Curitiba alia parques e bosques na região metropolitana e espaços de lazer
Parques e praias! Sem nenhum exagero, esta frase mostra exatamente o que Curitiba (PR) tem a oferecer não só para os seus habitantes, mas principalmente a quem a visita. Um verdadeiro mar de verde está à disposição da população em mais de 30 parques, praças e bosques municipais.
Vanguardista em urbanismo, a metrópole do futuro aliou a beleza natural de parques e bosques na região metropolitana e criou espaços de lazer onde havia vazios urbanos. Em 1972, a prefeitura tomou uma decisão estratégica em relação a estas áreas: em vez de loteá-las implantou uma espécie de “reserva de mercado ecológica”. Nasceram assim os parques Tanguá, a Ópera de Arame e a Pedreira Paulo Leminsky, entre muitas outras áreas de parques e bosques com funções de preservação, saneamento, lazer e contenção de enchentes.
Costuma-se dizer que o próprio funcionamento da cidade se transformou em atração turística, o que se comprova nos calçadões, no diferente sistema de transporte, na pioneira rua 24 horas, nos bairros típicos e na maneira peculiar de homenagear, nos jardins e praças, as diversas etnias imigrantes que formaram o povo curitibano.
Lá estão o Memorial Árabe, o Bosque do Papa ou Memorial Polonês, o Bosque Alemão, o Memorial Ucraniano, o Portal Italiano no bairro Santa Felicidade e a Praça Japão.
Ônibus turístico
Apesar da excelente rede viária e de transporte público da cidade, foi criada em 1994 a Linha Turismo para interligar tudo isto e facilitar a vida do turista sem seu veículo de locomoção. Trata-se de um ônibus que circula pelos 44 quilômetros de roteiro por 25 principais pontos atrativos entre parques e praças.
Todo trajeto é completado em duas horas e meia, mas claro que uma vez que se desça do veículo há no mínimo meia hora até passar o próximo ônibus, o que aumenta o tempo do passageiro no roteiro. É aconselhável fazê-lo em dois dias para aproveitar bem as atrações sem pressa.
O ônibus é, na realidade, uma moderna jardineira branca. Sai da Praça Tiradentes, o marco zero da cidade, bem em frente à catedral. Mas é possível iniciar o trajeto em qualquer um dos pontos de parada.
Para o passeio é necessário comprar uma cartela com cinco tíquetes que só é vendida pelo cobrador, dentro do próprio veículo e dá direito a um embarque e quatro reembarques no trajeto turístico. O ônibus passa em cada parada pontualmente a cada 30 minutos e os horários podem ser conferidos num poste ao lado de cada ponto, uma verdadeira aula de Primeiro Mundo. Como se não bastasse, antes de cada parada um alto falante anuncia em português, espanhol e inglês as informações do roteiro. Muito civilizado.
Uma a uma, as atrações vão passando: rua das Flores, rua 24 horas, Museu Ferroviário, Teatro Paiol... O Jardim Botânico é parada obrigatória. Cartão-postal da cidade, foi inaugurado em 1991. Os maravilhosos jardins, fontes e a famosa estufa de estrutura metálica que abriga espécies botânicas de referência nacional formam um complexo de lazer e cultura dos mais agradáveis. Em outro galpão ao lado da estufa pode-se visitar o espaço cultural do artista plástico Franz Krajberg, que abriga 114 esculturas de grande porte e relevos entalhados em casca de árvores.
É o primeiro local do mundo projetado especialmente para abrigar as obras do artista polonês naturalizado brasileiro.
Outra boa parada é o Passeio Público, com históricos portais. Datado de 1886, é o antigo zoológico da cidade, hoje uma área recuperada com lagos e ainda com um pequeno zôo. Ou seja, um belo parque em pleno centro da cidade.
De olho no museu futurista
Imperdível é o MON, Museu Oscar Niemeyer, o “maior e mais moderno museu do Brasil”, se vangloriam os curitibanos. Foi projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer e tem uma torre em forma de olho que dá um toque futurista à obra. Bem atrás, tão encostado que dá para ir a pé, está o Bosque do Papa ou o Memorial Polonês, composto por sete casas feitas de troncos encaixados, sem pregos, ao estilo arquitetônico polonês – foi inaugurado em 1980 na ocasião da visita de João Paulo II a Curitiba.
Seguindo o roteiro vem o Bosque alemão. Lá é possível percorrer a trilha de Joãozinho e Maria, a casa encantada, o oratório Bach e a torre dos Filósofos, com uma excelente vista da cidade.
