Sardenha é refúgio de milionários e uma das regiões mais belas da Itália

Feb 09, 2012
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A Ilha La Maddalena, no lado leste da Sardenha, é procurada por turistas por causa das belas praias (Foto: Editora Europa/Viaje Mais)

A Ilha La Maddalena, no lado leste da Sardenha, é procurada por turistas por causa das belas praias (Foto: Editora Europa/Viaje Mais)

Dizem que a esmeralda é a pedra guardiã das pessoas apaixo­nadas, mas é lembrada também pelo verde intenso, pela beleza e raridade. Cobiçada, ela dá nome e caracteriza perfeita­mente uma das regiões mais sofis­ticadas da Itália: a Costa Esmeral­da, no nordeste da ilha da Sar­denha, banhada pelo Mar Tirreno.

Refúgio de milio­nários

Procurada pelos casais que plane­jam paz em meio ao mar azul-esverdeado cor de Caribe, a ilha é também o refúgio chique de milio­nários, como o premier italiano Silvio Berlusconi e o ex-chefão da Renault Flavio Briatore. A água com aquela cor só vista nos cartões-postais é margeada pelo tom avermelhado das pedras de granito rosa e das flores que es­tão por toda a parte. Com esse cenário, a costa, claro, é a parte da ilha mais desejada pelos turistas. Porém, basta rodar pelo interior da Sardenha para topar ainda com ruínas, grutas e cidades com vielas que escon­dem requintadas buti­ques.

Graças ao aeroporto de Olbia, que recebe voos de baixo custo, gente comum, longe de ter um iate para atracar nos vários portos da ilha, agora consegue se infiltrar na alta sociedade que frequenta a Sar­denha. Entre os resorts cinco estrelas à beira-mar nos quais ficam cele­bri­dades, como o cantor Lenny Kravitz e os atores Bruce Willis e Den­­zel Washington, se misturam char­mosos hotéis-bu­tique nas an­ti­gas ruelas. Também se mesclaram por lá galerias de arte, espaços cul­tu­­rais, restau­rantes contem­po­râ­ne­os apre­sen­­tando novos talentos cu­li­­nários e festas esti­losas abertas a todos.

Costa Es­meralda

Olbia é a porta de entrada para percorrer o trajeto da Costa Es­meralda, com apenas 55 km que concentram praias de areia bem branca e água azul-esverdeada. Sem ambulantes, prédios nas orlas, centenas de guarda-sóis e a criançada corren­do, elas são calmas e um convite ao roman­tismo – tanto que o jogador Ale­xandre Pato e a namorada passa­ram as férias na região em julho. As águas são entrecortadas no máximo por iates, barcos à vela ou praticantes de windsurfe, esporte tradicional na ilha. São tantas as praias que fica difícil escolher uma – ou algumas – para desfrutar.

Sugestões para quem busca a cal­maria são Liscia Ruja e Ca­pric­cioli, esta divi­dida com pedras de gra­nito rosa e margeada por mon­ta­nhas cobertas de pinheiros e oli­veiras. Depois de aproveitá-las dá para partir em direção à bada­lada Porto Cervo (a 30 km de Ol­bia), que mesmo com apenas algumas centenas de habitantes é a principal cidade da Costa Esme­ralda.

Hotéis cinco estre­las

Destino exclusivíssimo, é o point para quem quer ver e ser visto. São sete hotéis cinco estre­las, como os famosos Cala di Vol­pe e Le Palme Liscia di Vacca, com quartos de frente para o mar.

Porto Cervo é o paraíso para quem planeja fazer comprinhas não muito modestas, reunindo as maiores grifes do mundo, como Versace, Prada, Gucci e Armani. É uma delícia caminhar ao longo dos dois portos da cidade: o An­tigo, considerado um dos com mais infraestrutura turística no Mar Tirreno, e o Rotondo, rodeado de praças e casinhas coloridas da vila.

A vila foi planejada para ser a capital da Costa Esmeralda pelo prín­cipe Karim Aga Khan IV, líder religioso islâmico de origem persa, que idealizou, nos anos de 1960, o lugar para receber aristocratas e celebridades. Deu o nome pom­po­so à região e convi­dou arquite­tos italianos e franceses para cons­truir do zero a vila de Porto Cer­vo.

