Jamaica uma ilha caribenha repleta de resorts à beira mar e muitos atrativos turísticos e culturais

Dec 31, 1969
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“Don’t worry/about a thing/’cause every little thing is gonna be all right...” Muita gente desembarca na Jamaica com esses versos na cabeça e com a forte figura de Bob Marley no imaginário, pois esse pequeno país caribenho e reggae parecem sempre uma combinação perfeita. Mas vai muito além disso.

A Jamaica é terra de extremos e o primeiro impacto é sentido ainda no avião, quando começa o processo de descida em direção àquelas águas tão azuis, em grande parte contornadas por areias muito claras, quase brancas. Localizada bem no meio do mar caribenho, é uma ilha peculiar, que mescla a vida de dolce far niente em mega resorts  com uma impressionante riqueza histórica e cultural de herança africana

A capital, Kingston, já foi um dos maiores elos do comércio de escravos africanos nas Américas e exportou muito açúcar e rum para o continente europeu. Desde a colonização espanhola, no século 16, a Jamaica viveu uma história dolorosa, de movimentos violentos, mas também de intensa e vital atividade cultural. Além de todo o africanismo presente ainda hoje no interior do país, foi ali que o movimento dos rastafáris surgiu nos anos de 1930 e também de onde o reggae saiu para ganhar o mundo na década de 1960. Mesmo com tantas transformações, as heranças das colonizações espanhola e inglesa ainda são absolutamente perceptíveis no povo de humor seco e mania de pontualidade, no slogan nacional “Jamaica, no problem”, no trânsito muitas vezes caótico de mão inglesa, na fala alta ou na paixão por festejar.

É verdade que os golpes contra turistas desavisados são comuns na noite jamaicana. Esqueça aquela ideia erroneamente propagandeada ao mundo nos anos de 1970 de terra da liberdade e culto às drogas – até porque, embora bastante acessí­vel nas zonas turísticas, o consumo e o comércio de maconha e outros narcóticos ainda é proibido no país.

Na hora das compras, vale lembrar que os dólares americanos são aceitos facilmente em qualquer canto, mas é preciso andar sempre com notas trocadas e ser firme nas negociações – os jamaicanos são ótimos comerciantes e capazes de discutir horas sobre um preço, com uma lábia impressionante. Pechinchar é palavra de ordem por lá.

Caribe mais em conta

Praia de Montego Bay, a mais procurada pelos turistas norte-americanosNão bastassem todos os atributos naturais e culturais da Jamaica, também é ótima notícia para o visitante o fato de que é uma das ilhas mais acessíveis do Caribe – tem preços razoáveis em geral e uma quantidade de voos impressionante. É um pousa e decola todos os dias na ilha, sobretudo em Montego Bay, a praia que despertou amor incondicional em muitos norte-americanos, que voltam à Jamaica todos os anos para passar longos dias de ócio em estrelados resorts.

Aliás, toda a costa jamaicana, de praias de areia muito branca, águas de azul intenso e cálidas, pontuadas por belos recifes de corais, é inteiramente dominada por resorts que acolhem turistas independentes, famílias cheias de crianças, jogadores encantados com novos cassinos ou casais estrangeiros que buscam um casamento idílico, com os pés descalços na areia. Como segundo maior gerador de receita do país, o turismo só perde para a extração de bauxita. 

Negril é o point

A Praia de Negril. Em suas areias estão as sete milhas mais belas do Caribe.A praia mais famosa, citada em inúmeras letras de reggae, é Negril, faixa de 11 km  de areias muito, muito brancas e águas cristalinas. O visual vale o título que os jamaicanos repetem orgulhosamente: “as sete milhas mais bonitas de todo o Caribe”.  Negril concentra excelentes hotéis – e também resorts de gosto e qualidade bastante duvidosos – e tem ótima infraestrutura para lazer, vida noturna e compra de lembrancinhas típicas.

É lá também que fica o mítico Rick’s Cafe (rickscafejamaica.com), considerado o point para ver um pôr do sol fantástico – não à toa, fica lotado todos os dias ao cair da tarde, quando turistas, embalados ao som de reggae ao vivo, assistem a ou­tros visitantes e moradores se aventurarem pulando do penhasco onde fica o bar em direção às águas da baía enquanto o sol desaparece na linha do horizonte.