Logo adiante, o ônibus pára na Universidade Livre do Meio Ambiente, nada mais apropriado para a cidade. Inaugurada em 1992 pelo famoso oceanógrafo Jacques Cousteau, a primeira Universidade criada para estudar o desenvolvimento e preservação ambiental só poderia estar na capital paranaense, e ainda no meio de um bosque, o Zaninelli.
Mais adiante, chega-se a outro cartão-postal da cidade: a Ópera de Arame, que é ligada à Pedreira Paulo Leminski. No lugar do que era uma antiga pedreira desativada, ergue-se uma estrutura tubular do anfiteatro que foi construído no tempo recorde de 75 dias para abrigar a primeira edição do Festival de Teatro de Curitiba, em 1992. É um marco arquitetônico que, por causa da estrutura tubular, chega a lembrar arame. Está suspensa, quase flutuante, ligada por uma passarela suspensa acima de uma lagoa. Já a Pedreira Paulo Leminski é um exemplo de aproveitamento de uma área devastada que acabou virando local para shows ao ar livre, com um grande palco permanente. Tem capacidade para 30.000 pessoas – por lá já se apresentaram grandes nomes como ex-beattle Paul McCartney e o tenor José Carreras.
Cachoeira artificial
O fim da tarde é um ótimo horário para se chegar ao parque Tanguá. Este é outro exemplo de reaproveitamento do espaço urbano. Era também uma área de antigas pedreiras, num espaço com 450.000 metros quadrados. De enorme paredão de pedra cai uma belíssima cachoeira artificial num lago, ligado a um pequeno riacho por um túnel de pedra. Acima, o conjunto arquitetônico modernista proporciona uma bela vista do complexo e o pôr-do-sol torna ainda mais especial o lugar.
Um café-bar no deque do lago, com cadeiras e guarda-sóis dá o toque que faltava para curtir o fim de tarde em clima “europeu”.
O passeio curitibano continua por outros belos parques, como o Tingüi, o segundo em popularidade. O nome remete aos primeiros ocupantes dos campos de Curitiba, os índios Guarani. É no Parque Tingüi que se encontra o Memorial Ucraniano, justa homenagem ao centenário da chegada ucraniana ao Paraná. O Memorial é uma réplica de uma igreja típica, toda em madeira com a cúpula em bronze, totalmente integrado na paisagem – é um dos mais belos memoriais da cidade.
Centro gastronômico
O bairro de Santa Felicidade, colônia formada em 1878 por imigrantes italianos, é um dos principais eixos gastronômicos da cidade, com cantinas e restaurantes típicos. Alguns são tão grandes que se orgulham de servir mais de 400 refeições simultaneamente.
Muita gente se programa para chegar à região na hora do almoço e aproveitar para escolher o melhor local para a refeição. Depois, continua o passeio a bordo do ônibus turístico de barriga cheia.
Uma das paradas é na Torre da Telecom: é o local mais alto de Curitiba. Única torre de telefonia aberta a visitação no Brasil, tem 109 metros de altura e abriga um mirante de onde se vê a cidade em 3600. Mas as janelas de vidro têm muito reflexo, principalmente ao fim da tarde, o que torna muito difícil fotografar a vista. Perto dali fica o Parque Barigüi, o preferido do curitibano para caminhadas e lazer. Tem vários equipamentos de ginástica e parque de diversões. Está sempre cheio, com muita gente bonita – por isso, é um excelente lugar para se conhecer pessoas. Também serve de refúgio de vários animais nativos e migratórios. É pura natureza dentro do espaço urbano.
Região central
A visita à cidade não fica completa sem uma passada no setor histórico, com igrejas, casarões antigos – alguns transformados em espaços culturais, restaurantes e bares, onde pode se encontrar o curitibano no happy hour e nas noites de sexta e sábado.
Aos domingos pela manhã acontece a Feira de Artesanato, entre o largo da Ordem e a praça Garibaldi, subindo a rua em direção ao Relógio de Flores e as ruínas da igreja de São Francisco de Paula – na realidade, nunca concluída. A feira costuma ficar lotada. É outro ponto de encontro de gente, do curitibano e do turista.
Com tantas virtudes, não é de se estranhar que muitos paulistas e cariocas tenham escolhido Curitiba como lar. Em contraste com outras grandes capitais, tudo parece funcionar direito, as pessoas são cordiais e o sistema de transporte é impressionantemente eficiente.
Como se lê num outdoor: “aqui o progresso anda de ônibus”. E o turista também, pois não há forma mais econômica e prática de conhecer a metróple do futuro num fim de semana pra lá de gostoso.
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