Blumenau é um pedacinho da Alemanha em Santa Catarina
A curiosa herança deixada pelos imigrantes alemães, presente na arquitetura das casas, nos pratos típicos servidos nos restaurantes, no chope artesanal e nos hábitos das pessoas é só um motivo para ir à Blumenau. Você pode escapar da cidade para ir à Pomerode – uma cidadezinha tão alemã quanto um prato de chucrute. Dá para curtir os passeios durante o dia, e cair na farra à noite, principalmente na época da Ocktoberfest, porque é bem nessa hora, de noite, que a festa esquenta.
A hospitaleira Blumenau
O primeiro contato com a cidade, que se esparrama às margens do rio Itajaí-Açu, pode ser um passeio a pé pela Rua 15 de Novembro, a rua do comércio, no centro. Era conhecida antigamente como Würtasse, algo como Rua da Lingüiça, por causa de seu traçado estreito e sinuoso. Foi a primeira rua calçada e a receber iluminação pública em Santa Catarina, em 1929.
Nela, está o cartão-postal de Blumenau, o prédio do Castelinho, uma grande construção enxaimel, réplica da prefeitura de Michelstadt, que abriga a Secretaria de Turismo.
Durante as três semanas da Oktoberfest, a rua se transforma numa espécie de Marquês de Sapucaí do carnaval alemão-catarinense, quando acontecem desfiles nota dez em alegoria e originalidade. Desfilam bandinhas folclóricas, membros dos clubes de caça e tiro e as atuais rainha e princesas da Oktoberfest (eleitas em concursos disputadíssimos), além de dezenas de carros alegóricos malucos, criados pelo irreverente Nerino Furlan, um empresário que adora inventar. Ao mesmo tempo, um caminhão pipa, apelidado de Bierwagen, distribui chope de graça para o povo na rua.
São seis desfiles ao todo durante as três semanas da Oktober Fest, às quartas e sábados, começando às 10 da manhã. Já nos outros dias da semana, a vida segue normal na Rua 15 de Novembro, que volta a ser dos carros e do comércio. No final da rua, chega-se à Praça Hercílio Luz, onde há algumas mesinhas ao ar livre sobre um deque de madeira debruçado sobre o rio. Ali rolava o melhor happy hour de Blumenau, mas a cervejaria Biergarten fechou as portas. Deve reabrir só no final do ano como Cervejaria Expresso. Bem ao lado, funciona o Museu da Cerveja, com peças e fotos que contam a história da produção da bebida em Blumenau.
Foi exatamente no ponto onde está a praça que os primeiros imigrantes alemães chegaram em 1850, depois de navegarem pelo rio Itajaí-Açu desde o litoral. Eram liderados pelo médico e farmacêutico Dr. Hermann Bruno Otto Blumenau, que acabou emprestando o nome à cidade. As terras foram cedidas pelo governo para uso privado do Dr. Hermann, seguindo a política de incentivo à imigração criada por D. Pedro II.
A casa onde o médico alemão viveu com a família fica pertinho da tal praça, e muito bem conservada. Hoje, é o Museu da Casa Colonial (Alameda Duque de Caxias, 78), um dos pontos mais visitados de Blumenau. Lá estão os móveis e utensílios do fundador da cidade, seus livros pessoais, coleção de óculos, até suas escarradeiras de estimação, utensílio doméstico necessário numa época em que mascar fumo e cuspir era um hábito natural e elegante.
A maior dificuldade que o Dr. Hermann enfrentou naquelas terras novas e estranhas foram as constantes cheias do rio Itajaí-Açu que, sem qualquer aviso, jogava suas águas para dentro das casas. Muitas outras gerações depois do Dr. Hermann vieram a sofrer com o problema.
Foi justamente por causa de uma dessas devastadoras enchentes que, em 1984, nasceu a Oktoberfest. Depois da tragédia, a prefeitura resolveu promover uma festa para ajudar nas finanças e levantar o moral dos moradores.
