Respire os ares de Santana dos Montes
Santana dos Montes é uma minúscula cidade histórica plantada numa vale fértil no caminho entre Ouro Preto e Tiradentes, onde ocorreu o auge do ciclo do ouro em Minas Gerais, toda aquela região criava gado e produzia víveres para abastecer os centros mineradores.
Inúmeras fazendas surgiram em terras doadas como sesmarias entre aquelas montanhas do extremo sul da Serra do Espinhaço. De uns tempos pra cá seis dessas fazendas centenárias nas redondezas de Santana dos Montes foram restauradas, após décadas de abandono, e transformadas em aconchegantes pousadas. Juntas formaram um novo destino turístico em Minas Gerais que recebeu o nome de "Fazendas do Ouro".
A Fazenda Fonte Limpa
Por enquanto, pouca gente sabe da existência de Santana dos Montes e de suas fazendas coloniais. Nem os próprios moradores de Belo Horizonte que estão a apenas 130 km de distância, sabem que ali é possível vivenciar o turismo histórico de uma perspectiva totalmente nova - se é que se pode chamar de nova uma fazenda construída por escravos a cerca de 250 anos.
A primeira a abrir as porteiras aos visitantes foi a fazenda Fonte Limpa. A fazenda começou a ser restaurada em 1993 e levou sete anos para concluir o trabalho longo e artesanal, necessário para que instalações elétricas e hidráulicas fossem embutidas nas velhas paredes de pedra e taipa de maneira a não comprometer esteios (as grandes vigas de madeira da fundação) e não precisar usar concreto. Ferramentarias, telhas originais, madeira de demolição para refazer pisos e móveis coloniais foram garimpados uma a um em antiquários espalhados do interior mineiro. Tudo para que o projeto original fosse mantido. Não foram feitas ampliações ou novas edificações. Toda a pousada foi adaptada nos espaços originais. O restaurante construído onde antes ficava a senzala e os quartos no antigo pouso para tropeiros.
O resultado é que a Fonte Limpa, tombada pelo Patrimônio Histórico de Minas Gerais, preserva completamente o clima de velha fazenda. A casa-sede, o paiol e o engenho estão intactos. Nas brumas das manhãs, ovelhas pastam soltas e os cavalos já estão com a cabeça para fora das cocheiras à espera da primeira refeição do dia. Tornou-se, enfim, um lugar que resgata a vida rural dos tempos do Brasil-Colônia, mas com todas as comodidades que os hóspedes de hoje exigem. E por um preço que está bem abaixo do que realmente vale, não é lá uma tarifa de albergue mas é preciso levar em conta que todas as refeições estão incluídas no valor da diária, café da manhã, almoço e jantar.
A fazenda dispõe de quatro categorias de apartamentos com nomes de metais preciosos: bronze, prata, ouro e diamante. Nenhum é igual ao outro uma vez que, como já se disse, foi preciso aproveitar os espaços pré-existentes. Todos estão equipados com frigobar, camas com colchões de mola, endredons e travesseiros com plumas de ganso, chuveiro forte, lareira ou aquecedor. TV de tela plana de bom tamanho em breve também será onipresente em todos os quartos, conforme me garantiu o proprietário. O diamante é o mais espaçoso, independente, com TV de 42 polegadas, varanda e banheira de hidromassagem dupla. A área de lazer inclui três piscinas, duas delas aquecidas - uma externa e outra em ambiente interno climatizado - e um pequeno spa com sauna, sala de massagens, jacuzzi e, para turbinar o romance entre os casais, uma sala de ofurô com vista para mata.
