Conheça paisagens inusitadas dos Estados Unidos por suas belas estradas

Dec 31, 1969
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Pôr do sol na paisagem típica do Deserto de Sonora, no trecho entre San Diego, Califórnia, e Phoenix, Arizona (Foto: Editora Europa / Viaje Mais)

Pôr do sol na paisagem típica do Deserto de Sonora, no trecho entre San Diego, Califórnia, e Phoenix, Arizona (Foto: Editora Europa / Viaje Mais)

Não há lugar em que as músicas Sous­picious Mind, A Little Less Conver­sation, de Elvis Presley, e Get Back, dos Beatles, combinem mais do que em uma viagem on the road pelo sul dos Estados Unidos. Desde San Diego, Califórnia, no oeste, indo em direção a Orlando, Flórida, no leste, ritmos tradicionais norte-americanos, como o rock’n’roll, o blues e o country, permeiam todo o trajeto. 

O caminho passa pelo berço desses ritmos que estouraram em terras ianques. A música serve como trilha sonora para embalar a passagem por cenários de filmes de cowboy e de tribos indígenas (apa­che, navajo, comanche e cherokee), e por cadeias mon­ta­nhosas, florestas, desertos e a mítica e histórica Rota 66. 

No percurso, estão a casa de Elvis Presley, bares com músicos que tocam blues, cafés onde se lançaram songwriters e um estúdio no qual gravaram Elvis, Jerry Lee Lewis, Johnny Cash, U2 e outros nomes de sucesso. Nas cidadezinhas do roteiro é fácil fazer um mergulho nas mais importantes expressões da cultura norte-americana – o que não é tão simples nas cosmopolitas cidades dos Estados Unidos, des­tino de grande parte dos turistas estrangeiros. Fora a costa, que é mais procurada, nas regiões do centro-sul dificilmente se escuta o portu­guês, e a maioria dos visi­tan­tes por lá são também ianques de outras partes do país.

O trajeto tem a mesma facili­dade de acesso e infraestrutura que se costuma esperar de qual­quer viagem pelos EUA e, por isso, dá para ser feito com a fa­mília inteira. São 5 mil km de estrada que po­dem ser percor­ridos em 12 dias.

San Diego, ponto de partida

O melhor lugar para iniciar este cross-country é San Diego, Califórnia. A cidade é uma tran­quilidade, cheia de atrações e funcional, bem diferente de Los An­geles, a 200 km dali. O aero­porto de San Diego é menor, bem organizado e as distâncias que são percorridas pelos saguões com as ma­las são curtíssimas. Se for o caso, alu­gue o carro no próprio aero­porto. Assim você garantirá um começo tranquilo nos pri­meiros quilômetros de adaptação no trânsito local. Passe o pri­meiro dia na cidade para entrar no clima da viagem e ir se acostu­mando com o automóvel. 

Aproveite San Diego

San Diego tem tanto atrativo que mereceria uma viagem só pa­ra explorá-la. Os sandiegans, como dizem os californianos, pre­zam muito a saúde, a alimen­tação, o con­tato com a natureza e são poli­ticamente corretos. A cidade dorme cedo. Por isso, fique atento ao ho­rário do comércio, que fe­cha às 21h em muitos locais.

Como nesta viagem o tempo é curto, vale se programar para conhecer os principais pontos tu­rísticos por lá. Costeira, a cidade tem 117 km de praias e quase uma centena de museus. Chove em média apenas 43 dias por ano e, no verão, o dia está quase sem­pre ensolarado. Assim, os mais procurados lugares da cidade são os espaços abertos: as praias; o centro histó­rico Gaslamp Quar­ter, cheio de ba­res e restaurantes; o parque temático Sea World, com aquários e shows com baleias como no irmão famoso, em Or­lando; e o Balboa Park, a prin­ci­pal atração. Trata-se de um com­plexo com jardins, teatros, mu­seus e zoo­lógico, um dos mais fa­mosos do mundo. É moder­nís­simo, com teleféricos, passeios em ônibus abertos e rampas ro­lan­tes que levam os visitantes o mais próxi­mo possível dos bichos.