Bastaram apenas três anos, quando quase 1 milhão de foliões caíram na farra em Blumenau, para a Oktoberfest se firmar de vez como um evento popular de proporções carnavalescas. Além dos desfiles nas ruas, a festa acontece nos pavilhões da Proeb, que recentemente passou a se chamar Parque Vila Germânica. Trata-se de um imenso centro de exposições onde são montados vários palcos para os shows e concursos de chope em metro, no qual o candidato precisa beber quase um litro numa só golada.
Cultura alemã
Blumenau também recebeu outros imigrantes europeus, principalmente italianos e poloneses. Mas o sotaque germânico dos primeiros colonos prevaleceu, especialmente na vila de Itoupava, a 22 km do centro.
Lá está a maioria dos descendentes que ainda falam o alemão no dia-a-dia. Muitos, inclusive, não aprenderam o português até hoje e moram nas casas construídas pelos avós há quase 100 anos. Em Itoupava concentra-se a maior parte das simpáticas construções enxaimel, as casas com telhado triangular, vigas de madeira e paredes de tijolinhos.
Mas a herança dos imigrantes não se resumiu à arquitetura e a receita de um bom chope. Eles deixaram, sobretudo, um espírito de empreendedorismo que a cidade soube aproveitar. Foi a primeira de Santa Catarina a ganhar iluminação pública. A primeira a ter emissora de rádio (a Rádio Clube de Blumenau, em 1934) e emissora de televisão (a TV Coligadas, canal 3, em 1969), no Estado. Atualmente, é um dos mais importantes pólos da industria têxtil no Brasil e se tornou um centro de compras, especialmente de roupas, cristais e artigos de cama, mesa e banho. Várias fábricas têm outlets pela cidade, como a Hering, onde se pode comprar a preços bem convidativos.
Blumenau é uma pequena amostra de como seria o Brasil se o país inteiro tivesse o zelo alemão em tudo, do trato com o jardim e o preparo da comida à preocupação com a qualidade de vida em geral.
Foi até atestada pela ONU como uma das dez melhores cidades para viver no Brasil. Não por acaso. Por suas ruas sempre limpas caminha uma gente educada e cordial. Os carros páram para os pedestres atravessarem a rua – mesmo fora das sinaleiras, como eles chamam o semáforo por lá. Ninguém ultrapassa o limite de velocidade, até porque a cidade está cheia de lombadas eletrônicas e radares fotográficos. Tampouco existem pedintes nos faróis e o índice de alfabetização é de 95%.
A maioria da população trabalha nas indústrias e, portanto, com a vida regulada pelos horários da rotina fabril. Às seis e pouco da tarde, o blumenauense já está em casa para jantar ou num happy hour com os amigos.
As senhoras e os mais velhos adoram o costume de tomar chá da tarde. Por volta da cinco horas, é difícil achar uma mesinha vaga no Caffehaus do Hotel Glória, que serve café colonial em sistema de buffê, com vários tipos de tortas, frios, sucos e salgados. Aproveite e vá também.
O que fazer?
Nos finais de semana de sol e céu azul, muita gente vai curtir os parques espalhados no entorno da cidade, como o Spitzkopf e o Parque das Nascentes, com trilhas que levam a cachoeiras e mirantes.
Outra tradição local estipula o domingo no calendário semanal como o dia oficial de comer marreco com repolho roxo, o cartão de visitas gastronômico local. A receita, trazida com os imigrantes, ensina que a ave deve ser preparada assada e recheada com os miúdos.
Uma adaptação mais recente acrescentou um pouco de carne bovina ao recheio para amenizar o sabor forte. Para acompanhar: chucrute (repolho fermentado), repolho roxo (com um toque de canela para ganhar sabor adocicado) e purê de maçã ou batata.
