Conheça algumas capitais europeias que oferecem walking tours

Londres tem muitos passeios a pé: como o passeio pelas margens do Tâmisa (Foto: Editora Europa/Viaje Mais)
Uma velha máxima, repetida por meio mundo e um pouco desgastada pelo tempo – “o melhor jeito de conhecer a cidade é a pé” –, é tratada como verdade absoluta por algumas agências de turismo e associações de moradores de algumas das maiores cidades europeias. Elas se propõem justamente a levar visitantes para conhecerem diferentes lugares sem qualquer veículo motorizado e, de preferência, acompanhados de um experiente guia local – ou no mínimo alguém que viva no país há uns bons anos.
Cada empresa ou grupo responsável por organizar os walking tours – como esses passeios são genericamente chamados – exibe uma tese diferente para defender a modalidade de turismo. Mas, por trás de explicações aparentemente divergentes, os porquês de conhecer uma cidade a pé são os mesmos. Como qualquer pessoa em férias, quem viaja para a Europa normalmente quer esquecer os aborrecimentos do dia a dia e trocar a rotina de trabalho pelo lazer. E os walking tours vão ao encontro dessa lógica. Colocam em segundo plano a preocupação em correr entre uma atração e outra e privilegiam contemplar e conhecer a fundo o lugar. E isso fica muito mais simples quando se tem um guia da cidade na caminhada – o que é praticamente constante neste tipo de tour.
Na prática é como ter um amigo que viva na cidade e possa indicar onde ficam as ruas para compras, quais bairros reservam as melhores experiências gastronômicas e qual a localização dos bares desconhecidos dos visitantes. A lógica funciona também no sentido inverso: os bairros a serem evitados, os horários de pico em pontos turísticos e os endereços perigosos.
Não é nada contra os passeios convencionais. Em todas as grandes capitais, há dois ou três pontos turísticos que não podem ser cortados do roteiro. É senso comum que a viagem para Paris não está completa até que se suba no topo da Torre Eiffel; Berlim pede uma visita ao Portão de Brandenburgo e assim por diante. Nas demais capitais europeias é a mesma história. Lisboa, Madri, Roma, Bruxelas, Viena, Praga e Moscou – todas guardam atrações que encabeçam a lista “do que fazer” de todo turista. Os walking tours não servem para acabar com as visitas aos cartões-postais de cada cidade, mas são um bom lembrete de que conhecer um destino é muito mais do que bater ponto em 30 endereços diferentes no mesmo fim de semana e encher o cartão de memória da máquina fotográfica. O Viaje.com.br selecionou algumas capitais do Velho Mundo que podem ser visitadas a pé e escolheu os melhores walking tours oferecidos em cada uma delas.
Caminhadas em Paris
Bulevares escondidos entre um quarteirão e outro, pequenos cafés esparramados à beira do Rio Sena e antiquários guardados em casarões oitocentistas mascaram o tamanho real de Paris, maior cidade da França, com um território que avança por 105 km². Em contrapartida, mais de uma dezena de empresas voltadas para walking tours trabalham por ali e guiam visitantes por todos os cantos.
Algumas exibem a capital francesa bairro a bairro, outras levam até os principais cartões-postais da cidade e arredores. Mas, com um pouco de pesquisa, surgem opções mais autênticas, como conhecer a Paris de Monet, visitar os cenários de O Código da Vinci, polêmico romance de Dan Brown, e explorar butiques e brechós.
A lógica manda começar pelos tours convencionais nos bairros mais famosos da capital. São oferecidos em grande número pela empresa Paris Walking Tours (paris-walking-tours.com), que organiza excursões a pé com cerca de três horas de duração e cobra € 95 para acompanhar grupos de até quatro pessoas – mas não há problema em acomodar um quinto amigo ou parente, caso as circunstâncias exijam.