No fim da tarde, vale assistir ao pôr do sol na charmosa Praia La Jolla e jantar no japonês Rop­pongi a duas quadras da areia que, concorrido, é preciso garantir lugar fazendo uma reser­va. Em La Jolla, também há os ótimos Rimel’s e La Taverna.

Contudo, se a ideia é explorar coisas bem diferentes, vá ao Pho T Cali, que serve comida vietna­mita, e não se impressione com a fachada esqui­sita. A 15 minutos de La Jolla, é conhecido apenas por quem é da re­gião e oferece op­ções saudá­veis de pratos de carne, ve­getais, arroz ou macar­rão.

Para fechar o dia, experi­mente uma deliciosa fatia de bolo no Ex­traordinary Desserts, que está situado próximo ao Balboa Park e fica aberto até às 23h.

Ainda perto do Balboa Park, há o Antique Row Cafe, ótimo res­taurante para qualquer refeição, onde dá para ter tam­bém um bom café da manhã refor­çado, no estilo americano, com ovos mexidos, panquecas e apple cake. Fica no bairro de North Park, área típica da virada do século pas­sado, com construções baixas de madeira no estilo Arts and Crafts, precursor da escola Bauhaus.

Quanto às compras, o mais indicado é deixá-las para o final da viagem. Porém, se for difícil se con­ter, o melhor é o Fas­hion Valley Cen­ter, perto do encontro das rodovias I-8 e CA-163. San Diego tem ainda dois outlets bem grandes para a região: o Carlsbad Premium Outlet, com 90 lojas, e o gigante Las Americas, 20 minutos ao sul, com 125 lojas. Outra opção é o Vie­jas Ou­tlet, com cerca de 50 lojas (espe­cial­mente vestuário), cassino e bo­li­che. A van­ta­gem é estar pou­cos minutos depois da saída de San Diego em direção a Phoe­nix, pró­ximo des­tino, pela via I-8.

Em direção a Phoenix

No trajeto, muitos dos nomes dos estabelecimentos e das estra­das vicinais são em espanhol, visto que a divisa com o México passa a poucos quilômetros dali. Outros  nomes são indígenas, já que de­pois da área de serras perto de San Diego atravessa-se o Deserto do Colorado (que não tem nada a ver com o Estado do Colorado), reserva de tribos. Já nas primeiras duas horas de viagem, a variedade de ambientes é imensa, passando ainda por um trecho de planta­ções e pelo Deserto de Mojave, famoso pelo filme do diretor alemão Win Wenders, Paris, Texas.

É a partir daí que começa o mergulho nas paisagens de filmes de cowboy. Muitos foram grava­dos por lá por causa do clima estável e das paisagens belíssimas. É em meio a essa paisagem que sur­ge Phoenix, no Arizona. A re­gião é mencionada na música Get Back, dos Beatles, mas mes­mo assim a cidade não é muito co­nhe­cida pela maioria dos turistas. No entanto, para este roteiro, ser­ve muito bem como uma porta de entrada para o deserto.

Outra opção é visitar o Heard Museum, com mais de 40 mil obras de arte indígena, inclusive de artistas contemporâneos. Além da exposição, o museu mostra a cul­­tura das tribos da região por meio de demonstrações e apre­sentações ao vivo. Se preferir um pro­­­grama com crianças, pode ir ao Phoenix Children’s Museum, com diversas exposições inte­rativas que a garotada adora.

Quem prefere atividades mais tranquilas, sem muito esforço para admirar a paisagem, pode fazer um passeio clássico pela ci­da­de, também bem cedinho: o voo de balão pelo deserto oferecido pela empresa Hot Air Expeditions, com café da manhã incluso no pa­cote, ao final do passeio. 

