Viaje para o futuro nos fascinantes atrativos turísticos de Tóquio

Dec 31, 1969
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Muitos acreditam que Tóquio é um pedaci­nho do futuro que che­gou cedo demais. Se for, a humanidade tem mais chances do que se imagina. A capital do Japão é recheada de prédios moder­nos, painéis eletrônicos, carrinhos curiosos, viadutos, trens muito, muito rápidos. Nada de surpresas, a não ser pelo ou­tro lado da cidade – o que tem templos, casas de chá, gueixas e outras heranças do passado distante. Se o respeito que os japoneses têm pelas tradições fosse o mesmo no resto do mundo, certamente o planeta poderia estar em uma situação diferente da que vive hoje. Passado e presente conviveriam de uma forma bem mais harmoniosa.

Invariavelmente, a chegada em Tóquio vai ser um bocado confusa. Não apenas pela agitada dinâmica da cidade, que parece abrigar muita gente e com pressa demais, ou pela profusão de neons e propagandas ultratecnológicas. É impossível não ficar meio tonto ao pousar nesse mundo particular, depois de pelo menos 24 horas de voo vindo do Brasil e com uma diferença de 12 horas no fuso horário com o qual você está acostumado.

Mas não se desespere. Lembre-se que, ao mesmo tempo em que a cidade parece se mover em um um ritmo próprio, acele­radíssimo, ainda há aquele outro lado, o menos frenético e muito mais tradicional dessa metrópole de contradições. Em Tóquio, há templos milenares ao lado de contemporâneos arranha-céus. Delicadas gueixas dividindo atenção com adolescentes rebeldes, aquelas que adoram lançar modismos. Isso sem falar no tratamento contraditório – ao mesmo tempo em que os japoneses são sérios, impessoais e respeitosos, há nas ruas prostitutas vestidas de colegial, um fetiche nacional.

O legal de ir para Tóquio é conhecer esses dois lados, o passado ainda muito presente e o futuro, aquele que, quem sabe em alguns anos, deve chegar ao resto do mundo. Isso porque, para os japoneses, não basta ter os prédios mais mo­dernos, eles ainda precisam cobri-los com fileiras de anúncios eletrônicos que vão desde outdoors iluminados a grandes telões que interagem com os passantes. Ou seja, basta você estar na rua para ser invadido pela avançadíssima tecnologia.

Mas não pare por aí: vá até o bairro Akihabara, famoso pelo comércio de artigos eletrônicos, e surpreenda-se com o quanto o Brasil está atrás dos japoneses em re­lação às quinquilharias tecnológicas, re­presentadas por simples telefones celulares (displicentemente vendidos por camelôs, em caixas de papelão, como se fossem pilhas) e invenções mirabolantes, como uma privada com inúmeros gad­gets, de temperatura regulável a baru­lhos artificiais para disfarçar o que quer que esteja sendo feito nela.

Quando visitar o bairro, não deixe de passar na Yodobashi Camera, imensa loja bem em frente à estação de trem. O espaço concentra praticamente tudo o que você pode procurar em eletrônicos, um paraíso do consumo. Se quiser mais, vá à rua principal Chue Doori e perca o dia todo nela. Vale a pena pechinchar, até mesmo nas lojas que não oferecem isenção de imposto para estrangeiros – o desconto pode ser ainda maior.

Recanto de paz

Palácio Imperial de TóquioO mais especial da cidade é que, a poucas quadras desse paraíso dos eletrônicos, já é possível deparar-se com bairros tradicionais, como o Asakusa. Lá, fica o mais importante complexo de templos da cidade, que inclui o famoso Senso-ji (ou Templo de Arakusa), recanto budista dedicado à deusa da misericórdia, Kannon. Nesse pedaço da cidade, o ritmo é outro, bem mais calmo e até festivo – os inúmeros estabelecimentos religiosos do bairro promovem diversos festivais, como o Sanja Matsuri, que ocorre sempre em maio. É lá também que fica localizado o parque de diversões mais antigo do Japão, o Hanayashiki, que existe desde 1853, quando era um mercado de flores. Para deixar o bairro ainda mais pitoresco, há as gueixas, que ali ocupam o lugar das colegiais do centro moderno.

