. Subir até o deque no 86° andar (a 320 metros do chão) e passear pelo terraço aberto do prédio é como estar saindo de um filme.

Em Chicago, a Sears/Willis Tower é ainda mais alta que o Empire State, com 108 andares. Tem-se a sensação de estar “flutuando” nas nuvens no deque que fica a 412 metros do chão, n° 103° andar. Desde 2009, o skydeck da Sears/Willis Tower tem uma atração a mais: quatro balcões de vidro, chamados de ledge, que avançam para fora das dimensões do edifício e de onde se tem uma vista espetacular da cidade. Mesmo nos dias em que as nuvens cobrem o topo da torre, a sensação quando se olha para baixo é vertiginosa, uma experiência única e grandiosa para começar a conhecer Chicago, a cidade dos ventos. 

Observatórios da cidade 

Muita gente que vai a Nova York não sabe, mas o Top of the Rock Observation Deck do Rockeffeler Center proporciona uma vista privilegiada do Central Park e do Empire State. O terraço fica n° 70° andar e é surpreendente. Se o dia estiver bom, reserve pelo menos duas horas para ficar lá em cima, porque você vai querer fazer todo o reconhecimento do Central Park e dos prédios ao redor. Claro que os mapas no local ajudam, mas a observação é um divertimento gostoso para toda a família. E não é só isso. A TV NBC funciona no complexo e pode-se fazer um tour para conhecer os bastidores dos telejornais e seriados. Ali há também várias lojas e restaurantes, além, é claro, do rinque de patinação, que nos meses mais quentes serve de espaço para outros eventos.

Em Chicago, o John Hancock Observatory não é mais alto que a Sears/Willis Tower, mas oferece a vista mais bela da cidade. Localizado na Avenida Michigan, na Milha Magnífica, está num lugar estratégico para quem quer fazer um descanso das compras. Além do observatório n° 93° andar, há um bar n° 95°, onde é possível tomar um drinque olhando a vista panorâmica de Chicago. O bar está sempre cheio, claro, pois todo mundo quer relaxar num lugar assim. Se não conseguir mesa, tente o restaurante n° 94° andar, que tem quase a mesma vista, mas o ambiente é mais formal.

Quando o prédio foi inaugurado, em 1968, era o segundo mais alto do mundo, perdendo apenas para o Empire State de Nova York. Hoje, é o quarto mais alto de Chicago e o sexto dos Estados Unidos. No arranha-céu há escritórios comerciais, residências, vários restaurantes, lojas, piscina coberta e até um rinque de patinação nas alturas. Os moradores de Chicago dizem que quem vive no Hancock não sai do prédio durante o inverno porque dentro dele há tudo que uma pessoa precisa. E não dá para discordar diante de tanta beleza e luxo. 

Domingo no parque 

Em Nova York, o Bryant Park, que fica ao longo das 5ª e 6ª Avenidas, entre as Ruas 40 e 42, está atrás da biblioteca pública da cidade. É super movimentado, principalmente na hora do almoço, quando os que trabalham em Manhattan aproveitam as mesinhas e cadeiras verdes espalhadas pelos jardins e fontes do parque para fazer uma refeição rápida. Enquanto comem, checam e-mails ou navegam na internet. Pela manhã, no terraço, há ioga de graça e o gramadão fica lotado de gente que adora relaxar, tomar sol e namorar. Ao som de um piano, o café convida moradores e turistas para um happy hour ao ar livre.

Mas se você não gosta de muito movimento, pode aparecer para o almoço. O Bryant ainda tem um restaurante com terraço na cobertura que oferece uma vista panorâmica. O parque se transforma a cada estação: o gramado vira uma pista de patinação no inverno, palco de shows no verão e uma tenda para o Fashion Week de Nova York na primavera e outono. Há ainda uma sala de leitura com livros, revistas e jornais, de acesso livre, e um carrossel adorado pelas crianças.