O convite irresistível da culinária
Se a estrutura da fazenda já é capaz de agradar até os turistas mais exigentes, os amantes da boa comida mineira vão ficar de joelhos mesmo na hora das refeições. Das panelas de ferro fumegantes no fogão à lenha, pilotado pela simpática Verinha Dias, saem clássicos como costelinha de porco com mandioca na manteiga, lombo com feijão tropeiro, frango ora-pro-nobis e, aos sábados, feijoada completa. A sobremesa fica toda numa mesa à parte e são especialidades de Dona Eda Vasconcelos, mãe de Rodrigo, autora de quindins, ambrosias e compotas que seguem a tradição de receitas da família. A melhor coisa a fazer é dar um tempo na dieta e se fartar sem culpa. O café da manhã é outro inimigo da balança. E a lista é longa: pães de queijo, bolinhos de chuva, broa de fubá, bolos de diversos tipos, ovos, frios e pães caseiros. E basta pedir que o café pode ser servido no quarto, no horário que o hóspede desejar.
A maior curiosidade da Fonte Limpa é que, ao contrário do que se espera do ritmo de vida numa fazenda, é que ali ninguém é obrigado a dormir com as galinhas. Na sede da fazende foi projetada uma boate com direito a luz negra, globo e pista de dança com chão iluminado, inspirado do filme Saturday Night Fever, com John Travolta.
Fazenda do Tanque
Concluído a primeira fase do projeto, surgiram novas fazendas como a Fazenda do Tanque, a Santinho, a Monte-Líbano e a Paciência. Completam o grupo a Pousada Solar dos Montes, que fica num casarão no centro histórico de Santana dos Montes, e a requintada Fazenda Santa Marina.
A casa-sede da Fazenda do Tanque teve que ser quase totalmente reconstruída. A divisão interna foi alterada para adaptar os quartos. O antigo paiol e o chiqueiro foram demolidos para edificação de uma casa de dois pavimentos com outros apartamentos. O pátio ganhou uma fonte de pedras, que simula um bebedouro de cavalos, e um bonito paisagismo.
Foi erguida num método de construção do século 19, que já incluía tijolos. E segundo por conta da pesadas reformas pela qual o conjunto arquietônico teve que passar. Mesmo assim preserva o contexto de fazenda, com a casa-sede interligada ao engenho, onde ainda funciona um enorme monjolo d'água, bem ao lado do restaurante. Ganhou apenas mais jeitão de hotel.
Em compensação a estrutura de lazer ficou maior. A piscina foi feita numa parte elevada do terreno, em forma de lago, com cascata artificial e um deque de madeira de onde qualquer mesa oferece vista encantadora para as montanhas da Serra do Espinhaço. É onde os hóspedes mais gostam de ficar já que tudo fica perto dela: a ampla sala de jogos, a quadra de tênis, uma outra piscina, só que aquecida e dentro de um espaço climatizado, além de um campinho de futebol todo gramadinho, que é o sonho de qualquer boleiro de final de semana. Com tudo isso, não dá vontade de sair dali pra nada. Mas há muito o que ver nas redondezas. A começar pela pequena Santana dos Montes que tem um simpático centro histórico com 95 casarões coloniais entre a praça principal e algumas ruas adjacentes.
Santana dos Montes é a paz em forma de cidade. Quase nada acontece por lá e qualquer carro que passa vira motivo de curiosidade pública.Para o visitante resta caminhar na tal praça e conhecer a lojinha de artesanato com as curiosas peças de Dona Helena Rodrigues, que ficou especialista em produzir de tudo - bolsas, chapéus, pulseiras... - usando como matéria-prima saquinhos de supermercado. Rende um passeio bucólico, muito tranquilo, e que pode ser incrementado com uma visita a Matriz de Santo Antônio, uma igreja com pinturas do Mestre Athaíde, um dos maiores expoentes da arte barroca brasileira, que fica na vizinha Itaverava, 18 km adiante.
Isso sem contar que as mais importantes cidades históricas de Minas Gerais estão pertinho. Ouro Preto está a 80 km. Tiradentes fica a 100 km. E Congonhas do Campo, que abriga a Basílica do Bom Jesus de Matosinhos, adornada com os doze profetas de pedra-sabão de Aleijadinho, a meros 50 km. Ou seja, as fazendas de Santana dos Montes podem servir como base a quem se dispuser a explorar o melhor da história de Minas Gerais hospedado da forma mais autêntica e original possível.
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Clique aqui para se autenticar.- Publicado em 10/05/2012 18:04 - Atualizado em 14/05/2012 13:23
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