Um giro luxuoso pelo Mar Mediterrâneo no navio MSC Splendida

A Casa Batló é uma das obras mais famosas do arquiteto Antoni Gaudí em Barcelona (Foto: Editora Europa/ Revista Viaje Mais)
Chegando ao porto de Gênova, na Itália, é iniciado o procedimento de embarque no navio MSC Splendida. É notável que os portos europeus sejam bem mais organizados do que os brasileiros e embarcar em um navio de cruzeiro por aquelas bandas é muito mais tranquilo. O MSC Splendida em algumas categorias disponibiliza um mordomo à disposição do viajante, deixando a viagem mais glamourosa.
O melhor é que essa regalia é apenas o primeiro passo de uma viagem que ainda oferece muitas mordomias. O MSC Splendida é um navio com capacidade para 3.274 passageiros, e um dos dois únicos da frota da armadora italiana que contam com uma área vip, com apenas 99 cabines: o MSC Yacht Club.
Em Gênova, uma das mais importantes cidades portuárias da Itália, não há muito o que ser visitado. Um dos poucos locais turísticos é o Aquário de Gênova, o maior da Itália, com 12 mil animais de mais de 600 espécies diferentes.
Em uma rápida caminhada, percebe-se claramente que Gênova é uma cidade que vive em função do porto. Nas ruas, é possível ver todo tipo de gente. Mas também são comuns as avenidas movimentadas e pontos turísticos como a escultura em homenagem ao navegador Cristóvão Colombo. O descobridor da América nasceu na cidade em 1451. Mais uma prova de como o porto influencia a vida dos genoveses.
Na cidade é possível conhecer um ascensore (elevador) que leva até um pequeno castelo no topo da cidade. É o Castello d’Albertis, construído no final do século 19 para ser a casa do capitão Enrico Alberto d'Albertis, e que, atualmente, é a sede do Museu de Cultura do Mundo, com pátios externos que proporcionam uma bela vista de toda a cidade, com o porto e os transatlânticos aos seus pés.
Para os passageiros que já estão a bordo do cruzeiro, de passagem pela cidade, o ideal é aproveitar uma das muitas excursões oferecidas para conhecer a belíssima região de Portofino, na Riviera Italiana. Depois do desembarque, há um transfer de 45 minutos em ônibus até St. Margherita Ligure e uma travessia de 10 minutos de barco até chegar a Portofino.
Noite agitada
Na primeira noite, o MSC Splendida segue em alto-mar em direção ao porto de Toulon, na Riviera Francesa. Devido ao clima o desembarque pode sofrer atrasos. Uma das grandes vantagens em se fazer cruzeiros é que não importa como está o clima, a bordo todos os passageiros têm diversão garantida para espantar o mau tempo. Após o desembarque em Toulon, o primeiro passeio foi até o centrinho da pequena cidade.
A cidade é famosa pelo porto militar, por ser a capital do Departamento de Var e pela forte presença da indústria naval, pesca, produção de vinhos, equipamentos aeronáuticos e eletrônicos, papel e tabaco. Para um turista desavisado isso pouco importa, o que interessa mesmo é a beleza que aquela parte da Côte d'Azur tem para mostrar.
Uma das opções de passeios para dar uma volta por Toulon são aqueles carros-trenzinhos típicos das cidades do interior. Mas em alguns casos uma caminhada pelas ruas da cidade pode ser um cenário mais convidativo, como uma pequena praia com água de azul intenso, típica do Mar Mediterrâneo, cercada por dois restaurantes com mesas no calçadão.
Para retornar para o navio é preciso apenas pegar novamente o carro-trenzinho e ir até a marina, que fica localizada ao lado do porto repleto de iates de superluxo, lojas de grifes e garrafas de champanhe nas mesas dos restaurantes.
A Barcelona de Gaudí
O cruzeiro pelo Mar Mediterrâneo tem escalas programadas em todos os sete dias. Se por um lado há a vantagem de conhecer diversos lugares em uma única viagem, por outro tudo é um pouco cansativo e você deixa de aproveitar muitas das facilidades e atrações a bordo. Outra parte um pouco frustrante é que em algumas cidades simplesmente não há tempo suficiente para conhecer tudo o que se gostaria.
