Cinque Terre: uma das regiões mais visitadas da Itália repleta de vistas magníficas
Foi-se o tempo em que Cinque Terre era uma região pouco conhecida na Itália, em que um ou outro mochileiro se aventurava a dormir num quarto qualquer que estivesse disponível para tomar banhos de sol e comer os riquíssimos pescados de suas cinco vilas. Cada pessoa que se embrenhava por esse pedacinho da Liguria encravado em penhascos, voltava encantado e intrigado. Como era possível caber tanta beleza num lugar tão pequenininho? A notícia se espalhou rapidamente e hoje, as Cinque Terre estão entre as regiões mais visitadas do país.
Monterosso al Mare, Corniglia, Vernazza, Riomaggiore e Manarola são cinco adoráveis vilarejos encravados em encostas rochosas, recortadas pelo azul, azul, azul do mar Mediterrâneo. Separadas por apenas 8 km – dos mais adoráveis que você percorrerá em sua vida – essas cinco vilas parecem se equilibrar com doçura impressionante nas encostas íngremes enquanto olham as águas extremamente cristalinas que as circundam. Cada uma guarda suas particularidades e essências. Mas, em todas elas o viajante se encanta com as vistas magníficas ao se perder por ruelas estreitas de casas muito coloridas.
Turismo e história
Para desfrutá-las propriamente, há três maneiras: de barco (saem a cada 30 minutos e param nas cinco vilas), com o trem expresso que liga um vilarejo ao outro em no máximo 10 minutos ou a pé, por uma das muitas trilhas (de nomes extremamente sugestivos, como Via Dell'Amore), num percurso que leva aproximadamente cinco horas.
O fato é que esse trecho tão acidentado da Riviera Liguria (mais especificamente Riviera di Levanto) encanta qualquer viajante, por mais experimentado que seja. Os olhos custam a se acostumar com o contraste perfeito do azul intenso do mar, o cáqui esverdeado das rochas e o colorido infantil das casas. Declaradas Patrimônio da Humanidade pela Unesco desde o final da decada de 1090, as Cinque Terre oferecem, além das vistas deslumbrantes, uma culinária riquíssima, o belíssimo Parque Nacional de Cinque Terre e praias que são puro charme. Isso sem falar do tradicional sciacchetra, um vinho de sobremesa muito doce (com aroma que remete a frutas secas) e de alto teor alcoólico (18%), preferido por nove entre dez turistas para uma degustação enquanto contempla o famoso pôr-do-sol da região.
Este pedacinho especial da Itália – que já teve como ilustres moradores Mary Shelley e Lord Byron e foi citada em obras de Dante e Boccaccio, entre outros – foi fundado na Idade Média e chegou a ser dominado por piratas, numa época em que suas vinícolas nem eram tão famosas quanto hoje e a base da economia era pesca (que até hoje se conserva como habito intrínseco da cultura local) e agricultura.
É verdade que nas últimas décadas, com o crescimento do turismo, as vilas foram bastante inflacionadas e hoje, já não é mais exatamente barato comer e se hospedar por ali quanto era anos atrás. O desenvolvimento da região se deu verdadeiramente com a construção da ferrovia que liga La Spezia (o ponto de partida para exploração das cinco vilas para grande parte dos turistas) e Genova, que acabou contribuindo definitivamente para tornar o turismo a principal atividade econômica dali.
Hoje, a localidade também é conhecida internacionalmente não só pela beleza ímpar, como também pelas vinícolas de alta qualidade, azeitonas perfeitas, limões que produzem uma infinidade de licores e sobremesas pra lá de tentadoras e as anchovas de Monterosso – embora todos os frutos do mar da região sejam de excelente qualidade.
As cinco vilas ficam encravadas nas encostas rochosas que chegam a 800 metros de altitude, sempre recortadas por uma infinidade de baías e ilhotas que parecem brotar do meio do mar. As praias, em geral, são muito diferentes das brasileiras porque as faixas de areia são muito curtas e o mar pode ser bastante revolto em alguns trechos.
Com exceção de Monterosso, que tem praias com areia “de verdade”, disputadas pelos banhistas, e de Corniglia, que simplesmente não tem praias, as baías das Cinque Terre são muito mais frequentemente associadas à ideia de contemplação – já que cada uma é impressionantemente diferente da outra. Mais que praias, as Cinque Terre formam parte do Parque Nacional de mesmo nome, fundado em 1999 e mantido com assombroso esmero e sinalização absolutamente impecável.
Paisagem para casais e aventureiros
Separadas de Florença por 2h30 e distantes de Roma pouco mais de 4h, as Cinque Terre têm indefectíveis carruggi – corredores de pedra com escadarias muito íngremes – tão apaixonantes como a icônica Via Dell'Amore, recortada por um grande túnel cheio de citações de Dante, Shakespeare e outros, e incontáveis declarações de amor de turistas e moradores que se fiam na lenda de que os casais cujos nomes estão gravados ali jamais se separarão.
