Conheça paisagens inusitadas dos Estados Unidos por suas belas estradas

Pôr do sol na paisagem típica do Deserto de Sonora, no trecho entre San Diego, Califórnia, e Phoenix, Arizona (Foto: Editora Europa / Viaje Mais)
- Conheça paisagens inusitadas dos Estados Unidos por suas belas estradas
- San Diego, ponto de partida
- Aproveite San Diego
- Em direção a Phoenix
- Até Gallup pela Rota 66
- Parada em Gallup
- De Taos a Ojo Caliente
- De Santa Fé a Amarillo
- Oklahoma City a Memphis
- Na casa do rei do rock
- De Memphis a Nashville
- De Nashville a Atlanta
- De Atlanta a Orlando
Não há lugar em que as músicas Souspicious Mind, A Little Less Conversation, de Elvis Presley, e Get Back, dos Beatles, combinem mais do que em uma viagem on the road pelo sul dos Estados Unidos. Desde San Diego, Califórnia, no oeste, indo em direção a Orlando, Flórida, no leste, ritmos tradicionais norte-americanos, como o rock’n’roll, o blues e o country, permeiam todo o trajeto.
O caminho passa pelo berço desses ritmos que estouraram em terras ianques. A música serve como trilha sonora para embalar a passagem por cenários de filmes de cowboy e de tribos indígenas (apache, navajo, comanche e cherokee), e por cadeias montanhosas, florestas, desertos e a mítica e histórica Rota 66.
No percurso, estão a casa de Elvis Presley, bares com músicos que tocam blues, cafés onde se lançaram songwriters e um estúdio no qual gravaram Elvis, Jerry Lee Lewis, Johnny Cash, U2 e outros nomes de sucesso. Nas cidadezinhas do roteiro é fácil fazer um mergulho nas mais importantes expressões da cultura norte-americana – o que não é tão simples nas cosmopolitas cidades dos Estados Unidos, destino de grande parte dos turistas estrangeiros. Fora a costa, que é mais procurada, nas regiões do centro-sul dificilmente se escuta o português, e a maioria dos visitantes por lá são também ianques de outras partes do país.
O trajeto tem a mesma facilidade de acesso e infraestrutura que se costuma esperar de qualquer viagem pelos EUA e, por isso, dá para ser feito com a família inteira. São 5 mil km de estrada que podem ser percorridos em 12 dias.
San Diego, ponto de partida
O melhor lugar para iniciar este cross-country é San Diego, Califórnia. A cidade é uma tranquilidade, cheia de atrações e funcional, bem diferente de Los Angeles, a 200 km dali. O aeroporto de San Diego é menor, bem organizado e as distâncias que são percorridas pelos saguões com as malas são curtíssimas. Se for o caso, alugue o carro no próprio aeroporto. Assim você garantirá um começo tranquilo nos primeiros quilômetros de adaptação no trânsito local. Passe o primeiro dia na cidade para entrar no clima da viagem e ir se acostumando com o automóvel.
Aproveite San Diego
San Diego tem tanto atrativo que mereceria uma viagem só para explorá-la. Os sandiegans, como dizem os californianos, prezam muito a saúde, a alimentação, o contato com a natureza e são politicamente corretos. A cidade dorme cedo. Por isso, fique atento ao horário do comércio, que fecha às 21h em muitos locais.
Como nesta viagem o tempo é curto, vale se programar para conhecer os principais pontos turísticos por lá. Costeira, a cidade tem 117 km de praias e quase uma centena de museus. Chove em média apenas 43 dias por ano e, no verão, o dia está quase sempre ensolarado. Assim, os mais procurados lugares da cidade são os espaços abertos: as praias; o centro histórico Gaslamp Quarter, cheio de bares e restaurantes; o parque temático Sea World, com aquários e shows com baleias como no irmão famoso, em Orlando; e o Balboa Park, a principal atração. Trata-se de um complexo com jardins, teatros, museus e zoológico, um dos mais famosos do mundo. É moderníssimo, com teleféricos, passeios em ônibus abertos e rampas rolantes que levam os visitantes o mais próximo possível dos bichos.
No fim da tarde, vale assistir ao pôr do sol na charmosa Praia La Jolla e jantar no japonês Roppongi a duas quadras da areia que, concorrido, é preciso garantir lugar fazendo uma reserva. Em La Jolla, também há os ótimos Rimel’s e La Taverna.
