Sardenha é refúgio de milionários e uma das regiões mais belas da Itália

A Ilha La Maddalena, no lado leste da Sardenha, é procurada por turistas por causa das belas praias (Foto: Editora Europa/Viaje Mais)
Dizem que a esmeralda é a pedra guardiã das pessoas apaixonadas, mas é lembrada também pelo verde intenso, pela beleza e raridade. Cobiçada, ela dá nome e caracteriza perfeitamente uma das regiões mais sofisticadas da Itália: a Costa Esmeralda, no nordeste da ilha da Sardenha, banhada pelo Mar Tirreno.
Refúgio de milionários
Procurada pelos casais que planejam paz em meio ao mar azul-esverdeado cor de Caribe, a ilha é também o refúgio chique de milionários, como o premier italiano Silvio Berlusconi e o ex-chefão da Renault Flavio Briatore. A água com aquela cor só vista nos cartões-postais é margeada pelo tom avermelhado das pedras de granito rosa e das flores que estão por toda a parte. Com esse cenário, a costa, claro, é a parte da ilha mais desejada pelos turistas. Porém, basta rodar pelo interior da Sardenha para topar ainda com ruínas, grutas e cidades com vielas que escondem requintadas butiques.
Graças ao aeroporto de Olbia, que recebe voos de baixo custo, gente comum, longe de ter um iate para atracar nos vários portos da ilha, agora consegue se infiltrar na alta sociedade que frequenta a Sardenha. Entre os resorts cinco estrelas à beira-mar nos quais ficam celebridades, como o cantor Lenny Kravitz e os atores Bruce Willis e Denzel Washington, se misturam charmosos hotéis-butique nas antigas ruelas. Também se mesclaram por lá galerias de arte, espaços culturais, restaurantes contemporâneos apresentando novos talentos culinários e festas estilosas abertas a todos.
Costa Esmeralda
Olbia é a porta de entrada para percorrer o trajeto da Costa Esmeralda, com apenas 55 km que concentram praias de areia bem branca e água azul-esverdeada. Sem ambulantes, prédios nas orlas, centenas de guarda-sóis e a criançada correndo, elas são calmas e um convite ao romantismo – tanto que o jogador Alexandre Pato e a namorada passaram as férias na região em julho. As águas são entrecortadas no máximo por iates, barcos à vela ou praticantes de windsurfe, esporte tradicional na ilha. São tantas as praias que fica difícil escolher uma – ou algumas – para desfrutar.
Sugestões para quem busca a calmaria são Liscia Ruja e Capriccioli, esta dividida com pedras de granito rosa e margeada por montanhas cobertas de pinheiros e oliveiras. Depois de aproveitá-las dá para partir em direção à badalada Porto Cervo (a 30 km de Olbia), que mesmo com apenas algumas centenas de habitantes é a principal cidade da Costa Esmeralda.
Hotéis cinco estrelas
Destino exclusivíssimo, é o point para quem quer ver e ser visto. São sete hotéis cinco estrelas, como os famosos Cala di Volpe e Le Palme Liscia di Vacca, com quartos de frente para o mar.
Porto Cervo é o paraíso para quem planeja fazer comprinhas não muito modestas, reunindo as maiores grifes do mundo, como Versace, Prada, Gucci e Armani. É uma delícia caminhar ao longo dos dois portos da cidade: o Antigo, considerado um dos com mais infraestrutura turística no Mar Tirreno, e o Rotondo, rodeado de praças e casinhas coloridas da vila.
A vila foi planejada para ser a capital da Costa Esmeralda pelo príncipe Karim Aga Khan IV, líder religioso islâmico de origem persa, que idealizou, nos anos de 1960, o lugar para receber aristocratas e celebridades. Deu o nome pomposo à região e convidou arquitetos italianos e franceses para construir do zero a vila de Porto Cervo.
