Hotéis-Boutique conquistam os visitantes do Rio de Janeiro com seu charme e requinte

Feb 09, 2012
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O Casa 32 mescla harmoniosamente detalhes antigos, como o piso de mármore, com peças contemporâneas (Foto: Editora Europa/ Viaje Mais)

O Casa 32 mescla harmoniosamente detalhes antigos, como o piso de mármore, com peças contemporâneas (Foto: Editora Europa/ Viaje Mais)

Enquanto as UPPs estão trazendo mais segurança para os moradores do Rio, os Hotéis-Butique conquistam cada vez mais Hóspedes na cidade, oferecendo atendimento e Serviços Exclusivos

Parece improvável, mas mesmo numa grande metrópole como o Rio de Janeiro é possível se hospedar em pequenos hotéis, com menos de dez suítes, nos quais os hóspedes são tratados pelo nome. Embora diferenciados nos serviços, que vão de massagem feita no próprio quarto a motorista particular, nem por isso têm tarifas astronômicas – em geral, cobram diárias equivalentes às dos melhores resorts do País. 

É uma opção para curtir o Rio de forma diferenciada num momento em que as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) têm tentado dar mais segurança à cidade. Sem publicidade ou um mero letreiro na fachada, estes charmo­sos empreendimentos operam quase sempre com 100% de ocu­pação e ficam em pontos para lá de aprazíveis da Cidade Maravi­lho­sa. Três deles – Casa 32, La Suite Rio e La Maison – estão na zona sul, próximos ao Cristo Re­dentor e ao Pão de Açúcar, en­quan­to o Mama Ruísa ocupa um palacete do século 19 em Santa Teresa, único bairro carioca por onde ainda cir­cula o simpático bonde elétrico.

O quinto hotel, o Le Relais de Marambaia, fica em Barra de Guaratiba, na zona oeste. Ali, o clima de paz e tranquilidade é tamanho que os hóspedes até se es­que­cem de que estão em uma me­tró­pole. Isso se eles se dão conta de que ainda estão no Rio, já que o Le Relais situa-se a 50 km do centro da cidade, bem afastado dos famosos cartões-postais cari­ocas.

Coincidência ou não, quatro destes cinco requintados pontos de hospedagem têm sócios fran­ceses. “O conceito de hotel-butique pequeno é comum na França”, conta o fran­cês Jacques Dussol, do La Maison. Segundo ele, quem trabalha nesses lugares se esforça muito para fazer com que os hós­pedes se sintam ver­dadei­ramente em casa, além de mi­má-los com todo tipo de agrado.

 Hotel-butique Casa 32

O hotel-butique Casa 32 é bem pequeno: oferece somente três suítes e fica num casarão de dois andares no bucólico Largo do Boticário, no bairro do Cos­me Velho. De lá, são apenas 300 metros de caminhada até a esta­ção do Trem do Corcovado, de onde partem os trenzinhos que levam ao Cristo Redentor. Mas o Casa 32 tem muito mais chama­ri­zes do que apenas a proximi­dade a uma das sete maravi­lhas do mundo moderno. 

A casa foi vendida em 2004 para Lúcio e Joana Beleza, pai e filha, que imaginavam ape­nas reformar o imóvel tombado pelo Instituto Estadual do Patri­mô­nio Cultural (Inepac) e vendê-lo. Mas, ao final do processo, Lú­cio e Joana estavam completa­mente apaixonados pelo lugar. Foi quan­do surgiu a ideia de con­ver­ter a casa em um hotel-butique, que abriu as portas no fim de 2006.

As três suítes do Casa 32 são arru­madas pela manhã e à noite. Têm cama king size, ar-condicio­nado, TV a cabo, DVD, conexão para iPod, frigobar e hidromas­sagem.

Na área externa, ficam à dis­posição do hóspede piscina, saunas, mini­quadra poliesportiva, churras­quei­ra e forno a lenha, em meio à mata atlântica da Floresta da Tijuca. Inter­net wire­less, lounges de leitura e de proje­ção e um bar completam a estrutura do hotel, cuja decoração, cheia de toques modernos, agra­da­velmente contrasta com toda a his­tória do imóvel.

A maior parte dos hóspedes do hotel vem da Inglaterra e da Alemanha. São turistas que que­rem viver a vida do carioca e que pedem indicações de lugares que os anfitriões frequentam. Os visitantes viram amigos e, quando é a vez de os anfitriões viajarem, é para os antigos hóspe­des que  pedem dicas.

