Quênia une um povo simpático e muita diversidade natural

Dec 31, 1969
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No que depender da beleza selvagem e da biodiversidade, a natureza já fez sua parte no Quênia. O povo, formado na sua maior parte por pessoas otimistas, o carisma dos quenianos, que se dizem irmãos dos brasileiros, fica nítido quando se visita este mágico país da África Oriental. Ele fica localizado nas proximidades da linha do Equador, no pobre nordeste africano, beirando o Oceano Índico. O local é estratégico e serve de ponte entre Ocidente, Oriente, o norte e o sul do continente,no meio do caminho entre Europa e Ásia.

Suas terras abrigam uma imensa beleza natural, com lugares muito interessantes, das grandes cidades ao atraente litoral, sem contar os parques e as reservas naturais, nos quais se pode ver animais selvagens em seu hábitat.

Se você quer mergulhar na verdadeira África, não pense em ir ao Quênia para ficar menos de dez dias. O país tem uma diversidade magnífica dentro de seu modesto território, que é pouco maior que o Maranhão.

Veja, a seguir, alguns destinos que você deve conhecer se for para lá.

Nairóbi, a capital

Panorâmica de Nairóbi, capital do Quênia: 3,4 milhões de habitantes e com os problemas de uma metrópole que cresce rápido e de forma desordenadaA cidade tem sofrido uma profunda transformação em pouco tempo. Hoje em dia, a capital queniana respira capitalismo e desenvolvimento. Mas ainda é possível achar nela um traço colonial, da época da dominação britânica, e também uma forte influência tribal, tipicamente africana.

Essa mistura tem tornado Nairóbi uma das mais instigantes e promissoras cidades africanas. Mas como todo lugar que cresce desordenadamente, o contraste social é imenso, e a criminalidade aumenta. É possível perceber o quanto o povo trabalha, é amigável e acolhedor com os turistas. Mas fica nítido o preço pago pelo desenvolvimento: a infraestrutura local não consegue acompanhar o ritmo de crescimento. Há muitas pessoas mendigando e vivendo nas ruas e favelas – algo que o brasileiro conhece bem. O trânsito é absurdamente caótico, pois a capital não conta com vias largas para fluir o grande volume de carros (todos guiados pela direita, como na Inglaterra).


Rua em Nairóbi. Quênia, ÁfricaA capital queniana adquiriu uma forma de triângulo formado pelo rio Nairóbi, a Haile Selassie Avenue e a Uhuru Highway. No meio do triângulo encontram-se os centros oficiais, os melhores comércios, os cinemas, teatros e os hotéis de luxo. Um bom percurso para sentir a cidade começa habitualmente pela Avenida Kenyatta, que impressiona com suas seis vias para o tráfego.

Nela encontram-se a antiga Oficina do Comissionado Provincial, de 1916, a Casa Nyayo (mostra do desenvolvimento da capital) e a Agência Central de Correios, entre outros locais bacanas para se visitar. É nesta avenida que se percebe o grande fluxo de pessoas nas calçadas, sendo um dos lugares mais barulhentos da cidade.

Já no saguão do exuberante Hotel New Stanley pode-se recriar o ambiente onde se preparavam os grandes safáris, enquanto se toma um Pimm's Cup, um drinque local. Ao lado do hotel encontra-se um dos bares mais interessantes da cidade, o Thorm Tree Cafe, de onde se contempla a acácia espinhosa, painel no qual amigos deixam mensagens, uma curiosa tradição da época das grandes caçadas.

Não muito longe, no Parque da Cidade, erguem-se os 33 andares do edifício mais alto de Nairóbi e um dos mais importantes, o Palácio Internacional de Conferências, sede de várias reuniões que estabeleceram a paz entre países que estavam em conflito há décadas, como Somália, Angola e Etiópia. O mais interessante, na visita, é a maravilhosa vista a partir do terraço do edifício, de onde se pode ver toda a cidade, o Monte Quênia e até o famoso Kilimanjaro, ao norte da Tanzânia, o ponto mais alto da África (5.895 metros).

Mesquita e mercado

Outro edifício representativo é a mesquita de Jamia, com sua bela fachada verde e branca e uma imensa cúpula. Os muçulmanos locais não gostam muito de turistas, mas fazendo a visita depois do horário de culto e respeitando as normas, não há problemas. Logo em frente à mesquita encontra-se o Mercado da Cidade, desenhado como um hangar de avião, em 1930.