No segundo dia de navegação, depois de sair de Toulon, o MSC Splendida navegou por toda a madrugada e bem cedo chegou a Barcelona, na Espanha. O navio ficaria na cidade somente seis horas e, descontando o tempo necessário para desembarque e novo embarque, são apenas quatro horas para aproveitar as maravilhas da capital da Catalunha.
Com o tempo apertado, a melhor alternativa é optar por uma das excursões oferecidas a bordo. Umas das opções é o tour Gaudi’s Experience, que passa pelas principais obras de Antoni Gaudí, mestre da arquitetura e símbolo máximo do modernismo catalão. O ônibus sai do porto e aos poucos Barcelona vai sendo desvendada. Ao trafegar por belas avenidas, os olhos se perdem com tantas coisas para serem observadas, como o bairro gótico, mas a velocidade do ônibus não permite uma observação mais detalhada.
Entre as obras de Gaudí, a primeira parada é em frente às Casas Milla e Batló. A arquitetura impressiona com as formas nada usuais e o colorido típico empregado pelo artista. Mas o tempo é curto, ninguém pode descer e as fotos têm de ser feitas ali mesmo, pela janela do ônibus. Tudo para que fosse possível aproveitar melhor os dois ícones principais da obra de Gaudí em Barcelona: a Sagrada Família e o Parque Güell.
A Sagrada Família é considerada a obra-prima de Gaudí e impressiona pela verticalidade e riqueza de detalhes. Os turistas em geral se contorcem tentando achar um ângulo para enquadrar por inteiro a igreja, que teve a obra iniciada em 1882 – Gaudí assumiu o projeto no ano seguinte – e até hoje não foi concluída.
Em seguida o ônibus segue para o Parque Güell, outra obra de Gaudí que se tornou um símbolo de Barcelona. O local foi originalmente pensado para ser um conjunto residencial, mas a prefeitura adquiriu o espaço, tornando-o um parque público. A marca de Gaudí está presente nas linhas irregulares e, principalmente, no colorido formado pelos incontáveis mosaicos de pedaços de azulejos que se espalham por todos os lados, criando as mais incríveis figuras.
No retorno ao navio a maioria dos passageiros volta a bordo ainda na hora do almoço, o restaurante principal, localizado no deque da piscina costuma ficar cheio. Para os passageiros da classe MSC Yacht Club o almoço pode ser em um local bem mais tranquilo. O bar da piscina do MSC Yacht Club não tem grandes refeições, mas serve massas e saladas – o suficiente para satisfazer o apetite de qualquer um. Com a tarde livre, aproveite para descansar à beira da piscina e relaxar um pouco na sauna do spa do navio, sem custos para os hóspedes dessa classe exclusiva.
Norte da África
No próximo dia de viagem o MSC Splendida aportou no destino mais inusitado da viagem: Túnis, a capital da Tunísia. Muito mais do que apresentar costumes nada convencionais para quem vem da cultura ocidental, esta região no norte da África mostra-se como uma aula de história ao ar livre. É que ao lado de Túnis, a poucos minutos de distância, está a região de Cartago, outrora uma poderosa cidade-estado de origem fenícia que desafiou o Império Romano e acabou sendo destruída – e depois reconstruída – por César após as três guerras púnicas.
Hoje, é um local rico, repleto de casarões e palácios modernos que dividem espaço com dezenas de sítios históricos, como as tumbas de um cemitério púnico, os restos de um antigo porto, um aqueduto ao ar livre construído pelos fenícios e as ruínas das Termas de Antônio. O que mais impressiona são as termas, com suas ruínas às margens do Mediterrâneo, um sítio arqueológico reconhecido desde 1979 como Patrimônio Mundial pela Unesco.