Negril costuma agradar a qualquer um, mas a Jamaica tem praias para todas as tribos. Entre os visitantes independentes, a região de maior sucesso é Port Antonio, até hoje habitada por rastafáris e com um clima paradisíaco de vila de pescadores que se espreme entre o mar e a mata fechada.

Jovens casais e amantes de A Lagoa Azul visitam a bela Portland para mergulhar na Blue Lagoon, onde foi rodado o famoso filme com uma Broke Shields adolescente.  Já famílias com crianças pequenas em geral optam pela movimentada Ocho Rios, de mar azul muito intenso, visitando também as famosas cachoeiras Dunn’s River Falls, com muitas piscinas naturais. Casais desejosos de sossego e romantismo podem encontrar um refúgio na bela Savana la Mar.

Blue Mountains

As famosas Blue Mountains, onde é produzido um dos melhores cafés do mundoÉ importante ter em mente que nem só de praias vive a Jamaica. Para conhecer de verdade o país é necessário, ao menos uma vez, embrenhar-se pelo centro da ilha, onde o fluxo de visitantes ainda é ínfimo e o relacionamento com os jamaicanos é muito mais autêntico – e os preços, bem mais baixos. Além de passear nas cidades, é possível fazer safáris aquáticos entre imensos crocodilos no Black River ou visitar o vilarejo de St. Elizabeth para conhecer as destilarias do internacionalmente conhecido rum Appleton. Na capital, não deixe de conhecer o Museu Bob Marley ou ainda de visitar a mítica Nine Mile, a casa onde viveu o rei do reggae, hoje também transformada em museu. Ou ir ao mausoléu de Peter Tosh na estrada entre Savana la Mar e Ocho Rios. Em Montego Bay, segunda maior cidade da Jamaica, a dica é explorar o primeiro parque nacional jamaicano, Montego Bay Marine Park.

Também em direção ao interior da ilha ficam as Blue Mountains, cadeia montanhosa de 45 km de extensão originada há mais de 65 milhões de anos e símbolo nacional. Elas podem ser avistadas em grande parte da ilha. Trilhas de levam ao topo do pico Blue Mountain, o mais alto da cadeia, com cerca de 2.200 metros de altitude – do alto, em dias claros, a visibilidade é tão ampla, de norte a sul da ilha, que é possível avistar até Cuba, a pouco mais de 200 km de distância.

Nesse mesmo lugar, em uma área de cerca de seis mil hectares, é produzido o emblemático café de mesmo nome, considerado o melhor – e um dos mais caros – do mundo. Curiosamente, quase 90% da  produção é consumida pelos japoneses. Por isso, é essencial tomar ao menos uma xícara desse famoso café jamaicano.

O que comer

Barman prepara um drinque com o renomado rum jamaicano AppletonAs refeições acabam sendo feitas na maioria dos casos dentro dos próprios resorts em que o visitante está hospedado e a maioria oferece ao menos três diferentes restaurantes, com culinária local e internacional, podendo incluir ainda sushi bar, pizzaria e lanchonete para hambúrgueres ou tex-mex.

Mas vale a pena experimentar a deliciosa – e picante – gastronomia local. Os muitos pratos à base de peixes (ou mesmo carnes e frangos) costumam vir acompanhados de tubérculos como o ackee, semelhante à batata, e do indispensável jerk, condimento picante presente em molhos, grelhados...Como aperitivo antes de comer, o rum Appleton. Depois, uma xícara do café Blue Mountain.

No quesito vida noturna também nem tudo é somente reggae.  As casas mais famosas da ilha, além do Rick’s Cafe, são as badaladas franquias Margueritte Ville, com DJs e também shows ao vivo e barmen talentosos. Em Negril, a vida noturna é mais quente que no restante da ilha e locais de diversão garantida incluem o Bar Xtabi, o Kaiser’s Cafe e as frenéticas casas noturnas Close Encounters e Compulsion.

E assim passam-se prazerosos dias nessa terra de mergulhos nos recifes de Runa-way Bay, de longos passeios nas areias contornadas por palmeirais em Treasure Beach, de tardes de pechinchas em feiri­nhas de artesanato, de noites de reggae, do ultrapicante jerked chicken, do licor Tia Maria e do belo artesanato rastafári. Don’t worry. Welcome to Jamaica.

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