Em Chicago, uma moderna escultura, chamada Cloud Gate, desperta a curiosidade dos visitantes no Millennium Park, na Avenida Michigan. O autor da obra, o escultor britânico nascido na Índia, Anish Kapoor, ganhou notoriedade depois da inauguração, em julho de 2004, e logo a escultura passou a ser mais um símbolo da cidade.

Os visitantes interagem com a escultura e lotam a praça para fazer fotos e vídeos. A imaginação vai longe quando se está embaixo dela, no portão. A parte inferior da obra se parece com o raio X de um osso e a imagem das pessoas refletida no espelho forma desenhos geométricos como num caleidoscópio.

No mesmo Millennium Park, o moderno Jay Pritzker Pavilion, criado pelo arquiteto canadense americano Frank Gehry, é outro marco da cidade. Lá acontecem concertos de música clássica, shows de rock, festivais de blues – tudo gratuito.

Já nos dias mais quentes do verão, a Crown Fountain, com duas paredes com telões gigantes que projetam a imagem de um rosto com variações de humor, serve de refresco para amenizar o calor que pode passar de 35 graus. Atrás dela fica o Lurie Garden, com jardins de lavanda enfeitando o skyline de Chicago, e, ao lado, a Wrigley Square, uma praça com o monumento Millennium, que lem­bra um templo grego.

Os mais visitados dos EUA 

Bem no meio de Nova York, o Central Park mais se parece com um oásis entre o trânsito caótico e os ruídos da cidade. Lagos, estátuas, fontes, jardins, playgrounds, trilhas, pontes e gramados se espalham por 51 quadras (da Rua 59 à 110) entre a 5ª e a 8ª Avenidas.

São 4 km de extensão e 800 metros de largura. Fundado em 1857, o parque passou por uma reforma no ano seguinte, quando o paisagista e escritor Frederick Law Olmsted e o arquiteto inglês Calvert Vaux ganharam um concurso com um projeto renovador. O parque, que em 1873 tinha as características de hoje, detém o título de mais visitado dos EUA.

A parte sul é a mais procurada e é onde estão o zoológico, o carrossel e o Wollmann Rink, super popular no inverno para quem quer se divertir patinando no gelo. Do lado leste, pela 5ª Avenida, estão localizados os Museus Metropolitan e Guggenheim. Do lado oeste, na 8ª Avenida, está o Museu de História Natural.

A melhor maneira de conhecer o Central Park é caminhando. Dê uma parada num centro de informações, na Rua 65, no meio do parque, no Dairy Visitor Center & Gift Shop. Pegue um mapa e comece o roteiro. Outras opções para percorrê-lo são de carruagem ou de bicicleta.

Maior que o Central Park, o Lincoln Park, em Chicago, se estende por 11 km e fica em frente ao Lago Michigan. Como o de Manhattan, localiza-se no meio da cidade, e é o segundo parque mais visitado do país. Para quem gosta de números, o Lincoln tem 15 campos de beisebol, 35 quadras de tênis e 163 de voleibol, campo de futebol e até campo de golfe. E, claro, tem jardins, monumentos, zoológico, museus, uma marina e até praias. A mais frequentada delas é a Oak, por estar bem perto do centro. 

Beira-rio e beira-lago 

Uma vez em Nova York, faça como os nova-iorquinos. Durante o verão, eles adoram ler um livro ao ar livre, ficar deitado num gramado tomando sol e curtir a brisa do mar ou do rio. No Hudson River Park, área de 8 km que acompanha a Highway 9 e vai beirando o Rio Hudson da Rua 59 West até o Battery Park, no extremo sul de Manhattan, dá para provar um pouco do cotidiano da cidade.

