Visite os cânions dos parques nacionais de Aparados da Serra e Serra Geral

Dec 31, 1969
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Serra Gaúcha não é apenas um conjunto de cidadezinhas que parecem presépios embalados para presente, colonizadas por alemães e italianos, onde se come do bom e do melhor. Não que isso seja pouco. Ao contrário. Só o charme da dupla Gramado e Canela já vale a viagem. Mas do outro lado dos morros se esconde uma das mais espetaculares e imponentes atrações do país: os cânions dos parques nacionais de Aparados da Serra e Serra Geral, um conjunto de paredões formados há milhares de anos, que chegam a 900 metros de altura. Apesar da fama antiga das vizinhas, eles só ficaram conhecidos recentemente. E já são a melhor opção para quem busca um pouco de aventura ou só quer curtir o friozinho da serra na frente de uma lareira, longe do burburinho de Gramado, Canela e companhia.

O Brasil tem praias, montanhas, florestas e uma variedade de paraísos que nem mesmo a nossa imaginação é capaz de criar. Mas, quando nos lembramos de nossas riquezas, raramente falamos dos cânions que cortam os parques nacionais da divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina. Sim, até cânions nós temos! E não se trata apenas de uma maquete do Grand Canyon americano, provavelmente a principal referência que se pode ter dessas fendas enormes no solo, formadas pela ação milenar da natureza. Nossos precipícios são tão profundos – alguns trechos chegam a 900 metros de altura – que, lá do alto, ficam até pequenos. A sensação é a de que é possível pegar as nuvens com as mãos.

Legado da natureza

Um dos maiores cânions do Brasil. Aparados da Serra, Rio Grande do Sul Acima do Paraná, pouca gente sabe que os cânions existem.   O curioso, no entanto, é que os paredões estão lá há mais de 150 milhões de anos, quando um terremoto sacudiu a região e rasgou a terra em fendas que se estenderam por dezenas de quilômetros. Hoje, eles delimitam a fronteira entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O que, por sinal, é uma grande confusão. Em alguns trechos, a borda pertence a Santa Catarina e o paredão, ao Rio Grande do Sul. Noutros, o contrário. Você nunca sabe de que lado exatamente está.

Depois que a região virou cenário da minissérie “A Casa das Sete Mulheres” (embora não tenha sido palco de batalha alguma da Guerra dos Farrapos, vamos deixar isso bem claro), o número de visitantes disparou. Mas esse não é o único motivo – e nem o melhor – para você ir para lá. Os paredões e descampados que ficam nos entornos das rachaduras formam uma paisagem que não existe em nenhum outro canto do Brasil. Numa comparação grosseira, lembra a Chapada Diamantina. E não só pelo visual espetacular, mas também porque nada fica tão perto assim das principais cidades da região. Para chegar até os cânions, é preciso pegar um carro ou comprar um passeio – alguns já estão inclusos nos pacotes das agências – e andar pelo menos 20 quilômetros por estradas de terra muitas vezes precárias, que ficam quase intransitáveis quando chove.

As principais cidades da região são Cambará do Sul e Praia Grande – esta última conhecida como “a cidade das duas mentiras”, já que não tem praia, tampouco é grande. Mas ambas estão longe de oferecer o conforto e o charme de suas vizinhas mais famosas, e ainda mantêm aquele jeitão típico de cidade do interior. Não têm, também, as casinhas em estilo enxaimel que completam o astral europeu de Gramado e Canela. Mas nem por isso deixam de ter suas vantagens. Cambará fica mais perto dos cânions e oferece melhor infra-estrutura, apesar de ser menor do que Praia Grande. Mas isso também não quer dizer muita coisa. As duas têm pouco mais de uma dúzia de ruas, que podem ser percorridas em minutos. E a pé.

É justamente por ser um lugar ainda pouco explorado que a região se tornou uma viagem relativamente barata, embora a logística para os passeios jogue os preços lá em cima. Um casal que pretenda viajar num esquema mais econômico, por exemplo, encontrará pousadas a preços bem razoáveis. E dá para gastar ainda menos, dormindo em lugares mais simples, sem luxos, mas dignos de nota. Até as principais hospedarias da região, como o Refúgio Ecológico Pedra Afiada, a seis quilômetros do centro de Praia Grande (e o único bom motivo para você não dormir em Cambará), não são tão caras pelo que oferecem.

O único problema é que as melhores pousadas ficam longe de tudo. O Parador Casa da Montanha, outra opção bem confortável, fica no caminho do cânion de Itaimbezinho. Ou seja, distante do centro de Cambará. São, portanto, lugares ideais para quem quer descansar e curtir a paz da paisagem, de preferência bem acompanhado.

Por outro lado, quem ficar nas cidades em busca de alguma diversão noturna, terá uma grande decepção. Conhecer os cânions não exige muito preparo físico, é verdade, nem grande espírito de aventura. Tanto que se encontra todo tipo de gente nos passeios. De velhinhos a casais em lua-de-mel. E ninguém reclama, nem se cansa demais. As trilhas são leves e quase sempre planas, embora não tão curtas. Mas o melhor é que elas vão sempre contornando a borda dos paredões e atravessando campos dourados que só terminam na linha do horizonte. Ou seja, o espetáculo é garantido. Muitas vezes a paisagem se repete, é verdade, mas nunca cansa.

Cachoeiras, trilhas e mirantes

A trilha para o cânion dos Índios em Aparados da Serra, Rio Grande SulO cânion do Itaimbezinho, no Parque Nacional de Aparados da Serra, é o mais famoso e fica a 18 quilômetros de Cambará. Para ver suas encostas e cachoeiras – algumas quedas chegam a 300 metros! – há duas trilhas panorâmicas, que podem ser feitas tranqüilamente no mesmo dia. E ainda sobra tempo para visitar outros lugares igualmente belos, como o cânion dos Índios, que pode ser alcançado por uma trilha leve, de 15 minutos. Mas a melhor vista é a que se tem do cânion Fortaleza, o maior de todos, que tem 30 quilômetros de bordas. Quem vai até o mirante tem a nítida sensação de estar perto do céu. E está mesmo. Não só pela altura, mas também por causa da viração, como são chamados os nevoeiros freqüentes que aparecem em segundos e encobrem totalmente a paisagem. Quando isso acontece, fica-se acima das nuvens. Outro passeio bastante comum na região são as cavalgadas, um jeito diferente de curtir o visual e conhecer os vilarejos que ficam nos arredores dos cânions.

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