Conheça os variados roteiros turísticos em Cancún e Rivieira Maia
Não é qualquer cidade turística que toma dois baques em pouco mais de três anos – furacão Wilma em 2005, o qual atingiu Cancún com ventos de quase 300 km/h, mais os inúmeros casos de gripe pelo vírus H1N1 que assustaram o México e seus visitantes no primeiro semestre de 2009, ambos somando bilhões de dólares de prejuízo para a cidade – e ainda segue quase que prontamente lembrada quando os turistas pensam numa viagem pelo Caribe que tenha no roteiro muito mais que as famosas e mornas águas da região. Ou seja, um programa que também inclua hotéis cheios de mordomia (e com vista estonteante da janela ou sacada do quarto), compras, baladas e passeios variados, que vão da diversão pura e simples, como nadar com golfinhos e pilotar uma lancha rumo a um ponto de snorkelling, às aulas de história e mitologia in loco, quando se visitam a s impressionantes pirâmides e sítios arqueológicos maias.
E como “fênix” que é, não tenha dúvida que Cancún aproveitou as “férias forçadas” a que foi submetida em meses como maio de 2009, quando a ocorrência da gripe A no México fez a ocupação dos hotéis locais despencar ao nível de 15%, ante os 78% no mesmo período do ano anterior, para arrumar ainda mais a casa para a chegada dos turistas que invadirão suas praias e resorts na temporada, incluindo milhares de brasileiros.
Assim, além de novos restaurantes e lojas e dos mimos preparados pelos hotéis, os brasucas têm outra ótima novidade: a facilidade de voar diretamente para o balneário mexicano, sem as costumeiras conexões na Cidade do México ou nos Estados Unidos. Com menos tempo a bordo (cerca de oito horas) e vislumbrando o mar de muitas matizes logo depois da saída do aeroporto, fica fácil matar a curiosidade e verificar se a água de Cancún faz jus à sua fama – a propaganda local diz que, ali, é possível contar até sete variações de tons de azul. A resposta é... Bom, as fotos desta reportagem dão uma boa ideia do que se encontra por lá, mas a conclusão é infinitamente melhor se você tirá-la ao vivo.
O doce caminho do mar
Como bom destino caribenho, o mar de incríveis nuances está sempre envolvido com as grandes atrações de Cancún, seja para pegar um bronzeado e curtir um dia de dolce far niente na praia, seja para se jogar numa série de atividades aquáticas.
Para quem está hospedado na Zona Hoteleira, parte de Isla Cancún – uma ilha planejada em formato de 7, separada do continente pela Lagoa Nichupté e ligada a ele por pontes e onde a maioria dos visitantes fica –, chegar à praia é bico. Como os resorts são “pé-na-areia”, basta descer alguns degraus e aproveitar a estrutura oferecida por eles, como guardas-sóis, espreguiçadeiras e serviço de bar, além de atender ao irresistível chamado da água em azul degradê para um mergulho, que parece uma extensão das piscinas de borda infinita com que os resorts brindam seus hóspedes. Porém, se a escolha for por um hotel mais afastado, o visitante terá de andar um pouco e encontrar um dos sete acessos liberados ao público em geral. É que, ainda que a faixa de areia seja voltada à utilização pública, a entrada nas proximidades dos resorts é controlada por eles e acaba sendo de uso restrito dos hóspedes.
Depois de ter dedicado um dia à tranquilidade total na praia, invista em outras maneiras de aproveitar o mar – o Jungle Tour, oferecido pela maioria das agências, é uma ótima pedida. O passeio, que não tem nada a ver com o jungle (selva em inglês) que está no nome, começa com os próprios participantes dirigindo uma pequena lancha, para duas ou quatro pessoas, pela Lagoa Nichupté. O objetivo é alcançar o mar, onde é feita uma parada para a prática de mergulho livre, com o uso de máscara e snorkel. São 45 minutos dentro d’água, que passam “nadando”, já que é super relaxante observar os habitantes coloridos e por vezes de aspecto esquisito que povoam e movimentam o fundo do mar.
A curtição aquática pode continuar em Isla Mujeres, que está a meia hora de barco da cidade. Nessa ilha, assim como em Xcaret (um parque a 70 quilômetros da Zona Hoteleira de Cancún, cujas atividades mesclam natureza e cultura mexicana), a grande atração é brincar com os golfinhos. Como esses mamíferos são muito espertos e graciosos, realizando atividades como puxar os participantes por um trecho de mar e até dando um selinho neles, é bem divertido dividir a água, por uma hora, com esses simpáticos animais, apesar de cada pessoa inteagir bem pouco com eles. É que os grupos normalmente são muito grandes, pois o complexo, para não estressar demais os bichinhos, limita a brincadeira a quatro horários diários e, assim, restam aos golfinhos se desdobrar para passar um pouco de tempo com cada visitante.
