Serra da Bocaina, entre SP e Rio, é ideal para fugir do estresse das metrópoles
O que você prefere para um fim de semana na serra: encarar longas trilhas para vislumbrar paisagens em pontos quase exclusivos ou simplesmente descansar numa pousada simpática, no meio do mato, onde os únicos barulhos vêm dos grilos e do estalar da lenha na lareira? Pois essas duas alternativas nunca foram exclusividade de Campos do Jordão (SP) e Monte Verde (MG), as preferidas dos paulistas nas temporadas de inverno, tampouco de Nova Friburgo (RJ) e Teresópolis (RJ), as primeiras que vêm à mente dos cariocas quando o assunto é montanha.
As pequenas cidades na região da Serra da Bocaina, no limite entre os estados de São Paulo e Rio, também guardam alguns recantos perfeitos para quem só quer fugir do estresse da metrópole, seja para descansar na paz de uma pousada em plena mata atlântica ou para desbravar as trilhas que quase sempre terminam em alguma cachoeira.
As cidades que se localizam na região da Bocaina carecem do charme e da infra-estrutura das mais famosas estações serranas. Funcionam apenas como um ponto de partida para subir a serra e chegar até pousadas como a Casa da Bocaina, em Bananal (SP); a Pousada da Joaninha, em Silveiras (SP); a Estação Ecológica Serra da Bocaina, em Areias (SP); a Fazenda São Francisco, o Hotel Porto da Bocaina e a Pousada Vale dos Veados, essas três acessadas a partir de São José do Barreiro (SP).
Quem busca alguma dessas pousadas geralmente gosta de natureza e não dá tanta importância para luxo, desde que tenha algum conforto. A maioria quer algo mais além de quartos com ar-condicionado e frigobar – aliás, a maior parte dessas pousadas não oferece nada disso.
A Casa da Bocaina e a Pousada Vale dos Veados – que faz parte do Roteiros de Charme e deve o nome à espécie animal muito comum na região – nem energia elétrica têm. A iluminação é à base de velas ou lampiões a gás – e a água esquenta graças a uma serpentina que passa pelo calor do fogão a lenha. É justamente esse isolamento no alto da serra – que não deixa de ser curioso quando se está entre as duas maiores cidades brasileiras – que os visitantes mais gostam.
Onde ficar
Das seis opções de pousadas que Viaje Mais visitou na Serra da Bocaina, a Pousada Vale dos Veados e a Casa da Bocaina são as mais rústicas – e também as mais aconchegantes. O maior problema é o acesso até elas, pois é preciso vencer estradinhas de terra por onde transitam apenas veículos 4x4. Ambas oferecem o transfer para os hóspedes em veículos próprios – mas o serviço é cobrado à parte.
Nas outras pousadas, qualquer carro de passeio chega – embora existam trechos de estrada de terra para serem vencidos. O Hotel Porto da Bocaina, às margens da represa do Funil – no caminho para quem vai de Areias para São José do Barreiro – é o que se localiza em ponto mais fácil de chegar.
Já a Estação Ecológica Serra da Bocaina, quase 2.000 metros acima do nível do mar, se gaba das seis cachoeiras próximas à pousada e de poder oferecer uma vista incomparável da serra.
Quem gosta de conhecer a história dos lugares que visita vai preferir a Fazenda São Francisco, antiga propriedade rural com arquitetura colonial, que serve um café da manhã para lá de especial. Na Pousada da Joaninha o que chama a atenção é o requinte dos chalés em estilo alpino, todos com lareira e banheiros privativos.
Qualquer uma delas é garantia de um final de semana diferente, especialmente para curtir prazeres simples como jogar conversar fora olhando um céu estrelado, sentar para ouvir o som noturno da floresta ou comer comida caseira feita com arte e paciência no bom e velho fogão a lenha.
Aproveitar o sossego nas pousadas é uma das maneiras de curtir a Serra da Bocaina. A outra alternativa, em ligação direta com a natureza do local, é percorrer as trilhas que levam a mirantes e cachoeiras – esta, a preferida dos visitantes mais aventureiros. Qualquer que seja a pousada, você receberá coordenadas de como chegar nas atrações.
No entanto, as cachoeiras maiores e mais atraentes ficam dentro do Parque Nacional da Serra da Bocaina. Você pode reservar um dia para ir até lá e conhecer a cachoeira de Santo Izidro ou a das Posses. A entrada do Parque é acessada apenas por São José do Barreiro (SP), seguindo por estrada de terra de 27 km com buracos e atoleiros.
Os mais aventureiros podem fazer toda a Trilha do Ouro, longa caminhada de 68 km que leva três dias para ser concluída e atravessa todo o Parque Nacional da Serra da Bocaina até chegar na areia da praia de Mambucaba (RJ), ao lado de Angra dos Reis (RJ). No caminho há cinco pousadas bem simples que, na realidade, são casas de colonos adaptadas para receber os caminhantes, onde se pode tomar um banho quente, jantar e dormir.
Quem encara a aventura não se arrepende, especialmente quando se está em grupo, pois fica muito mais divertido (e seguro). O caminho passa pelas cachoeiras do Santo Izidro, das Posses e, após o segundo dia de caminhada, chega-se à Cachoeira do Vale dos Veados, a maior do estado de São Paulo, com 200 metros de queda d´água.
Trekking
A Trilha do Ouro foi aberta por volta de 1740 e era usada por tropeiros que traziam o ouro de Minas Gerais em direção ao litoral. Era o caminho alternativo usado pelos contrabandistas para fugir da fiscalização e do imposto cobrado em Paraty (RJ) pela coroa portuguesa.
No primeiro dia de caminhada, a trilha não passa de uma estrada de terra estreita. A partir do segundo dia surge o antigo calçamento feito por escravos com pedras retiradas dos rios da região. Em alguns trechos, o piso está intacto. No final da trilha, em estrada de terra novamente, as casas dos colonos vão ficando mais freqüentes. É sinal de que Mambucaba está bem perto.
Fazer a trilha exige bom preparo físico, pois o caminho é longo. O ideal é contratar um guia em São José do Barreiro, como o experiente Cebolla, ou entrar em um grupo de excursão que a agência MW Trekking, de Zé Milton, organiza quase todos os finais de semana. Qualquer que seja a opção – apenas descansar ou caminhar em busca de cachoeiras – a Serra da Bocaina tem todos os elementos para um fim de semana agradável.
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