República Dominicana é um destino que agrada os turistas com suas belas praias, cachoeiras e resorts luxuosos
Quando o assunto é o Caribe, a República Dominicana – famosa por ter sido o local onde Cristóvão Colombo aportou quando descobriu a América – oferece possibilidades de viagens que agradam do mais desencanado ecoturista ao viajante exigente, para quem dinheiro não é problema. O país é coalhado dos tradicionais resorts all inclusive, mas há também verdadeiros templos do luxo e da exclusividade, nos quais o preço alto é uma espécie de seleção natural. A opção de viagem para quem busca aquele Caribe dos panfletos publicitários, com praias de cartão-postal, oferecida principalmente em Punta Cana, destino mais conhecido e visitado pelos brasileiros. Mas o país do merengue e da batchata (dois ritmos caribenhos criados por lá) tem mais a ofertar.
Quem chega à República Dominicana, uma ilha que divide seu território com o miserável Haiti, tem como primeira parada Santo Domingo, capital e a maior cidade do país. Não é exagero chamá-la de metrópole, tendo em vista que tem pouco mais de dois milhões de habitantes. O grande apelo da cidade é prioritariamente histórico, pois por lá não há boas praias.
O centro histórico de Santo Domingo é belíssimo e muito bem conservado. Todo murado, o bairro colonial conta com algumas atrações e prédios interessantes para quem quer conhecer um pouco da saga da República Dominicana e, por extensão, de toda a América. Não deixe de visitar a catedral Santa Maria De La Encarnación, erguida em 1540, a primeira da América; e o Alcázar Colón, palácio onde viveu Diogo Colón, ou Diogo Colombo, filho do navegador genovês Cristóvão Colombo. Há ainda a Calle las Damas, rua por onde andavam as damas de companhia de Maria de Toledo, mulher de Diogo Colombo, trecho pavimentado mais antigo do Novo Mundo. À noite, a dica é procurar um bom bar ou casa noturna perto da Plaza de España, onde está o Alcázar Colón. Há shows de merengue e batchata gratuitos na praça.
Punta Cana, paraíso dos resorts
Nos pacotes de viagem mais tradicionais, a parada seguinte é em Punta Cana, a mais badalada região turística da República Dominicana. A segurança por lá chega a ser ostensiva: quem não tem a pulseira que indica que está hospedado em um dos muitos resorts all inclusive, é abordado pelos seguranças dos hotéis. Se for dominicano e não tiver uma boa explicação, é posto fora da praia, tudo em nome da paz para os turistas estrangeiros.
À noite, as discotecas dos hotéis tocam os maiores sucessos caribenhos e o merengue domina as pistas animadas. Música é o que não falta nos resorts da cidade, nem bons restaurantes, desde bufês self service aos mais sofisticados, de cozinha internacional. Para os fãs da roleta e do carteado, todos os hotéis têm cassino.
Em Punta Cana, o visitante encontra a essência do Caribe mais turístico: ou seja, não faz o menor sentido ir a Punta Cana e não ficar hospedado em um resort, por exemplo. A partir de lá, há passeios que chegam à paradisíaca Isla Saona, lugar que proporciona a paisagem que mais se assemelha a um verdadeiro paraíso tropical em toda a República Dominicana.
Todos os passeios para lá inclue almoço e bebidas à vontade e têm o mesmo trajeto: começa em uma parada para se banhar em uma piscina natural. Trata-se de um longo trecho onde o mar azul-piscina dá pé para um adulto. O barco para no meio do mar, com a praia a quilômetros de distância, e você pode nadar e andar à vontade na água morna e cristalina.
Depois, a embarcação segue para a belíssima Isla Saona, onde há uma pequena estrutura para turistas, com um bom bufê com carne, peixes, frutos do mar e os onipresentes (ainda bem) arroz e feijão. Há também bares que servem bebida, que pode ser consumida à vontade. No fim da tarde, todos que estão na ilha têm que sair e, para tal, pegam uma escuna até o cais de Bahahibe.