Além do curioso desenho, é um lugar para compras. Lembre-se de que você deve pechinchar com o vendedor, sempre. Tem mais: seja paciente com as inúmeras abordagens que receberá dos comerciantes e compre pequenas lembranças de viagem lá, pois há variedade e bons preços.

Apesar dos problemas de uma grande cidade, a estada em Nairóbi é tranqüila. Para o turista estão reservados respeito e atenção. Os quenianos estão entre os melhores anfitriões do mundo – essa é uma reputação que deve ser lembrada. Portanto, não se preocupe: você vai até se surpreender com o tratamento.

Eles adoram os brasileiros e isso pode ter uma explicação no fato de que eles são admiradores entusiasmados da nossa seleção de futebol. Até na selva mais afastada pode ser encontrada uma camisa canarinho.

A escalação, eles sabem de cor: Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Roberto Carlos, Kaká ... Todos abrem um sorriso diante da presença brasileira e fazem questão de serem amigáveis, fazendo perguntas e mais perguntas num inglês carregado de sotaque.

Conhecer Nairóbi é uma diversão cultural à parte, na sua jornada queniana. É de lá que você voa para os mais diversos passeios e aventuras pelo país, com destaque para os safáris.

Os brasileiros geralmente chegam ao Quênia via África do Sul, fazendo o trecho mais curto: São Paulo-Johannesburgo-Nairóbi.

Os safáris

Cheeta ou o guepardo no Parque Nacional Maasai Mara, no sul do Quênia, ÁfricaAntigamente, a caça não era regulamentada, e o maior prêmio que os europeus queriam levar de um safári na África era uma foto em cima de uma carcaça de rinoceronte ou elefante, como prova de coragem e heroísmo. Hoje, com a proibição da caça e com o governo do Quênia zelando pela vida selvagem, o safári nada mais é que um passeio em jipes 4x4 para se contemplar, em seu próprio hábitat, animais que você vê apenas no zoológico.

Fazer um safári é realmente magnífico, emocionante e faz a adrenalina aumentar mais que numa montanha-russa. Pode ser feito em clima de aventura, pode ser feito em casal ou mesmo em família, pois as crianças também adoram. Imagine ver um leão andando ao lado do carro, seguindo seu curso natural de vida, livre, ali onde nasceu, indiferente à sua presença.

Ou então hienas comendo o que sobrou de um búfalo que acabou de morrer. Tudo na sua frente, a olho nu, ao alcance da câmera fotográfica (que deve ter uma boa lente zoom teleobjetiva).

A vida selvagem do Quênia é simplesmente fabulosa. Em um passeio matinal (chamado de game drive), numa área plana de uns 5 km2, é possível ver uma enorme variedade de belas espécies coexistindo. Elefantes dividem a comida com zebras, perto de um arbusto onde dormem os leões e por onde passou uma cheeta minutos antes. Logo adiante, uma girafa se alimenta próxima a um rio onde dormem hipopótamos e crocodilos tomam sol. Do alto de uma árvore, eles são observados por três ou quatro espécies diferentes de macacos babuínos. A sombra das folhas é o refúgio fresco de búfalos ou porcos-do-mato. Tudo isso numa manhã, no mesmo lugar. E isso é só o começo.

Muitos países africanos oferecem belos safáris, mas o Quênia é o melhor lugar do mundo para se contemplar zebras e elefantes, dizem os especialistas no assunto.

Para se fazer um safári mais exclusivo e romântico, a sugestão é ir ao Parque Nacional de Loisaba. Fica perto da cidade de Nanyuki, região seca de deserto semi-árido, a 45 minutos de vôo de Nairóbi. Em Loisaba você encontra um hotel que leva o mesmo nome e que certamente será um de seus destinos.

Refúgios dos hollywoodianos

O Alfajiri, hotel luxuoso no Quênia, ÁfricaNesse hotel você terá uma sucessão de momentos mágicos. Vai se lembrar do valor de uma boa conversa ao redor de uma lareira tomando um vinho, comer muito bem, curtir uma bela piscina e apreciar uma linda paisagem da sacada de seu quarto rústico.

Poderá ainda andar de dromedário, a cavalo ou mesmo a pé, pelas trilhas, acompanhado de um guia armado para sua proteção. É um bom lugar para se ver zebras e girafas.

