Transilvânia abriga cenários bucólicos e o famoso castelo do Conde Drácula
Vampiros nunca saíram de moda. O cinema e a literatura se encarregaram, ao longo de décadas, de assegurar o interesse por esses seres das sombras, que adoram sangue e morrem de medo de uma estaca pontiaguda. Nos últimos meses, depois do lançamento dos livros da norte-americana Stephenie Meyer, que geraram os filmes Crepúsculo e Lua Nova, além de séries de TV como True Blood e Vampire Diaries, a moda tomou proporções absurdas. Mas quem começou tudo isso foi o escritor irlandês Bram Stocker que, em 1897, lançou o livro Drácula, nome de um conde, dono de castelos na Transilvânia.
Com pouco mais de 22 milhões de habitantes, a Romênia é o nono maior país europeu e um dos mais agrários do extinto bloco de satélites da antiga União Soviética. Importantes reformas foram empreendidas pelo governo local e os resultados vão aparecendo, lentamente. Em 1999, a União Europeia convidou o país para integrar-se a ela. Porém, somente em 2005 a adesão foi aprovada. Ainda há muito a fazer: até hoje, mesmo nas grandes cidades, poucos falam inglês e ainda é preciso trocar o euro pela moeda local, o leu. O idioma tem origem latina e lembra, bem vagamente, o português.
Nos passos de Drácula
Em Timisoara fica situada a exótica catedral ortodoxa que a noite é toda iluminada. Próximo dela é possível conhecer uma feira livre, e em Hunedoara, se situa um dos mais espetaculares castelos da Transilvânia, o Hunyadi – mais conhecido pelos romenos por Corvin Castelul.
Foi nele que permaneceu preso por sete anos Vlad Tepes (pronuncia-se Tsépesh), ou Vlad III, príncipe da Valáquia, que reinou por três curtos períodos no século 13. Embora tido como um governante justo com os súditos seguidores da lei, não foram exatamente os ideais de justiça que o tornaram famoso e sim o destino cruel que reservava aos invasores, opositores e criminosos, o empalamento. Para os não muito familiarizados com essa prática, ela consiste em inserir uma estaca de madeira no corpo da vítima, de baixo para cima.
Em seguida, a estaca é erguida e fincada no chão. O peso do corpo faz com que ela atravesse a vítima, aflorando às vezes pela boca. E havia toda uma metodologia, cujo objetivo era, além de matar, infligir o máximo sofrimento. A estaca não podia ser muito pontuda para não causar morte rápida, e a agonia da vítima podia durar dias.
Consta que em um único dia, Vlad, o Empalador, como também ficou conhecido, ordenou a execução de 1.700 prisioneiros por esse método, soldados do Império Otomano que lutavam pela expansão do islamismo na Europa. O príncipe romeno repeliu bravamente os ataques ferozes dos turco-otomanos e ainda hoje é visto como herói na Romênia.
Filho de Vlad II, morto em 1447, depois da invasão da Valáquia pela Hungria, Vlad Tepes retornou à região para assumir o trono e acabou confundido com o pai pelos ignorantes moradores locais. Isso fez surgir a lenda de que era imortal. Vlad II era também conhecido como Dracul, do latim drago (que quer dizer dragão), por ter pertencido à Ordem do Dragão, confraria religiosa criada em 1431. Vlad Tepes passou a ser chamado de Drácula, ou seja, o filho do dragão, e as histórias de crueldade e lendas que o cercavam inspiraram Bram Stocker a criar o macabro personagem Conde Drácula.
Cadê o castelo?
Hunedoara foi uma típica zona industrial soviética, lugar cinzento onde a política estatal dos tempos de comunismo plantou monstrengos como esses, engolfados pela derrocada do regime e abandonados.
O castelo que serviu de prisão para o Conde Drácula estava em reforma e não estava aberto para visitáção. Outra bela cidade é a Sibiu, de origem medieval, fundada no século 12 por colonos alemães, com a arquitetura local tipicamente germânica. É o lugar com a melhor qualidade de vida da Romênia e, em 2007, foi capital cultural europeia juntamente com Luxemburgo.
Em Curtea de Arges um dos pontos turísticos é o Citatea Poenari, o castelo onde Vlad Tepes morou a maior parte de sua vida. O segundo castelo de Drácula era um amontoado de ruínas no alto de um morro, sem estrada de acesso. A próxima parada é a Vila de Bran, onde está o castelo de mesmo nome, onde Vlad Tepes viveu durante alguns anos e rechaçou três devastadores ataques turcos, pois o local era uma fortaleza. Para o turismo local, esse é o verdadeiro castelo do Conde Drácula.
Sem vestígios do vampiro
As estradas na Transilvânia são sinuosas, estreitas e cheias de grandes caminhões transportando contêineres. Em todos os lugares, as carroças de madeira seguem indiferentes à proximidade com os caminhões, que vão e vêm tirando perigosas finas. Gado solto cruza a estrada toda hora.
Atualmente não há qualquer referência ao Conde Drácula, somente um tedioso museu em homenagem a Maria de Edimburgo.
De Bran a próxima parada é Brasov, segunda maior cidade da Romênia e capital da Transilvânia, com construções medievais, muralhas e fortificações do século 15 – uma delas transformada em Museu de Armas. Vale a pena visitar Citatea Rasov, uma antiga cidadela fortificada no alto de um morro. E de Brasov a dica é ir para Sighisoara, uma das cidades mais medievais e “vampirescas”, terra natal de Vlad Tepes, embora muitos digam que é Brasov, pois todo mundo quer faturar com o Conde Drácula. Brasov, na realidade, tem a fama de ter sido a sede das maiores atrocidades cometidas por Vlad Tepes contra os prisoneiros turcos otomomanos.
A região é conhecida como one of the dumpest places in the world ou, em bom português, um dos lugares mais nebulosos do mundo.
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Clique aqui para se autenticar.- Publicado em 10/05/2012 18:04 - Atualizado em 14/05/2012 13:23
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