Ao longo do caminho há vários píers com muitas atrações, como o Píer 40, que abriga uma escola de trapézio e onde se pode navegar num veleiro ou caiaque; no Píer 86 há o navio de guerra e museu Intrepid Sea-Air-Space; e no Píer Chelsea, o maior de todos, é possível jogar boliche e até golfe, escalar uma parede de pedra, patinar no gelo no inverno, fazer um passeio de barco e comer em um dos vários restaurantes ao redor. No verão, as crianças adoram o Waterside Park do Chelsea (Rua 23 West com a 11a Avenida), um playground onde elas ficam encharcadas de água.

Em Chicago, à medida que se vai avançando pelas ruas em direção ao Lago Michigan, sente-se uma brisa – às vezes um vento forte – ao se aproximar da Lake Shore Drive. A sensação é de se estar à beira-mar. Apesar de mais de mil quilômetros separarem chicago do oceano, o Lago Michigan, com seus 57.800 km², chega a confundir o visitante com aquela água verde cristalina. E faltam somente ondas em suas 31 praias.

A Lake Shore Drive é uma avenida de 53 km de extensão e também um playground para quem vive em Chicago e para os visitantes. Ao longo dela, as pessoas correm diariamente, andam de bicicleta, passeiam com carrinhos de bebê e levam as crianças ao Píer Navy, o local mais movimentado da Lake Shore.

É de lá que sai a maioria dos barcos para um passeio pelo Lago Michigan e pelos canais do Rio Chicago. Durante o verão, a cidade entra em polvorosa com festivais de comida, música e muita queima de fogos. Por volta das 21h30, quem está na rua se detém para apreciar o show de fogos de artifício do Píer Navy, que ocorre duas vezes por semana.

Passeios de barco 

Ninguém pode ir a Nova York e deixar de fazer o passeio de barco até a Estátua da Liberdade. Símbolo mais importante dos EUA, ela fica na porta de entrada do porto da cidade, por onde já passaram milhões de imigrantes que chegavam com o sonho de obter liberdade e prosperidade.

O monumento foi doado ao país pelos franceses em 1886 na comemoração do centenário de assinatura da Declaração de Independência dos Estados Unidos. Seu criador, o escultor Frédéric Auguste Bartholdi contou com a ajuda do engenheiro Gustave Eiffel, o mesmo que projetou a Torre Eiffel de Paris, para construir a estrutura metálica interna da estátua.

A maioria dos turistas prefere descer do barco para ver a estátua de perto, mas se você não faz questão disso, opte pelo passeio de barco que explora toda a ilha de Manhattan e que dura três horas. Em vez de pegar filas imensas e se irritar com a multidão, você relaxa no barco tomando um drinque e termina o passeio conhecendo Nova York como os primeiros exploradores, que circundaram a ilha pelos canais ao seu redor.

Em Chicago, o passeio de barco pelo Lago Michigan e pelo Rio Chicago é acompanhado por muita história da arquitetura da cidade. A cada prédio que o guia do barco aponta, é mais uma curiosidade para guardar de lembrança. E o melhor suvenir que um visitante pode levar são as fotos impressionantes do skyline de Chicago tiradas do barco. Não há vista melhor do que essa e muito menos uma lembrança melhor da viagem.

Em ambas as cidades, você pode relaxar em grande estilo durante um jantar num iate com o skyline de Manhattan ou de Chicago como cenário. Melhor ainda se for alguma ocasião especial para celebrar.

Tanto em Nova York quanto em Chicago esse passeio noturno deve ser reservado com antecedência. Um segue pelo Rio Hudson e o outro navega pelo Lago Michigan. Você ouve boa música, toma um drinque enquanto o jantar não chega e fica encantado com as luzes dessas metrópoles.

Arte e história 

Reserve pelo menos quatro horas para conhecer um pouco do acervo permanente do Metropolitan, como a extensa galeria sobre a cultura egípcia (com faraós mumificados, sarcófagos e partes de pirâmides), o jardim japonês, a ala de fotografia... Para descansar a vista, vá ao terraço onde estão as esculturas de Caro e aproveite para relaxar admirando também a cidade lá de cima.