Não era somente a bagagem cultural que volta reforçada após a passagem pela Tunísia. O tour ainda reservava um dos momentos mais divertidos de todo o cruzeiro. É que de Cartago o navio segue em direção à medina de Túnis, onde funciona o souk (mercado árabe). Antes de cada passageiro sair para as comprinhas, o guia dá algumas dicas importantes. “Negociem tudo. Se você pagar mais de 20% do valor original estará pagando caro”.
Uma fortaleza no Mediterrâneo
A próxima parada do cruzeiro em Malta faz tudo parece realmente um filme de época. O MSC Splendida atracou no porto de La Valleta, a capital do arquipélago, composto ainda pelas Ilhas de Gozo e Comino, a menor delas.
A ocupação de Malta data do ano 5200 a.C., quando era habitada por uma civilização pré-histórica constituída antes mesmo da chegada dos fenícios, que batizaram a ilha principal com o nome de Malat, que significava “abrigo seguro”. Ao longo da história, e por conta da posição privilegiada no Mar Mediterrâneo, o arquipélago foi palco de batalhas de diversos povos e civilizações: fenícios, romanos e outras mais recentes. Uma das passagens mais marcantes dessa história foi quando Malta tornou-se sede da Ordem dos Cavaleiros de São João, em 1530. Depois, foi invadida e conquistada por franceses e britânicos. A independência viria apenas em 1964.
Do deque superior do navio, é possível avistar uma infinidade de fortificações que por si só justificam o nome dados pelos fenícios. Mas se hoje elas já não têm tanta importância para a soberania de Malta, fazem muito bem para os olhos dos visitantes. A poucos metros do porto, o caminho para o centro de La Valleta é feito por ruas estreitas e longas escadarias, até chegar à praça principal. Lá, depara-se com a Co-catedral de São João, com o interior coberto de ouro e um museu que guarda o quadro Degolação de Batista, pintado por Caravaggio na época em que ele morou em Malta.
E o melhor é que Malta é muito mais do que a história e a beleza das fortificações. A ilha também é um dos mais badalados balneários do Mediterrâneo. As inúmeras praias são repletas de lanchas e iates. A principal delas é St. Georges Bay, com ruas modernas e muitos bares, restaurantes e hotéis sofisticados.
No topo da Sicília
De volta à Itália o desembarque é em Messina, no sul da Sicília, a dica é fazer um passeio até a pequena Taormina, certamente um dos lugares mais charmosos do mundo.
A Avenida Corso Humberto I, com calçamento de pedra, é repleta de pequenos cafés e restaurantes, lojas de especiarias, galerias de arte e até algumas lojas de grife. A maioria com muitas flores nas sacadas do andar superior, o que deixa Taormina ainda mais romântica.
Não bastasse o charme das ruas estreitas, a cidade está encravada no topo de uma montanha, a 200 metros do nível do mar, com inúmeras vistas para o azul do Mediterrâneo. Um dos melhores pontos para contemplar esse cenário que os gregos ergueram um dos mais belos anfiteatros da história. O local permanece muito bem conservado e ainda recebe muitos espetáculos, desde óperas até shows de rock. Do alto das arquibancadas, os turistas aglomeram-se para tirar fotos ou simplesmente apreciar a paisagem por longos minutos, como se tentassem gravar os mínimos detalhes na memória.
Roma a mil por hora
Após uma semana navegando pelo Mar Mediterrâneo, o MSC Splendida atraca no porto de Civitavecchia, a uma hora e meia de Roma. A dica é contratar um transfer de ônibus ainda a bordo do navio, mas também é possível fazer esse trajeto por trem – há uma estação em frente ao porto –, que é mais em conta.
De trem, é possível descer próximo ao Vaticano ou na Estação Termini, a principal. Já o ônibus fica estacionado em frente à Basílica de São Pedro. O passeio por Roma começa pela basílica que geralmente é cercada por uma fila de turistas que ocupava quase por completo a enorme Praça São Pedro.
