Petrópolis guarda riquezas históricas da era imperial brasileira
Foi no Caminho do Ouro, entre as cidades do Rio de Janeiro e Minas Gerais, em 1830, que D. Pedro I encontrou o clima ideal para fugir do calor carioca durante o verão. Gostou tanto que tratou logo de comprar, naquelas paragens, a fazenda Córrego Seco. Sonhador, foi onde idealizou a construção de seu Palácio da Concórdia, uma residência de verão para a família imperial.
Mas as pressões de Portugal eram maiores do que a vontade do imperador. Pedro foi forçado a abdicar ao trono e retornar ao Velho Mundo para defender os direitos da família sobre a coroa portuguesa. Lá morreu três anos depois, como D. Pedro IV, oDuque de Bragança. Assim, D. Pedro II assumiu o sonho do pai. E, a partir de 1843, começou a construir Petrópolis – literalmente, Cidade de Pedro.
Passados dois séculos, nenhuma outra cidade do País representa tão bem o Brasil Imperial. Os nobres, que já freqüentavam a região desde 1851, estabeleceram residência de verão por lá entre 1882 e 1889. O legado dessa época ainda encanta os visitantes: no centro histórico há museus, castelos, pontes, bibliotecas e palácios. Por onde quer que se ande, é forte a sensação de estar nos caminhos pelos quais um dia a corte passou.
Estilo europeu
A influência europeia na região está diretamente ligada à imigração de alemães, italianos, franceses, suíços, belgas e ingleses, incentivada pelo Império. Petrópolis nasceu predestinada a abrigar duas classes sociais definidas: de um lado os colonos e de outro a corte do império, que lá passava os meses de verão levando progresso e recursos. Na segunda metade do século 19, a cidade foi o importante centro político do Brasil, onde a família imperial passava grande parte do ano. Por esse motivo, foi capital do Estado do Rio de Janeiro, de 1894 a 1903.
Com tanto poder e dinheiro, Petrópolis era o centro das inovações de sua época. Foi lá que, em 1854, Irineu Evangelista de Souza conquistou o título de Barão de Mauá, ao inaugurar a primeira linha de trem do Brasil, ligando o Rio de Janeiro a Petrópolis. A locomotiva inglesa, apelidada de “Baronesa”, em homenagem à esposa do barão, puxava três carros de passageiros. Só que, para fazer a viagem até Petrópolis, as pessoas tinham que fazer duas conexões: sair de barco da Praça Quinze, no centro do Rio de Janeiro, para atravessar a Baía da Guanabara até o Porto Estrela, onde embarcavam no trem. De lá, a linha férrea percorria as localidades de Mauá e Fragoso, mas o trecho final de serra tinha que ser feito em carruagens. Apesar do avanço que representou, a estrada de apenas 14,5 km foi desativada em 1962 sem jamais chegar até a Cidade Imperial. Além de sua importância histórica, a Estrada de Ferro Petrópolis também deixou a expressão popular “boi na linha”, hoje usada quando há “grampos” na linha telefônica, mas que na época era uma referência aos bois que deitavam tranqüilamente sobre os trilhos, atrasando as viagens de trem.
Depois do período imperial, a Cidade de Pedro ganhou perfil de centro urbano ao deixar de lado o jeito interiorano, mas não perdeu o seu charme. A vocação turística – seja devido à arquitetura ou pela temática imperial – ganhou notoriedade internacional, pelo interesse na formação do passado histórico do País. Os visitantes são atraídos pelo passado histórico da Cidade Imperial. Mas, ao chegar aqui, também se deslumbram com a natureza exuberante. Localizada a quase 850 metros acima do nível do mar, ela é a cidade serrana mais visitada do Rio de Janeiro. Além da vegetação de Mata Atlântica, oferece cachoeiras, trilhas e culinária digna de um imperador.
Atrações
A começar pelo antigo palácio de verão do Imperador, atual Museu Imperial, construído em estilo neoclássico, guardando móveis e objetos da residência da corte (inclusive a coroa de ouro, brilhantes e pérolas que pertenceram a D. Pedro I e II). Além disso, para citar os mais visitados, há a Catedral Gótica, onde estão os restos mortais de Pedro II, Dona Cristina, Conde D'Eu e sua esposa, a Princesa Isabel; o Palácio Quitandinha, construído com o propósito de abrigar um hotel-cassino; e o Palácio de Cristal, feito na França e montado no Brasil para sediar as grandes festas e eventos promovidos pela Princesa Isabel e seu marido. Foi lá que ela assinou a Lei Áurea, pondo fim à escravidão no País. Seguem-se ainda residências de veranistas ilustres – artistas, embaixadores, políticos, inventores – além de ruas inteiras que parecem cenários de filmes de época.
No centro histórico, o espetáculo Som e Luz é o que há de mais moderno no turismo da cidade. Os fatos mais marcantes do período são contados por meio de um conjunto de efeitos especiais e de imagens projetadas numa cortina d'água, que reproduzem a história imperial brasileira. No que se refere à gastronomia, a boa pedida é o bistrô Petit Palais, que fica no pátio do Museu Imperial. No menu, risoto picante de bacuri com camarões. Conta a lenda que o tempero é o mesmo que fazia D. Pedro II lamber os beiços, com toda pompa real, é claro. A comida é servida entre carruagens e um trem da época do Império. O melhor meio de reviver o lendário panorama que a cidade fornece é fazer um tour de charrete, com visitas aos principais pontos turísticos do centro histórico.
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Clique aqui para se autenticar.- Publicado em 10/05/2012 18:04 - Atualizado em 14/05/2012 13:23
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