Lençóis Maranhenses é deserto brasileiro em meio à dunas e lagoas
Filtro solar 60, boné, óculos de sol, sandálias de dedo, algumas garrafinhas d'água, duas bananas e... biquíni. Biquíni no deserto? É isso mesmo. O calor desértico é compensado por um belo banho nas lagoas verdes e azuis espalhadas entre os paredões de areia, fina como o talco.
Graças ao transporte da areia da praia para o interior do continente formaram-se belas dunas. Entre elas, surgiram as lagoas de água doce, represadas pelas chuvas que caem no primeiro semestre de cada ano. E nesse cenário quase inacreditável, registrar imagens são imprescindíveis para provar que a sua viagem pelo deserto brasileiro não foi uma miragem. Portanto, não esqueça a sua câmera fotográfica.
O Parque Nacional dos Lençóis
O Parque dos Lençóis Maranhenses é um deserto com dunas brancas e milhares de lagoas de águas doces, límpidas, formadas pelas águas das chuvas retidas pelo solo. Chove muito na região, principalmente entre janeiro e maio, e as dunas se enchem de água, formando piscinas de um azul clarinho convidativo. É algo sem igual no mundo: um deserto repleto de água.
O ponto de partida é Barreirinhas, a maior e principal cidade da região, com cerca de 44 mil habitantes. Nas cercanias da cidade há cinco lagoas dos Lençóis: a Azul, a Bonita, a dos Peixes, a da Lua e a da Esperança. De lá, chega-se a outros destinos como os vilarejos de Caburé, Vassouras, Mandacaru, Atins, Queimada dos Britos, Santo Amaro, Paulino Neves (também conhecido como Rio Novo) e Tutóia, já no Delta do Parnaíba.
Uma lancha, a “voadeira”, sobe o rio Preguiças percorrendo e cortando caminho por seus canais e mangues. Um pouco antes de Caburé, há uma parada na vila de Vassouras para uma caminhada até dunas de coloração amarelada e um banho em lagoas de águas esverdeadas. A região é chamada de Pequenos Lençóis e começa a partir da margem direita do rio Preguiças.
Maranhão: museus, folclore e casarões
O Maranhão, apesar de possuir o segundo maior litoral do Brasil, não tem nas suas praias o principal atrativo. São Luís, capital maranhense – por onde quase todo mundo passa para chegar aos Lençóis – possui o maior acervo arquitetônico português da América Latina.
De fato, o pólo formado por São Luís e Alcântara é um passeio pela história do Brasil, com museus, folclore, tradições e casarões com os famosos azulejos portugueses que decoram as fachadas. A mais portuguesa das capitais brasileiras que, por ironia, foi fundada por franceses, é uma ilha cercada de natureza, em plena baía de São Marcos, e está mercê das quatro mudanças diárias de maré.
Por isso, as travessias entre São Luís e Alcântara são sujeitas a esses caprichos, não só de horários, mas de mudança dos portos de embarque e desembarque.
Em Alcântara, além dos prédios e ruínas históricas, a natureza está presente nas praias, nos mangues e na beleza dos guarás – aves de pena avermelhada – que colorem o céu de escarlate nos fins de tarde. É preciso pegar um barco e navegar durante quase uma hora para chegar ao local onde se concentram os ninhos e se deslumbrar com a quantidade de aves voando. Mas mesmo em Alcântara é possível avistar guarás, principalmente nos manguezais perto do porto.
Caburé
Caburé fica quase na foz do rio Preguiças, ponto em que ele se junta com o mar e onde começa o Parque Nacional dos Grandes Lençóis. De um lado, a água doce do Preguiças e, do outro, a salgada do Oceano Atlântico à beira de uma bela praia. É uma vila de pescadores, mas com algumas pousadas e restaurantes. Não há luz elétrica e a energia disponível vem de geradores ligados das 18h às 22h. Por isso, é recomendável levar uma lanterna. Mesmo para quem vai apenas passar o dia, é um passeio muito legal.
As pousadas são agradáveis e até é possível se hospedar com conforto – isso se não estiver ventando muito, pois a areia que passa por debaixo da porta e/ou pelo telhado enche o quarto. Mas em uma viagem em estilo de aventura, esqueça desse detalhe e importe-se com a paisagem. Admire a beleza do céu, com estrelas que nenhum hotel de luxo jamais terá.
Depois de um banho de mar, um almoço, com peixe grelhado e camarão, e um ronco na rede, ainda sobra tempo para um passeio nas dunas e na foz do Preguiças. O sol vai caindo e a luz vai banhando de dourado a areia das dunas.
Logo surge a lua e muda tudo: do amarelo para o azul. Não há como ficar indiferente a tanta beleza. Um passeio de barco pelo rio Preguiças, sob as estrelas é inesquecível.
O dia seguinte foi reservado para nova ida a Vassouras e uma visita a Mandacaru – esta uma vila maior e com um farol de 54 metros de altura, de onde se tem uma boa visão da região e da imensidão de areia dos Lençóis Maranhenses à frente.
A volta pelo rio Preguiças, sem pressa, faz jus ao nome que, segundo o guia que acompanhava o grupo, ganhou esse nome devido à quantidade de preguiças que havia na região. Ainda hoje é possível encontrar o varagoso mamífero, mas não é fácil, informa o guia. A volta a Barreirinhas é feita bem no fim da tarde, com direito ao pôr-do-sol no rio e ao nascer uma enorme lua.
Quando ir
Entre junho e setembro, não chove na região, faz muito sol e as lagoas e piscinas naturais entre as dunas estão cheias. É o melhor período do ano para se visitar os Lençóis. No entanto, em qualquer época vale a pena ir. Atualmente, a viagem é feita de carro ou ônibus, de São Luís a Barreirinhas.
São um pouco mais de três horas pelos 259 km que separam as duas cidades. A estrada está toda asfaltada, mas há quem prefira ir de avião monomotor, fretado na capital, e fazer a travessia em 40 minutos. A vantagem é que, além de economizar tempo, na chegada você já sobrevoa as dunas e lagoas dos Lençóis.
O ruim de uma viagem aos Lençóis Maranhenses é quando acaba. O gosto de “quero mais” é perturbador. Voltar a São Luís para o embarque parece um martírio. Mas você certamente terá a certeza de ter conhecido um lugar único no mundo.
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