Curta um pouco do estilo gaúcho de ser em Porto Alegre
Neste Brasil de muitos “Brasis”, há uma capital que é vista como a mais européia dos lados tupiniquins pela influência que carrega dos vizinhos hermanos, Uruguai e Argentina, e da forte colonização alemã e italiana: Porto Alegre. Nas ruas, ouve-se um vocabulário um tanto peculiar. São tchês, bahs e trilegais a pontuar o linguajar, misturados com aquele sotaque “carrrrregado” dos gaúchos. A cidade ficou imortalizada em uma música de Kleiton e Kledir, que tem a estrofe: “Deu pra ti, baixo astral. Vou pra Porto Alegre, tchau”...
O que a cidade tem?
Por essas bandas, o povo toma chimarrão, é orgulhoso de sua terra, das origens e promete oferecer o pôr-do-sol mais bonito do território brasileiro – a explicação é a intensa troca de cores que acontece com a chegada do crepúsculo. Realmente, o céu porto-alegrense é de emocionar a alma. Para deixar tudo com um sabor ainda mais poético, lá está o rio Guaíba enfeitando a paisagem. Assim é a capital dos gaúchos: um pedacinho do Brasil com jeito castelhano e uma pitada de ares europeus.
Porto – como é chamada carinhosamente por seus 1,5 milhão de habitantes – é uma mistura de metrópole com cidade do interior, o que gera uma grata combinação. Não tem praia, apenas o rio Guaíba – infelizmente, impróprio para banho. Faz de suas praças a praia que lhe falta. É justamente nesses espaços verdes ao ar livre (é considerada a cidade mais arborizada do Brasil) que os gaúchos desfrutam os momentos de lazer. Bancos e gramados são tomados de gente, o chimarrão corre solto, o bate-papo também.
O que falar do churrasco? Nos domingos, em qualquer rua que se passa, o cheirinho da carne assando é onipresente. Faça sol ou faça chuva: em quase todas as casas, o churras é o cardápio obrigatório dos finais de semana.
Chimarrão e churrasco são motivos para os amigos se encontrarem. Tomar um chimas ou fazer um churras são idéias constantes por estes rincões. Para entender desse tal de chimarrão é preciso prática e habilidade: a erva mate é acomodada “estrategicamente” dentro de uma cuia de porongo (que vem a ser a fruta com que é feita a cuia). O chimas é bebido com uma bomba de prata ou metal, que faz as vezes de um canudinho, servido com água quente. Um detalhe importante: nada de querer tomar só um gole. Isso não vale: tem de ir até o fim e ouvir a cuia chiar. Enche-se a cuia novamente de água quente e passa-se adiante. Está feita a roda de chimarrão.
O Centro cultural
Quando o assunto é rota cultural, o centro é a pedida e deve ser feita toda a pé e com um mapa em mãos. A largada é dada na Praça XV de Novembro, no Mercado Público, que foi inaugurado em 1869. O estilo neoclássico da fachada é um convite para um mergulho em suas mais de 100 bancas. Começou com um andar e, em 1913, ganhou o segundo.Todo reformado em 1996, oferece de tudo um pouco quando se trata de peixes, especiarias e produtos típicos da cultura gaúcha. A banca mais famosa é a 40, que serve sorvetes e saladas de frutas. Das especiarias é a 43.
Pelo centro da cidade Porto é uma terra de grandes nomes do cenário artístico nacional, do passado e do presente. Como o poeta Mário Quintana (em 2006, comemora-se o centenário de seu nascimento), o escritor Érico Veríssimo, o imortal Moacir Scliar, a best seller Lia Luft, o grande cronista Luís Fernando Veríssimo (filho de Érico) e a romancista Letícia Wierzchowski, autora de A Casa das Sete Mulheres, que virou minissérie da TV Globo.
Mais à frente está o Museu de Artes do Rio Grande do Sul – o MARGS – onde está a maior coleção de obras do Estado e o Santander Cultural, os dois na Praça da Matriz.
Parte mais antiga
Mostras da bela arquitetura da parte mais antiga da cidade estão em volta da Praça da Matriz, na rua Duque de Caxias, 1047. Comece pela catedral Metropolitana, que possui uma das maiores cúpulas do mundo (com 65 metros) e três painéis feitos na oficina do Vaticano. Depois, siga para a sede do governo estadual que fica ao lado, para a Assembléia Legislativa onde está o Solar dos Câmara (um espaço cultural com espetáculos de música e biblioteca), no lado esquerdo da praça de quem olha a catedral de frente.
Veja ainda o monumento a Júlio de Castilhos, no meio da praça, e o belo Teatro São Pedro a seus pés. O teatro é uma das mais exuberantes casas de espetáculo brasileiras, em estilo barroco português.
Foi inaugurado em 1958, mas começou a ser construído em 1832. A platéia é em forma de ferradura e a decoração em veludo e ouro. Tombado pelo Patrimônio Estadual em 1984, é orgulho dos gaúchos. Vale ir até lá para tomar um café no terraço, com uma vista e tanto para a praça da Matriz.