Uma das melhores opções para quem deseja ser apresentado à cidade é a caminhada do Trocadero ao Palácio dos Inválidos, que cobre um trecho extenso da cidade e rende vistas diversas e inesperadas da Torre Eiffel, entre outros cartões-postais parisienses. O maior ícone de Paris pode ser contemplado do alto, a partir do Palais de Chaillot; de frente, durante um passeio pelo parque que fica a seus pés; e de lado, enquanto se caminha ao longo do Rio Sena. Depois de admirar a torre de todos os ângulos possíveis, o tour segue em direção ao norte da cidade, com paradas na Eglise du Dome, igreja que guarda os restos mortais de Napoleão Bonaparte, nos vizinhos Petit e Grand Palais e no Palácio dos Inválidos. O grand finale é andar pela famosa Champs Élysées.
Como a Paris Walking Tours não oferece saídas regulares, os horários e datas dos passeios são agendados em função da demanda. Por isso, é preciso fazer reservas no site da empresa. Depois de um passeio como esse, faz sentido partir para walking tours mais autênticos, e eles existem aos montes.
Para os fashionistas e aspirantes, uma boa pedida é seguir os guias da Paris Walks (pariswalks.com), que organizam saídas mensais de duas horas voltadas para as compras. Uma delas é a caminhada do Palais Royal à Place des Victoires, área que engloba um pequeno paraíso de lojas de artigos vintage, mas é também lar de nomes de peso, como Kenzo e Jean Paul Gaultier. Minutos de caminhada separam a região do Louvre e do Musee D’Orsay, por exemplo, mas são poucos os turistas que a visitam, e os que o fazem normalmente se perderam a caminho de algum museu ou restaurante, e, parando ali por acidente. O tour custa € 20 por pessoa.
Com um boa leva de passeios que celebram o amor em Paris, quem procura romance na Cidade Luz também não se decepciona. A empresa Discover Walks (discoverwalks.com), por exemplo, tem caminhadas à beira do Sena e seus canais, que seguem calçadas debruçadas sobre o rio, restaurantes com mesas esparramadas sobre a calçada e praças onde músicos fazem serenatas.
No entanto, todas as atenções recaem sobre a Pont des Arts, uma ponte enfeitada com cadeados multicoloridos. Eles são deixados aos montes por casais, que juram amor eterno e jogam as chaves dentro do rio. O tour é gratuito, assim como os demais oferecidos pela Discover Walks. As saídas acontecem duas vezes ao dia e são concorridas. É aconselhável fazer reserva com 48 horas de antecedência.
Roma passo a passo
O centro histórico romano abriga construções que datam da monarquia ao império. A área comercial guarda lojas e prédios de escritórios e sofre com o trânsito caótico, como qualquer outra capital. Entre uma coisa e outra, fica ainda o Estado do Vaticano, residência oficial do papa. Graças a essa combinação, Roma é medieval, clássica, contemporânea, cosmopolita e cristã ao mesmo tempo.
E haja walking tours para conhecê-la. Como a maior parte das atrações turísticas se concentra no centro histórico, o mais racional é começar a caminhada por ali. Uma semana inteira poderia ser gasta para ver os monumentos e construções que ali dividem espaço, mas basta uma tarde para se ter um panorama geral da Roma antiga e criar um mapa mental da região. Pelo menos é essa a proposta da Enjoy Rome (enjoyrome.com), que leva turistas para um giro de três horas pelo centro.
O passeio começa no Coliseu, onde é difícil permanecer indiferente diante da história do anfiteatro, construído para ser palco de batalhas entre gladiadores, mas adaptado ao longo dos anos para servir também de habitação, forte, templo cristão e oficina. De lá, a caminhada continua morro acima em direção ao Fórum Romano, o principal centro comercial dos tempos do Império, e ao Monte Capitolino, um dos sete montes que compõem o relevo da cidade.
