Obras arquitetônicas em Niterói justificam a visita à cidade

Feb 09, 2012
1 voto | Votar
Galeria completa
 (Foto: Stock Xpert/ViajeMais)

(Foto: Stock Xpert/ViajeMais)

Uma piada que muito carioca adora fazer mexe com o brio dos niteroienses. Diz-se que o melhor de Niterói é a vista que se tem para a cidade do Rio de Janeiro. Brincadeiras e provocações à parte, é lógico que nem os próprios cariocas acreditam nisso. Poucas cidades no mundo concentram arrojadas formas arquitetônicas em perfeita harmonia com a natureza, como é o caso de Niterói. A cidade se tornou, nos últimos anos, uma prancheta viva do arquiteto Oscar Niemeyer. Somado a isso, está uma costa com trechos de Mata Atlântica preservada, praias de diferentes estilos e, claro, a estonteante vista da Baía de Guanabara e do Pão de Açúcar, lá do outro lado, no Rio de Janeiro.

A aproximação das duas cidades facilita a circulação de visitantes que querem ir além das já tão conhecidas praias cario­cas. É possível ir a Niterói numa manhã e voltar no final do dia, e com certeza você vai achar que foi pouco tempo para desfrutar de tanta coisa a ser vista. Há duas opções para se chegar até lá: por barcas, que saem a cada dez minutos da estação Praça XV, no centro do Rio; ou por terra, via ponte Rio-Niterói. A travessia feita por barcas de grande porte, com capacidade para até dois mil passageiros, dura cerca de 12 minutos.

As duas cidades são ligadas por uma ponte de quase 13,5 quilômetros de extensão, inaugurada em 1974, em plena ditadura militar. Leva o nome do ex-presidente Costa e Silva, mas todos a chamam simplesmente de ponte Rio-Niterói, famosa por ter o vão central com 72 metros de altura. É após cruzá-la, num rápido tracejo de cerca de 12 a 15 minutos, quando não há engarrafamentos, que se chega à “Cidade Sorriso”, como Niterói é conhecida.

E não faltam motivos para isso: além de belíssimas praias e várias opções de museus, a cidade tem ótima qualidade de vida,  é o terceiro destino turístico mais procurado em território fluminense e concentra a segunda maior quantidade de obras de Oscar Niemeyer (ficando atrás apenas, lógico, de Brasília).

O Museu de Arte Contemporânea

O MAC de Niterói foi construído em 1996, virou uma atração turística da cidade, pela obra e pela vista do RioÉ com uma obra do carioca Niemeyer que Niterói entrou de vez no circuito internacional de lugares que abrigam arrojada arquitetura. O Museu de Arte Contemporânea (MAC), construído em 1996, é o grande ponto turístico da cidade. Para muitos visitantes, a obra mais parece um disco voador pairado às margens da Baía da Guanabara, na ponta da orla de Boa Viagem, no bairro de Icaraí.

Outros enxergam na construção um cálice, tendo nas rampas vermelhas a comparação com um vinho que se derrama rumo ao chão. Mas para o criador, as li­nhas da obra devem lembrar uma ave que ali pousou para admirar a vista. Seja como for, o MAC é um dos mais importantes museus do estado, abrigando um acervo de mais de 1.200 obras da Coleção João Sattamini. 

Em um dos andares do “disco voador”, há o Bistrô MAC, O preço do cardápio é um pouco salgado, mas a vista compensa. As janelas do ambiente foram projetadas para ficarem na altura de quem está sentado às mesas. Ou seja, de pé, você não vê nada dali de dentro. É preciso se sentar para admirar as águas calmas de lá de fora.

A 300 metros dali, localiza-se a Ilha da Boa Viagem, que está atualmente fechada por uma questão de pendência judicial dos proprietários. Mas o passeio pelas redondezas é permitido. A ponte que liga o continente à ilha atrai visitantes que querem admirar o MAC sobre as águas.

Caminho Niemeyer

O moderno terminal de barcas de Charitas, de NiemeyerO efeito positivo que a construção do Museu trouxe à cidade foi tanto, que os governantes locais logo trataram de levar adiante um projeto arquitetônico ainda mais grandioso. Criou-se o que se chamaria mais tarde de “Caminho Niemeyer”, complexo de obras do arquiteto espalhadas ao longo da costa, a partir do MAC, para diferentes funções – das artes à religião.

A série de intervenções urbanísticas ainda não foi concluída e, volta e meia, o projeto vem sofrendo alterações ao longo dos últimos anos, de acordo com a troca de comando da prefeitura. Entre os prédios finalizados estão o Memorial Roberto Silveira (com um rico acervo sobre a história da cidade e do ex-governador, que empresta seu nome ao local), o Teatro Popular (com capacidade para 300 lugares e um palco reversível, que se abre para uma praça, podendo abrigar peças ao ar livre – o que amplia sua capacidade para 10 mil lugares), a praça JK (no aterro da Praia Grande, com vista para quase todo o litoral) e o terminal de barcas de Charitas. Atualmente, encontram-se em fase de obras a Fundação Oscar Niemeyer e o Centro BR do Cinema Brasileiro, custeado pela Petrobras. Fazem parte ainda do Caminho Niemeyer, aguardando saírem do papel, duas catedrais, uma batista e outra católica.