Riomaggiore é a vila mais próxima de La Spezia e a preferida dos mochileiros. Ali, há praias que são paraíso das meninas amantes do topless. Mas entrar no mar cheio de pedras de todos os tamanhos é desafio para poucos corajosos. A trilha Sentiero Azzurro é uma das prediletas dos que vão à Cinque Terre pelo prazer do trekking. Dentre as atrações mais visitadas, se destaca a bela igreja San Giovanni Battista, do começo do século 14, e o Castello, uma antiga construção que praticamente toma conta do centrinho histórico. Gostoso mesmo é subir e descer as vielas estreitíssimas com jeito de ilha grega e se deparar com vistas impressionantes em penhascos que parecem pender ao infinito até chegar ao pequeno e adorável cais apinhado de barcos de todas as cores onde as ondas quebram gentilmente.
Vernazza costuma ser associada à perfeita tradução do estereótipo de beleza que as Cinque Terre evocam nos viajantes: casinhas multicoloridas apinhadas nas encostas rochosas desde o alto até praticamente beijarem o mar.
Caminhar pela Via Roma até a pracinha central é outro passeio imperdível, enquanto se contempla os restaurantes simples de comida caseira lotados, idosos jogando conversa fora em banquinhos espalhados por todo canto, encontrando uma ruína medieval aqui e outra ali. Também vale visitar as igrejas – especialmente Santa Margherita di Antiochia, que tem uma torre medieval e outra renascentista – e a torre do castelo, que chega quase até a prainha do cais – apinhada de barcos de todas as cores e tamanhos. Lá tambem é o cantinho queridinho dos visitantes para tomar um pouquinho de sol nos dias mais quentes, seja na escassa areia ou em qualquer canto da área.
A doce Manarola é a vila dos pescadores por excelência. A quantidade de barcos é incrível e não existe píer na cidade, ao contrário das outras vilas. Os barcos ficam literalmente “estacionados” em frente às casas do proprietários, em plena ruela que vai ate a praia. Alguns, mais ousados, ficam um pouco suspensos por cordas, garantindo mais espaço.
Nessa vila, o tempo parece parado: velhinhos olham o movimento no parapeito das janelas, roupas ficam estendidas nas varandas, crianças correm pra cá e pra lá pelas ruelas de pedra como se fizessem parte de cenários de filmes de outras épocas. Fundada no século 12, tem arquitetura marcante, a julgar pela imponente igreja de San Lorenzo, de fachada de pedra e um belíssimo campanário. Contemplar o colorido das casas e barcos desde a praia – de preferência tomando um bom vinho da região e comendo um pedaço de queijo grana padano – é um daquele momentos difíceis de esquecer.
Vila Romanesca
Corniglia é a única das cinco vilas que não tem nenhuma ligação com o mar. Fica no alto de uma encosta e tudo nela está muito mais ligado à terra e à culinária local. A pracinha central, que não parece tão inspiradora à luz do dia, ganha vida impressionantemente com o cair da tarde, quando os pequenos e aconchegantes restaurantes colocam velas acesas sobre as mesas e os barzinhos ficam lotados de gente de várias partes do mundo, numa adorável torre de Babel.
Entre as casinhas, se descobrem igrejas e monumentos com vistas impressionantes de paisagem muito verde, com o mar ao fundo – como o Belvedere Santa Maria, a igreja gótica de San Pietro, ou o Oratorio dei Disciplinati. E um pôr-do-sol dos mais bonitos da região.
A vila mais próxima de Gênova, Monterosso al Mare, é visivelmente a maior das cinco vilas – e também a mais popular entre os veranistas, já que é a única com uma longa e larga faixa de areia propícia para banhos de sol e mar. Italianíssima, tem cantinas, trattorias e gelatterias (sorveterias artesanais) em toda parte, sempre movimentadíssimas. O destaque principal é a belíssima praia de Fegina, a queridinha dos europeus descolados durante o verão, sempre lotada de gente bonita.
Embora a maioria dos visitantes procure Monterosso exclusivamente por causa das praias e barracas pé-na-areia e muiros a considerem a menos autêntica das Cinque Terre, são vários os monumentos da cidade que merecem a visita, como a igreja de San Giovanni Battista, as colinas colle dei Capuccini ou o mosteiro de San Francesco e seus inestimáveis afrescos.
Cada uma das Cinque Terre conserva sua essência de maneira tão definitiva e peculiar que não há como confundi-las. E, ao mesmo tempo, e por isso mesmo, é terrivelmente difícil conseguir eleger a predileta – muitos tentam em vão, até hoje, fazê-lo. E seguem perdidamente apaixonados por todas essas cinco fantásticas vilas.
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Clique aqui para se autenticar.- Publicado em 10/05/2012 18:04 - Atualizado em 14/05/2012 13:23
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