Conheça algumas capitais europeias que oferecem walking tours

Feb 08, 2012
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Londres tem muitos passeios a pé: como o passeio pelas margens do Tâmisa  (Foto: Editora Europa/Viaje Mais)

Londres tem muitos passeios a pé: como o passeio pelas margens do Tâmisa (Foto: Editora Europa/Viaje Mais)

Uma velha máxima, repetida por meio mundo e um pouco desgastada pelo tempo – “o melhor jeito de conhecer a cidade é a pé” –, é tratada como verdade absoluta por algumas agências de turismo e associações de moradores de algumas das maiores cidades europeias. Elas se propõem justamente a levar visitantes para conhecerem diferentes lugares sem qualquer veículo motorizado e, de preferência, acom­panhados de um experiente guia local – ou no mínimo alguém que viva no país há uns bons anos.

Cada empresa ou grupo res­ponsável por organizar os walking tours – como esses passeios são genericamente chama­dos – exibe uma tese diferente para de­fen­der a modalidade de turismo. Mas, por trás de explicações aparen­temente divergentes, os porquês de conhe­cer uma cidade a pé são os mesmos. Como qualquer pessoa em férias, quem viaja para a Europa nor­malmente quer esqu­ecer os abor­recimen­tos do dia a dia e trocar a rotina de trabalho pelo lazer. E os walking tours vão ao encontro dessa lógica. Colocam em segundo plano a preocupação em correr entre uma atração e outra e privi­legiam contemplar e conhe­cer a fundo o lugar. E isso fica muito mais simples quando se tem um guia da cidade na caminhada – o que é prati­ca­mente constante neste tipo de tour.

Na prática é como ter um amigo que viva na cidade e possa indicar onde ficam as ruas para com­pras, quais bairros reservam as melhores experiências gastro­nômicas e qual a localização dos bares desconhe­cidos dos visitan­tes. A lógica fun­cio­na também no sentido inverso: os bairros a serem evitados, os horários de pico em pontos turís­ticos e os en­dereços perigosos.

Não é nada contra os passeios convencionais. Em todas as gran­des capitais, há dois ou três pontos turís­ticos que não podem ser corta­dos do roteiro. É senso comum que a viagem para Paris não está completa até que se suba no topo da Torre Eiffel; Berlim pede uma visita ao Portão de Brandenburgo e assim por diante. Nas demais capitais eu­ro­peias é a mesma história. Lisboa, Madri, Roma, Bruxelas, Viena, Praga e Moscou – todas guar­dam atrações que encabe­çam a lista “do que fazer” de todo turista. Os walking tours não ser­vem para acabar com as visi­tas aos cartões-postais de cada cidade, mas são um bom lembrete de que conhecer um destino é mui­to mais do que bater ponto em 30 ende­reços diferentes no mesmo fim de semana e encher o cartão de me­mória da máquina foto­grá­fica. O Viaje.com.br selecionou algu­mas capitais do Velho Mundo que podem ser visitadas a pé e escolheu os me­lhores walking tours ofere­cidos em cada uma delas.

Caminhadas em Paris

Bulevares escondidos entre um quarteirão e outro, pequenos cafés esparramados à beira do Rio Sena e antiquários guardados em ca­sarões oitocentistas mascaram o tamanho real de Paris, maior cidade da França, com um território que avança por 105 km². Em contra­par­tida, mais de uma dezena de empresas voltadas para walking tours trabalham por ali e guiam visi­tantes por todos os cantos.

Algumas exibem a capital fran­cesa bairro a bairro, outras levam até os principais cartões-postais da cidade e arredores. Mas, com um pouco de pesquisa, surgem opções mais autênticas, como conhecer a Paris de Monet, visitar os cenários de O Código da Vinci, polêmico romance de Dan Brown, e explorar butiques e brechós.

A lógica manda começar pelos tours convencionais nos bairros mais famosos da capital. São oferecidos em grande número pela em­presa Paris Walking Tours (paris-walking-tours.com), que orga­niza excursões a pé com cerca de três ho­­ras de duração e cobra € 95 para acom­panhar grupos de até quatro pes­soas – mas não há problema em acomodar um quinto amigo ou pa­rente, caso as circunstâncias exijam.

