Saco do Mamanguá é natureza extremamente bem preservada
O barco sai de Parati-Mirim, uma das praias da cidade histórica de Parati, no litoral fluminense, deixando as areias e o mar aberto para trás. Só depois de alguns minutos, o visitante começa a se dar conta do que é, de fato, o Saco do Mamanguá. Até mesmo os olhos mais viajados demoram a se acostumar com a inacreditável beleza desse fiorde tropical.
Bastante comuns na Noruega, onde servem de ponto de parada para muitos cruzeiros, os fiordes são enseadas longas e estreitas, ladeadas de formações rochosas. Único de toda a costa brasileira, o Saco do Mamanguá fica dentro da Área de Proteção Ambiental do Cairuçu, bem no comecinho do Estado do Rio de Janeiro, para quem vai até lá partindo de São Paulo.
Saco do Mamanguá
O Saco do Mamanguá é uma joia da natureza extremamente bem preservada, com aproximadamente 12 km de extensão e 2 km de largura. Duas cadeias de montanhas paralelas e cobertas de mata formam as encostas e abrigam o mar cristalino e sem ondas – eventualmente, atrás de um cardume de sardinhas, aparecem por ali alguns botos. No fundo, onde as montanhas se encontram, existe um rico manguezal.
Refúgio para animais típicos da Mata Atlântica e berçário de muitas espécies marinhas, a região é também um achado para os turistas adeptos de destinos praticamente isolados. Ali tudo é tão tranquilo que os recém-chegados são capazes de jurar que estão diante de uma descoberta. Em um fim de semana normal, é possível deitar ao sol em uma das 33 minúsculas praias de Mamanguá e não encontrar ninguém. Até mesmo na alta temporada, que vai de novembro até o carnaval, a frequência de visitantes é reduzida – e nem poderia ser diferente, já que a infraestrutura do lugar é mínima.
Com exceção da árdua trilha usada pelos locais, o acesso pode ser feito apenas de barco. Todo o comércio se resume a três caiçaras que vendem alguns enlatados e servem refeições caseiras à base de peixe. Não há energia elétrica e celular só funciona em alguns pontos e, ainda assim, com muita sorte.
Criada para garantir o equilíbrio e a sustentabilidade do local, a Associação dos Moradores e Amigos do Saco do Mamanguá (Amam) mantém ações que inibem a pesca predatória e luta para que o lugar nunca receba mais pessoas do que comporta – até mesmo os passeios bate-volta que saem de Parati-Mirim são limitados a somente dez pessoas por dia.
Também contribui para a baixa frequência de turistas as poucas alternativas de hospedagem. A menos que algum amigo tenha um chalé de veraneio, as opções são casas de moradores (o único jeito de descobri-las é conversando com quem já foi), que, em geral, são bem simples e sem gerador, e três pousadas, uma delas bem confortável – a Mamanguá Eco Lodge, com chuveiro quente, ar-condicionado e até geladeira mantida por aquecedor solar.
Trekking e piscinas naturais
Uma vez instalado no paraíso, é bem grande a vontade de passar o dia alternando-se entre uma volta de canoa, um mergulho nas águas transparentes cheias de peixinhos e algumas horas nas praias, acessadas por trilha ou barco. Mas vale vencer a preguiça para desbravar outros ângulos do Saco do Mamanguá. Há sempre uma trilha, um morro e uma vista a descobrir – tudo depende apenas de tempo e disposição. E aonde quer que você vá, não deixe de puxar papo com os moradores: eles são bons de prosa e donos das melhores dicas para quem quer se aprofundar na cultura caiçara.
Com pouco tempo, procure um barqueiro e priorize o manguezal que fica no fundo do fiorde. Guardadas as devidas proporções, dá para se sentir no Pantanal. Perto dali, uma cachoeira forma várias piscinas naturais em diferentes tons de verde.
Para quem curte uma trilha mais pesada, a boa é subir até o topo do Pico do Mamanguá, a 400 metros do nível do mar. A subida bastante íngreme e em mata fechada começa na Praia do Cruzeiro. São quase duas horas morro acima e, em alguns trechos, cordas amarradas em árvores dão uma mãozinha. O esforço é recompensado por uma vista incrível, que exibe em detalhes a geografia da região. Lá do alto, no mais absoluto silêncio, fica fácil entender de vez por que o local é comparado aos fiordes nórdicos.
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