Até Gallup pela Rota 66

De Phoenix, a sugestão é ir di­re­to para Holbrook pela high­way AZ-87, seguindo depois pela AZ-260 e pela AZ-377, sem pas­sar pe­la cidade de Flagstaff. A partir de Holbrook, o ca­minho é pela I-40, a antiga Rota 66, agora chamada de Historic Route 66. Eternizada em música cantada por artistas como Chuck Berry e a banda Rolling Stones, foi uma das primeiras highways a cortar os EUA, ligando Chicago a Los Angeles, a partir de 1926.

Chegou a ser uma das estradas mais famosas do país e abrigou o primeiro McDonald’s e o pri­meiro motel do mundo – que nos Estados Unidos nada mais é do que um pequeno hotel eco­nô­mico à beira da estrada, sem a cono­tação que ganhou no Brasil.

Oficialmente, a rodovia não existe mais desde 1985, pois a partir de 1956, com Dwight D. Eisenho­wer na presidência, o go­ver­no federal dos EUA deci­diu in­vestir na construção de inters­ta­tes por todo o país, pois elas realiza­riam de forma mais eficiente a liga­ção entre as cidades que esta­vam se desenvolvendo.

A antiga Rota 66 foi respon­sável por formar inúmeros cen­tros povoados, já que era ao longo dela que se instalavam os estabe­lecimentos comerciais. Conforme as cidades iam cres­cendo, o fluxo da estrada passava a congestionar as cidades que ela inicialmente ajudara a estabelecer. Assim, foi pro­jetada essa nova rede para su­bstituí-la, com rodoanéis pró­xi­mos aos maiores centros urban­os.

Pouco depois de Holbrook, vale parar na loja de artigos tí­pi­cos Painted Desert Indian Center. Vá  não somente para tirar uma clás­sica foto ao lado do enorme e mal­vado tira­nossauro rex verde que guar­da a entrada, mas tam­bém para descobrir milhares de lem­bran­cinhas. Algumas são curio­sas, como o chaveiro de ara­nha em âmbar, tapetes indí­ge­nas fake, co­lares e car­tões-postais com o mais famoso índio da região, Gerô­nimo. É válido pela experiência de pisar no chão de terra batida, curtir o visual e o silêncio no enor­me vazio da região. 

Parada em Gallup

Tente chegar a Gallup, Novo México, em um bom horário para jantar e descansar bem porque o tre­cho seguinte é puxado, pelo tem­po de estrada e pelos passeios a pé. Gallup é um ponto central onde os turistas se organizam para visitar parques nacionais, fazer trekking e acampar. Para o roteiro on the road, a sugestão é ter re­servas no El Rancho Hotel, onde ficaram várias estrelas de Holly­wood, como os atores John Way­ne, Kirk Douglas e Gregory Peck quando estavam filmando na re­gião. Também dormiram lá mui­tas figuras políticas, entre elas os presidentes norte-americanos Ro­nald Reagan e Eisenhower.

O hotel é espaçoso e as pare­des do lobby são forradas de fotos e objetos remetendo às perso­na­lidades que passaram por lá. Lem­bra uma grande cabana de filme western, mas com loja e restau­rante, e fica dentro da cidade. En­tão, se houver fôlego, dá para pas­sear no centrinho e ver as lojas.

De Gallup, o plano de viagem  indica passar direto por Santa Fé para chegar ao pueblo de Taos em tempo para a visita à vila (aberta até às 16h), promovida a Patri­mônio Mundial da Unesco, em 1992. São vários os pueblos na região, mas o de Taos, onde se fala a língua tiwa, é o mais conhecido.

Os colonizadores espanhóis de­ram o nome de pueblo aos con­jun­tos de construções de adobe (tijolos feitos com terra, água, palha e, às vezes, fibras naturais) que os nativos passaram a fazer quan­do deixaram de ser nôma­des. 

De Taos a Ojo Caliente

Os habitantes do pueblo são 150 e, governados por um líder escolhido por um conselho tribal, têm uma cultura bastante própria. Algumas festas anuais da tribo são abertas ao público. Contudo, de um modo geral, existe um contro­le da exposição dos habitantes e da cultura ao homem “branco”. Para fotografar e até mesmo de­senhar as pessoas, a vila e os obje­tos, é preciso fazer um pedido for­mal e com antecedência.