Uma das melhores opções para quem deseja ser apresentado à cidade é a caminhada do Trocadero ao Palácio dos Inválidos, que cobre um trecho extenso da cidade e rende vistas diversas e inesperadas da Torre Eiffel, entre outros cartões-postais parisienses. O maior ícone de Paris pode ser contemplado do alto, a partir do Palais de Chaillot; de frente, durante um passeio pelo parque que fica a seus pés; e de lado, enquanto se caminha ao longo do Rio Sena. Depois de ad­mi­rar a torre de todos os ângulos possíveis, o tour segue em direção ao norte da cidade, com paradas na Eglise du Dome, igreja que guar­da os restos mortais de Napo­leão Bonaparte, nos vizinhos Petit e Grand Palais e no Palácio dos In­válidos. O grand finale é andar pela famosa Champs Élysées.

Como a Paris Walking Tours não oferece saídas regulares, os horários e datas dos passeios são agendados em função da demanda. Por isso, é preciso fazer reservas no site da empresa. Depois de um passeio como esse, faz sentido partir para walking tours mais autênticos, e eles existem aos montes.

Para os fashionistas e aspirantes, uma boa pedida é seguir os guias da Paris Walks (pariswalks.com),  que organizam saídas mensais de duas horas voltadas para as com­pras. Uma delas é a caminhada do Palais Royal à Place des Victoi­res, área que engloba um pequeno paraíso de lojas de artigos vintage, mas é também lar de nomes de peso, como Kenzo e Jean Paul Gaultier. Minutos de caminhada separam a região do Louvre e do Musee D’Orsay, por exemplo, mas são poucos os turistas que a visitam, e os que o fazem normalmente se perderam a caminho de algum museu ou restaurante, e, parando ali por acidente. O tour custa € 20 por pessoa.

Com um boa leva de passeios que celebram o amor em Paris, quem procura romance na Cidade Luz também não se decepciona. A empresa Dis­cover Walks (dis­cover­walks.com), por exemplo, tem caminhadas à beira do Sena e seus canais, que seguem calçadas debruçadas sobre o rio, restau­rantes com mesas espar­ramadas sobre a calçada e pra­ças onde músicos fazem se­renatas.

No entanto, todas as atenções recaem sobre a Pont des Arts, uma ponte enfeitada com cadeados mul­tico­loridos. Eles são deixados aos montes por casais, que juram amor eterno e jogam as chaves dentro do rio. O tour é gratuito, assim como os demais oferecidos pela Discover Walks. As saídas acontecem duas vezes ao dia e são concorridas. É aconselhável fazer reserva com 48 horas de ante­cedência. 

Roma passo a passo

O centro histórico romano abriga construções que datam da monarquia ao império. A área comercial guarda lojas e prédios de escritórios e sofre com o trânsito caótico, como qualquer outra capital. Entre uma coisa e outra, fica ainda o Estado do Vaticano, residência oficial do papa. Graças a essa combinação, Roma é medie­val, clássica, contemporânea, cos­mo­polita e cristã ao mesmo tempo.

E haja walking tours para conhecê-la. Como a maior parte das atrações turísticas se concentra no centro histórico, o mais racional é começar a caminhada por ali. Uma semana inteira poderia ser gasta para ver os monumentos e construções que ali dividem espaço, mas basta uma tarde para se ter um panorama geral da Roma antiga e criar um mapa mental da região. Pelo menos é essa a proposta da Enjoy Rome (enjoyrome.com), que leva turistas para um giro de três horas pelo centro.

O passeio começa no Coliseu, onde é difícil permanecer indife­rente diante da história do anfitea­tro, construído para ser palco de batalhas entre gladiadores, mas adaptado ao longo dos anos para servir também de habitação, forte, templo cristão e oficina. De lá, a caminhada continua morro acima em direção ao Fórum Romano, o principal centro comercial dos tempos do Império, e ao Monte Capitolino, um dos sete montes que compõem o relevo da cidade.