Coleção de títulos

Também com poucas acomo­da­ções – apenas sete –, o La Suite Rio fica no Alto do Joá, em São Conrado, numa casa que perten­ceu aos Espírito Santo, família portuguesa dona do banco de mesmo nome. Desde 2006, o es­paço, dentro de um condomí­nio residencial, pertinho da rampa da Pedra Bonita (de onde decolam os famosos voos de asa-delta e para­pente), é de proprie­dade do fran­cês François-Xavier Dussol e do carioca Rodrigo Harold.

As suítes são envidraçadas pa­ra privilegiar a vista estonteante para o Corcovado, o Morro Dois Irmãos e a Pedra da Gávea. To­das têm cama king size, ar-condi­cionado, conexão para iPod e va­randa. A internet wi-fi funciona em qualquer lugar do hotel, mas TV e frigobar não en­tram nas aco­modações.

A área externa, em meio a uma mata habitada por tucanos e mi­cos, tem piscina de borda infinita e um spa em construção. Com tan­tos diferenciais, fica fácil en­tender por que o La Suite volta e meia é citado por veículos como o jornal inglês The Times. Para a revista nor­te-americana Travel + Leisure, ele é um dos 25 melhores hotéis do mundo e um dos 50 mais românti­cos para ir a dois.

Entre os serviços exclusivos o­ferecidos pelo hotel, os hóspedes podem contratar motorista parti­cular bilíngue, voar de heli­cóp­te­ro, caminhar, com guia, para a Pe­dra da Gávea, fazer tour de barco para as Ilhas Cagarras e ses­sões de ioga, entre outros. O trans­por­te de ida e volta para a Praia da Joatinga, por sua vez, é gratuito.

Na hora em que bater a fome, é só recorrer ao chef Vinícius Fra­goso, formado pela renomada es­cola francesa de gastronomia Le Cordon Bleu. Ele faz o prato que o hóspede pedir ou oferece o blind menu, literalmente um me­nu às cegas.

Estrangeiros, como ingleses, norte-americanos e franceses, também formam a maior parte da clientela no La Suite. Nos fins de semana, chegam muitos pau­listas e, para eles em especial, o hotel está cons­truindo um heli­ponto. 

Volta ao mundo

Primeiro entre os pequenos e especialíssimos hotéis do Rio, o La Maison é uma sociedade do mesmo Harold com o francês Jac­ques Dussol, irmão de Fran­çois-Xavier, que por sua vez é sócio de Harold no La Suite. Com cinco suítes, abriu em 2005 no bairro da Gávea e tem vista para o Cristo Re­dentor. 

O francês decorou o hotel co­mo se fosse a própria casa, com lem­bran­ças de viagens. As­sim, as suítes são temáticas, pro­por­cio­nando um passeio pelas re­giões do globo. Na suíte Reca­mier, o cli­ma remete ao Velho Mundo, com uma decoração ins­pirada na Renas­cença, enquanto a Copaca­bana ho­me­nageia o bair­ro carioca de mes­mo nome. Na Tiffany, uma foto da Times Square deixa clara a atmos­fera nova-ior­quina. Já a suíte Shan­gai leva o hóspede à China e a Ga­nesha, para a Índia. 

Como no La Suite, nada de TV e frigobar nos quartos, para guar­dar ao máximo o espírito de uma casa. E o proprietário garante que ninguém sente falta de­les. Um vi­veiro com calopsitas dá charme à sala, onde os hóspedes sabo­reiam o café da manhã. O hotel também oferece refeições simples, a pedido do cliente, que escolhe entre carne, peixe ou frango. E dispõe de servi­ços de lavanderia, manicure, pedi­cure, massagista e reserva de pas­seios turísticos. 

“A” vista do Pão de Açúcar

O Mama Ruísa fica em Santa Teresa, bairro considerado o Mont­martre carioca, em referên­cia ao boêmio e artístico bairro parisiense. Mas, para o empresá­rio francês criado no Marrocos e na Tunísia Jean Michel Ruis, a região está mais para a cidade francesa de Nice. 

Inaugurado em 2006, o hotel está instalado num palacete de 1871. São oito suítes equipadas com ar-condicionado, frigobar, TV a cabo e internet wireless. Cadeiras do designer Sérgio Ro­drigues, sofá dos anos 1920 comprado num an­tiquário e san­tos de madeira con­feccionados por artesãos de Minas Gerais – peças que parecem não ter nada a ver para serem colocadas juntas – decoram, com harmonia, a sala de estar.

Completam o visual do casa­rão desenhos e fotos originais do escritor e cineasta francês Jean Cocteau, bem como da escritora Colette, também francesa, que enfeitam as paredes. No jardim, um espaço para massagens ao ar livre, a piscina e “o” diferencial: uma senhora vista para a Baía de Guanabara e o Pão de Açúcar.