O formato do conjunto atual existe há cerca de 500 a mil anos – os estudos não são precisos –, e a única manutenção que cada casa recebeu foi feita pelas próprias fa­mílias. Antes da chegada dos espa­nhóis, que em 1540 apresen­taram como novi­dade a porta, a entrada das casas era por um espaço aberto na co­ber­tura, por meio de escadas de madeira, que ainda podem ser vis­tas em al­gu­mas unidades. A com­posição das habitações, umas sobre as ou­­tras, forma um de­senho que re­flete o formato da mon­tanha mais próxima.

Algumas portas ficam abertas e não há problema em pedir para entrar e visitar o interior das casas. Geralmente, quem mora lá vive do artesanato e, por isso, é uma boa oportunidade para conversar com os nativos e observá-los nos trabalhos manuais, especialmente os feitos com couro, como os tambores para uso em cerimônias.

No caminho, pare próximo à ponte sobre o Rio Grande para uma vista incrível do cânion. É apenas para lembrar que o Grand Canyon está próximo, a cerca de 10 horas de carro para o leste. É difícil incluí-lo neste roteiro, mas fica esse “pequeno” exemplo, co­mo convite para um retorno ao país para ver outras paisagens.

O resort Ojo Caliente oferece piscinas de água mineral natural­mente aquecidas e iluminadas até às 22h. É o lugar perfeito para se recuperar de um dia puxado. Se preferir, pode comprar um vale para usar apenas as piscinas e ficar em algum hotel em Santa Fé, a uma hora de lá.

De Santa Fé a Amarillo

É uma boa também relaxar no resort pela manhã e planejar al­moçar em Santa Fé. A área ao re­dor da Santa Fé Plaza tem várias opções, entre elas o The Shed, ins­talado num pátio de uma ha­cienda de 1692. Existe desde 1953 e tem op­ções de saladas, hambúrgueres e comi­da mexicana. O The Plaza Cafe, no meio da praça, tem estilo bem norte-americano, com opções se­me­lhantes em um ambiente mais des­contraído.

Com uma arquitetura típica, Santa Fé é conhecida por atrair artistas e ser um centro de medi­ci­na natural e terapias alterna­tivas. A arquitetura que dá identi­dade à cidade é chamada de Pueblo Revi­val. Feita da mesma maneira que a maioria das casas norte-ameri­canas mo­dernas, recebe apenas uma ar­gamassa de acabamento, que dá a aparência do adobe, che­gando até a lembrar um parque temático.

Para quem gosta de arte, é im­per­dível uma visita ao Museu Georgia O’Keeffe, em Santa Fé, dedicado a uma das mais impor­tantes artistas do Modernismo dos EUA. É também diver­tido passear pelos vários ateliês abertos a visitas, além de galerias e lojas.

Rumo a Amarillo, Texas, uma dica é fazer um desvio de 20 mi­nutos, saindo da I-40, para atra­vessar a tranquila cidade de Tu­cumcari pela avenida central – trecho original da Rota 66 – e  passar no Blue Swallow Motel.

Lá, você pode esticar as pernas depois de três horas de viagem. Bem preser­vado, vale reparar na disposição dos quartos com gara­gens cobertas e o grande pátio de manobras como se cons­truía no final dos anos de 1930.

Um pouco antes de Amarillo fica o Cadillac Ranch, fazenda que exibe dez Cadillacs enterrados pela metade, obra de 1974 dos artistas do grupo The Ant Farm, de São Fran­cisco. São modelos de 1949 a 1963 que hoje estão totalmente gra­fitados. É uma das paradas obrigatórias em qualquer roteiro pela Rota 66. O acesso é pela saída 60 para a Arnot Rd., um pouco antes de Amarillo, que é só uma parada na metade do caminho entre Santa Fé e Oklahoma City. Vale apenas para jantar e descansar para o dia seguinte. 