Já o caminho de volta passa pela Fontana de Trevi e pela Piazza Navona antes de chegar ao Pan­teão, uma das construções mais bem conservadas da época greco-ro­mana que a cidade abriga. Adul­tos pagam € 30 pelo tour e pessoas com menos de 26 anos, € 25.

O Vaticano exige um dia todo para ser visitado e a Contextt (contexttravel.com) é uma das empresas que se encarrega de guiar turistas por ali – mas dezenas de outras têm representantes de plantão no centro histórico, asse­diando turistas a participarem de um passeio guiado. O pacote básico oferecido pela empresa conjuga os pontos turísticos mais disputados do Vaticano: os Museus Vaticanos, que abrigam extensas coleções de artes e antiguidades legadas à cidade pelos pontífices romanos; a Basílica de São Pedro, dona do título de maior igreja cristã do mundo; e a Capela Sistina, famosa por guardar afrescos de Bernini, Rafael e, principalmente, Miche­langelo. O passeio se estende por quatro horas e os preços variam de acordo com a idade dos visitantes. Crianças com menos de seis anos não pagam, estudantes e pessoas entre 18 e 26 anos desembolsam € 12. O preço sem descontos, porém, é € 19. 

Bater perna em Berlim

Quando se fala em Berlim, invo­luntariamente vem à cabeça a ima­gem do muro que por anos dividiu a cidade, sendo depredado por uma multidão de jovens equilibrados sobre suas paredes. Mas trechos dessa barreira, que de 1961 a 1989 serviu para separar a capital alemã entre capitalista e socialista, per­manecem de pé. Eles são memória viva da história do país, mural a céu aberto para ar­tis­tas de rua e pano de fundo para as fotos dos turistas que visitam a região.

Paralelamente, servem de fio condutor para uma série de walking tours oferecidos na cidade. Entre outras empresas, a Berlin City Tours (berlincitytours.com) organiza caminhadas que cortam a cidade, seguindo aquilo que restou do muro. No trajeto, um guia alemão, em inglês, tenta traduzir para os turistas como era a vida na Berlim dos tempos de Guerra Fria: a rotina dos guardas que cuidavam da se­gurança na fronteira, as travessias (legais e ilegais), a caça aos deser­tores e o padrão de vida em cada lado da cidade.Tudo isso é revelado aos poucos, durante uma ca­mi­nhada que totaliza 4 horas. Preço: adultos pagam € 12, estu­dantes e aposentados, € 10.

Episódios da história que a Ale­manha não se orgulha em ter pro­tagonizado também podem ser vistos de perto com a Berlin Walks (berlinwalks.com), que leva até os bastidores do Terceiro Reich: o Ministério da Pro­paganda do go­verno nazista, o prédio da SS, a sede da Gestapo e o bunker onde Hitler cometeu suicídio. O tour custa € 12, mas estudantes e apo­sentados pagam € 10.

 À noite, a história alemã fica de lado (mas só até a manhã se­guinte) nos bares da cidade. E são tantos e tão diferentes entre si que vale a pena fazer mais um walking tour para conhecê-los: o barhop­ping, uma peregrinação de bar em bar que começa cedo, por volta das 20h30, e termina quando o corpo assim ordenar. Pela Berlin City Tours, o programa custa € 12 por pessoa e inclui bebidas alcoólicas. 

Londres com tour temático

Nenhuma outra capital euro­peia compõe uma zona urbana tão grande quanto Londres, com seus 1.572 km². Então, como conhecer a cidade a pé? A primeira impressão é que essa não é uma ideia muito sensata, mas o terreno plano e as ruas bem sinalizadas permitem que turistas percorram grandes distân­cias antes de o bom-senso dizer que é hora de parar.

Talvez por isso mesmo a cidade tenha tantas empresas especiali­zadas em walking tours, e um nú­mero tão alto de opções de pas­seios que é difícil não ficar minima­mente confuso na hora de escolher por onde começar. Somente a London Walks (walks.com) tem uma lista diferente de passeios para cada dia da semana. O melhor a fazer é escolher por eliminação e, como a culinária britânica não é um forte atrativo, os roteiros gas­tronômicos são os primeiros a cair da programação.