Contudo, se a ideia é explorar coisas bem diferentes, vá ao Pho T Cali, que serve comida vietnamita, e não se impressione com a fachada esquisita. A 15 minutos de La Jolla, é conhecido apenas por quem é da região e oferece opções saudáveis de pratos de carne, vegetais, arroz ou macarrão.
Para fechar o dia, experimente uma deliciosa fatia de bolo no Extraordinary Desserts, que está situado próximo ao Balboa Park e fica aberto até às 23h.
Ainda perto do Balboa Park, há o Antique Row Cafe, ótimo restaurante para qualquer refeição, onde dá para ter também um bom café da manhã reforçado, no estilo americano, com ovos mexidos, panquecas e apple cake. Fica no bairro de North Park, área típica da virada do século passado, com construções baixas de madeira no estilo Arts and Crafts, precursor da escola Bauhaus.
Quanto às compras, o mais indicado é deixá-las para o final da viagem. Porém, se for difícil se conter, o melhor é o Fashion Valley Center, perto do encontro das rodovias I-8 e CA-163. San Diego tem ainda dois outlets bem grandes para a região: o Carlsbad Premium Outlet, com 90 lojas, e o gigante Las Americas, 20 minutos ao sul, com 125 lojas. Outra opção é o Viejas Outlet, com cerca de 50 lojas (especialmente vestuário), cassino e boliche. A vantagem é estar poucos minutos depois da saída de San Diego em direção a Phoenix, próximo destino, pela via I-8.
Em direção a Phoenix
No trajeto, muitos dos nomes dos estabelecimentos e das estradas vicinais são em espanhol, visto que a divisa com o México passa a poucos quilômetros dali. Outros nomes são indígenas, já que depois da área de serras perto de San Diego atravessa-se o Deserto do Colorado (que não tem nada a ver com o Estado do Colorado), reserva de tribos. Já nas primeiras duas horas de viagem, a variedade de ambientes é imensa, passando ainda por um trecho de plantações e pelo Deserto de Mojave, famoso pelo filme do diretor alemão Win Wenders, Paris, Texas.
É a partir daí que começa o mergulho nas paisagens de filmes de cowboy. Muitos foram gravados por lá por causa do clima estável e das paisagens belíssimas. É em meio a essa paisagem que surge Phoenix, no Arizona. A região é mencionada na música Get Back, dos Beatles, mas mesmo assim a cidade não é muito conhecida pela maioria dos turistas. No entanto, para este roteiro, serve muito bem como uma porta de entrada para o deserto.
Outra opção é visitar o Heard Museum, com mais de 40 mil obras de arte indígena, inclusive de artistas contemporâneos. Além da exposição, o museu mostra a cultura das tribos da região por meio de demonstrações e apresentações ao vivo. Se preferir um programa com crianças, pode ir ao Phoenix Children’s Museum, com diversas exposições interativas que a garotada adora.
Quem prefere atividades mais tranquilas, sem muito esforço para admirar a paisagem, pode fazer um passeio clássico pela cidade, também bem cedinho: o voo de balão pelo deserto oferecido pela empresa Hot Air Expeditions, com café da manhã incluso no pacote, ao final do passeio.
Até Gallup pela Rota 66
De Phoenix, a sugestão é ir direto para Holbrook pela highway AZ-87, seguindo depois pela AZ-260 e pela AZ-377, sem passar pela cidade de Flagstaff. A partir de Holbrook, o caminho é pela I-40, a antiga Rota 66, agora chamada de Historic Route 66. Eternizada em música cantada por artistas como Chuck Berry e a banda Rolling Stones, foi uma das primeiras highways a cortar os EUA, ligando Chicago a Los Angeles, a partir de 1926.
Chegou a ser uma das estradas mais famosas do país e abrigou o primeiro McDonald’s e o primeiro motel do mundo – que nos Estados Unidos nada mais é do que um pequeno hotel econômico à beira da estrada, sem a conotação que ganhou no Brasil.
Oficialmente, a rodovia não existe mais desde 1985, pois a partir de 1956, com Dwight D. Eisenhower na presidência, o governo federal dos EUA decidiu investir na construção de interstates por todo o país, pois elas realizariam de forma mais eficiente a ligação entre as cidades que estavam se desenvolvendo.