Já o caminho de volta passa pela Fontana de Trevi e pela Piazza Navona antes de chegar ao Panteão, uma das construções mais bem conservadas da época greco-romana que a cidade abriga. Adultos pagam € 30 pelo tour e pessoas com menos de 26 anos, € 25.
O Vaticano exige um dia todo para ser visitado e a Contextt (contexttravel.com) é uma das empresas que se encarrega de guiar turistas por ali – mas dezenas de outras têm representantes de plantão no centro histórico, assediando turistas a participarem de um passeio guiado. O pacote básico oferecido pela empresa conjuga os pontos turísticos mais disputados do Vaticano: os Museus Vaticanos, que abrigam extensas coleções de artes e antiguidades legadas à cidade pelos pontífices romanos; a Basílica de São Pedro, dona do título de maior igreja cristã do mundo; e a Capela Sistina, famosa por guardar afrescos de Bernini, Rafael e, principalmente, Michelangelo. O passeio se estende por quatro horas e os preços variam de acordo com a idade dos visitantes. Crianças com menos de seis anos não pagam, estudantes e pessoas entre 18 e 26 anos desembolsam € 12. O preço sem descontos, porém, é € 19.
Bater perna em Berlim
Quando se fala em Berlim, involuntariamente vem à cabeça a imagem do muro que por anos dividiu a cidade, sendo depredado por uma multidão de jovens equilibrados sobre suas paredes. Mas trechos dessa barreira, que de 1961 a 1989 serviu para separar a capital alemã entre capitalista e socialista, permanecem de pé. Eles são memória viva da história do país, mural a céu aberto para artistas de rua e pano de fundo para as fotos dos turistas que visitam a região.
Paralelamente, servem de fio condutor para uma série de walking tours oferecidos na cidade. Entre outras empresas, a Berlin City Tours (berlincitytours.com) organiza caminhadas que cortam a cidade, seguindo aquilo que restou do muro. No trajeto, um guia alemão, em inglês, tenta traduzir para os turistas como era a vida na Berlim dos tempos de Guerra Fria: a rotina dos guardas que cuidavam da segurança na fronteira, as travessias (legais e ilegais), a caça aos desertores e o padrão de vida em cada lado da cidade.Tudo isso é revelado aos poucos, durante uma caminhada que totaliza 4 horas. Preço: adultos pagam € 12, estudantes e aposentados, € 10.
Episódios da história que a Alemanha não se orgulha em ter protagonizado também podem ser vistos de perto com a Berlin Walks (berlinwalks.com), que leva até os bastidores do Terceiro Reich: o Ministério da Propaganda do governo nazista, o prédio da SS, a sede da Gestapo e o bunker onde Hitler cometeu suicídio. O tour custa € 12, mas estudantes e aposentados pagam € 10.
À noite, a história alemã fica de lado (mas só até a manhã seguinte) nos bares da cidade. E são tantos e tão diferentes entre si que vale a pena fazer mais um walking tour para conhecê-los: o barhopping, uma peregrinação de bar em bar que começa cedo, por volta das 20h30, e termina quando o corpo assim ordenar. Pela Berlin City Tours, o programa custa € 12 por pessoa e inclui bebidas alcoólicas.
Londres com tour temático
Nenhuma outra capital europeia compõe uma zona urbana tão grande quanto Londres, com seus 1.572 km². Então, como conhecer a cidade a pé? A primeira impressão é que essa não é uma ideia muito sensata, mas o terreno plano e as ruas bem sinalizadas permitem que turistas percorram grandes distâncias antes de o bom-senso dizer que é hora de parar.
Talvez por isso mesmo a cidade tenha tantas empresas especializadas em walking tours, e um número tão alto de opções de passeios que é difícil não ficar minimamente confuso na hora de escolher por onde começar. Somente a London Walks (walks.com) tem uma lista diferente de passeios para cada dia da semana. O melhor a fazer é escolher por eliminação e, como a culinária britânica não é um forte atrativo, os roteiros gastronômicos são os primeiros a cair da programação.
