Paraty tem cachoeiras e trilhas ecológicas que encantam os turistas
A aconchegante Paraty deixa nos visitantes o desejo de "quero mais". "O astral da cidade, a arquitetura preservada, a natureza e a comunidade muito orgulhosa da cultura local... É o que atraiu" disse o Príncipe Dom João de Orleans e Bragança, trineto de D. Pedro II. Há 30 anos morando em Paraty, ele se divide entre a residência na cidade histórica e a do Rio e acompanhou a equipe Viaje Mais dando suas dicas para quem quer conhecer e aproveitar o melhor da cidade histórica.
Praias e cachoeiras
Durante o dia, o Centro Histórico fica quase deserto. A maioria dos turistas aproveita o sol para curtir os atrativos naturais ao redor. Entre as praias mais bonitas estão a Cachadaço e a do Sono. A primeira tem um atrativo especial para quem gosta de mar calmo: uma piscina natural formada por duas grandes pedras. A segunda é uma extensa orla de areia fina e águas claras dentro da área de preservação ambiental do Cairuçú. “Para se chegar a elas usam-se trilhas ou o mar, via passeio de barco", diz Dom João.
Quando o sol se põe, a movimentação de pessoas nas ruas do Centro Histórico aumenta. É nessa hora que o bonequeiro Luiz Pina apresenta o seu Teatro de Marionetes, no Largo do Rosário. Na alta temporada, ele está por ali diariamente. Na baixa, só aos sábados, domingos e feriados.
O comércio recebe os turistas atenciosamente e entre as lembrancinhas mais compradas estão as cachaças. No século 18, chegaram a existir por volta de 100 alambiques na região, motivo pelo qual, durante algum tempo, o nome da cidade passou a ser sinônimo de cachaça.
O próprio Dom João é produtor de cachaça: o seu alambique faz a Maré Alta, armazenada em barris de carvalho. Nas lojas Empório da Cachaça e Porto da Pinga, no Centro Histórico, você encontra centenas de marcas de cachaças para degustação e venda. A Gabriela, com cravo e canela, é a aconselhada para os iniciantes. Marcas locais: Corisco, Coqueiro, Itatinga, Muricana, Paratiana e Vamos Nessa.
O artesanato é destaque nas vitrines de todo o comércio, mas a lojinha da Casa da Cultura de Paraty encanta pela diversidade. Lá você pode encontrar trabalhos produzidos pelos índios de Paraty Mirim, quilombos do Campinho e artistas estrangeiros radicados na cidade. A mesma diversidade é vista nas áreas de visitação do casarão colonial que abriga a entidade: na recepção, um tapete de serragem, típico das festas religiosas locais, junto a grandes fotos, homenageia a cultura indígena. Há uma mostra permanente, idealizada pela cenógrafa e produtora teatral Bia Lessa, que representa a trajetória da cidade de uma forma criativa, onde os próprios moradores ajudaram a montar o acervo.
Atividades ecoturísticas
Para os que curtem caminhar, Paraty oferece uma versão histórica: o passeio pelo Caminho do Ouro-Sítio Histórico e Ecológico. A trilha aberta pelos índios goianás se transformou na primeira ligação entre as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, no século 17, após a descoberta do ouro em Minas Gerais. Nesse período tanto a estrada, quanto Paraty, ganharam relevância social devido ao fato de a cidade, junto ao mar, escoar o ouro em direção ao Rio, que seguia, então para Portugal.
Com a descoberta do Caminho Novo, em 1767, ligando Minas diretamente ao Rio, a estrada passou a servir para o transporte de escravos e café. Mas conheceu a decadência com a chegada da estrada de ferro D. Pedro II a Guaratinguetá, em 1877, e, no ano seguinte, quando Princesa Isabel, trisavó de D. João, assinou a Lei Áurea, que aboliu a a escravatura.
Nessa época, Paraty também viveu um período de ostracismo. Porém, o desuso do caminho permitiu que fosse preservado e, hoje, ele é uma atração da região: são 12 km de calçamento original, além das ruínas da Casa do Registro.
No entorno, uma vasta beleza natural – o passeio pode ser reservado no Teatro Espaço ou na agência Paraty Tours. Outra forma de apreciar a paisagem, sem precisar andar muito, é conhecer o Forte Defensor Perpétuo, entre as praias do Pontal e de Jabaquara. Construído em 1722, assim foi nomeado em homenagem ao Imperador D. Pedro I. O prédio, que abrigava as instalações militares, assemelha-se a uma casa colonial do século 18. Dos sete fortes que defendiam a cidade, é o único ainda existente.
O que fazer à noite
O endereço da badalação à noite, é a Praça da Matriz, no Centro Histórico. Mesas espalhadas pelas ruas, barraquinhas de bebidas dos ambulantes e a garotada sentada na praça, diante da Igreja da Matriz iluminada, formam o cenário. O Dinho's Bar é uma boa pedida para quem quer dançar com música brasileira, jazz e curtir uma balada até a madrugada. Se a preferência for um jantar tranqüilo em um bom restaurante, há muitas opções.
Com vista para o cais, o Refúgio, em um ambiente agradável, oferece no cardápio delícias da culinária brasileira e internacional, com destaque para os pratos de frutos do mar.
O Thai Brasil, faz sucesso pela sua decoração e claro, pela comida especializada na cozinha tailandesa. Para adeptos a carnes argentinas, peixes e moquecas da região, o Bartholomeu Paraty é a pedida. Outro craque em cozinha brasileira é o Banana da Terra, com uma culinária contemporânea inspirada na comida regional caiçara. Se a preferência for por alta gastronomia, o restaurante Merlin o Mago é o mais indicado.
Ao retornar para a pousada, vale caminhar a pé, pelas ruas quase desertas. Dependendo do caminho, pode-se observar as centenárias igrejas de Nossa Senhora dos Remédios (Igreja da Matriz), Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, Nossa Senhora das Dores, e Santa Rita, todas iluminadas, ressaltando a sua arquitetura e embelezando ainda mais as ruas de Parati, cidade que exala história e que conta até com um anfitrião de sangue azul.
Comentários
Valéria Parajara 21/11/2011 às 17:10:04Paraty uma das cidade mais lindas que já conheci, quem vai lá uma vez, sempre volta, pois a cidade é encantadora e acolhedora.
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