A antiga Rota 66 foi responsável por formar inúmeros centros povoados, já que era ao longo dela que se instalavam os estabelecimentos comerciais. Conforme as cidades iam crescendo, o fluxo da estrada passava a congestionar as cidades que ela inicialmente ajudara a estabelecer. Assim, foi projetada essa nova rede para substituí-la, com rodoanéis próximos aos maiores centros urbanos.
Pouco depois de Holbrook, vale parar na loja de artigos típicos Painted Desert Indian Center. Vá não somente para tirar uma clássica foto ao lado do enorme e malvado tiranossauro rex verde que guarda a entrada, mas também para descobrir milhares de lembrancinhas. Algumas são curiosas, como o chaveiro de aranha em âmbar, tapetes indígenas fake, colares e cartões-postais com o mais famoso índio da região, Gerônimo. É válido pela experiência de pisar no chão de terra batida, curtir o visual e o silêncio no enorme vazio da região.
Parada em Gallup
Tente chegar a Gallup, Novo México, em um bom horário para jantar e descansar bem porque o trecho seguinte é puxado, pelo tempo de estrada e pelos passeios a pé. Gallup é um ponto central onde os turistas se organizam para visitar parques nacionais, fazer trekking e acampar. Para o roteiro on the road, a sugestão é ter reservas no El Rancho Hotel, onde ficaram várias estrelas de Hollywood, como os atores John Wayne, Kirk Douglas e Gregory Peck quando estavam filmando na região. Também dormiram lá muitas figuras políticas, entre elas os presidentes norte-americanos Ronald Reagan e Eisenhower.
O hotel é espaçoso e as paredes do lobby são forradas de fotos e objetos remetendo às personalidades que passaram por lá. Lembra uma grande cabana de filme western, mas com loja e restaurante, e fica dentro da cidade. Então, se houver fôlego, dá para passear no centrinho e ver as lojas.
De Gallup, o plano de viagem indica passar direto por Santa Fé para chegar ao pueblo de Taos em tempo para a visita à vila (aberta até às 16h), promovida a Patrimônio Mundial da Unesco, em 1992. São vários os pueblos na região, mas o de Taos, onde se fala a língua tiwa, é o mais conhecido.
Os colonizadores espanhóis deram o nome de pueblo aos conjuntos de construções de adobe (tijolos feitos com terra, água, palha e, às vezes, fibras naturais) que os nativos passaram a fazer quando deixaram de ser nômades.
De Taos a Ojo Caliente
Os habitantes do pueblo são 150 e, governados por um líder escolhido por um conselho tribal, têm uma cultura bastante própria. Algumas festas anuais da tribo são abertas ao público. Contudo, de um modo geral, existe um controle da exposição dos habitantes e da cultura ao homem “branco”. Para fotografar e até mesmo desenhar as pessoas, a vila e os objetos, é preciso fazer um pedido formal e com antecedência.
O formato do conjunto atual existe há cerca de 500 a mil anos – os estudos não são precisos –, e a única manutenção que cada casa recebeu foi feita pelas próprias famílias. Antes da chegada dos espanhóis, que em 1540 apresentaram como novidade a porta, a entrada das casas era por um espaço aberto na cobertura, por meio de escadas de madeira, que ainda podem ser vistas em algumas unidades. A composição das habitações, umas sobre as outras, forma um desenho que reflete o formato da montanha mais próxima.
Algumas portas ficam abertas e não há problema em pedir para entrar e visitar o interior das casas. Geralmente, quem mora lá vive do artesanato e, por isso, é uma boa oportunidade para conversar com os nativos e observá-los nos trabalhos manuais, especialmente os feitos com couro, como os tambores para uso em cerimônias.
No caminho, pare próximo à ponte sobre o Rio Grande para uma vista incrível do cânion. É apenas para lembrar que o Grand Canyon está próximo, a cerca de 10 horas de carro para o leste. É difícil incluí-lo neste roteiro, mas fica esse “pequeno” exemplo, como convite para um retorno ao país para ver outras paisagens.
O resort Ojo Caliente oferece piscinas de água mineral naturalmente aquecidas e iluminadas até às 22h. É o lugar perfeito para se recuperar de um dia puxado. Se preferir, pode comprar um vale para usar apenas as piscinas e ficar em algum hotel em Santa Fé, a uma hora de lá.