Já o Instituto de Arte de Chicago é considerado um dos mais importantes museus do mundo. É que em sua coleção permanente estão obras do impressionismo, como The Bedroom, de Van Gogh; Water Lilies, de Claude Monet; Paris Street, Rainy Day, de Gustave Caillebotte, entre outros. O museu tem um vasto acervo que reúne arte africana, americana, bizantina, asiática, moderna, fotografia e várias coleções. Se não tiver tempo para ficar e olhar tudo, pegue o folheto do museu e faça o tour de uma hora com áudio que a própria instituição recomenda, com uma parada nas principais obras em exposição. Uma delas é America Windows, de Marc Chagall.

Muita arte moderna

Você pode entrar em desespero ao perceber que é humanamente impossível ver tudo em Nova York numa única visita. Esse sentimento aumenta no MoMa, o Museu de Arte Moderna de Nova York. O prédio é enorme e tem vários andares, e pior, a fila para entrar dobra a esquina. Cena comum principalmente no verão, o melhor a fazer é chegar bem cedo, antes de o museu abrir as suas portas (às 10h30).

Uma vez lá dentro, ninguém vai te tirar o direito de explorar minuciosamente essa joia de Nova York. São seis andares na companhia de obras de Salvador Dalí, Henri Matisse, Andy Warhol e Roy Lichtenstein, só para citar alguns nomes dos tantos que estão no acervo do MoMa de Nova York.

Em sintonia com a cidade, o Museu de Arte Contemporânea de Chicago apresenta obras focadas no surrealismo e minimalismo. Trabalhos de artistas norte americanos, como Lee Bontecou e Dawoud Bey fazem parte do acervo permanente. O museu está na rota dos melhores dos EUA e, por isso, recebe muitas exposições importantes de outros museus do país e do mundo.

Já a arquitetura do Museu Guggenheim em Nova York é uma das obras mais impressionantes e importantes do arquiteto norte-americano Frank Lloyd Wright (1867-1959). Se você gosta de arrojo arquitetônico, não pode deixar de entrar no museu. O interior do prédio é ainda mais surpreendente. E claro, o Guggenheim tem uma excelente coleção permanente e sempre exibe trabalhos de artistas inovadores, à frente de seu tempo, assim como o arquiteto que projetou o museu. 

Palcos iluminados 

No coração de Manhattan, a famosa Broadway, o distrito dos teatros de Nova York, é uma das áreas mais eletrizantes da cidade. São 40 teatros espalhados entre as 6ª e 8ª Avenidas, formando um quadrado da Rua 41 até a 54. Resumindo: fica nas imediações da Times Square, a praça com letreiros eletrônicos gigantes.

Há tantas opções de shows que é quase impossível escolher um. O mais badalado na temporada é Spider Man Turn off the Dark, com trilha sonora do grupo U2. Outros musicais que valem a pena para quem nunca assistiu a uma apresentação da Broadway são The Lion King, Phanton of the Opera e Mamma Mia, só para citar os mais conhecidos e em cartaz há muito tempo.

O Teather District de Chicago não é tão grande quanto o de Nova York, mas é possível assistir a autênticos musicais da Broadway na cidade porque as companhias de teatro viajam pelo país inteiro. Quem sabe você não tem a sorte de ver o famoso musical Chicago na própria Chicago?

Os teatros mais antigos, ícones da cidade, são o Chicago, inaugurado em 1921, e o Oriental, de 1926. Como um assento no teatro em Chicago não é tão disputado como em Nova York, é provável que você consiga um mais em conta na bilheteria do teatro. Ou, na hora do espetáculo, você pode tentar comprar um rush ticket, sobra de ingressos que são vendidos bem mais baratos. 

Templos do jazz 

No início dos anos de 1920, Duke Ellington se mudou de Washington para Nova York, onde desenvolveu seu estilo musical e começou a fazer sucesso com arranjos diferentes. Na mesma época, artistas como Louis Armstrong, famoso em Chicago, também desembarcaram em Manhattan. É que a cidade era o local em que se concentrava a indústria da música nos Estados Unidos.

