Relaxe nas ilhas tropicais Balinesas e conheça um pouco da sabedoria local

Dec 31, 1969
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Entre os blocos de viagem que conservo, nenhum é tão rabiscado e cheio de garranchos quanto o que se refere a Bali. Em parte pela dificuldade que tive em grafar os nomes mencionados pelo falante e indecifrável Wayan, meu inseparável guia naquela jornada. Mas, também, porque as observações que me pareciam relevantes eram rapidamente superadas por outras que me deixavam perplexo. Quem nunca esteve nessa longínqua ilha da Indonésia tende a imaginá-la por seus estereótipos. Surfistas, praias idílicas e artesãos magníficos convivendo em um cenário tropical aqui e ali pontuado de hotéis luxuosos. Sim: tem isso também, embora as praias não sejam nem de longe tão atraentes quanto as do Caribe, do Índico ou da Polinésia.

Pérolas balinesas

Tanah Lot, o mais famoso cartão-postal da ilhaOcorre que Bali é um lugar superpovoado. Os vilarejos se sucedem. O trânsito é caótico. Cães e patos dividem as estreitas rodovias com motonetas, bicicletas e furgões. Soa desagradável? Então, acorde cedo e veja os balineses — cada um deles —, depositando oferendas (folhas com arroz, carne e outras iguarias) nos pequenos altares que decoram cada uma de suas casas e nos entalhes coloridos que decoram seus muros, gatos, sapos, elefantes sempre emoldurados por panos amarelos ou quadriculados. E no chão, pelos cantos, para alegria dos cães mais gordos de toda a Ásia. São presentes para os deuses de sua fé hinduista, em busca de proteção e prosperidade.

Uma prosperidade rara nesse país imensamente pobre, que produz o mais pungente dos fenômenos. As mesmas pessoas que oferecem, desprendidas, pela manhã, imploram, no resto do dia, para que alguém compre seus produtos ou dê-lhes um punhado de rúpias. O fascínio de Bali reside, a meu ver, nesses instantâneos de dicotomia. A brutalidade da pobreza. A singeleza da fé. A naturalidade do artesanato, que não apenas é feito mesmo à mão, mas marca a herança de conhecimento de cada vilarejo.

Em um deles, você verá todos os habitantes nas calçadas talhando sóis de madeira. No outro, a especialidade será a pintura de tecidos. No terceiro, trabalhos em bambú, uma infinita produção que se espalha pelas lojas de todo o mundo. E nas pequenas distâncias entre uma vila e outra, os terraços de arroz revestem 20% do território de Bali.

Regidos pela suba, a ancestral organização comunitária que estabelece a divisão de águas, de modo que, milagrosamente, nenhuma gleba fique à míngua, os arrozais são o retrato da sabedoria dos balineses. Assim como os vistosos galos-de-briga que estão por toda a parte em gaiolas de bambu são a imagem de seus instintos primitivos. Mesmo proibidas, as rinhas com encarniçadas contendas entre aves mortíferas são o lazer preferido dos ilhéus. Não é a toa, como se vê, que esse meu bloco é um delicioso caos.

Tudo o que você precisa saber

No mapa

Você vai ter dificuldade para localizar Bali, até mesmo no mapa da Indonésia. Ela é apenas uma das 13.667 ilhas que compõem o país. Sua área é menor do que a do nosso Distrito Federal. A população, porém, supera os três milhões de habitantes.

Hinduismo particular

Única, na maior nação islâmica do planeta, Bali professa uma forma própria de hinduísmo, cujos exemplos de fé exacerbada estão por todos os cantos. Como na Índia, aliás, prevalece um sistema de castas. Noventa por cento dos balineses pertencem à mais baixa delas. São os sudras.

Botequim balinês

O botequim balinês, onde os homens se reúnem ao final do trabalho para jogar conversa fora, chama-se warung. Funciona, também, como uma espécie de venda, com artigos de primeira necessidade. Além da popular cerveja Bintang, o trago de maior saída na happy hour local é o Temulawak, um estranho refrigerante à base de raízes.

Ano curtinho

As cerimônias do Galugan — o festivo revéillon balinês —, ocorrem a cada 210 dias. A explicação é simples: um ano, na contagem local, é composto de seis meses, cada um deles com 35 dias. O calendário balinês ainda está no século 20 mas, é claro, em breve eles nos ultrapassarão.

Sem espigões

Uma norma local estabelece que nenhuma construção, em toda a ilha, pode ultrapassar a altura máxima de um coqueiro. Por essa razão, quase todos os prédios são realmente baixos. Os que fogem à norma, dizem os locais, foram erguidos antes da lei. Outros asseguram que há uma brecha chamada “jeitinho balinês”. Conhece?

Tanah Lot

Assim se chama o mais famoso cartão-postal da ilha, um templo erguido em homenagem a um deus marinho chamado Baruna. Muito bonito ao entardecer, ele fica sobre um promontório à beira-mar. Fotógrafos descuidados, porém, correm o risco de perder seu equipamento para os macacos gatunos que vivem na área.

Nomes fáceis

Será muito simples lembrar do nome de todas as pessoas nascidas na bela ilha. São apenas cinco e valem tanto para homens quanto para mulheres. Anote aí: Wayan é o primogênito. Made, o segundo filho. Nyoman, o terceiro e Ketut, o quarto. Se houver um quinto, começa tudo de novo. Wayan, Made…

 

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