De Santa Fé a Amarillo
É uma boa também relaxar no resort pela manhã e planejar almoçar em Santa Fé. A área ao redor da Santa Fé Plaza tem várias opções, entre elas o The Shed, instalado num pátio de uma hacienda de 1692. Existe desde 1953 e tem opções de saladas, hambúrgueres e comida mexicana. O The Plaza Cafe, no meio da praça, tem estilo bem norte-americano, com opções semelhantes em um ambiente mais descontraído.
Com uma arquitetura típica, Santa Fé é conhecida por atrair artistas e ser um centro de medicina natural e terapias alternativas. A arquitetura que dá identidade à cidade é chamada de Pueblo Revival. Feita da mesma maneira que a maioria das casas norte-americanas modernas, recebe apenas uma argamassa de acabamento, que dá a aparência do adobe, chegando até a lembrar um parque temático.
Para quem gosta de arte, é imperdível uma visita ao Museu Georgia O’Keeffe, em Santa Fé, dedicado a uma das mais importantes artistas do Modernismo dos EUA. É também divertido passear pelos vários ateliês abertos a visitas, além de galerias e lojas.
Rumo a Amarillo, Texas, uma dica é fazer um desvio de 20 minutos, saindo da I-40, para atravessar a tranquila cidade de Tucumcari pela avenida central – trecho original da Rota 66 – e passar no Blue Swallow Motel.
Lá, você pode esticar as pernas depois de três horas de viagem. Bem preservado, vale reparar na disposição dos quartos com garagens cobertas e o grande pátio de manobras como se construía no final dos anos de 1930.
Um pouco antes de Amarillo fica o Cadillac Ranch, fazenda que exibe dez Cadillacs enterrados pela metade, obra de 1974 dos artistas do grupo The Ant Farm, de São Francisco. São modelos de 1949 a 1963 que hoje estão totalmente grafitados. É uma das paradas obrigatórias em qualquer roteiro pela Rota 66. O acesso é pela saída 60 para a Arnot Rd., um pouco antes de Amarillo, que é só uma parada na metade do caminho entre Santa Fé e Oklahoma City. Vale apenas para jantar e descansar para o dia seguinte.
Oklahoma City a Memphis
Em Oklahoma City, pode-se visitar o National Cowboy & Western Heritage Museum, que trata da cultura country, ou ainda o Oklahoma City National Memorial & Museum, construído no lugar do edifício do Governo Federal atacado por terroristas, em abril de 1995. Porém, guarde energia para a grande esticada até Memphis, onde há várias coisas divertidas para fazer. Procure um hotel para descansar na área chamada Bricktown, próxima à estrada I-40, onde há várias opções para pernoitar, além de restaurantes.
Já em Memphis, Tennessee, cerca de 750 km depois, começa a ficar claro nesta altura da viagem como as pessoas dos Estados do centro-sul dos EUA são simpáticas e calorosas. A maioria dos turistas por lá é também norte-americana e, assim, o interessante na cidade é passear pelos bares com música ao vivo e observar o público, o jeito como escutam e dançam blues, a forma como interagem com os artistas, a maneira como se vestem e o sotaque. À noite, a balada se fixa na Beale Street, sequência de bares com música ao vivo, restaurantes e lojas. Ali se pratica um dos “esportes” favoritos do local:o barhopping, que se resume a vagar de bar em bar para conhecê-los (e beber, é claro).
Para o dia, um programa incomum: da área central, pode-se ir caminhando, por cerca de 20 minutos, até o Hotel Lorraine, aquele onde foi assassinado, em 1968, o pastor protestante e líder negro Martin Luther King Jr. O lugar foi transformado no National Civil Rights Museum, que tem como ponto de partida a história do assassinato do religioso e ativista político, mas também trata da luta pelos direitos dos negros, de nativos, de outros povos e das grandes culturas de imigrantes.
A visita começa com um filme que se passa nas redondezas do hotel e, por isso, a sugestão da caminhada ao museu para ir identificando os locais. Outra razão é que os minutos que separam o eterno burburinho de festa da Beale Street e o trajeto a pé observando as ruas, os prédios e o cotidiano dessa área, bem mais pobre que o centro, afastam o visitante um pouco do espetáculo turístico e o coloca em contato maior com o lugar, chegando ao museu pronto para a experiência proposta.
De volta à área central, para quem toca guitarra, é emocionante uma visita à fábrica da Gibson, a uma quadra da Beale Street, que ainda faz artesanalmente grande parte dos instrumentos. A visita dura 45 minutos, e é bom comprar os ingressos no local com antecedência porque são concorridos.
