Ilha da Madeira é um destino de aventura repleto de atrações radicais
Pessoas ilustríssimas já colocaram a Ilha da Madeira em Portugal, na lista de prioridades na hora de seguir viagem. Entre tantas, estão Sissi, a imperatriz da Áustria, imortalizada no cinema por Romy Schneider, o Sir Winston Churchill, primeiro-ministro britânico, a rainha Sílvia, da Suécia, e tantos outros príncipes, condes e barões. E para lá, continuam indo simples mortais como nós. Você vai saber o que esse arquipélago de Portugal tem para entrar na lista privilegiada de tantas celebridades.
A Ilha da Madeira como ela é
Com forte sistema de segurança no serviço de imigração para evitar visitantes ilegais, na Ilha da Madeira, talvez por isso mesmo, você se sente seguro. E isso, convenhamos, é muito prazeroso. Depois de assistir a um concerto da mais antiga orquestra de cordas do mundo, a “Madeira Mandolin Orchestra”, ou depois de um jantar seguido de show no cassino, você pode voltar caminhando tranqüilamente para o hotel, em plena madrugada. Melhor ainda. A qualquer hora do dia ou da noite, ao pisar numa faixa de pedestres, o trânsito pára para você atravessar. Ah, gente fina é outra coisa! O madeirense é bem-educado, muitíssimo atencioso e tem boa cultura. Percebe-se isso até em conversas com garçons e taxistas – e quase todos os táxis são Mercedes-Benz.
Há muito a se fazer. Você pode escolher apreciar vistas magníficas do alto de um mirante, de um balão ou de um teleférico ultramoderno, quanto fazer caminhadas pela mata fechada ou escalar montanhas. Pode alugar um carro e, serpenteando entre colinas, vales e cursos d'água, percorrer os onze “conselhos” e seus graciosos povoados. Pode jogar golfe em ótimos “greens”, velejar ou arriscar fichas no cassino.
Pode conhecer alguns dos mais bonitos e exóticos jardins que você já viu. Ou bater pernas pelo centro antigo de Funchal e tomar alguma coisa no Golden Gate Grand Café, datado de mil oitocentos e pouco, e que se auto-intitula “A Esquina do Mundo”. Quem sabe, queira dar um passeio numa réplica da caravela “Santa Maria”, aquela do Cristóvão Colombo que, diga-se de passagem, morou alguns anos na Madeira.
Das quatro ilhas, só duas mostraram condições de povoamento. E mesmo assim, Porto Santo, pela aridez do solo e água salobra, não prosperou muito. Ainda hoje, o grande atrativo de Porto Santo, a 2 horas e 15 minutos de barco de Funchal (capital do Território Autônomo), são os 8 km de praias de areia dourada. Já a Madeira, tão próxima e de clima tão diametralmente oposto, de cara começou rendendo bons lucros.
Lendas e verdades
Por falar em Colombo, a história do arquipélago é bem interessante. Descontadas as lendas que falam até em ele ser remanescente de Atlântida, o continente perdido, é fato que as quatro ilhas eram desabitadas e foram achadas pelos portugueses na época em que o Infante Dom Henrique estava dando início à chamada Era dos Descobrimentos. Como eram desabitadas, para assegurar a posse, a Coroa de Portugal mandou povoar a Madeira. Curioso é que, além da brava gente lusa, mandou também muitos judeus e genoveses. Dessa mistura de sangue, surgiu o madeirense: uma gente bonita e de características marcantes.
Não foi à toa que batizaram a ilha de Madeira. De lá saiu muito cedro e teixo, esta última uma árvore nobilíssima e que pode viver mais de 500 anos. Onde derrubaram matas, os povoadores plantaram videiras, e os vinhedos progrediram.
Plantaram trigo, deu certo. Cultivaram também cana-de-açúcar, foi um sucesso. Foi da Madeira, aliás, que saíram as primeiras mudas de cana e os primeiros mestres de engenho de açúcar para o início da colonização do Brasil. O mel de cana continua fazendo sucesso até hoje. É com ele que se prepara o Bolo Madeira, uma receita centenária que leva também vinho, frutas cristalizadas e muitas especiarias. Quem prova uma vez, não esquece nunca: é magnífico. Vinho, bananas e flores exóticas geram divisas para a ilha. Mas o forte da economia, mesmo, é o turismo internacional. Com uma população de cerca de 260 mil habitantes, espalhados em 741 km2 – mais de duas vezes o tamanho de Ilha Bela (SP), a maior ilha oceânica brasileira – a Madeira recebe cerca de 350 mil turistas estrangeiros – diga-se, da elite europeia – por ano.
Jardim flutuante
O fato concreto é que poucos lugares no mundo possuem os atributos que a natureza concedeu à Ilha da Madeira. Ela conta com magníficas montanhas de até 1.862 metros de altitude, cascatas, falésias e mar bravio de cortar o fôlego. O clima ameno raramente fica abaixo de 15 graus no inverno ou passa dos 23 graus, no verão. A Ilha tem estrutura superequipada para receber turistas exigentes, e conta com gente muito especial. A Madeira, decididamente, é um lugar que vale a pena conhecer.
Recarregar as baterias
Os hotéis são ótimos. De cinco estrelas deve haver por lá bem uma dúzia, e de quatro ou menos, algumas dezenas. Hotéis de todos os tipos. Tanto resorts modernos, à beira-mar, quanto antigas mansões senhoriais transformadas em pousadas de charme – o discreto charme da burguesia, não de badalação. Se você é jovem e gosta de agito, não é um destino muito conveniente. O que mais se vê por lá são casais de 40 ou mais anos, sobretudo ingleses, alemães e escandinavos. Portugueses, mesmo, praticamente só se encontram nos táxis, lojas, hotéis e restaurantes.
O forte são os de frutos do mar. Não necessariamente, contudo, da tradicional cozinha portuguesa. As “espetadas”, por exemplo, uma espécie de brochete gigante, de camarão, carne, lula ou atum, são ótimas. Mas existem restaurantes para todo o tipo de gosto. Inclusive um de comida brasileira (no Fórum Shopping), que serve feijão preto, farofa, couve, lingüiça, banana frita e espeto corrido de boa qualidade.
Curioso é que, embora a Madeira seja bastante freqüentada pela chamada “elite européia”, os preços por lá são relativamente baixos. Mesmo nas lojas de grife internacional – e todas, ou quase todas, estão lá –, os preços não me pareceram escorchantes. Isso ocorre porquê trinta anos atrás, quando obteve o status de Território Autônomo, o governo da Ilha da Madeira baixou drasticamente as alíquotas de imposto. Com isso muito capital de fora aportou por lá, promovendo uma verdadeira revolução econômica. Vai ver que, por isso, num supermercado, você consegue comprar bons vinhos portugueses por preços baixos. Já o vinho madeira, uma especialidade local, custa um pouco mais caro.
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