Oklahoma City a Memphis

Em Oklahoma City, pode-se visitar o National Cowboy & Wes­tern Heritage Museum, que trata da cultura country, ou ainda o Oklahoma City National Memo­rial & Museum, construído no lugar do edifício do Governo Fede­ral atacado por terroristas, em abril de 1995. Porém, guarde energia para a grande esticada até Mem­phis, onde há várias coisas diver­ti­das para fazer. Procure um hotel para descansar na área chamada Bricktown, próxima à estrada I-40, onde há várias opções para per­noitar, além de restau­rantes.

Já em Memphis, Tennessee, cer­ca de 750 km de­pois, começa a ficar claro nesta altura da viagem como as pessoas dos Estados do centro-sul dos EUA são simpáticas e ca­lorosas. A maio­ria dos turistas por lá é também nor­te-ame­ricana e, assim, o inte­res­sante na cidade é pas­sear pelos bares com música ao vivo e obser­var o público, o jeito como escu­tam e dançam blues, a forma como interagem com os artistas, a maneira como se vestem e o sotaque. À noite, a balada se fixa na Beale Street, sequência de bares com música ao vivo, restau­rantes e lojas. Ali se pratica um dos “esportes” favoritos do local:o bar­hopping, que se resume a vagar de bar em bar para co­nhecê-los (e beber, é claro).

Para o dia, um programa inco­mum: da área central, pode-se ir caminhando, por cerca de 20 mi­nutos, até o Hotel Lorraine, aque­le onde foi assassinado, em 1968, o pastor protestante e líder negro Martin Luther King Jr. O lugar foi transformado no National Civil Rights Museum, que tem como ponto de partida a história do assas­sinato do religioso e ativista político, mas também trata da luta pelos direitos dos negros, de na­tivos, de outros po­vos e das gran­des culturas de imigrantes.

A visita começa com um filme que se passa nas redondezas do hotel e, por isso, a sugestão da ca­minhada ao museu para ir identi­ficando os locais. Outra razão é que os minutos que separam o eter­no burburinho de festa da Beale Street e o trajeto a pé obser­vando as ruas, os prédios e o coti­diano dessa área, bem mais pobre que o cen­tro, afastam o visitante um pou­co do espetáculo turístico e o coloca em contato maior com o lugar, chegan­do ao museu pronto para a expe­riência proposta.

De volta à área central, para quem toca guitarra, é emocionante uma visita à fábrica da Gibson, a uma quadra da Beale Street, que ainda faz artesanalmente grande parte dos instrumentos. A visita du­ra 45 minutos, e é bom comprar os in­gres­sos no local com antece­dência porque são concorridos.

Chegue um pouco antes para visitar a enorme sala de exposição dos instrumentos logo no hall de entrada onde, basta pedir, e os funcionários emprestam um cabo de amplificador para você tocá-los, caso saiba. Lá, garotos e ga­rotas de cerca de 15 anos dão es­petáculos instrumentais.

Na casa do rei do rock

Contudo, o principal mesmo em Memphis é a visita a Grace­land, a lendária casa de Elvis Pres­ley. O rei do rock viveu na man­são desde os 22 anos, em 1957, até a morte, em 1977. Lá também moraram os pais dele (Vernon e Gladys), a mulher (Priscilla) e a filha (Lisa Marie).

O interior é completamente preservado, com todos os móveis. São várias as áreas temáticas, co­mo as dedicadas aos figurinos e acessórios, à música, ao trabalho no cinema e aos automóveis e aviões do ídolo americano.

Dá para admirá-lo ainda mais percebendo que, de um lugar tão distante, conseguiu fazer uma tra­jetória de sucesso para o mun­do. No complexo, há restau­rantes à moda antiga, ideais para se re­cuperar momentaneamente da emoção, como a sorveteria Shake, Split & Dip, com cenário de ro­mances de filmes antigos.