A cidade, fundada em 753 a.C., preserva monumentos milenares e incontáveis ruas charmosas e praças elegantes. É preciso muita calma ao circular por Roma. Primeiro, porque os olhos se perderão muitas vezes com tantas fontes e esculturas que simplesmente surgirão no meio do caminho. E, principalmente, porque o trânsito romano é caótico, com muitas ruas estreitas sem calçada.
A primeira parada pode ser na Piazza Navona. Criada ainda no século 1, é a mais bela de todas as praças de Roma. O local ganhou a forma atual a partir do século 17, quando o papa Inocêncio X encomendou uma igreja, um palácio e a famosa Fontana dei Quattro Fiumi – hoje há outras duas fontes em cada extremidade da praça. Além das esculturas e construções barrocas, a Navona ainda reúne muitos cafés e restaurantes chiques. Se tiver tempo e dinheiro, sente-se à uma das mesas ao ar livre para admirar essa beleza e as obras dos muitos artistas independentes que expõem, e vendem, seus trabalhos. O clima local é tão acolhedor que você vai se sentir em casa.
A próxima parada é na a Fontana di Trevi – não sem antes dar uma paradinha em frente ao Pantheon. A obra impressiona, erguida entre os anos 27 e 25 a.C. em honra aos deuses romanos, permanece preservada – e alguns andaimes em frente à fachada revelam a preocupação dos romanos em mantê-la assim.
Aglomeração de turistas é algo rotineiro em Roma, mas nada se compara à concentração em frente à Fontana di Trevi, do artista Nicola Salvi, de 1762. E basta uma rápida olhada para entender o motivo de tanto fascínio. É impossível resistir à beleza de uma obra tão grandiosa e riquíssima em detalhes, sem contar as muitas lendas em torno dela. A principal afirma que é preciso jogar uma moeda na fonte, por trás do ombro, para voltar a Roma.
Seguindo em direção à Piazza di Spagna para pegar um metrô até o Coliseu. E antes mesmo de passar pela saída da estação, é possível avistar a obra magnífica em formato elíptico-ovalado, de 48 metros de altura e 109 metros de extensão, construída há mais de 1.930 anos. A Piazza del Colosseo foi eleita uma das sete maravilhas do mundo moderno.
A fila para entrar no Coliseu é sempre muito grande, mas se você alugar um aparelho de audioguia tem a permissão de ir direto a uma bilheteria especial. Do andar superior, ainda é possível ter uma bela vista de parte das ruínas do Fórum Romano.
As mordomias do MSC Yacht Club
Os dois maiores navios da armadora italiana MSC contam com uma área vip para quem quer um pouco mais de conforto a bordo. O MSC Yacht Club está presente nas embarcações gêmeas MSC Splendida e MSC Fantasia. Nesta área luxuosa, os passageiros têm piscina exclusiva com bar e restaurante, um lounge que serve refeições rápidas e bebidas – há opções de vinhos, espumantes, uísque, cerveja, sucos e refrigerantes – livre de custos adicionais, biblioteca, acesso exclusivo ao MSC Aurea Spa e prioridade na reserva dos restaurantes especiais.
Mas o principal mesmo no MSC Yacht Club é poder ter um mordomo para deixar seu cruzeiro muito mais especial. Ele fica à disposição do passageiro desde o momento do embarque, facilitando todo o trâmite burocrático. A bordo, pode desfazer as malas, levar as roupas para a lavanderia, servir refeições rápidas na cabine e entregar todas as manhãs o seu jornal preferido. Para os brasileiros, entre as opções estão Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo.
Os passageiros dessa classe especial têm ainda um serviço de concierge que se encarrega de agendar todos os passeios sem que seja necessário enfrentar as costumeiras filas dos passageiros comuns. E, na chegada ao porto, o desembarque também é prioritário, sempre acompanhado, é claro, do mordomo, que irá mostrar os caminhos mais curtos, e sem filas, para sair da embarcação.
Além dos serviços exclusivos, os passageiros MSC Yacht Club têm acesso também a todas as outras áreas do navio. Para ter esse conforto, os valores cobrados para os hóspedes são, em média, 60% superiores ao das cabines externas com varanda e o dobro das internas.
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