Beleza natural de Samaná
Se você prefere viajar por conta própria para a República Dominicana, depois de conhecer um pouco a capital (um dia é mais que o bastante para uma pernada completa no centro histórico de Santo Domingo), uma boa dica é seguir para Samaná. A viagem pode ser feita de ônibus (há seis ônibus diários que saem do terminal rodoviário de Santo Domingo, às três de manhã e três à tarde, mais informações em godominicanrepublic.com), de carro (todas as locadoras do país estão reunidas no site andri.com.do) ou até de avião (a Aerodomca, aerodomca.com, faz voos diários para Samaná). De ônibus, todo o trajeto dura aproximadamente três horas, o que é bastante para os padrões dominicanos, já que a ilha inteira, com menos de 50 mil km² de área, é menor que o Rio Grande do Norte.
A península inteira de Samaná tem uma série de pueblos, sendo que o principal deles é a capital, que leva o mesmo nome da província. Lá está a maior infraestrutura turística da região, com direito a bons resorts all inclusive de preço não tão exorbitante. A cidade de Samaná também é um bom ponto de partida para qualquer outro passeio na península. Dois passeios bem contrastantes no que diz respeito ao luxo, mas igualmente belos, que podem ser feitos por lá é a visita à ilhota Cayo Levantado e à cachoeira Salto El Limón.
Ecoturismo dominicano
Samaná também tem uma parcela de luxo e o maior exemplo é o resort da cadeia Bahia Príncipe localizado na pequena e paradisíaca ilha de Cayo Levantado. Por lá, as diárias são um pouco mais salgadas. Mas não é sem razão: o resort é a única construção na cayo (termo em espanhol que designa ilhas pequenas, arenosas, comuns no Caribe), que conta com uma faixa de areia belíssima e com mar calmo, morno e azul escuro.
A cor só não é mais clara porque Samaná fica ao norte do país e não entra em contato com o Mar do Caribe e sim diretamente com o Oceano Atlântico. Por lá, você conta com o sistema all inclusive típico dos resorts caribenhos, mas com o diferencial de as instalações dos quartos e das áreas comuns serem consideravelmente mais luxuosas. Há até bangalôs com banheiras na área externa, com vista para o mar da cayo. Quem não estiver hospedado no resort, pode aproveitar a parte pública da praia de Cayo Levantado. Há vários barquinhos que levam turistas à ilha.
A maioria dos hotéis e resorts de Samaná tem traslado até o pueblo de Limón, onde há uma série de guias locais que podem levar o visitante até a cachoeira por uma extensa trilha. O casal Basílio e Ramona, por exemplo, atua como guia e ocupará toda a tarde com o passeio até a Salto El Limón, incluindo trilha a cavalo, mergulho na cachoeira e um delicioso e substancioso almoço típico na volta.
O passeio é ótimo, não só pela beleza da cachoeira, mas também pelo contato com o povo dominicano e sua cultura. Você terá como guia durante toda a trilha um nativo que será muito sorridente, gentil e comunicativo. Aliás, vai ser difícil ou praticamente impossível achar um dominicano que seja mal encarado ou carrancudo. Todos costumam abrir um grande sorriso ao ouvir uma língua estrangeira e sempre atendem o visitante com muita gentileza.
Você também provavelmente vai criar afeição não só pelo guia mas também pelo seu cavalo. Não espere cavalos de puro sangue árabe. Ao menos os de Basílio são todos “puros” pangarés, mas seguem a difícil e acidentada trilha até a cachoeira com desenvoltura. Há até mulas, mas não fique triste se pegar uma delas: são mais rápidas e espertas que os cavalos. O problema é que nas travessias dos trechos inundados as pequeninas mulas não vão manter tênis e calças secos.
Cachoeira a vista
Depois de cavalgar por volta de meia hora, você “estaciona” e segue a pé por uma íngreme trilha de 15 minutos até o poço da cachoeira. Lá de cima, onde você larga os cavalos, o visual é magnífico: a enorme queda d’água tem 35 metros e fica numa clareira no meio da mata. Mas mergulhar é ainda melhor do que ver. A temperatura da água não chega a ser gélida, mas também não é quente: é o ponto certo para alguém que fez uma considerável trilha sob o poderoso sol caribenho. Aproveite ao máximo, porque a volta vai ser dura. Subir a trilha que você desceu pode ser bastante cansativo, até para os mais preparados.
