Visite Praga e conheça suas famosas atrações turísticas, restaurantes, teatros e lojinhas

Dec 31, 1969
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Bolesuav Pecke, 66 anos, faz parte de uma geração de checos que ainda marca o tempo pela passagem do sol. Todos os dias, assim que a tarde cai na capital da República Checa, o saxofonista de cabelos e pele branca ajeita-se num banquinho da Stare Mesto, centro de Praga, e executa até o anoitecer clássicos do jazz de todos os tempos. Os olhos azuis de Pecke, que já viram seu país atravessar uma guerra mundial e décadas de ditadura comunista, agora assistem Praga ser invadida por turistas de todos os lados do planeta – cerca de 7 milhões de pessoas por ano. Melhor assim, diz o músico, que garante não sentir saudades dos tempos difíceis da juventude e das intempéries políticas que marcaram o passado recente dos checos.

Cidade Velha

O Relógio Astronômico, no centro velho, funciona desde 1410. É um dos cartões-postais de PragaA opção de marcar o tempo pela passagem do sol não ocorre por falta de método mais eficaz. Afinal, desde 1410 o gigantesco Relógio Astronômico registra com precisão a hora certa na cidade. “Venho ao entardecer porque já não posso com o sol forte”, diz Pecke, para quem os 22 graus do verão checo é considerado “horce”, ou “quente demais”.

Ponto onde se encontram os melhores restaurantes, teatros e lojinhas para fuçar, o bairro que serve de palco para o músico é certamente o melhor lugar para hospedar-se em Praga. A “cidade velha”, tradução para Stare (antigo) e Mesto (cidade), concentra as mais famosas atrações da capital checa. Além do Relógio Astronômico, de onde os visitantes que superarem os 70 metros de escadarias podem vislumbrar o centro antigo, estão por lá a catedral gótica Tyn e o monumento ao pensador e religioso Jan Hus. Visionário, ele foi precursor das reformas protestantes ao denunciar, ainda em 1400, a corrupção na Igreja Católica. Excomungado, foi punido com a morte na fogueira.

Além do peso da história e das construções deslumbrantes, Praga pulsa mais forte nessa região. Repletos de artistas e estudantes, os bares não fecham cedo e sempre há uma cozinha aberta a fim de servir um prato de bramborók, panqueca de batatas famosíssima em todo país. Para acompanhar, os menus listam dezenas de tipos de cerveja, todas finíssimas,  vendidas em canecos de meio litro por preços entre 60 e 100 coroas, o equivalente a um ou dois euros. Uma dica utilíssima para explorar a Stare Mesto é caminhar acompanhado de um bom mapa, que pode ser obtido gratuitamente em qualquer um dos muitos Tourist Offices que se esparramam pelo centro histórico. As tortuosas vielas medievais do bairro são um convite à perdição, em todos os sentidos, até mesmo no mais literal deles.

Quem se encontrar entre as lojas de cristais, cervejarias e shows de marionetes em praça pública – uma mania e uma tradição em Praga – pode achar no mapa o caminho para a rua Celetná, onde há quase cem anos foi erguida o Obeceni Dum, algo como “Ópera Municipal”, numa tradução livre. O prédio art nouveau é belo por fora e esplêndido por dentro. O espaço para concertos, o Smetana Concert Hall, é uma dessas preciosidades arquitetônicas que dão a Praga a fama de “Paris do Leste”. A menos de 200 metros da Ópera fica outra pérola da Bohemia, o Teatro Estates.

Menos suntuoso que o prédio vizinho, o Estates é uma construção em estilo neoclássico onde executou-se pela primeira vez a ópera Don Giovanni, em 1787, regida pelo próprio autor, um tal Amadeus Mozart, então apenas um jovem talentoso.

Jóia de pedra

Stare Mesto (cidade velha), no centro de Praga, onde se apresentam artistasErguida às margens do rio Vltava, a Stare Mesto fica na margem oposta a outro famoso bairro de Praga, o Hradcany, o distrito do Castelo Real. Ir de um bairro para outro é fácil e a viagem pode ser feita de metrô – limpo, rápido e eficiente – ou a pé, em 15 minutos de caminhada. Construído sobre uma colina, o castelo, com suas torres e muralhas, domina a paisagem de Praga e pode ser visto de vários pontos da capital checa. Reconhecido pelo Guiness Book como “o maior complexo palaciano da Terra”, o castelo é praticamente uma nova cidade dentro da cidade. Até os tíquetes vendidos na entrada do complexo são divididos por setor.

