Visite o Pantanal e aproveite para observar e fotografar os bichos e a natureza
Conhecer o Pantanal é sempre uma aventura, seja na primeira, na segunda visita, ou quantas vezes se percorram os campos alagados, os rios e estradas de fazendas, cheias de bichos. Viaje Mais foi até Corumbá (MS) para conhecer um novo roteiro proposto para a região: uma viagem em barcos-hotéis. Isso permite o acesso a lugares mais afastados e repletos de bichos. Esse “cruzeiro pantaneiro” é feito em barcos pequenos, que hospedam 8, 16 ou 60 pessoas, no máximo, em seus camarotes.
A navegação é feita basicamente pelo rio Paraguai, o maior da região, que nasce na Chapada dos Parecis, ao norte, e banha todo o Pantanal, percorrendo 2.600 quilômetros até o rio Paraná, alcançando o mar pelo rio da Prata. No caminho que percorre, passa por Corumbá, que se vangloria de possuir no território do município a maior parte do riquíssimo ecossistema pantaneiro dentro do Mato Grosso do Sul.
Capital Pantaneira
Fundada em 1778 pelos portugueses, Corumbá é a maior cidade da região, com cerca de 100 mil habitantes. Conhecida como a capital do Pantanal, de lá partem vários barcos de pesca que navegam o rio Paraguai e alguns afluentes. Esses barcos são verdadeiros hotéis flutuantes, oferecendo conforto e comodidade – em geral, para o público mais interessado na pesca. O turista que busca a ecologia acaba conhecendo apenas as fazendas e estradas pantaneiras.
Tanto um como outro são excelentes meios de viajar pela região. No entanto, um grupo de empresários se reuniu e decidiu juntar as duas coisas. Com ajuda da operadora Ambiental, colocaram seus barcos-hotéis à disposição do turismo ecológico. O resultado é uma viagem rica em paisagens, animais e história, a começar pela saída, que acontece em Corumbá e não em Campo Grande, a capital sul-matogrossense, como é tradicional em viagens para o Pantanal.
Corumbá, com casarões históricos bem conservados – muitos são tombados pelo Patrimônio Histórico Nacional – é muito agradável. Destaca-se o casario do Porto, cartão-postal da cidade que guarda vestígios de um período próspero. É de lá que sai o barco, ao entardecer, que em Corumbá se transforma num romântico crepúsculo em dias de sol.
Forte Coimbra
Construído em 1775 para defender o território brasileiro das invasões espanholas, foi decisivo para a segurança do País.
Em 1864, em meio à Guerra do Paraguai, chegou a ser tomado pelo inimigo, em maior número. Os brasileiros resistiram o quanto puderam. Só não foram massacrados à custa de muita bravura e um pequeno milagre de Nossa Senhora do Carmo – cuja imagem foi doada ao forte por um antigo comandante, Ricardo Franco, em 1798.
Segundo relatos da época, quando a resistência às tropas paraguaias estava crítica, Dona Ludovina, mulher do comandante na ocasião, pediu para que a imagem da santa fosse exibida no alto das muralhas. Isso comoveu os também religiosos soldados paraguaios, que diminuíram o ímpeto do ataque, permitindo aos brasileiros fazer uma retirada estratégica à noite, já que estavam quase sem munição. Levaram consigo a santa, que só voltaria ao Forte Coimbra dois anos depois.
A imagem está lá até hoje, na capela construída no vilarejo de Coimbra, ao lado da fortificação. É tão grande a veneração dos militares pela santa que no manto da imagem estão distintivos e nomes dos generais comandantes do forte.
O local recebe a visita de muitos fiéis, principalmente vindos de Corumbá. O rio Paraguai proporciona aos viajantes uma paisagem magnífica. Nesse rio imenso e caudaloso, trafegam barcaças de minérios e soja, além de navios de pequeno porte e grandes barcos de pesca. Encontram-se também muitos botes a remo, de pescadores e moradores ribeirinhos.
