Turismo rural de Barra do Piraí proporciona visitas em fazendas de café e muitas opções de restaurantes
A Barra do Piraí (RJ), que integra o Vale do Ciclo do Café (onde há fazendas e outros atrativos relacionados ao período de pujança trazido para a região no auge da cultura cafeeira, no final do século 19), já viu passar várias etapas do progresso e da história brasileiros. O primeiro grande salto veio com a plantação do café, que tomou as terras antes ocupadas pela mata atlântica e loteou Piraí em grandes fazendas. Com o declínio econômico do grão, no começo do século 20, o que era cafezal foi cedendo espaço para a pecuária. Os morros transformaram-se em vastos pastos. Mais uma vez Piraí mudava.
Barra do Piraí hoje
Hoje, a cidade está novamente empenhada em se destacar. Por um lado, aposta na formação dos cidadãos – foi o primeiro município do Brasil a ter todos os alunos da rede pública com acesso a computadores e a internet, via rádio, é gratuita em vários pontos da cidade. Por outro, investe na vocação para o turismo rural, já que as antigas fazendas há algum tempo foram adaptadas para funcionar como pousadas, “embutidas” em paisagens entrecortadas por rios e morros, num clima agradável durante o ano todo. Assim, além de atraírem turistas interessados no ar puro e no relax proporcionado pelo campo, os empreendimentos ajudam na preservação do legado histórico do ciclo do café na Região Sudeste.
Localizada a 105 km da cidade do Rio de Janeiro e a 328 km da capital paulista, Piraí surge logo depois da Serra das Araras, próximo às margens da Rodovia Presidente Dutra. Portanto, de carro, o acesso é bem fácil. Algumas das fazendas históricas são verdadeiros museus e um exemplo perfeito da arquitetura e do dia a dia rural de mais de cem anos atrás. Outras atraem visitantes pelo charme interiorano e avesso ao conturbado cotidiano das grandes cidades. Quartos na senzala A fazenda Ponte Alta, por exemplo, preserva vários cômodos de antigas senzalas, onde foi montado um pequeno museu. Uma outra parte deu lugar aos quartos da hoje pousada.
Pode soar bizarro, mas se hospedar ali significa ficar num lugar onde, 150 anos antes, negros dormiam amontoados. Para completar, aos finais de semana, atores vestidos a caráter promovem saraus e narram lendas de época. Na Reserva Aroeira, dez chalés espalhados numa colina, de frente para um lago – e vizinhos a uma pequena porção de mata atlântica incrivelmente preservada –, são, por si só, um atrativo e tanto. É a mais sofisticada opção de hospedagem da região, onde o conforto e o bom gosto estão nos detalhes. Edredons com penas de ganso, jacuzzi no quarto, hidromassagem e até sauna a vapor “dentro” do lago são alguns dos agrados que a pousada oferece.
Tilápia e Macadâmia
Mas o destaque mesmo fica por conta da cozinha comandada pela chef Ana Catharina, já premiada em vários festivais locais. No cardápio contemporâneo e elaborado com ingredientes orgânicos, ponto para a tilápia com manteiga e alcaparras. E não dá para sair de lá sem provar a torta suíça, com grãos de macadâmia. É para comer dando longos suspiros. Está nesses dois elementos a busca da identidade culinária da região: na tilápia (peixe de água doce) e na macadâmia (parecida à noz). Assim, a tilápia, peixe saboroso, de poucas espinhas e muita carne, é servida em vários restaurantes, sob diferentes versões.
No Magella’s Bar, além do prato de iscas de tilápia frita a outra boa pedida é o filé de tucunaré, também farto nos rios da região. Já a macadâmia está tanto em pratos salgados como em sobremesas. Para Luís Tavares, diretor agrícola da Tribeca Agroindustrial, uma das maiores produtoras de macadâmia do Brasil, com sede em Piraí, o cenário do câmbio desfavorável às exportações tem favorecido uma mudança no consumo interno. “O brasileiro, aos poucos, está conhecendo melhor esse produto, vendido em qualquer loja ou padaria da cidade”, diz o diretor. Vale a pena provar todas as opções, entre doce e salgadas.
No fim de julho de 2009, em visita à região, o ex-presidente Lula soube que ali era vendido um delicioso torresmo e mandou que seus assessores comprassem alguns para levar na viagem rumo a Belo Horizonte. O fato foi noticiado em vários jornais e a fama do torresmo de seu Geraldo, proprietário do boteco, foi divulgada País afora. O bar é um típico “pé sujo” e o charme a mais está na simpatia do dono.
Preservação garantida entre os passeios mais interessantes está a cavalgada. A partir da pousada Reserva Aroeira, por cerca de uma hora, o grupo passa por riachos, floresta fechada e caminhos de muito barro e pedras, enquanto o guia vai orientando sobre a fauna e flora locais.
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