A pequena vila de Portofino é um lugar simples e encantador frequentado por muitas celebridades

Dec 31, 1969
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A estrada que parte de Santa Margherita é estreita e sinuosa. De um lado, o paredão rochoso, do outro, o mar azul do Mediterrâneo. São apenas seis quilômetros por um caminho cênico que já valeria um passeio por si só.

Mas no final do asfalto está a maior atração da Riviera Italiana: a vila histórica de Portofino, que virou um quase sinônimo de elegância e sofisticação à beira-mar.

Trata-se de um vilarejo minúsculo, com apenas 600 moradores fixos, plantado em frente a uma pequena baía em forma de meia-lua, tomada por veleiros e iates ancorados, cercada por casas coloridas coladas uma às outras, que costumavam ser casas de pescadores. No centro de tudo, fica a praça, a Piazzeta, com calçadas de pedras e bons restaurantes.

Portofino é um lugar singelo, mas de muito bom gosto. Ganhou fama a partir dos anos de 1950, quando virou quintal de celebridades do cinema. No chamado Golden Book, "livro de ouro", do Hotel Splendido, o cinco estrelas mais tradicional de Portofino, o primeiro a deixar a assinatura foi o Duque de Windsor, em 1952. A ele seguiram recadinhos deixados por Greta Garbo, Clark Gable, Rita Hayworth, Ingrid Bergman, Sofia Loren... Até hoje Portofino é uma passarela de famosos. Madonna, por exemplo, gosta tanto de lá que, no ano passado, fez uma festinha de aniversário no deque da piscina de borda infinita do Splendido, de onde, aliás, se tem uma belíssima vista para a baía de Portofino. Os papparazzi não foram convidados para a festa, mas estavam nas proximidades armados com potentes teleobjetivas registrando cenas à bordo de helicópteros. Madonna espumou de raiva.

Vez ou outra, os restaurantes da Piazzeta são convidados a retirar as mesas das calçadas para dar lugar a eventos de moda, com direito a parafernália de luzes e passarelas armadas ao ar livre, onde desfilam modelos famosas com as novas criações dos principais estilistas italianos, com transmissão ao vivo pela televisão.

O curioso é que mesmo com toda essa atmosfera de glamour que cerca Portofino, a vila permanece a mesma há décadas. Novas construções foram proibidas desde que toda aquelas montanhas verdejantes que emolduram a baía foram transformadas em Parque Nacional em 1935. As antigas casas, por sua vez, foram tombadas pelo patrimônio histórico, e qualquer projeto de restauração não pode alterar a feição original das arquiteturas. Até a pintura deve manter a mesma tonalidade. As velhas fachadas em tons amarelos, marrom ou azul são uma marca registrada. Internamente, porém, todos os casarões foram reformados e abrigam apartamentos de veraneio, cujo metro quadrado tem preço de mercado em torno de 32 mil euros, mais caro do que o equivalente espaço num apartamento duplex na Park Avenue, em Manhattan, Nova York.

Turismo de verão

Na Piazzeta, a praça principal de PortofinoNos finais de semana de verão, ou quando acontece algum evento importante, como o Salão Naval Internacional, há controle para entrada de carros na vila já que não há espaço disponível para tantos veículos que chegam. A maior parte da área urbana é liberada apenas aos pedestres. Os carros devem ficar estacionados na Piazza Liberta, onde há estacionamentos subterrâneos que tiram proveito da pouca oferta de vagas cobrando taxas absurdas, em torno de 6 a 8 euros a hora. Mesmo disposto a pagar o preço, ainda corre-se o risco de não encontrar lugar e ter que dar meia volta. Numa situação dessa, a única forma de ir a Portofino é a pé mesmo, ou de barco, nos ferryboats que saem de Santa Margherita, a 5 km de distância.

Sorte de quem consegue uma vaga entre os 179 leitos totais disponíveis pela hotelaria de Portofino. Os mais cobiçados estão no Hotel Splendido, que é um dos mais famosos e caros hotéis da Itália. A construção elegante, erguida no século 19, no topo de uma colina, a dez minutos de caminhada da Piazzeta, é o principal retiro dos ricaços e das celebridades internacionais que vão à Portofino. Nele, os hóspedes desfrutam de quartos luxuosos com varanda para o Mediterrâneo, restaurante com cardápio gourmet cujas mesas espalham-se num terraço panorâmico e piscina sobre um deque elevado com vista para o Castelo Brown.

A maioria dos visitantes, porém, chegam apenas para curtir o dia e ir embora depois do pôr-do-sol. O que não é pouca coisa, já que em uma única tarde é possível andar por todas as ruas e decorar os principais caminhos do vilarejo histórico. Os passeios resumem-se a subir ao mirante diante da Igreja de San Giorgio e caminhar até o alto do morro para visitar está o Castelo Brown. Portofino também tem praias, mas essa não é uma especialidade. A costa rochosa abre-se aqui e ali em praiotas pequenas, de pedras e água gelada. O problema é que quase todas estão em propriedades particulares. Só uma delas é aberta ao público, mediante o pagamento de modesta taxa de 80 euros.

Restaurante do Hotel Splendido, lugar das celebridades.Um dos mais sofisticados da Itália


Mas ninguém sente falta de praia. O que todo mundo quer mesmo é demorar-se à mesa de um dos restaurante da Piazzeta para degustar a delicada composição de Portofino, com suas casas coloridas e os iates ancorados. De preferência, ao sabor de um bom vinho proveniente dos vinhedos da Ligúria. Os restaurante são excelentes, e cobram caros. Não há como almoçar por ali pagando menos de 25 euros por pessoa, sem as bebidas. É o preço da exclusividade. A maioria dos menus trazem pratos à base de peixes e frutos do mar. Bem típico é o molho pesto, que dá sabor às massas e também a scchiacciatina, uma entrada que consiste de massa de pizza finíssima e crocante com tomatinhos cereja e o tal pesto. É tão tradicional quanto a paciuga, o divino sorvete vendido na gelateria San Giorgio. E para gastar as calorias, basta caminhar mais pouco. Portofino foi feita para isso. 

 

 

 

 
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