Durante um passeio pela Beale Street, vale conferir se a loja A. Schwab ainda está funcionando, pois em 2011 ela foi colocada à venda pelos herdeiros. No imenso arma­rinho, aberto desde 1876, dá para se divertir com a curiosa sele­ção de produtos. Você pode olhar os 44 tipos de suspensórios, além de chapéus, molhos de co­mida, sa­bo­netes, calças, pa­nelas, ratoeiras, kits para engraxar sa­patos, cerou­las, CDs, coçadores de costas, pen­tes, uma parede cheia de po­ções má­gicas de vodu...

O mezanino entre os dois an­dares serve como um pequeno mu­seu de objetos curiosos que fo­ram vendidos ao longo dos tem­pos. Com piso de madeira que ran­ge sob os pés e grandes se­nhoras cui­dando dos caixas, a loja, quase co­mo uma máquina do tempo, é um ícone de Memphis com uma se­le­ção de produtos divertidíssima.

Ainda na Beale Street, há uma boas opções de restaurantes. No centro-sul dos EUA a comida é simples, mais barata do que nos grandes centros e muito boa. En­tão, faça de conta que o colesterol não foi des­coberto e curta os pra­tos, baseados em carne de porco, de frango e pei­xes de água doce.

O Blues City Cafe, que diz ter a melhor carne da rua, é uma boa alternativa. Uma pedida é a com­binação de churrasco de costela e filé de peixe (catfish) com salada de repolho, fritas e torrada. O Gus’s World Famous Fried Chic­ken, a duas quadras dali, é imper­dível, com toalha de plástico sobre a mesa, baratíssimo, e um óti­mo frango frito típico. 

De Memphis a Nashville

Passado o mergulho no rock’n’ roll, o destino seguinte, Nashville, é para respirar o country. É incrível o número de opções que a cidade tem em termos de música. Para todo lugar que se olhe, há alguém tocando algum instrumento. Você pode até se deparar com espetá­culos gratuitos no lobby do hotel, feitos por algum hóspede que puxe o violão e passe a tocar em meio aos sofás da entrada.

O roteiro pode começar pelo Country Music Hall of Fame and Museum que, interativo e bem divertido, narra o percurso da his­tória do estilo musical. Dá para ou­vir canções e ver clipes de vídeo de inúmeros artistas. É provável que, depois da visita, nomes como Hank Williams, Woodie Guthrie e Willian Nelson comecem a fazer parte do seu repertório musical. A fachada do prédio é outro atra­tivo, feita como se fosse as te­clas de um piano.

Com  as referências absor­vidas no museu, por que não experi­mentar o look cowboy? A uma quadra de lá está a Broadway Street, cheia de lojas de artigos coun­try. Entre em boas lojas e repare no trabalho em couro das botas e nos desenhos e acaba­mento dos chapéus Stetson. É como uma grande exposição de uma cultura de vestuário. Na rua também es­tão lojas que são sim­plesmente galpões enormes de CDs.

Outra interessante é Hatch Show Print, uma das gráficas mais velhas dos Estados Unidos. À moda antiga, tipográfica, tem mi­lhares de tipos em exposição e vende cartazes de shows antigos de mú­sicos como B.B. King, Dolly Par­ton, Patsy Cline e outros.

Mais um programa divertido é ir até o Centennial Park para re­laxar numa aula gratuita de dança de salão (o parque fecha às 23h, mas as atividades, como as aulas de dança, vão até às 19h30) e ver de perto a réplica em tamanho real do templo grego Parthenon.

É que Nash­vi­lle, a partir de 1850, recebeu o apelido de “Ate­nas do Sul” por causa do gran­de nú­mero de faculdades que se ins­talaram na cidade, a primeira do sul dos EUA a implantar o sistema público de ensino. Construído em 1897, por ocasião do centenário do Tennes­see, o Parthenon hoje funciona como um museu de arte. Como fecha cedo e o tempo é curto, vale mais pela sensação da vista por fora e pelas fotos na frente do edi­fício, que farão os ou­tros acharem que foram mistu­radas às de outra viagem.