Por outro lado, é indispensável experimentar passeios como o Beatles Magical Mistery Tour, uma excursão pelos endereços que mar­caram a passagem dos Beatles pela cidade, nos anos de 1960. O itinerá­rio inclui os Estúdios Abbey Road, onde a banda gravou suces­sos como Beacause, Something e Here Comes the Sun, e em cuja rua foi clicada a foto do grupo atraves­sando a faixa de pedestres, que hoje estampa pôsteres e camisetas.

A caminhada também leva até os Apple offices, onde Ringo Starr, George Harrisson, John Lennon e Paul McCartney se apresentaram em público pela última vez, reu­nidos no telhado do prédio. O passeio ocorre  três vezes por sema­na, de manhã ou no começo da tarde, e não leva mais de duas horas para ser completado. Por isso, até o anoitecer, visitantes já estão pre­pa­rados para o segundo round: um tour por Londres madrugada adentro – e a própria London Walks dá conta do recado.

Jack, o Estripador, o serial killer que causou comoção na cidade em fins do século 19, é o tema de um walking tour guiado por Donald Rumbelow, um sargento britânico obcecado pela história do assassino em série e autor de dois livros sobre ele: The Complete Jack the Ripper e Jack the Ripper: Scotland Yard Investigates.

Com a calma e a naturalidade de quem conta uma história de ninar, ele conduz os passos dos visitantes pela noite londrina e, um a um, mostra os cenários do bairro de Whitechapel onde Jack, o Estri­pador, atacava suas vítimas. O programa é oferecido todas as noites e leva três horas. Mas se seguir os passos de um serial killer não parecer um bom programa de férias, a noite londrina reserva muitos outros walking tours. Entre eles, o Deathly Hallows – The Quest, um passeio pela velha Londres atrás dos cenários do sétimo filme de Harry Potter e da fantástica mansão onde aconteceu a premier do filme. São duas horas de caminhada, realizadas às quar­tas-feiras. Todas custam € 8 por pessoa, mas estudantes, aposen­tados e pessoas com mais de 65 anos pagam € 6. 

Para entender Moscou

Historicamente, um século não é nada, mas foi tempo suficiente para que Moscou passasse de capital da Rússia Czarista, a capital da União Soviética e, mais tarde, da república. Nas ruas da cidade, há vestígios de todos esses capítulos da história. Praças erguidas em homenagem aos comunistas ficam lado a lado com lojas de grife, e catedrais centenárias dividem espaço com arranha-céus. Parte desse legado pode ser co­nhe­­cido a pé. Com a Country of Tou­­rism (bestrussiantour.com), a caminhada passa por construções e monu­mentos que habitam o ima­ginário popular dos estran­gei­ros.

O walking tour segue o curso do Rio Mosvka para exibir dois pontos da capital: a cidade real, genericamente chamada de Krem­lin, e o bairro histórico de Kitay-Gorod. O marco que divide essas duas regiões também é visitado, trata-se da Praça Vermelha e das obras construídas ao seu redor: o Por­tão de Voskresenkaya e a Catedral de São Basílio.

Com duração de duas horas e saídas programadas diariamente, o tour pode ser feito individual­mente ou em grupo, e o preço varia de acordo com o número de parti­ci­pantes. Uma pessoa paga € 110; duas, € 60; três a quatro, € 40, e os preços continuam decrescendo progressivamente. Até 16 pessoas podem participar do mesmo walking tour e, nesse caso, cada um desembolsa € 13.

Mas optar por passeios com roteiro predeterminado é uma questão de escolha. Aliás, escolher tours pagos também. A Moscow Greeter (moscowgreeter.ru) procu­ra se adaptar à programação do turista. A proposta é simples: quem quiser participar de um passeio a pé deve entrar no site do grupo e cadastrar algumas informações básicas, como duração da visita a Moscou, onde está hospedado, horário em que deseja agendar o passeio e locais que tem interesse em conhecer. Na data combinada, um moscovita simpático irá até o hotel para servir de guia por um dia sem cobrar nada por isso.

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