A ideia deu certo e ele logo atraiu para lá iniciativas sofisticadas como o Pevero Golf Club e o Iate Clube, além de famosos como as atrizes Catherine Deneuve e Bri­gitte Bardot, e o atual rei da Es­panha Juan Carlos, que de cara esco­lhe­ram a região como refú­gio.

Baía Sardinia

A apenas 4 km de Porto Cervo dá para encontrar uma praia com menos grifes e exibicionismo, mas uma das mais bonitas da ilha: a Baía Sardinia, outra com água cris­talina azul-turquesa. A leste, a cerca de 30 km por uma estrada à beira-mar, fica Palau de onde partem ferries para a Ilha La Mad­dalena e Capre­ra, ligada à pri­meira pela ponte Passo della Moneta. As duas são re­ple­tas de atrativos na­tu­rais. A primeira tem o Parque Nacional Maddalena e a segunda é coberta por pinheiros.

Foi em Caprera que viveu e morreu Giuseppe Garibaldi, líder da Revolução Farroupilha, que ocorreu de 1835 a 1845 no Rio Grande do Sul. Apesar de famoso no Brasil, não é só por aqui que ele é aclamado. Do outro lado do oceano, o país natal de Garibaldi também o tem como herói por ter lutado na unificação italiana. Por isso, a pequena ilha guarda com orgulho os objetos pessoais do revolucionário na casa onde ele viveu, hoje transformada em mu­seu. Um relógio na parede indica e faz lembrar os turistas das últimas palavras do líder: às 18h20 do dia 2 de junho de 1882, pouco antes de morrer, ele teria feito o último pedido: ver aquele mar de cor única pela última vez.

Ainda contornando a costa, chega-se a Alghero, mais uma cidade atendida por aeroporto. De lá, é quase obrigatório pegar uma das várias excursões em embar­ca­ções e ir até o Cabo Caccia. Trata-se de uma sucessão de pa­redes verticais formando grutas, galerias e poços envolvidos por aquela   água azul “fosfores­cente”.

Legado histórico

Apesar da fama, não é só a costa o destaque na Sardenha. No centro, ficam as montanhas de Gernnargentu, alcançadas por uma estradinha sinuosa e estreita com vilarejos que são verdadeiros mirantes. Na região, há vestígios da cultura, inclusive o dialeto, dos nuragues, povo que habitava a Sardenha desde o século 20 a.C.

Deixaram resquícios tão an­tigos que remontam ao século 16 a.C. da cultura que durou até cerca de 500 a.C. e desapareceu totalmente com a ocupação roma­na. A ilha traz complexos arqueo­lógicos desse período quase pré-histórico, como o complexo de Baru­mini, a cerca de 60 km de Ca­gliari, e tido como Patrimônio Mundial pela Unesco.

Hoje, a região mais parece as ruínas de um castelo. O sistema defensivo dos nuragues é tido como único no mundo e desen­volvido somente na Sardenha: uma construção de pedra com torres defensivas circulares e câmaras internas. Além da espécie de fortaleza, estão por lá um mu­seu com peças e explicações e o antigo vilarejo da comunidade, que foi habitado mais tarde tam­bém pelos fenícios, cartagi­neses e romanos e, por isso, traz ainda vestígios da vida domés­tica e das atividades desses povos.

Região arqueológica

Continuando o caminho pela história pode-se ir até Oristano, a oeste da ilha e parar em mais uma região arqueológica: Thar­ros, com ruínas fenícias nas mar­gens do Mar Mediterrâneo, aban­donadas no ano 1000 a.C.

Não é fácil entender a história da re­gião e mais difícil ainda é lembrar de todo o contexto das do­mi­nações, que envolve gregos, romanos, fenícios, cartagineses, bizantinos, catalães... Mas tudo bem. Depois de rodar a Sardenha você verá que é melhor seguir o que fez Garibaldi: mesmo para o revolucionário, melhor do que se importar com guerras e inva­sões é simplesmente admirar o mar tão único da região.

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