O grande poeta Mário Quintana ganhou em sua homenagem a Casa de Cultura, que leva seu nome, e fica em um prédio estilo barroco construído no início do século 20, com projeto do arquiteto alemão Theo Wiederspahn (rua dos Andradas, 736). No passado, ali funcionava o clássico Hotel Majestic, também residência do poeta. Restaurado em 1990 e tombado pelo Patrimônio Estadual em 1982, hoje é um dos mais completos centros culturais da América Latina com exibições, oficinas, espetáculos, livraria, restaurante, café-concerto e salas de cinema.
A caminho da Casa de Cultura Mário Quintana, você vai passar pela Praça da Alfândega, também na rua dos Andradas, onde todo o ano acontece a Feira do Livro, nas duas últimas semanas de outubro. O ambiente fervilha de idéias, escritores e bons títulos – novos e usados.
O famoso pôr-do-sol de Porto Alegre pode ser visto de dois lugares especiais, ambos no centro: do Café Concerto, na Casa de Cultura, onde uma cúpula aberta e mesinhas esperam os visitantes com uma vista generosa do Guaíba, ou da usina do Gasômetro, aos pés do rio, na avenida Beira-Mar. O local foi uma usina termoelétrica inaugurada em 1928. Transformada em centro cultural, sua chaminé de 107 metros marca a paisagem e é ponto turístico de destaque.
O que fazer?
No bairro Moinhos de Vento – parecido com os Jardins de São Paulo – está o simpático Parcão. O nome verdadeiro é igual ao do bairro, cuja origem vem de um antigo moinho de trigo, do final do século 18. O atraente parque tem 115.000 metros quadrados e fica entre as ruas Goethe, 24 de Outubro e Mostardeiro. Ótimo para correr, levar as crianças para brincar e tomar chimarrão, claro. Lá você encontra um lago, uma minicascata e a réplica de um moinho.
Relativamente perto do Parcão (10 minutos de carro) está o Parque Farroupilha – o mais antigo parque da cidade. Nele, nos domingos, das 9h às 16h, há o tradicional brique da redenção – espécie de mercado de pulgas. Na rua José Bonifácio, uma fileira de barraquinhas que parece não ter fim se estende lado a lado e oferece uma quantidade expressiva de objetos de arte, artesanato feito à mão e peças de relicário, sem contar as guloseimas.
Entre o centro da cidade e a zona sul, nas margens do Rio Guaíba, encontra-se outro parque: o Marinha do Brasil. Lá dentro você pode ver uma estância no estilo gaudério – o vaqueiro gaúcho do interior – onde acontecem eventos comemorativos da semana Farroupilha, de 13 a 20 de setembro. É uma forma de conhecer um pouco da vida dos homens dos pampas do sul.
Aonde ir?
Na noite de sábado, o bairro Cidade Baixa, com jeito mais descolado e freqüentado por artistas e simpatizantes, é a dica. Boas pedidas são o Ossip (rua da Republica, 677), o Cult (rua Gal. Lima e Silva, 806) e o Dhomba Art & Pub (Gal. Lima e Silva, 1037). Ou vá para a “Oscar Freire gaúcha”, a rua Padre Chagas, no bairro Moinhos de Vento: o Dublin Irish Pub, Dado Pub e o Press Café e Restaurante são lugares bacanas.
No domingo de manhã, a feirinha (brique) na Redenção é um passeio divertido. O almoço pode ser no bairro Moinhos de Vento, a região chique de Porto Alegre. Na Fernando Gomes, esquina com a Padre Chagas, estão dois excelentes restaurantes: Dado Pub e Le Bistrot. Mesinhas na calçada em rua tranqüila. O café deve ser tomado no Café do Porto, a nada mais do que algumas quadras dali caminhando pela rua Padre Chagas. Antes de ir para casa não deixe de passar na Barbarela (Dinarte Ribeiro, 56) onde há pães deliciosos e um cardápio criativo.
Vida noturna
Sexta-feira é a noite do agito em Porto Alegre. As opções são muitas e prometem agradar distintos gostos. Quem tem planos para um jantar com cardápio caprichado pode ir sem medo à Cervejaria Dado Bier, a primeira microcervejaria do Brasil, que fica dentro do Shopping Bourbon Country, na avenida Túlio de Rose, 100.
Se a ideia de um cineminha for irresistível, ali mesmo estão as melhores salas da cidade, pertencentes ao grupo Unibanco Arteplex. Se a ideia é ir noite a dentro, na própria Dado Bier há pista de dança, o que garante uma balada animada.
Almoço? Os vegetarianos (sim, eles também têm um lugar ao sol) podem almoçar no Ocidente, na esquina da Oswaldo Aranha com a João Telles, no bairro Bom Fim, na frente da Redenção. À noite, o Oci é o reduto de festas animadas do pessoal mais alternativo. De dia, restaurante para quem curte uma comidinha mais natural. A pedida é um churras? Vá ao Barranco. Clássica churrascaria com boas opções de saladas, polentinhas com queijo ralado e um jardim lindo. Fica na avenida Protásio Alves, 1578, no bairro Petrópolis. Gostou? Então aproveite um final de semana para curtir um pouco do estilo gaúcho de ser em Porto Alegre. Você será bem recebido, pois a hospitalidade é trilegal.
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Clique aqui para se autenticar.- Publicado em 10/05/2012 18:04 - Atualizado em 14/05/2012 13:23
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