E ainda há mais serviços espe­ciais, como city tour com moto­rista e guia particulares, reserva de ingressos, manicure e pedicure. Também dá para contratar um chef de cozinha para chamar de seu. O café da manhã e refeições simples, podem ser ser­vidos na área externa, mas o hós­pede não deve deixar de visitar os acla­ma­dos restaurantes do bair­ro, como o Aprazível, da chef Ana Castilho; o Térèze, capita­neado pelo chef Damien Monte­cer; e o tradicio­nalíssimo Bar do Arnau­do, de cu­linária nordestina.

À noite, a dica é ir para a Lapa, a dez minutos de carro do Mama Ruísa. O bairro é o cora­ção da boe­mia carioca, com mui­tas casas de samba e espaços de shows consa­grados (o Circo Voa­dor é o mais emblemático deles), onde coabitam o alterna­tivo e o sofistica­do.

Para espantar o estresse

Mais uma propriedade admi­nis­tra­da por um francês, ou me­lhor francesa – no caso, a hote­leira Alexandra Baillet –, o Le Re­lais fica de frente à Restinga da Marambaia A área pertence à Marinha do Bra­sil e fica a 50 km do centro do Rio, longe dos grandes símbolos turísti­cos da Cidade Maravilhosa.

Mas quem opta por ficar na região, a exem­plo dos ex-pre­si­dentes Fer­nando Henrique Car­doso e Luiz Inácio Lula da Silva, que ali curti­ram uns dias de férias, quer mes­mo distância do ritmo corrido da cidade grande.

Aberto em 2009 e com a deco­ração baseada em peças garim­padas em bre­chós do Rio, o Le Relais con­ta com apenas cinco suítes – todas com vista para o mar, apreciado da varanda priva­tiva, cama king size, ar-con­dicio­nado, frigobar, TV a ca­bo, in­ter­net wi-fi e toalete separado da du­cha, no melhor estilo francês.

Na parte externa, dá para rela­xar nas saunas seca e a vapor, na piscina nas cores da bandeira fran­cesa e nas espreguiçadeiras situa­das no deque suspenso sobre o mar. Em menos de cinco minu­tos por ali, o turista pode avistar tartarugas marinhas, que sobem à superfície para respirar e são vi­sitantes frequentes do hotel.

O hotel-butique oferece tantas opções de lazer que nem dá para sentir falta do burburinho da cida­de grande. Há um completo menu de massagens realizadas no quar­to, incluindo as tradicionais dre­nagem linfática, shiatsu e rituais de banho, além da surfing massa­ge, para pra­ticantes de atividades físicas de alta perfor­mance, e da jet leg, que com­bate os desgastes físico e mental após longas viagens.

Também dá para fazer trilhas, alugar barco para pesca guiada e para passeios, seja passando por manguezais (quando é possí­vel observar caranguejos, garças, co­lhereiros e até capivaras), seja por praias desertas, com parada para mergulho.

O Le Relais de Marambaia ain­da conta com um restaurante es­paçoso, de 40 lugares, aberto ao público para almoço às sextas, sá­bados, domingos e feriados, onde é praticada uma gastrono­mia tropi­cal marcada por toques franceses.

A especiali­dade da casa é a fei­joada de frutos do mar, feita com feijão branco, polvo, lula, me­xilhão, ca­marão e peixe – custa R$ 110 para duas pessoas. De sobre­mesa, não se deve deixar de provar o petit gâteau, que traz pedaços de laranja por dentro e é servido com sorvete de creme e calda de laranja.

Para variar o tempero, saia do hotel e caminhe um pou­qui­nho para chegar ao famoso Res­taurante do Bira, de inspira­ção baiana.

Atrações de Marambaia

O hotel fica na Estrada Rober­to Burle Marx, mesmo endereço do Sítio Roberto Burle Marx. A visita é para lá de recomendada para os amantes da natureza, pois apresenta uma coleção de mais de 3.500 espécies vegetais, muitas ameaçadas de extinção, além de pinturas, de­se­nhos e tapeçarias feitas pelo pró­prio paisagista.

Ainda na região, denominada Barra de Guaratiba, vale visitar a Capela Magdalena, pertencente ao maestro  Roberto de Regina. Nas noites de sábado, ele oferece reci­tais à luz de velas, seguidos de um jantar que privilegia os exóticos sabores das cozinhas in­diana e tailandesa.

Longe dos agitos da cidade, sim, mas com todo o re­quinte e conforto que um hóspe­de do Le Relais de Ma­rambaia – ou do Casa 32, do La Maison, do La Suite Rio ou do Mama Ruísa – merece.

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