Isla Mujeres também oferece um parque, o El Garrafón, que complementa muito bem um dia “molhado”. Nele, é possível praticar snorkelling, caiaque e despencar numa tirolesa que atravessa o mar, além de dar umas pedaladas curtindo a brisa no rosto.
Depois de se empenhar em tantas atividades, o cansaço e a vontade de voltar para o aconchego do quarto do hotel são inevitáveis, mas não vale pegar o barco de volta para Cancún. É indispensável circular ainda pela ponta sul dessa ilha, que guarda penhascos que hipnotizam com o visual e o barulho da água batendo nas pedras.
O lado festeiro de Cancún
Se o dia consome muita energia dos turistas, a noite é a mesma coisa. Isso porque a vida noturna da cidade é uma das mais agitadas de todo o Caribe, concentrando-se basicamente no km 9,5 do Boulevard Kukulcán, avenida que corta a parte turística de Cancún. Além de um Hard Rock Cafe e de baladas que se repetem em outras ilhas caribenhas, como a Carlos’n Charlie e Señor Frogs – misto de bar temático e boate com decoração divertida e frases espirituosas espalhadas pelo salão, que oferece muitos coquetéis à base de rum e tequila e embala a galera ao som de Shakira, Rihanna e Beyoncé –, há a procuradíssima casa noturna Coco Bongo, que há anos reina no pedaço.
A casa vira puro agito a partir da meia noite, quando seu slogan (“onde os shows de Las Vegas encontram a festa”) realmente começa a valer. Assim, entre uma música e outra, num set list que coloca todo mundo para dançar, dezenas de artistas entram em ação no palco, imitando estrelas do rock, do cinema e até super heróis. Sem falar de alguns números circenses e performances inspiradas em cenas famosas do cinema.
Com tanta animação e a possibilidade de incluir no ingresso a barra libre (consumo à vontade de bebidas alcóolicas, ), a ferveção vai até quase o amanhecer, com cenas como a “invasão” do balcão de venda de bebidas, que vira palco para meninos e meninas, principalmente, botarem para quebrar, mais as divertidas performances dos clientes, convidados pelos artistas da casa a subirem no palco principal, especialmente depois de beberem algumas doses de tequila e margaritas, as bebidas locais por excelência. Só não exagere você também nos drinques, para evitar a ressaca e a perda de mais um lindo dia de sol caribenho, que pode ser curtido nas praias ou nos sítios arqueológicos dos arredores de Cancún.
Riviera Maia
O bom de viajar para o balneário mexicano é que, além das praias para se refestelar ao sol e do sem fim de atividades aquáticas, ainda dá para voltar no tempo e conferir impressionantes e bem conservados monumentos maias. Eles estão localizados numa faixa litorânea de cerca de 200 quilômetros denominada Riviera Maia, que ajudam o turista a visualizar a história desse povo que dominava a região na época da chegada dos colonizadores espanhóis. E nada melhor do que começar essa aula de história ao vivo por uma das novas maravilhas do mundo, que também é considerada pela Unesco como Patrimônio da Humanidade e, na realidade, está fora do litoral: o complexo de Chichén-Itzá, a 170 quilômetros de Cancún.
As inúmeras construções, provavelmente datadas do século 50 e feitas para abrigar os dirigentes e líderes religiosos desse povo, chamam a atenção pela grandiosidade e pelas técnicas utilizadas para erguê-las, já que os maias tinham grandes conhecimentos de matemática, física e astronomia. Isso é notado nas bem conservadas ruínas do observatório astronômico, no campo do jogo de bola e no Castelo, a pirâmide de 30 metros de altura que é cartão-postal do complexo de Chichén-Itzá.
Além de templo – pois os maias acreditavam que naquele local estava enterrado o deus Quetzalcoatl, ou Kukulcán, na língua nativa –, a pirâmide servia como calendário, tendo sido construída com base na posição do sol. É que cada um dos quatro lados conta com 52 painéis representando o ciclo maia (a cada ciclo de 52 anos era escolhido um novo governante para o povo) e 91 degraus. Multiplicando esses números, chega-se a 364, ao qual soma-se o último patamar, comum a todos os lados da pirâmide, o que totaliza 365, ou seja, o número de dias do atual calendário gregoriano. E como os maias sabiam que dia era? Eles analisavam as marcas deixadas pelo sol nas paredes internas da construção, que entrava pela parte de cima da pirâmide.
Mas, no engenhoso templo calendário e nos outros monumentos, não se pode mais subir para uma observação detalhada. Primeiro, por causa do vandalismo – houve casos de ruínas riscadas por visitantes – e também porque o peso de tantos turistas estava deteriorando as construções.