Também em Loisaba você terá uma experiência que pode marcar sua vida: passar uma noite nas star beds, ou camas-estrelas: você dorme olhando o céu estrelado, ao ar livre, coberto apenas com uma rede contra mosquitos. Os sons da noite são de hienas “rindo” ao longe e, algumas vezes, de elefantes caminhando por perto.

A segurança, além de homens armados, é garantida por um deque de madeira suspenso em uma grande pedra, que se projeta numa paisagem de cenário de filme. Nesse deque ficam as camas-estrelas que, além de proporcionar a vista magnífica, torna essa experiência muito aconchegante e romântica – claro que o melhor é ir a dois.

Os sons da manhã são os dos pássaros, com inúmeros cantos bem diferentes dos ouvidos no Brasil. O despertar é com o amarelo do sol nascendo depois de uma noite levemente fria, iluminada pela lua. 

Outro safári indispensável é o de Maasai Mara, que fica no sul do Quênia e é um dos mais tradicionais do país. No Parque de Mara você terá a oportunidade de ver a maior variedade de animais.

Para se hospedar lá você encontrará pelo menos três campings de luxo bem instalados. O mais bacana é o Il Moran Governor's Camp, que oferece quartos muito bem decorados e um serviço de primeira.

Depois de um dia, que começa bem cedo, e de muitos game drives com ótimos guias, a parte mais legal é reservada para a noite, quando os guardas orientam os visitantes a apagar as luzes cedo e não sair das barracas em hipótese alguma, pois não há cercas que separam os campings da vida selvagem.

As tribos

Aldeia da tribo dos samburus, eles se assemelham aos maasais nas roupas coloridas e nos costumesAida em Mara, você poderá visitar a tribo dos maasais, comunidade que permanece nos moldes tribais africanos, mas que aceita e convive bem com a chegada dos costumes urbanos. É possível encontrar alguns habitantes da tribo falando em celulares, por exemplo.

O que importa é que a essência de suas raízes culturais continuam intactas, como as de muitas tribos que podem ser visitadas tanto no Quênia como em outros países africanos.

Os maasais formam a tribo queniana mais conhecida, mas outras também podem ser visitadas, como a dos magníficos Samburus. Em ambas os nativos se vestem com roupas coloridas e apresentam danças típicas curiosíssimas, marcadas pela competição de saltos em altura. São gentis e você pode conversar em inglês com os guias bilíngües das comunidades. Eles irão contar que ainda praticam a circuncisão em homens e o corte do clitóris nas mulheres. Também irão mostrar as casas em que moram e a bebida feita com leite e sangue de vaca, sua maior fonte de proteínas. 

Litoral queniano no Oceano Índico

Fora do circuito dos safáris, é possível visitar o litoral queniano no Oceano Índico. É uma boa opção de descanso no final da viagem, e você pode se hospedar em resorts e excelentes pousadas da praia Diani, em Mombasa, a segunda maior cidade depois da capital, a 45 minutos de vôo de Nairóbi. Mombasa é o maior porto comercial da África Oriental. Já foi ocupada por árabes, portugueses e britânicos e tem construções históricas, como o Forte de Jesus, da época de domínio português, no século 16, além de mesquitas.

Diani, limpa e de águas verdes, uma das praias do Oceano Índico na região de Mombasa, ÁfricaNa praia de Diani, a sugestão é um belíssimo e aconchegante refúgio chamado Alfajiri Villas. O local não é exatamente o que se conhece como hotel. A residência de luxo de um simpático casal de italianos muito receptivos, que alugam as dependências de sua bela morada para turistas.

É tudo muito personalizado e exclusivo. Você escolhe o cardápio e fica quase isolado em seu quarto, ou curtindo as piscinas e a praia quase particular. Os atendentes são treinados para respeitar sua privacidade.

Justamente por essas razões, o Alfajiri tem se tornado o refúgio predileto de muitas celebridades que vão para lá curtir o lugar e gozar da hospitalidade, longe das câmeras. Ron Wood, dos Rolling Stones, é freqüentador assíduo. Em 2005, foi o local escolhido por Brad Pitt e Angelina Jolie para as férias.

Seguindo as sugestões deste roteiro, você terá o prazer de ter conhecido o Quênia. Um peçado valioso da África que ficará impregnado na lembrança.

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