Por outro lado, é indispensável experimentar passeios como o Beatles Magical Mistery Tour, uma excursão pelos endereços que marcaram a passagem dos Beatles pela cidade, nos anos de 1960. O itinerário inclui os Estúdios Abbey Road, onde a banda gravou sucessos como Beacause, Something e Here Comes the Sun, e em cuja rua foi clicada a foto do grupo atravessando a faixa de pedestres, que hoje estampa pôsteres e camisetas.
A caminhada também leva até os Apple offices, onde Ringo Starr, George Harrisson, John Lennon e Paul McCartney se apresentaram em público pela última vez, reunidos no telhado do prédio. O passeio ocorre três vezes por semana, de manhã ou no começo da tarde, e não leva mais de duas horas para ser completado. Por isso, até o anoitecer, visitantes já estão preparados para o segundo round: um tour por Londres madrugada adentro – e a própria London Walks dá conta do recado.
Jack, o Estripador, o serial killer que causou comoção na cidade em fins do século 19, é o tema de um walking tour guiado por Donald Rumbelow, um sargento britânico obcecado pela história do assassino em série e autor de dois livros sobre ele: The Complete Jack the Ripper e Jack the Ripper: Scotland Yard Investigates.
Com a calma e a naturalidade de quem conta uma história de ninar, ele conduz os passos dos visitantes pela noite londrina e, um a um, mostra os cenários do bairro de Whitechapel onde Jack, o Estripador, atacava suas vítimas. O programa é oferecido todas as noites e leva três horas. Mas se seguir os passos de um serial killer não parecer um bom programa de férias, a noite londrina reserva muitos outros walking tours. Entre eles, o Deathly Hallows – The Quest, um passeio pela velha Londres atrás dos cenários do sétimo filme de Harry Potter e da fantástica mansão onde aconteceu a premier do filme. São duas horas de caminhada, realizadas às quartas-feiras. Todas custam € 8 por pessoa, mas estudantes, aposentados e pessoas com mais de 65 anos pagam € 6.
Para entender Moscou
Historicamente, um século não é nada, mas foi tempo suficiente para que Moscou passasse de capital da Rússia Czarista, a capital da União Soviética e, mais tarde, da república. Nas ruas da cidade, há vestígios de todos esses capítulos da história. Praças erguidas em homenagem aos comunistas ficam lado a lado com lojas de grife, e catedrais centenárias dividem espaço com arranha-céus. Parte desse legado pode ser conhecido a pé. Com a Country of Tourism (bestrussiantour.com), a caminhada passa por construções e monumentos que habitam o imaginário popular dos estrangeiros.
O walking tour segue o curso do Rio Mosvka para exibir dois pontos da capital: a cidade real, genericamente chamada de Kremlin, e o bairro histórico de Kitay-Gorod. O marco que divide essas duas regiões também é visitado, trata-se da Praça Vermelha e das obras construídas ao seu redor: o Portão de Voskresenkaya e a Catedral de São Basílio.
Com duração de duas horas e saídas programadas diariamente, o tour pode ser feito individualmente ou em grupo, e o preço varia de acordo com o número de participantes. Uma pessoa paga € 110; duas, € 60; três a quatro, € 40, e os preços continuam decrescendo progressivamente. Até 16 pessoas podem participar do mesmo walking tour e, nesse caso, cada um desembolsa € 13.
Mas optar por passeios com roteiro predeterminado é uma questão de escolha. Aliás, escolher tours pagos também. A Moscow Greeter (moscowgreeter.ru) procura se adaptar à programação do turista. A proposta é simples: quem quiser participar de um passeio a pé deve entrar no site do grupo e cadastrar algumas informações básicas, como duração da visita a Moscou, onde está hospedado, horário em que deseja agendar o passeio e locais que tem interesse em conhecer. Na data combinada, um moscovita simpático irá até o hotel para servir de guia por um dia sem cobrar nada por isso.
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