Mas, no fim da viagem, a recompensa vale a pena. Vem o almoço divino preparado pela mulher de Basílio, a simpática dona Ramona. O bufê de comida regional é farto e muito parecido com o que se come no Brasil. Depois do cansaço do dia, você estará rezando por um pouco de arroz e feijão, e é isso que você vai encontrar. Além de muitos pratos feitos à base de banana.
Casa de Campo, luxo máximo
Para aqueles a quem dinheiro não é bem um problema, ir para La Romana, província ao sul do país, a pouco mais de uma hora de Santo Domingo, é como entrar em uma outra República Dominicana. Lá você encontra o mesmo mar calmo, morno e as paisagens tipicamente caribenhas de Samaná. No entanto, o luxo e o enorme resort Casa de Campo são os protagonistas. A partir de Santo Domingo, basta seguir a Autovia Del Este, que é beira-mar, acessar às Zonas Francas Industriais e pegar a estrada de Cumayasa, que o conduzirá a La Romana, a 35 quilômetros de Pedro de Macorís. Uma vez em La Romana, haverá placas indicando a entrada do Casa de Campo, um resort de luxo com o tamanho de uma cidade.
O empreendimento tem até aeroporto, que atende voos internacionais e domésticos, além de uma enorme marina próxima a um centro comercial, com diversas lojas. Por lá, para manter esse clima de alta classe, o esporte dominante é o golfe. Muitos dos hóspedes do Casa de Campo vão até lá somente para praticar essa modalidade esportiva pouco difundida no Brasil. Há três campos premiados, sendo que um deles, o Teeth of the Dog (“dente do cachorro”) é ranqueado como o melhor do Caribe e o 430 melhor do mundo.
O Casa de Campo conta com luxuosas acomodações, todas com camas king size, closet, banheira, ótimo espaço interior e TV a cabo. Além, é claro, do carrinho de golfe para você circular no resort, ir aos restaurantes ou à ótima praia.
Os quartos do Casa de Campo são muito confortáveis, mas se você quer luxo de verdade, experimente alugar uma das casas de um dos condomínios (chamados villas) que há no resort. Dependendo da quantidade de pessoas com que você está viajando, vale mais a pena alugar uma casa do que ficar em um quarto, desde que seja uma das opções mais em conta.
Um passeio imprescindível para quem visita La Romana e arredores, esteja você hospedado ou não no Casa de Campo, é ir até o pueblo vizinho, chamado Bahahibe. De lá também saem passeios para a Isla Saona que, por ser protegida pelo governo, não pode ter nenhum tipo de construção como um resort ou um hotel.
Altos de Chavón
Uma das atrações mais famosas da República Dominicana faz parte do Casa de Campo e está aberta ao público: construída entre 1976 e 1982, a vila de Altos de Chavón é uma réplica perfeita de uma vila mediterrânea. Esqueça as simulações não tão fiéis do Epcot Center, na Disney. Em Altos de Chavón você vai se sentir, de fato, em uma cidade portuária do Mar Mediterrâneo. Com a diferença de que a vila não está à margem exatamente do mar, mas de um rio.
No caso, o belo Rio Chavón que, por conta da paisagem de matas fechadas, serviu de locação para o filme Apocalipse Now, de Francis Ford Coppola. A vila abriga ótimos restaurantes italianos, galerias de arte e ateliês de artistas locais e até a Escola de Design Altos de Chavón, que é filiada à Parson’s School of Design, de Nova York.
Mas o grande destaque dessa charmosa vila é o anfiteatro ao ar livre, com espaço para abrigar cinco mil pessoas, no melhor estilo greco-romano. A plateia fica em volta do palco, localizado no pavimento mais baixo. O show de estreia dessa enorme construção faz jus à grandiosidade: em 1982, Frank Sinatra emprestou a voz aveludada à acústica privilegiada do anfiteatro de Altos de Chavón.
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