Outro local indicado para fugir do agito e ter contato com a cultura tradicional japonesa é o enorme e belo Parque Ueno, que reúne, além das plantas, pontes e casi­nhas típicas dos jardins japoneses, os principais destinos de lazer e cultura para quem vive em Tóquio. O zoológico fica lá (o maior do mundo, claro, porque nada na capital japonesa é comum), assim como o Museu Nacional de Ciência, o Museu Nacional de Arte Ocidental e o Museu Nacional de Tóquio. Este último é o mais bacana – reúne as obras de arte e arqueologia mais importantes do Japão, expostas de forma pomposa. É bonito de ver, mas não é tão interessante para quem quer aprender sobre a história do país, já que muitas das informações constam apenas em japonês.

Juventude descolada

Tokyo Rainbow - Ponte em TóquioQuem acha que os os japoneses são todos iguais, certamente, nunca esteve em Tóquio. Entre os jovens, os mais descolados do mundo, há cabelos de todas as cores e estilos, roupas fashion ou exóticas, adereços incomuns como lentes de contato coloridas e inspiração encontrada em perso­nagens de mangá e cantores do país.

É uma profusão de cores e de extravagância, visual que domina o bairro moder­ninho de Harajuru. Muitos jovens passam boa parte do dia lá, entre as muitas lojas que vendem de tudo. A avenida principal, Omotesando-dori, concentra grandes marcas como Armani e Gucci. Para os turistas, interessante mesmo são as ruas transversais, que abrigam os estabelecimentos (e pessoas) mais estranhos da cidade. Há desde lojas de arte que mais parecem museus até casas de aparência indígena ou africana, que lembram cabanas com um batuque particular. Aos domingos, o bairro torna-se um verdadeiro palco para apresentações de música, dança e artes em geral.

Outro bairro muito frequentado por jovens é o Shibuya, onde fica o maior cruzamento do mundo, com milhares de pessoas andando por todos os lados, a maioria bem apressada. A organização é impressionante, ninguém se esbarra. Tem até um lado certo da rua para que as pessoas que andam em velocidade “normal” não atrapalhem os demais. Duas coisas legais para se fazer lá: caminhar pela Sentaa Gai, rua que tem caixas de som em todos os postes com música 24 horas por dia; e conhe­cer a estátua de Hachiko, cadela que ganhou a homenagem ao lado da estação que leva seu nome. Sua história é inspiradora: diz-se que, há muitas décadas, Hachiko acompanhava seu dono até a estação todos os dias até que, após sair para trabalhar, ele morreu. O animal esperou seu retorno em frente à estação pelo resto da vida, 12 anos. Hoje a estátua é o ponto de encontro mais famoso da cidade – tão famoso que é difícil achar alguém entre a multidão que se reúne ali.

Um mercado diferente

Vitrine - Comida de plásticoMas o verdadeiro reduto de compras em Tóquio é o bairro de Ginza, o mais ele­gante da cidade. Ele é tomado por lojas de estilistas famosos e grandes galerias, que possuem setores de alimentação com todo o tipo de comida japonesa pra levar e agradáveis casas de chá. Mas tome cuidado: se gastos básicos, como alimentação, já saem uma fortuna para estrangeiros, então imagine fazer compras neste centro chique. Se você não quer estourar o cartão de crédito, segure-se ao menos até o duty free do aeroporto.