A ideia deu certo e ele logo atraiu para lá iniciativas sofisticadas como o Pevero Golf Club e o Iate Clube, além de famosos como as atrizes Catherine Deneuve e Brigitte Bardot, e o atual rei da Espanha Juan Carlos, que de cara escolheram a região como refúgio.
Baía Sardinia
A apenas 4 km de Porto Cervo dá para encontrar uma praia com menos grifes e exibicionismo, mas uma das mais bonitas da ilha: a Baía Sardinia, outra com água cristalina azul-turquesa. A leste, a cerca de 30 km por uma estrada à beira-mar, fica Palau de onde partem ferries para a Ilha La Maddalena e Caprera, ligada à primeira pela ponte Passo della Moneta. As duas são repletas de atrativos naturais. A primeira tem o Parque Nacional Maddalena e a segunda é coberta por pinheiros.
Foi em Caprera que viveu e morreu Giuseppe Garibaldi, líder da Revolução Farroupilha, que ocorreu de 1835 a 1845 no Rio Grande do Sul. Apesar de famoso no Brasil, não é só por aqui que ele é aclamado. Do outro lado do oceano, o país natal de Garibaldi também o tem como herói por ter lutado na unificação italiana. Por isso, a pequena ilha guarda com orgulho os objetos pessoais do revolucionário na casa onde ele viveu, hoje transformada em museu. Um relógio na parede indica e faz lembrar os turistas das últimas palavras do líder: às 18h20 do dia 2 de junho de 1882, pouco antes de morrer, ele teria feito o último pedido: ver aquele mar de cor única pela última vez.
Ainda contornando a costa, chega-se a Alghero, mais uma cidade atendida por aeroporto. De lá, é quase obrigatório pegar uma das várias excursões em embarcações e ir até o Cabo Caccia. Trata-se de uma sucessão de paredes verticais formando grutas, galerias e poços envolvidos por aquela água azul “fosforescente”.
Legado histórico
Apesar da fama, não é só a costa o destaque na Sardenha. No centro, ficam as montanhas de Gernnargentu, alcançadas por uma estradinha sinuosa e estreita com vilarejos que são verdadeiros mirantes. Na região, há vestígios da cultura, inclusive o dialeto, dos nuragues, povo que habitava a Sardenha desde o século 20 a.C.
Deixaram resquícios tão antigos que remontam ao século 16 a.C. da cultura que durou até cerca de 500 a.C. e desapareceu totalmente com a ocupação romana. A ilha traz complexos arqueológicos desse período quase pré-histórico, como o complexo de Barumini, a cerca de 60 km de Cagliari, e tido como Patrimônio Mundial pela Unesco.
Hoje, a região mais parece as ruínas de um castelo. O sistema defensivo dos nuragues é tido como único no mundo e desenvolvido somente na Sardenha: uma construção de pedra com torres defensivas circulares e câmaras internas. Além da espécie de fortaleza, estão por lá um museu com peças e explicações e o antigo vilarejo da comunidade, que foi habitado mais tarde também pelos fenícios, cartagineses e romanos e, por isso, traz ainda vestígios da vida doméstica e das atividades desses povos.
Região arqueológica
Continuando o caminho pela história pode-se ir até Oristano, a oeste da ilha e parar em mais uma região arqueológica: Tharros, com ruínas fenícias nas margens do Mar Mediterrâneo, abandonadas no ano 1000 a.C.
Não é fácil entender a história da região e mais difícil ainda é lembrar de todo o contexto das dominações, que envolve gregos, romanos, fenícios, cartagineses, bizantinos, catalães... Mas tudo bem. Depois de rodar a Sardenha você verá que é melhor seguir o que fez Garibaldi: mesmo para o revolucionário, melhor do que se importar com guerras e invasões é simplesmente admirar o mar tão único da região.
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Clique aqui para se autenticar.- Publicado em 10/05/2012 18:04 - Atualizado em 14/05/2012 13:23
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