Conheça as belas praias da Polinésia Francesa
O tiare é um colar de flores ou de conchas que os polinésios penduram no pescoço dos visitantes como sinal de acolhimento. Você recebe o primeiro no aeroporto de Faaa (assim mesmo, com três “as”) quando desembarca em Papeete e outros sempre que entra em um novo hotel, em qualquer das ilhas dos três arquipélagos que compõem a idílica possessão francesa nos confins do Oceano Pacífico. Tenho uma dezena deles pendurados em minha sala — só os que vieram do mar, porque os demais se desfizeram —, e são todos como medalhas de uma grande conquista pessoal. Porque a Polinésia Francesa não é um destino: é uma conquista. Depois dela (anotei em minha caderneta), todas as praias de seu futuro vão perder um pouco da graça.
A ironia é que, nas duas temporadas que passei por lá, viajei na companhia de fotógrafos. Nenhuma queixa quanto a eles, excelentes profissionais e bons companheiros de trabalho. Mas o Taiti e suas ilhas não são lugares para se visitar com amigos. Nem com irmãos. Nem, muito menos, em jornadas solitárias. Ao primeiro tiare você entenderá que está em um arquipélago projetado para casais. Cujas camas estão sempre cobertas de flores e onde os jantares serão sempre à luz de velas.
E, de fato, é preciso estar vivendo o transe hipnótico de uma paixão para desprezar considerações mundanas como assustar-se com os preços polinésios. Eles são quase tão fabulosos quanto a cor das águas que banham Bora-Bora. E tão inevitáveis quanto o sorriso franco dos corpulentos nativos, também eles enfeitados de flores, como em um grande e edênico jardim.
Há de quebrar a cara quem julgar possível fazer uma viagem econômica para essa parte do mundo. A Polinésia Francesa só se oferece por inteiro a quem viaja em grande estilo. O acesso ao mar, por exemplo, é praticamente exclusivo aos hóspedes de hotéis com bangalôs suspensos. Você nem precisa ficar em um deles, vendo peixes coloridos a nadar sob o criado-mudo. Mas seu apartamento terá de ficar nas imediações.
E será caro. E um hamburguer poderá custar vinte dólares (imagine o vinho!). Pois é assim mesmo: a Polinésia não é apenas exclusiva porque habita o imaginário de todos os apaixonados desse planeta. Mas porque fica longe de tudo. A água que você vai beber vem de fora. Seu travesseiro é de além-mar. Até mesmo você atravessou metade do planeta para ter certeza de que o mar tem mesmo a cor que você viu nas fotos e não é apenas um truque de photoshop.
Nem se importe. Venda uma jóia de família. Adie a reforma daquele seu puxadinho. Mas viaje com o espírito e o bolso abertos. E, se possível, não leve o fotógrafo a tiracolo, como eu fiz.
Lembranças da Polinésia
O calçado especial
Veterano na Polinésia, o fotógrafo Jaime Bórquez aconselhou-me a comprar um calçado especial para caminhar pelas praias polinésias, repletas de formações de coral tão belas quanto afiadas. Jaime, que vive boa parte de seu tempo no Chile, não soube me descrever que tipo de calçado ele próprio havia adquirido em Santiago — e que já o salvara de cortes nos pés em viagens anteriores. Assegurou-me, porém, que eu poderia encontrá-los em Papeete quando desembarcássemos. Chegamos à noite com as lojas fechadas e, pela manhã, partimos para as primeiras fotos. Curioso para conhecer o avançado calçado-anti-corais, esperei que o impagável fotógrafo — além do mais daltônico —, tirasse o acessório de uma sacola que portava. Poucas vezes rí tanto em minha vida. Munido de câmeras, lentes e rebatedor, Jaimito surgiu envergando um par de valentes melissinhas cor-de-rosa tamanho 42! Fica a dica para os prezados leitores.
Desastre ecológico
Nessa estavamos Valdemir Cunha, outro grande fotógrafo e eu. Fim da tarde na ilha de Moreea, decidimos apanhar uma canoa — na Polinésia chamada piroga — e remar diante do hotel Beachcomber para fotografá-lo do mar com a luz a favor. Moorea é cercada por uma densa faixa de corais e a saída é procurar driblá-la através de estreitos canais feitos para permitir a navegação. Apesar da pouca prática, saimo-nos bem e as fotos renderam. Lamentavelmente, a piroga ficou à deriva durante a sessão de cliques. Na hora de tomar o caminho de volta, vimo-nos entalados nos corais. Sem ninguém nas proximidades e com o sol se pondo, começamos, delicadamente, a tentar empurrar as pobres formações protegidas por lei. E como a canoa recusasse a se mover, bem… Trazemos na consciência a devastação de vários metros quadrados do mais belo coral. Produzida a golpes de remo. Que Tangiroa nos perdoe.
Muito mar, pouca terra
A Polinésia é composta de três arquipélagos e tem, ao todo, 118 ilhas espalhadas por uma área de mar do tamanho da Europa. Ou seja: é possível fazer vôos de três a quatro horas entre as ilhas mais distantes. A soma do território de todas as ilhas, porém, resulta em uma área menor do que a do nosso Distrito Federal.
As Marquesas
As Ilhas Marquesas formar o arquipélago mais distante do Taiti, que é a capital da Polinésia Francesa. E são, de fato, geograficamente diferentes. De origem vulcânica, não são cercadas por atóis e não têm águas tranquilas de cor turquesa como as demais. Guardam, porém, uma beleza selvagem e tradições polinésias já perdidas em outras partes. Foi esse isolamento que fez com o pintor Paul Gauguin e o cantor (belga) Jacques Brel escolhessem a ilha de Hiva Oa como sua última morada. Ambos estão enterrados em um pequeno cemitério de frente para o Pacífico.
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Clique aqui para se autenticar.- Publicado em 10/05/2012 18:04 - Atualizado em 14/05/2012 13:23
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