O terminal de barcas de Charitas é um belo lugar para se visitar e fazer boas fotos, não só por quem está prestes a voltar ao Rio de Janeiro, como também pelos visitantes à procura de mais opções da surpreendente arquitetura assinada pelo centenário mestre brasileiro. A estação de barcas se tornou mais um ponto turístico de Niterói, atraindo visitantes desde sua inauguração, em 2004.

Com o objetivo de facilitar o transporte de moradores dos bairros das zonas Sul e Oceânica para o Rio, o terminal , funciona numa área de dois mil metros quadrados e também abriga lojas comerciais e um restaurante com capacidade para 160 pessoas. Muitos preferem visitá-lo à noite, quando se percebe a iluminação em tom azul e branco. O terminal de Charitas é o lugar preferido para se admirar o pôr-do-sol de uma cidade que tão bem soube aliar a arquitetura humana à da natureza.

Belas praias e Fortalezas

Tranquilidade na Praia do Canto.Mas nem só das linhas desenhadas pelas mãos do homem vivem as formas dessa cidade. Foi em pleno período imperial, em 1835, que as terras além do Rio de Janeiro ganharam o nome de ‘Nictheroy’, que, na língua tupi, quer dizer ‘águas escondidas’. Ainda hoje, não é difícil supor o porquê da escolha desse nome.

Niterói tem praias que em nada ficam a dever à sua cidade vizinha e igualmente costeada de belas praias. Icaraí, Praia de Fora, Imbuí, Piratininga, Camboinhas, Itaipu, Itacoatiara, do Canto, do Sossego, de Adão e Eva... São muitas e para todos os gostos. Se você prefere sossego, a praia de Adão e Eva oferece boas opções para se curtir um final de tarde tranquilo, sem a agitação que ocorre, por exemplo em praias como Camboinhas. Para ver e ser visto enquanto se caminha no calçadão, nada melhor do que a orla da praia de Icaraí. Mas se sua disposição tende à natureza e o contato com ar puro, basta rumar à praia de Itacoatiara, point dos surfistas devido às boas ondas que se formam na região. Próximo dela, atrás de alguns rochedos, está a Prainha, com águas mornas e quase nenhuma onda, ótima para quem está com crianças.

Dentre outros bons passeios para se fazer pela cidade, não há como deixar de fora a Fortaleza de Santa Cruz, no bairro de Jurujuba, construída em 1555 e rodeada de canhões seculares. Ali há também um Relógio de Sol e a Capela de Santa Bárbara, datada do século 17. A vista do deque, onde há o restaurante Zéfiro, é incrível. É onde se pode tomar um café tendo como visual a parte de frente do morro do Pão de Açúcar, no Rio.

Pela estratégica posição geográfica, vários fortes foram construídos na orla de Niterói. Outra fortaleza que começa a atrair a atenção dos visitantes é a do Barão de Rio Branco, com um pórtico em pedras sobrepostas por óleo de baleia, outra construção do século 17.

Entre vários canhões, lá estão ruínas de um passado de lutas e cobiça estrangeira. Todas essas construções estão sob proteção do exército e guardam, em cada pedra, as histórias de Nicolau Villegaignon em tentar estabelecer por ali a França Antártica. Com a expulsão dos invasores franceses, em 1567, os fortes passaram a ser usados pelos portugueses como importantes sistemas de defesa da entrada da Baía de Guanabara.

Niterói dia e noite

Praticantes de parapente decolam da rampa do Parque da CidadeO Parque da Cidade, localizado no Morro da Viração a uma altitude de 270 metros, abriga a maior reserva biológica e florestal do município. Possui um mirante de onde se tem uma magnífica visão panorâmica das lagoas de Piratininga e Itaipu, dos bairros de São Francisco, Chari­tas, Jurujuba e Icaraí, além da Baía de Guanabara e parte do Rio de Janeiro.

Aos que gostam de sentir a adrenalina, ali se encontram duas rampas para a prática de voo livre. Por pouco, o visi­tante pode fazer um sobrevoo de até 30 minutos com o instrutor. Mas, por questões de segurança, a asa delta só é praticada em dias de tempo aberto.

Quando a noite chega e, em vez de descanso, mais diversão. No bairro de São Francisco, estão os bares, restaurantes, casas, noturnas e quiosques da moda para quem ainda tem pernas para mais agitação e baladas.

Se você nunca foi a Niterói, numa próxima visita ao Rio, faça a travessia pelo mar ou pela ponte e descubra a antiga capital do Estado do Rio de Janeiro nos tempos em que ainda existia o  Estado da Guanabara. Além de curtir a cidade, a melhor vista para a Cidade Maravi­lhosa está assegurada.