Ocupado por conventos, basílicas, uma catedral e até pela sede do atual governo, o castelo deixa seus visitantes tão perdidos quanto uma criança na Disneylândia e impõe ao visitante a árdua tarefa de escolher o que ver e o que deixar de lado. A troca da guarda ao meio-dia no Palácio Presidencial, ao som de bandinha e fanfarra, é um dos programas difíceis de abrir mão. Assim como apinhar-se em frente à casa número 22 do complexo, onde viveu o escritor Franz Kafka, ou explorar a Basílica de São Jorge. São pontos de um circuito obrigatório. Nada é tão emocionante, no entanto, quanto subir à torre da catedral. Um elevador poupa as pernas e pulmões mais cansados e descortina uma nova Praga, que vista do alto é assim... de deixar “quase” sem palavras.

Grafe-se bem esse “quase”, pois ao mesmo tempo que tira o fôlego, Praga inspira, há séculos, o verso e a prosa de renomados intelectuais. Foi assim com o poeta alemão Goethe que, ao comparar as cidades de seu tempo às pérolas de uma coroa, escreveu que Praga é “uma jóia de pedra, a mais bonita da coroa no mundo”. Outro poeta a inspirar-se no desenho tortuoso das ruas de Praga e na atmosfera melancólica de uma região freqüentemente coberta pela neblina, definiu sua terra natal como “cidade dos mil espíritos”. Dedicado à reflexão de temas como a fragilidade do homem frente à opressão da família e da burocracia, Kafka ambientou nas ruas de Praga seu mais perturbador romance, A Metamorfose. No livro, Kafka conta a história fantástica de Gregor Samsa, um sujeito que se transforma em inseto para fugir da opressão imposta pelo chefe severo e pelo pai rigoroso.

Um ótimo lugar para descobrir a literatura de Kafka é o pequeno quarteirão chamado de Mala Strana. Localizado logo abaixo da colina do castelo, a área está repleta de bares, lojas e restaurantes – muitos deles um dia freqüentados pelo próprio Kafka. Tem deliciosos coffee shops onde são servidos generosos canecos de cerveja e iguarias doces, como o knedliky (uma almôndega de arroz, adocicada) e salgadas, como o kapr máslem, uma carpa assada na manteiga. A mesa de um bar qualquer em Mala Stana, asseguram os filósofos checos, é o melhor lugar para se compreender a profícua obra de Kafka. Mais ainda, dizem os especialistas em germanística, entenderá sua obra quem provar uma ou duas canecas de Pilsner Urquell, a mais famosa das cervejas da cidade.

Em Praga, o quarteirão dos bares é também a quadra do mais imponente santuário da cidade. Se você puder visitar uma só igreja em Praga, vá a paróquia de São Nicolau, que fica em Mala Strana. A construção barroca é, de longe, a mais bonita da cidade e visitá-la serve de pretexto para caminhar até a ponte Carlos IV, o mais famoso cartão-postal checo. Construída no século XIV, a ponte tem 30 estátuas ornamentando seus 516 metros e duas torres.

Entre elas, bem no centro da ponte, uma das esculturas reproduz a imagem de São João de Nepomuk, um padre lançado ponte abaixo com braços e pernas amarradas. O motivo da condenação foi a recusa de Nepomuk em revelar ao rei Venceslau IV as confissões de sua esposa, a rainha da Bohemia (o antigo nome do país).

Passado o tempo das execuções, a ponte é hoje um primor medieval onde vale a pena gastar umas duas, três horas apreciando a paisagem entre as dezenas de artistas que vendem quadros, souvenires ou dançam ao som melancólico de composições da Idade Média.

O lado moderno

Praça Venceslau, que na verdade, é uma longa e íngreme avenida.A menos de dez estações de metrô da ponte Carlos IV fica uma nova Praga, moderna e de avenidas largas, não por acaso, chamada de Nowe Mesto (Nova Cidade). As principais atrações do bairro moderno ficam no entorno da Praça Venceslau que, apesar do nome não é bem uma praça, mas sim uma longa e íngreme avenida.

Menos popular entre os turistas, o comércio da avenida (ou praça) oferece pechinchas imperdíveis e tem as melhores taxas de câmbio da cidade. No alto da ladeira, fica o imponente Museu Nacional, um ótimo lugar para sentar-se em final de tarde e provar o apimentado hot dog checo, feito com uma salsicha de 20 cm encaixada num pão pequenino, atolado em mostarda.

Enquanto a mostarda suja os dedos de amarelo, a tardinha cai pintando de laranja o céu da República Checa. Com o crepúsculo de mais um dia, é de se imaginar que Bolesuav Pecke esteja de volta a seu banquinho na Stare Mesto, interpretando algum bebop dos anos 40.

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