Visite Cracóvia e passeie pelo centro histórico e experimente sua culinária típica
Antes de os primeiros raios de sol banharem as centenárias ruas do centro velho de Cracóvia, Pawel Kowalski escala os quase 300 degraus que separam o piso da Catedral Mariana (Kosciol Mariacki) do ponto mais alto da torre da igreja, onde executa com seu clarim um trecho da canção medieval Hejnal, interrompida de propósito antes do fim.
O ritual é repetido há séculos, pontualmente a cada hora cheia, e relembra a morte de um vigilante polonês que, logo após anunciar uma invasão bárbara com seu clarim, morreu varado por uma flecha inimiga. Uma dúzia de séculos depois, a nova invasão estrangeira à cidade não é recebida com pedras e paus, mas com o sorriso largo e gestos contidos que os poloneses dispensam aos visitantes. Especialmente aos brasileiros, a quem reverenciam pelas glórias no futebol e tragédias nas telenovelas.
Do mesmo ponto onde Pawel inicia sua jornada de trabalho, partem muitas caminhadas de turistas a fim de explorar a cidade, capital polonesa de 1320 a 1596.
Fundada por volta do ano 700, Cracóvia foi devastada três vezes por mongóis (1241, 1259 e 1287) e fez parte da Áustria, com o nome de Krakau, por duas vezes, de 1795 a 1809 e de 1846 a 1919. Tem um centro histórico tombado pela Unesco em 1978 como Patrimônio Mundial.
Memórias do Papa na cidade da arte
Na Praça do Mercado Central (Rynek Glowny) fica a Catedral Mariana, com suas torres desiguais, vitrais que escaparam das bombas nazistas e presenciaram missas celebradas por Karol Wojtila, polonês que um dia seria o Papa João Paulo II.
Ao largo do Rynek, artistas de rua, pintores, freiras, carruagens e vendedores de flores dividem o espaço no entorno da praça e dentro do Sukiennice, um mercado do século 12, hoje ocupado por lojas de souvenires e artesanato. As bonecas conhecidas como matryoscas (aquelas que cabem umas dentro das outras, como as russas) e imagens da Virgem de Czestochova, padroeira do país, são os itens mais vendidos.
Ainda no Rynek, é possível escalar a Torre da Cidade (Ratusz) e de lá descortinar os limites do centro histórico, delimitado por muros que um dia marcaram as divisas de Cracóvia. A escalada é árdua e como não há nenhuma loja no topo do Ratusz, é melhor levar uma garrafa de água com você. Se a paisagem não tirar seu fôlego, a ginástica certamente o fará.
Embora o Rynek seja cercado de lojinhas e cafés, uma boa opção para recobrar as energias é explorar as ruas Florianska e Grodzka. Ambas partem do Rynek e seguem em direção aos muros da cidade. No caminho, lojas de grife, mercadinhos de pulgas, docerias e alguns decadentes restaurantes populares (Bar Mleczny) entretem o viajante.
Uma ótima aventura gastronômica na Polônia é arriscar-se num desses restaurantes estatais, herança do comunismo, e provar uma porção de pierogi. Espécie de pastel cozido com diferentes recheios, a iguaria é tão típica como uma garrafa de vodca ou uma capela católica. Na sobremesa, peça uma sernik, torta de queijo entre as mais saborosas da Europa.
A Idade média nas ruelas da Cracóvia
Perder-se pelas ruelas da cidade é provavelmente o roteiro mais interessante de se seguir mas se, por acaso, você sentir falta de um rumo, volte à Florianska e a siga até o final. A rua termina em frente ao último portal original de acesso à cidade e, logo à frente, uma fortificação medieval, o Barbakan, deixa claro que na Idade Média era necessário muito mais que grades e muros altos para garantir a proteção dos povoados.
Se você dedicar o primeiro dia ao centro histórico, reserve o segundo para visitar o Wawel. Castelo fortificado às margens do rio Vistula, foi sede de governo da Polônia por cinco séculos e, mesmo depois que a capital foi transferida para Varsóvia, os reis continuaram a ser coroados e enterrados nessa construção onde, diz uma lenda local, já viveu um tenebroso dragão. Na falta do original, um dragão de metal foi construído do lado de fora do castelo. O bicho cospe fogo de verdade e vive cercado de crianças atônitas com as labaredas da fera.
O ponto alto da visita, no entanto, fica por conta da catedral do castelo. A igreja coberta de ouro reúne a nata da arte sacra polonesa. Entre os bancos e o altar túmulos ornados com esculturas de até dois metros de comprimento guardam os restos mortais de reis e heróis poloneses.
Muito mais em Kazimierz
Se o Wawel e o Rynek são pontos obrigatórios de um tour pela cidade, bairros como o Kazimierz oferecem uma visão mais alternativa de Cracóvia. O antigo bairro judeu preserva intocadas e freqüentemente mal conservadas construções originais do pré-guerra e, por isso, foi até locação para a filmagem do premiado filme A Lista de Schindler.
Longe do terror dos anos da ocupação nazista, o Kazimierz de hoje é um bairro boêmio, repleto de bares centenários, cervejarias (piwnicas), muitos bêbados e alguns poetas pelas ruas. Escolha um bar qualquer, desses com uma inscrição Jazz Alive Today na porta e experimente o estilo décadence avec élégance da região.
Os mais conservadores podem terminar a noite com uma sopa de beterraba. Os mais ousados, provar uma legítima Zywiec, a cerveja líder de mercado na Polônia ou, se a noite permitir, algumas doses de Zubrówka, a deliciosa vodca feita de cereais e – acredite – capim! Dizem os poloneses que estrangeiros incautos aprenderam, subitamente, a falar o complicado idioma local fluentemente após esvaziar uma garrafa de Zubrówka.
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Clique aqui para se autenticar.- Publicado em 10/05/2012 18:04 - Atualizado em 14/05/2012 13:23
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