Chegue um pouco antes para visitar a enorme sala de exposição dos instrumentos logo no hall de entrada onde, basta pedir, e os funcionários emprestam um cabo de amplificador para você tocá-los, caso saiba. Lá, garotos e garotas de cerca de 15 anos dão espetáculos instrumentais.
Na casa do rei do rock
Contudo, o principal mesmo em Memphis é a visita a Graceland, a lendária casa de Elvis Presley. O rei do rock viveu na mansão desde os 22 anos, em 1957, até a morte, em 1977. Lá também moraram os pais dele (Vernon e Gladys), a mulher (Priscilla) e a filha (Lisa Marie).
O interior é completamente preservado, com todos os móveis. São várias as áreas temáticas, como as dedicadas aos figurinos e acessórios, à música, ao trabalho no cinema e aos automóveis e aviões do ídolo americano.
Dá para admirá-lo ainda mais percebendo que, de um lugar tão distante, conseguiu fazer uma trajetória de sucesso para o mundo. No complexo, há restaurantes à moda antiga, ideais para se recuperar momentaneamente da emoção, como a sorveteria Shake, Split & Dip, com cenário de romances de filmes antigos.
Durante um passeio pela Beale Street, vale conferir se a loja A. Schwab ainda está funcionando, pois em 2011 ela foi colocada à venda pelos herdeiros. No imenso armarinho, aberto desde 1876, dá para se divertir com a curiosa seleção de produtos. Você pode olhar os 44 tipos de suspensórios, além de chapéus, molhos de comida, sabonetes, calças, panelas, ratoeiras, kits para engraxar sapatos, ceroulas, CDs, coçadores de costas, pentes, uma parede cheia de poções mágicas de vodu...
O mezanino entre os dois andares serve como um pequeno museu de objetos curiosos que foram vendidos ao longo dos tempos. Com piso de madeira que range sob os pés e grandes senhoras cuidando dos caixas, a loja, quase como uma máquina do tempo, é um ícone de Memphis com uma seleção de produtos divertidíssima.
Ainda na Beale Street, há uma boas opções de restaurantes. No centro-sul dos EUA a comida é simples, mais barata do que nos grandes centros e muito boa. Então, faça de conta que o colesterol não foi descoberto e curta os pratos, baseados em carne de porco, de frango e peixes de água doce.
O Blues City Cafe, que diz ter a melhor carne da rua, é uma boa alternativa. Uma pedida é a combinação de churrasco de costela e filé de peixe (catfish) com salada de repolho, fritas e torrada. O Gus’s World Famous Fried Chicken, a duas quadras dali, é imperdível, com toalha de plástico sobre a mesa, baratíssimo, e um ótimo frango frito típico.
De Memphis a Nashville
Passado o mergulho no rock’n’ roll, o destino seguinte, Nashville, é para respirar o country. É incrível o número de opções que a cidade tem em termos de música. Para todo lugar que se olhe, há alguém tocando algum instrumento. Você pode até se deparar com espetáculos gratuitos no lobby do hotel, feitos por algum hóspede que puxe o violão e passe a tocar em meio aos sofás da entrada.
O roteiro pode começar pelo Country Music Hall of Fame and Museum que, interativo e bem divertido, narra o percurso da história do estilo musical. Dá para ouvir canções e ver clipes de vídeo de inúmeros artistas. É provável que, depois da visita, nomes como Hank Williams, Woodie Guthrie e Willian Nelson comecem a fazer parte do seu repertório musical. A fachada do prédio é outro atrativo, feita como se fosse as teclas de um piano.
Com as referências absorvidas no museu, por que não experimentar o look cowboy? A uma quadra de lá está a Broadway Street, cheia de lojas de artigos country. Entre em boas lojas e repare no trabalho em couro das botas e nos desenhos e acabamento dos chapéus Stetson. É como uma grande exposição de uma cultura de vestuário. Na rua também estão lojas que são simplesmente galpões enormes de CDs.
Outra interessante é Hatch Show Print, uma das gráficas mais velhas dos Estados Unidos. À moda antiga, tipográfica, tem milhares de tipos em exposição e vende cartazes de shows antigos de músicos como B.B. King, Dolly Parton, Patsy Cline e outros.
Mais um programa divertido é ir até o Centennial Park para relaxar numa aula gratuita de dança de salão (o parque fecha às 23h, mas as atividades, como as aulas de dança, vão até às 19h30) e ver de perto a réplica em tamanho real do templo grego Parthenon.
