Nova Veneza, em Santa Catarina, preserva tradições italianas
Pouca gente ouviu falar de Nova Veneza, cidade colonizada por imigrantes italianos. Serra Gaúcha? Que nada, pequena e aconchegante, ela fica em Santa Catarina, a apenas 8 km de Criciúma. Você pode encontrar várias razões para ir até lá. Porém, o maior tesouro da cidade é sua gente, que faz muita questão de preservar a cultura e a tradição dos antepassados.
O carnaval, por lá, é um exemplo: grupos folclóricos, que ensaiam nos finais de semana na praça Humberto Bortoluzzi, entoam velhas canções italianas enquanto moças e rapazes se esmeram em danças medievais com roupas da época – além de usar também as famosas máscaras venezianas.
A cidade mais italiana do Brasil
É impressionante conversar com um neo-veneziano: eles se sentem realmente italianos. Os mais velhos, – é possível encontrar alguns imigrantes vivos – ainda sentem saudade de uma Itália que não existe mais. Os mais novos têm orgulho das origens e das tradições e fazem de tudo para mantê-las vivas. Não é por menos que Nova Veneza recebeu o título de “Cidade Mais Italiana do Brasil”. Talvez isso explique o fato de Veneza, a italiana, preocupar-se tanto em divulgar e apoiar a Veneza brasiliana. De lá já foram enviados, como presentes, o Leão de San Marco – que hoje ocupa espaço de destaque no topo do pórtico de entrada da cidade –, uma réplica da Pietá de Michelangelo e a famosa gôndola, original, única da América do Sul.
A história de Nova Veneza começou em 1891, quando imigrantes italianos (vênetos e lombardos) fundaram uma colônia no sul de Santa Catarina. A herança italiana ainda se faz presente nos costumes, na arquitetura, na língua e principalmente, na culinária.
Em Nova Veneza, segundo alguns especialistas no assunto, ainda se encontra la vera cucina italiana, sem invenções nem modismos. Dezenas de bons restaurantes servem a farta mesa colonial composta de polenta, risoto, galeto, carne, pasta ao ragu, pasta à carbonara, radiche, fortaia, nhoque, salame, queijo e muito, muito vinho colonial. O sistema lembra um rodízio, pois as travessas onde são servidas as iguarias nunca ficam vazias.
A gôndola
A vecchia Itália tem referências também na arquitetura das praças e das casas que constituem o florido (e sempre limpo) centro da cidade. Próximo à praça da matriz, qualquer visitante pode desfrutar de algo até então reservado apenas a quem viajava até Veneza, na Itália: um piccolo passeio de gôndola. Em um ano na ativa, a embarcação já levou cerca de 40.000 pessoas, sob o comando de um gondoleiro vestido a caráter.
E não estranhe, ao caminhar pela cidade, gente falando em dialeto vêneto ou em italiano – a língua é idioma oficial nas escolas municipais. Na pracinha do centro, você pode encontrar grupos disputando acirradas partidas de moira (uma espécie de porrinha, sem os palitos) ou uma animada partida de bocha. Em meio a isso tudo, o coral Eco di Venissia ensaia por ali mesmo, na praça, as canções que apresentará em festividades, como o carnaval.
A religiosidade e o catolicismo são outras fortes características herdadas da colonização italiana. Você poderá conferir isso ao visitar o Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio e a Igreja Matriz de São Marco, no centro. Há ainda a Via Crucis, com 12 capitéis simbolizando a trajetória de Cristo e que termina no alto do morro, na Igreja do Cristo Crucificado.
Ainda no centro, o Museu do Imigrante guarda em seu interior peças da época da imigração, como ferramentas, mobiliário, artefatos agrícolas e fotos antigas. Todas as atrações de Nova Veneza são bem sinalizadas por meio de placas indicativas e fica fácil encontrá-las.
Casas de Pedra
Mas para uma verdadeira volta ao passado é fundamental uma visita ao sítio histórico das Casas de Pedra. Tombado pelo patrimônio histórico nacional, reúne um grande conjunto daquelas típicas casas que marcam ainda hoje algumas paisagens no interior da Itália, como a Toscana.
É um marco da chegada da primeira leva de imigrantes. Na época, havia um único pedreiro, o signore Bratti que, durante o dia, construía as casas dos colonos e, à noite, com a ajuda da mulher erguia a sua. Foram quatro anos para levantar três magníficas construções sem uso de pregos, cimento ou parafusos. A primeira foi o estábulo, pois era preciso proteger os animais. A segunda, a cozinha e a sala de refeições. Por fim, ele fez os quartos.p
Durante muito tempo elas estiveram abandonadas. Hoje, graças ao esforço de Titto Bratti (neto do pedreiro) estão totalmente restauradas e abertas à visitação.
Outra atração é uma visita a ferraria do signore Nazzari, um ferreiro artesanal que mantém sua oficina funcionando como quando seu avô a construiu. Usa como fonte de energia um velho moinho de água e um engenhoso sistema de polias.
Vale a pena ainda uma esticada até a vinícola Borgo, onde são produzidos vinhos coloniais, suco de uva, geléias e grapa, além da farinha de milho artesanal para o preparo da genuína polenta.
Quando ir
Além da época do carnaval, há datas interessantes para conhecer a cidade: em abril é celebrada a Festa de São Marco, no último domingo de maio acontece a Festa de Nossa Senhora de Caravaggio e, em 21 de junho, a cidade pára com a Festa da Colonização e da Emancipação.
Durante um passeio pela região de Nova Veneza, caso esteja de carro, sintonize na rádio local para ouvir velhas canções italianas e o locutor falando em dialeto vêneto. Lembre-se que você está na cidade que é um pedacinho da Itália. Como diz o velho ditado, por sinal, muito adequado para o caso: “uma vez em Roma, faça como os romanos”.
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Clique aqui para se autenticar.- Publicado em 10/05/2012 18:04 - Atualizado em 14/05/2012 13:23
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