Depois de entre três e quatro horas andando por ali, já foi possível explorar bem o complexo. Como certamente uma fominha surgiu, pode-se almoçar no restaurante do hotel Mayaland, especializado na culinária da Península de Yucatán, onde fica Cancún, e com direito a muita música e dança mexicana. Depois, para quem já estava com vontade de cair na água para se refrescar do calor, a dica é parar no cenote de Ikil, a apenas 3 quilômetros do sítio arqueológico.
Os cenotes são poços naturais, de água doce, formados pelo desmoronamento de terra. Na realidade, parecem cavernas verticais, com um lago profundo no meio. Apesar da interpretação que os maias faziam deles – eles acreditavam estar diante de caminhos para o mundo dos mortos –, os poços nada têm de assustador. Ao contrário. O Ikil, administrado por descendentes dos maias (como ocorre com vários outros cenotes), exibe, à tarde, um visual incrível, com os raios de sol iluminando o poço e formando interessantes efeitos de luz e sombra. Para completar, sua água tem uma bela coloração, convidando a um refrescante banho.
Outro ponto histórico imperdível da Riviera – e que demonstra o quanto os maias tiveram muito bom gosto para construir uma de suas cidades – é Tulum, a 120 quilômetros de Cancún. Erguida por volta do ano 900 e transformada na principal cidade portuária desse povo, Tulum reúne uma combinação de atrações quase inacreditável: as ruínas, incluindo uma fortaleza e uma construção no topo de uma sucessão de pedras que termina no mar, são cercadas por muito verde e estão pertinho da praia, mais uma daquelas com um “marzão” de cair o queixo. Com certeza, é um dos panoramas litorâneos mais sedutores do México.
Fora da área do sítio arqueológico, Tulum, com jeitão mais mexicano do que a americanizada Cancún, segue encantando. Há vários restaurantes bacanas, muitos deles de culinária italiana, e baladas descoladas, incluindo festas na praia.
A estilosa Playa del Carmen
Para quem acha que já viu e aproveitou as melhores praias no entorno de Cancún ou mesmo em Tulum, não sabe o que ainda está por vir. A 70 quilômetros de Cancún, Playa del Carmen tem um estilo diferente da vizinha famosa, sendo bem mais charmosa e com jeito de verdadeiro paraíso mexicano, sem os grandes hotéis e shoppings de Cancún. E ainda reserva praias relativamente tranquilas, principalmente na parte norte, como é o caso de Playa Coco, as quais exibem longas faixas de areia branca e mar muito azul.
Uma beleza que pode ser aproveitada com a estrutura e a badalação de clubes pé na areia como o Mamitas e o Kool by Playa Tukan, que providenciam tudo – espreguiçadeiras, redes, música, coquetéis geladinhos... – para um dia perfeito à beira-mar.
Depois desses momentos sob as bênçãos do astro-rei, todo mundo segue para o segundo round do agito: parar nos muitos bares e restaurantes de culinária do mundo todo ou dar um giro pelas lojas da Quinta Avenida, paralela à praia e a principal do balneário, com acesso liberado somente para pedestres e movimentada durante todo o dia.
As barraquinhas de artesanato e souvenires também se sucedem na alegre Quinta Avenida, que, por ser um lugar frequentado sobretudo por estrangeiros, conta com preços altos mesmo para artigos comuns como bolsas e bijuterias. Então, pechinche, e em espanhol. Ou mesmo portunhol, pois os vendedores recomendam: “Si hablas español es más barato”.
Para cair de vez na balada, o que é muito recomendado, cogite a ideia de pernoitar na cidade, em vez de fazer um bate-volta até Cancún. Assim, o esquenta para a noite pode começar nos bares dos hotéis-design Deseo e Básico, ambos na Quinta Avenida. Quando for hora de investir na ferveção, o endereço muda para a Calle 12, onde não faltam bares e casas noturnas, incluindo até uma filial da Coco Bongo de Cancún, na esquina com a Avenida 10.
A cidade também é um bom pit stop para quem vai seguir para Cozumel (é de Playa del Carmen que sai o ferry boat para essa ilha que está entre os melhores pontos caribenhos de mergulho); ou está a fim de se acabar nas atrações de parques como o Xplor e o Xcaret – esse último, a apenas três quilômetros de Playa del Carmen, é uma mistura de zoo, lugar para praticar atividades de ecoturismo, nadar com golfinhos, assistir a espetáculos que celebram as culturas maia e asteca e o folclore mexicano e, vá lá, simplesmente tomar sol.
Porque o grande barato da região é esse: oferecer programas para exigentes “ratos de praia” e para esportistas e aventureiros; para os que acordam cedinho para mergulhar e acabam se encontrando com quem vem da night; para os gourmets e caçadores de grife aos que preferem um simples pescado preparado à moda nativa e trazem na mala itens tipicamente mexicanos. Com a possibilidade de diversão para todas as tribos, nem furacões ou outros males deveriam atingir e ofuscar a estrela de Cancún e da Rivieira Maia.
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