É que Nashville, a partir de 1850, recebeu o apelido de “Atenas do Sul” por causa do grande número de faculdades que se instalaram na cidade, a primeira do sul dos EUA a implantar o sistema público de ensino. Construído em 1897, por ocasião do centenário do Tennessee, o Parthenon hoje funciona como um museu de arte. Como fecha cedo e o tempo é curto, vale mais pela sensação da vista por fora e pelas fotos na frente do edifício, que farão os outros acharem que foram misturadas às de outra viagem.
Para o cair da noite, a dica é rumar até o Bluebird, um café musical mais afastado do centro (a 10 minutos de carro), conhecido por lançar songwriters e pelas apresentações de country music. Tem cerca de cem lugares, mas, se não quiser ficar de pé ou no balcão, é bom chegar cedo. O café lota e os shows são apreciados pelos locais com tanto silêncio e atenção quanto uma ópera.
Depois, ainda dá tempo de voltar à Broadway St., que no auge da noite está com os bares com shows de música cheios. O legal é que os bares não cobram couvert, então dá para ficar praticando o barhopping, passando de um para o outro e dando gorjeta para a banda de acordo com a preferência.
De Nashville a Atlanta
De Nashville a Atlanta, na Geórgia, são cerca de quatro horas. Atlanta não é uma típica cidade para se chegar de carro, pois como hub da companhia aérea norte-americana Delta, a cidade é mais conhecida pelos turistas pelo aeroporto, que concentra muitas conexões de voos internos.
Lá já não há o clima country do sul do país e se vê muitos arranha-céus e sedes de empresas importantes, como a Coca-Cola e a CNN – as duas oferecem tours, que são alguns dos principais atrativos da cidade. Mas outra sugestão é visitar o Georgia Aquarium, um dos maiores do mundo, com cerca de 38 milhões de litros de água, tanto doce quanto salgada.
Inaugurado em 2005, tem boa iluminação e bons espaços. O acrílico que separa as pessoas dos animais é bem transparente e praticamente desaparece. São várias as alas de exposições, que se encontram em uma grande sala central. Um dos aquários, na ala Cold Water Quest, é grande o suficiente para dar ao público a oportunidade de assistir a quatro baleias belugas fazendo piruetas. O outro, na Ocean Voyager, é um túnel de 30 metros de comprimento com peixes rodeando os visitantes.
Na cidade a quase 300 km da costa, tem-se a impressão de estar mergulhando. Fica até difícil não se impressionar com o tubarão-baleia, que chega a 12 metros de comprimento, passando sobre a sua cabeça.
Na hora de fazer um lanche, uma dica: suba com a bandeja ao andar superior e entre no salão de eventos. Lá, uma janela enorme dá vista para o espaço das baleias belugas, com direito a show particular durante a refeição.
De Atlanta a Orlando
Para chegar a Orlando, Flórida, roda-se 710 km desde Atlanta. Se o roteiro até aqui envolvia ícones da música, paisagens desérticas e a cultura tradicional norte-americana, Orlando é completamente o oposto. Turistas aos montes de quase todas as partes do mundo, a criançada correndo e gritando por todos os lados, shoppings malls e, claro, os parques que fazem da cidade um dos símbolos máximos do agito e da diversão.
Quem prefere deixar as compras para o final da viagem, tem em Orlando uma meca do consumismo e um dos maiores centros de compras do mundo, com todas as opções de eletrônicos, roupas e cosméticos. Depois do longo roteiro, é bom comprar umas coisinhas e, lógico, curtir os parques.
Dá para se divertir nas montanhas-russas do Islands of Adventure ou do Busch Gardens, experimentar pratos diferentes no Epcot, ver os shows da baleia Shamu no Sea World e os grandiosos espetáculos pirotécnicos do Magic Kingdon.
Na volta para o Brasil, certamente você terá mais cantores e músicas country, blues ou rock’n’roll adicionadas à sua playlist para a próxima viagem de carro. Mas, depois de um percurso tão especial, mais um artista poderá ser acrescentado para relembrar e encorajar um próximo trajeto: o ícone do country Willie Nelson cantando On the road again, com a famosa letra que diz: “Na estrada de novo, indo para lugares que eu nunca fui, vendo coisas que talvez não veja novamente; mal posso esperar para cair na estrada de novo”.
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