Daí em diante, Nova York só foi somando talentos individuais e orquestras. Em 1940, o Nick’s Jazz Pub, no Harlem, já existia com o nome de Lucky’s Rendezvous e era propriedade de Duke Ellington. Hoje, você viaja no tempo quando entra no Nick’s, que continua igualzinho depois de todos esses anos. Nas paredes do local, pode-se comprovar a história do pub por meio de fotos e grafites. Mais recente, o Blue Note, de 1981, é sofisticado e reconhecido internacionalmente como um dos templos do jazz em Nova York.

Também estrelas em Chicago, o jazz e o blues podem ser apreciados nas calçadas da Milha Magnífica (um pedaço glamouroso da Avenida Michigan), nos festivais que acontecem durante o verão ou em clubes, como o Andy’s Jazz, um dos mais antigos e renomados da cidade, aberto em 1951.

A vocação de Chicago para o jazz começou no início dos anos de 1920, quando muitos músicos de New Orleans chegaram à cidade em busca de trabalho. O mais famoso deles foi Louis Armstrong.

Ponto de balada 

No Meatpacking, um dos bairros mais novos de Nova York,  a noite é a mais animada. Criado no final dos anos de 1990, o lugar só começou a ganhar notoriedade em 2004, quando o hotel Gansevoort foi inaugurado. Um ano depois, muitos restaurantes e casas noturnas surgiram nos prédios das antigas fábricas desativadas de salsicha e açougues (daí o nome do bairro). Hoje, são pouco mais de 50 restaurantes e pelo menos meia dúzia de clubes e lounges. Mas o Meatpacking não para de se transformar. Há dezenas de casas com de decoração supertransada, como a Design Within Reach, e butiques chiques, como a do britânico Alexander McQueen e a do brasileiro Carlos Miele. O bairro é tão badalado que até a Apple abriu uma loja lá.

Em Chicago, a noite é mais agitada e ganha ainda mais brilho e luzes numa rua chamada Rush. Por ali há bares, restaurantes e casas noturnas frequentados por gente famosa e por simples mortais. Era nessa rua que o jogador de basquete mais famoso do mundo, Michael Jordan, podia ser visto quando ainda jogava no Chicago Bulls. A área também ganhou o apelido de Viagra Triangle porque é muito frequentada por velhos ricos e por garotas bonitas. Mas é uma brincadeira à maneira dos chicagoans, os moradores da cidade, que gostam de contar histórias aos turistas. 

Estações célebres 

Com tantas atrações em Nova York, o Grand Central Terminal é quase esquecido pelos visitantes. Os nova-iorquinos, na correria do dia a dia, nem lembram que a estação é um dos prédios mais belos da cidade. Inaugurada em 1913, O Grand Central Terminal é ainda um dos principais exemplos da arquitetura neoclássica do estilo Beaux Arts nos EUA.

Chicago, por muito tempo, viveu os horrores de ser uma cidade violenta. De 1920 a 1933, os EUA viviam a Lei Seca, a qual proibia a venda, fabricação e transporte de bebidas alcoólicas. Nessa época, a cidade era a casa do grupo de Al Capone e de outras gangues que comercializavam bebidas ilegalmente e infernizavam as autoridades e a população com crimes violentos.

Em 1987, Hollywood colocou Chicago em evidência com o filme Os Intocáveis, que conta justamente a história de Al Capone, encarcerado pelo maior herói local, Eliot Ness, chefe de polícia.

Uma das cenas mais famosas do filme, a do carrinho de bebê que desce as escadarias descontrolado, foi rodada na Union Station. O prédio é de 1925 e vale a pena entrar no saguão principal para observar o detalhe do teto de vidro, os arcos e as esculturas que adornam a principal estação de trem de Chicago. 