A região da Estrada Parque, no Pantanal da Nhecolândia, conta com 117 km, a maioria de terra e 87 pontes de madeira. A estrada corta paisagens típicas pantaneiras, como campos e áreas de inundação, corixos e matas, entre os rios Paraguai, Abobral e Miranda. É um dos pontos altos da viagem e caminho ideal para observar a biodiversidade do Pantanal.
Ao longo do percurso, distribuem-se pousadas, pesqueiros e hotéis-fazenda, e uma inigualável vida selvagem que faz a alegria de turistas de todas as idades.
Muitas são as paradas para observar e fotografar os bichos, já que estando lá você confere por que o Pantanal é chamado de santuário da vida selvagem. Em pouco tempo, você avista capivaras, ariranhas, jacarés, cervos do Pantanal, veados campeiros, tuiuiús, garças, anhumas, biguás, jaçanãs, carcarás, guaxinins, araras, colhereiros...
Os grupos que chegam também podem se deliciar com a típica comida regional. Caminhadas por trilhas e cavalgadas estão no roteiro.
No fim da tarde, um ninhal cheio de garças e biguás, além de alguns colhereiros, forma uma cena sem igual para quem não está acostumado. As pessoas fazem apostas de quantas aves podem ter numa árvore. Os palpites vão de 300 a 3.000, sem parâmetros. É chute total, pois é quase impossível saber quantas aves estão por lá. Após o jantar, a focagem noturna de jacarés é a pedida para quem tem coragem e um bom repelente de mosquitos.
O rio Negrinho, afluente do rio Negro, é perfeito para passeio pelos igarapés e corixos, com paradas para banho, pesca de piranha e observação de aves. São muitas as espécies, e um casal de gaviões, no topo de troncos, posa para fotos.
Corumbá
Em Corumbá, vale a pena dar um pulo na casa da artesã Izulina Xavier, onde estão expostos trabalhos confeccionados em pó de pedra e concreto, cerâmica e entalhes em madeira. Dona Izulina, 80 anos, começou a esculpir aos 60 e sua temática gira em torno de santos e animais. Portanto, nada mais natural do que encontrar um enorme São Francisco em seu jardim – talvez o único do mundo cercado por tuiuiús e jacarés. No ponto mais alto da cidade há o Cristo Rei do Pantanal, outra escultura de Dona Izulina, de braços abertos para a cidade e o rio Paraguai.
Para compras, há ainda a Casa do Artesão e a Casa Massa Barro, instituições que preservam, ensinam e vendem artesanato típico e objetos de arte. Por fim, visite o casario do porto descendo a ladeira da Candelária ou a escadaria da Quinze, com seus 126 degraus. Vá ainda conhecer o casarão da Estação Natureza da Fundação O Boticário: há uma exposição interativa que dá uma boa ideia de como é o Pantanal, seu clima e seus habitantes, homens e bichos.
A viagem é feita em barcos que podem acomodar de 8 a 60 pessoas. As cabines têm banheiro privativo e ar condicionado. Mesmo não sendo muito espaçosas, são agradáveis. Conforme o barco, cabem de 2 a 4 pessoas por cabine. No barco menor, para até 8 pessoas, basta um casal, por exemplo, para viabilizar o roteiro proposto no Pantanal.
A alimentação no barco é simples, mas bem feita. Há cozinheiro próprio e um bom menu: geralmente carne e peixe, acompanhados de arroz e feijão e mandioca. Se houver pesca na viagem, o produto acabará no prato do viajante.
Nas fazendas, a acomodação é simples, mas é tudo bem limpo. Algumas contam com ar condicionado, mas a maioria, porém, ainda não tem luz elétrica. Em alguns lugares, pode-se dormir em galpões cercados por telas e em redes, mas é opcional. A comida é sempre típica e muito boa. O churrasco é servido quase que diariamente.
Se você não abre mão de luxo e sofisticação, não é um roteiro com a sua cara. Há um um clima mais de aventura ecológica do que de cruzeiro. O privilégio maior é estar em contato direto com a cultura, a história e a imensa riqueza natural do Pantanal.
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Clique aqui para se autenticar.- Publicado em 10/05/2012 18:04 - Atualizado em 14/05/2012 13:23
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