Um centro de compras que você pode – e, definitivamente, deve – aproveitar é o Mercado de Peixes Tsukiji. Ele fica próximo à estação de metrô de mesmo nome e é um verdadeiro paraíso para quem gosta das iguarias japonesas, como sushi (boli­nho de arroz com alga e recheio variado) e sashimi (peixe cru). Vá bem cedo, por volta das 6 horas, para acompanhar o carregamento e o leilão de peixes, com destaque para o atum, para os principais estabelecimentos da cidade e depois, ao lado do galpão principal, co­mer os quitutes japoneses mais frescos da sua vida. Além da comida, é possível comprar utensílios de cozinha e condimentos. Mas vá preparado – como todo mercado, o aperto das barraquinhas, vendedores e turistas não é nada agradável.

Para chegar até lá e, basicamente, a qualquer lugar na cidade, o mais indicado é ir de metrô, o principal meio de transporte em Tóquio, cuja região, que inclui cidades mais próximas, tem cerca de 30 milhões de habitantes. Se todos eles resolvessem sair de carro, certamente ficariam parados no mesmo lugar, alguns na saída da garagem – não há ruas suficiente para todos, mesmo com a infinidade de viadutos construídos na cidade. O metrô é também a forma mais fácil de se localizar, pois na capital japonesa é imprescindível ter um mapa em mãos. Se você disser um endereço para o taxista, é bem provável que ele não saiba como chegar. Isso porque a forma de organizar endereços deles é completamente dife­rente. Há um complexo sistema de sufixos para indicar bairros, esquinas e parques. Muitas ruas não têm nome e as casas são numera­das de acordo com a data de construção, e não a sequência numérica.

Para se ter uma ideia da importância do metrô e do desafio que é se encontrar em Tóquio, arrisque-se na estação Shinkuju. É a maior da cidade, que une as li­nhas do metrô e do trem e tem mais de oitenta saídas. O fluxo lá é intenso, com cerca de três milhões de pessoas por dia. Os corredores e placas que levam às muitas saídas são bem confusos. Ainda assim, é bom conhecer para ver um pouco do dia a dia dessas pessoas e explorar os entornos da estação.

Pela saída leste, por exemplo, há o grande shopping My City, rodeado de ruas comerciais, que vendem especialmente eletrônicos e comida japonesa. A oeste, fica o Tokyo Metropolitan Government Office, o belo e moderno prédio do governo, onde é possível subir até o observatório e curtir a vista da cidade repleta de luzes.

Cerejeiras e baladas

Torre de TóquioLá está também o Shinkuju Gyouen, um dos maiores parques de Tóquio, famoso pelas cerejeiras que oferecem um verdadeiro espetáculo quando desabrocham, entre março e maio. O bairro concentra boa parte dos bares e discotecas da cidade – há casas temáticas polinésias, tradicionais japonesas, boates de striptease e um reduto GLS.

Outro lugar bom pra curtir a noite é o bairro de Roppongi, point de estrangeiros e de baladas para todos os estilos. No bar Gas Panic, um dos mais conhecidos, toca de tudo. De qualquer modo, é essencial curtir a noite de Tóquio, aproveitando para escolher um bar ou boate (ou alternar entre vários) com a tranquilidade de estar em uma cidade com índice de criminalidade praticamente nulo.

Roppongi também oferece atrações bacanas para visitar durante o dia. O Roppongi Hills, por exemplo, é um prédio que concentra escritórios, cinemas, restaurantes, aquário e observatório. Mas quem quer uma vista legal da cidade deve ir até a Tokyo Tower, que possui a melhor visão da cidade e não fica longe dali. Trata-se de uma réplica da francesa Torre Eiffel, exceto que um pouco melhor – o jeito japonês de fa­zer as coisas. É mais alta e pesa menos da metade da original.

Isso resume um pouco da filosofia japonesa do perfeccionismo, na qual até as imitações superam os originais. O Japão quer ser o melhor em tudo e em muitas coisas já consegue. Seus monumentos podem não ser os mais famosos, mas em alguns quesitos o país deveria ser tomado como modelo, como a sua recuperação pós-guerra e a capacidade de evoluir, primando pelo pioneirismo em diversos setores tecnológicos sem deixar de lado as tradições milenares. Essa deveria ser a primeira da lista de lições que o Japão tem a dar para o mundo.

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