Hora das comprinhas 

Todo o glamour de Nova York poderia ser resumido na 5ª Avenida. Mas isso não seria justo para um bairro tão cheio de atrações glamourosas como Manhattan.

Contudo, a 5ª Avenida não é apenas para se fazer compras. Ela também deve ser admirada. As lojas têm vitrines incríveis, como a da Saks Fifth Avenue ou da Lord & Taylor. Outras inovam o conceito de vitrine, como a Hollyster, que mostra o mar da Califórnia ao vivo num telão eletrônico, e a Apple, com seu design futurista em vidro.

Não tão frequentada por turistas, mas muito apreciada pelos nova-iorquinos que gostam de discrição e sofisticação, a Avenida Madison tem butiques exclusivas. Elas ficam concentradas entre as Ruas 58 e 79, um lugar tranquilo para passear olhando as vitrines. Lojas transadas de grifes como Chanel, Prada, Jimmy Choo e Valentino são alguns exemplos do que pode ser encontrado nesta parte da cidade.

Em Chicago, a área conhecida como Milha Magnífica (Magnificent Mile) é sempre movimentada, a qualquer hora. Fica na Avenida Michigan, na parte norte do Rio Chicago, a que tem uma milha de extensão, ou seja, um 1,6 km. É aqui onde os brasileiros fazem a festa em matéria de compra.

Ao longo da avenida, dezenas de lojas, como Gap, Ann Taylor, Banana Republic, Macy’s e Tiffany, só para citar algumas, estão dispostas entre canteiros floridos. Três shoppings centers, o Water Tower Place, o 900 Shops e o Shops at North Bridge também estão na mesma avenida. Só para se ter uma ideia de quanto você vai andar para conhecer a área e olhar as vitrines, o 900 Shops tem cerca de 70 lojas e 10 restaurantes em sete andares. No total, apenas os shoppings somam mais de 450 lojas. Pense em uma grife... lá tem. Basta ter dinheiro para gastar e disposição para caminhar.

E bem perto da torre de água de Chicago, o único monumento restante depois do incêndio de 1871, que devastou boa parte do centro da cidade, a Oak Street é o máximo para os shopaholics. Numa travessa da Milha Magnífica, duas quadras repletas de butiques exclusivas e lojas como Prada, Armani, Hermès e Versace dão um tom de sofisticação a esta parte de Chicago. É de encher os olhos até de quem não gosta tanto de fazer compras. Vale a pena espiar. 

Qual das duas?

A resposta é simples: ambas. Quem nunca foi a Nova York deve começar por esta metrópole – uma espécie de “capital do mundo”, já que a sede da ONU fica lá. Quem já foi pelo menos duas vezes (pois uma não basta) pode fazer planos para conhecer Chicago, que conta até com voos diretos do Brasil.

Nova York pode ser visitada o ano inteiro, inclusive no inverno, na época do Natal ou do ano novo, quando a cidade fica lindamente enfeitada. Para quem gosta de compras (99% dos brasileiros), os dias após o Natal são ótimos por causa das grandes liquidações.

No inverno, a cidade enche de gente e faz bastante frio, mas que dá para aguentar bem com roupas adequadas. No verão, o calor pode ser bem forte e Nova York fica cheia como nunca. Já na primavera e no outono, a Big Apple tem menos turistas (mas, assim mesmo, há muitos) e o clima é mais ameno.

Chicago, até pela sua posição no mapa dos EUA, é bem mais fria que Nova York. Passar o inverno por lá é para quem tem muita intimidade com baixíssimas temperaturas e não teme nevascas que podem fechar o aeroporto local por dias. Assim, a melhor época para visitá-la é entre o final da primavera (maio e junho) e o verão (julho, agosto e setem­bro). Apesar de bastante movimentada, é bem menos cheia que Nova York e certamente vai agradar quem gosta de viajar pelos Estados Unidos.

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