Todo restaurante alemão que se preze em Blumenau serve o tal marreco recheado. O melhor lugar para degustar o prato é no Abendbrothaus, que só abre aos domingos. O restaurante funciona numa típica casinha alemã em estilo enxaimel, localizada na Vila de Itoupava. Para sobremesa, eles adoram as tortas de frutas, sendo o apfelstrudel a mais popular delas, um folhado a base de maçã, servido com nata, sorvete ou chantilly.
Mas entre todos os hábitos herdados dos alemães, nenhum é tão forte e arraigado nos moradores de Blumenau quanto o prazer de se reunir para comer, beber e confraternizar. Os encontros de amigos, que eles chamam de stammtisch, acontecem principalmente nos diversos clubes de caça e tiro, outra tradição que veio com os imigrantes e ficou.
Cerca de quatro mil pessoas em Blumenau participam ativamente do encontro desses clubes, que se adequaram aos novos tempos ecológicos e não praticam mais a caça. Na programação atual, só vale o tiro esportivo, que até as senhoras praticam e dizem ser bom para aliviar o estresse (mas que estresse?). Os clubes de caça e tiro organizam churrascos, torneios de carta, bocha ou qualquer outra coisa que sirva para juntar amigos.
Oktoberfest - Até secar a caneca
Para ver, e participar, de um legítimo stammtisch, vá à Cervejaria Eisenbahn, a mais famosa de Blumenau, em qualquer quinta-feira à noite. A cervejaria, embora pequena, enche de gente, que canta e brinda ao som de marchinhas típicas entoadas por conjuntos alemães. Mas a festa ali começa só depois que o Ingo Pentz, um dos músicos, chega e cumpre o ritual: toca o sino e puxa em coro o hino da cervejaria, antes de a bagunça organizada aumentar na mesma proporção do trabalho dos garçons.
A própria Oktoberfest não deixa de ser um stammtisch alemão. Com certeza, o maior de todos, hoje com direito a multidões e desfile com carros alegóricos dignas de Joãozinho Trinta. Mas ainda autêntica e muito, muito alegre. Tanto que os descendentes de alemães, antes de secar suas canecas, não perderam o hábito de ecoar o clássico Ein Prosit! Talvez seja esse o segredo simples, de juntar os amigos, que fez o sucesso da grande festa da cerveja em Blumenau.
Para comentar é preciso autenticar-se.
Clique aqui para se autenticar.- Publicado em 10/05/2012 18:04 - Atualizado em 14/05/2012 13:23
Sobre duas rodas, explore Mendoza nas férias
Uma série de empresas de turismo já está com pacotes prontos para quem deseja viajar nas próximas férias. A Bike Expedition, por exemplo, criou um roteiro de cinco noites de bicicleta pela região de Mendoza, na Argentina. No total, são 200[...]
- Publicado em 10/05/2012 18:07 - Atualizado em 14/05/2012 12:32
Acampamento do Santos oferece à garotada rotina igual a dos atletas
Se seu pimpolho ou adolescente demonstra ter talento com uma bola nos pés, por que não inscrevê-lo no Santos Training Camp? Trata-se de um acampamento, entre 16 e 21 de janeiro de 2012, no Oscar Inn Hotel Eco Resort, em Águas de Lindoia (SP),[...]
- Publicado em 10/05/2012 18:11 - Atualizado em 14/05/2012 12:18
Estude e ainda aproveite as belas paisagens da Austrália
A Austrália tem praias lindas e com ótimas ondas, em diferentes pontos do país. Sem contar a beleza e a diversidade subaquáticas, como comprova a exuberante Grande Barreira de Corais. Por isso, tem tudo a ver estudar inglês por lá e ainda[...]
- Publicado em 10/05/2012 18:00 - Atualizado em 14/05/2012 12:09
Inglês e diversão num curso de férias em Vancouver
Os pais que pretendem presentear os filhos com uma viagem, a qual ainda resulte num upgrade da língua inglesa, podem conferir os programas de estudo no exterior oferecidos pela Experimento. Uma das alternativas é um curso de três semanas em[...]