Para o cair da noite, a dica é rumar até o Bluebird, um café musical mais afastado do centro (a 10 minutos de carro), conhe­cido por lançar songwriters e pelas apresentações de country music. Tem cerca de cem lugares, mas, se não quiser ficar de pé ou no bal­­cão, é bom chegar cedo. O café lota e os shows são aprecia­dos pe­los locais com tanto silêncio e aten­ção quanto uma ópera.

Depois, ainda dá tempo de vol­tar à Broadway St., que no auge da noite está com os bares com shows de música cheios. O legal é que os bares não cobram couvert, então dá para ficar praticando o barho­pping, passando de um para o outro e dando gorjeta para a ban­da de acordo com a preferência.

De Nashville a Atlanta

De Nashville a Atlanta, na Geór­gia, são cerca de quatro horas. Atlanta não é uma típica cidade para se chegar de carro, pois como hub da companhia aérea norte-americana Delta, a cidade é mais conhecida pelos turistas pelo aero­porto, que concentra muitas cone­xões de voos internos.

Lá já não há o clima country do sul do país e se vê muitos arra­nha-céus e sedes de empresas im­por­tantes, como a Coca-Cola e a CNN – as duas oferecem tours, que são alguns dos principais atrativos da cidade. Mas outra sugestão é visitar o Georgia Aquarium, um dos maiores do mundo, com cerca de 38 milhões de litros de água, tanto doce quanto salgada.

Inau­gurado em 2005, tem boa ilu­mi­nação e bons espaços. O acrí­lico que separa as pessoas dos ani­mais é bem transparente e pra­ticamente desaparece. São vá­­rias as alas de expo­si­ções, que se encontram em uma grande sala central. Um dos aquá­rios, na ala Cold Water Quest, é gran­de o suficiente para dar ao pú­bli­co a oportunidade de assistir a quatro baleias belugas fazendo piruetas. O outro, na Ocean Voy­a­ger, é um túnel de 30 me­tros de comprimento com pei­xes rodeando os visitantes.

Na cidade a quase 300 km da costa, tem-se a impressão de es­tar mer­­gulhando. Fica até di­fícil não se impressionar com o tu­barão-baleia, que chega a 12 metros de comprimento, pas­sando sobre a sua cabeça.

Na hora de fazer um lanche, uma dica: suba com a bandeja ao andar superior e entre no salão de eventos. Lá, uma janela enor­me dá vista para o espaço das baleias belugas, com direito a show particular durante a refei­ção. 

De Atlanta a Orlando

Para chegar a Orlando, Flórida, roda-se 710 km desde Atlanta. Se o roteiro até aqui envolvia ícones da música, paisagens desérticas e a cultura tradicional norte-ame­ricana, Orlando é comple­tamente o oposto. Turistas aos montes de quase todas as partes do mundo, a criançada correndo e gritando por todos os lados, shoppings malls e, claro, os parques que fazem da ci­dade um dos símbolos máximos do agito e da diversão.

Quem prefere deixar as com­pras para o final da viagem, tem em Orlando uma meca do con­sumismo e um dos maiores centros de compras do mundo, com todas as opções de ele­trônicos, roupas e cosmé­ticos. Depois do longo ro­teiro, é bom comprar umas coi­sinhas e, lógico, curtir os parques.

Dá para se divertir nas mon­tanhas-russas do Islands of Adven­ture ou do Busch Gardens, experi­mentar pratos diferentes no Epcot, ver os shows da baleia Shamu no Sea World e os grandiosos espe­táculos pirotécnicos do Magic Kingdon. 

Na volta para o Brasil, certa­mente você terá mais cantores e mú­sicas country, blues ou rock’n’­roll adicionadas à sua playlist para a próxima viagem de carro. Mas, depois de um percurso tão especial, mais um artista poderá ser acres­centado para relembrar e encorajar um próximo trajeto: o ícone do country Willie Nelson cantando On the road again, com a famosa letra que diz: “Na estrada de novo, indo para lugares que eu nunca fui, vendo coisas que talvez não veja no­vamente; mal posso esperar pa­ra cair na estrada de novo”.

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